10 de novembro de 2014

Gotham antes do Batman


A série Smallville (“Somebody saaaaaave meee!”) me deixou um gosto amargo na boca “no que se refere a questão” de séries televisivas que envolvem personagens de quadrinhos, e até a ótima adaptação de The Walking Dead pela FOX e de Arrow pela CW, eu continuava acreditando que nada decente poderia ser criado para a TV com base nas HQs. Sim, eu era aquele tipo de fã chato que não se conformava que se alterasse uma linha de roteiro sequer da obra original, por isso nunca fui com a cara de Smallville que mostrou (em 10 TEMPORADAS!!!) o passado de Clark Kent antes de se tornar (oficialmente) o Superman.

Sim. 

Antes dele colocar a cueca vermelha por cima da calça, ele já tinha saído no braço com o Brainiac, com o Apocalypse e até com o Darkseid, sem falar que já tinha encontrado a Liga da Justiça quase que inteira, já tinha viajado para Metrópolis, encontrado a Lois Lane e trabalhado no Planeta Diário. Porra! Não dava pra levar essa merda a sério.

Quando soltaram a sinopse da série Gotham e eu li que o programa iria abordar a juventude do detetive James Gordon em uma Gotham City atolada até as tampas na criminalidade, mas que mais do que isso, iria também mostrar o passado da galeria de vilões do Batman ANTES de Bruce Wayne sequer receber a visita de um morcego na sala de casa, uma trilha sonora me veio à cabeça:

“SOMEBODY SAAAAAAAVE ME!”

Parecia ali que uma tremenda ideia de jerico estava se estabelecendo, e que iriam repetir o mesmo erro cometido em Smallville desta vez com Gotham e o Batman: Antecipar tudo que acontece na vida inteira de um personagem no futuro em seu passado.


Bastaram alguns episódios de Gotham, no entanto, para que eu entendesse que não é possível “adolescentizar” o universo sombrio do Batman com a mesma facilidade com que isso aconteceu com o “Superboy” de Smallville. O Batman é por concepção um personagem urbano com o pé mais fincado na realidade, e todo seu universo é calcado no submundo de uma cidade extremamente corrupta, onde seus moradores estão acostumados a conviver com a máfia, o crime e a podridão social. Todos esses ingredientes formam um enredo muito bom para uma série de TV, e é exatamente nisso que Gotham aposta em seus primeiros episódios, deixando a mística do Homem Morcego e seus arqui-inimigos fantasiados um pouco de lado enquanto mergulha mais fundo no mundo do homem (no caso, a figura de James Gordon, vivido por Ben McKenzie) que busca trazer um senso moral para um lugar onde ele é considerado obsoleto.


Na série Gotham, James Gordon já é um oficial da Polícia (DPCG) quando os filantropos Thomas e Martha Wayne são assassinados no Beco do Crime por uma figura encapuzada cujo rosto só é visto por Selina Kyle (Camren Bicondova), uma adolescente que mora nas ruas fugindo de orfanato em orfanato. 



A cena antológica da morte dos pais do jovem Bruce (David Mazouz) já foi repetida à exaustão no cinema, mas nem a versão de Tim Burton e nem a de Christopher Nolan (essa, aliás, a mais sem emoção de todas) conseguiu retratar o sofrimento do menino que perdeu os pais de forma tão brutal de um jeito tão convincente, o que rendeu bons pontos positivos para a série logo de cara. Depois do crime, James Gordon entra em cena junto do parceiro Harvey Bullock (Donal Logue) para tentar desvendar a identidade do assassino do casal mais proeminente da cidade, em promessa feita ao chocado Bruce Wayne, que é levado para casa pelo fiel mordomo da família Wayne Alfred (Sean Pertwee).


Nos primeiros episódios um suspeito do crime já é desvendado após uma investigação que leva Gordon e Bullock até o colar de pérolas roubado de Martha Wayne no dia do crime. As pistas se aquecem quando eles chegam ao ex-presidiário Mario Pepper e ele reage ante a acusação de ser o assassino do casal Wayne. Num rápido vislumbre, é revelado que, apesar de NÃO SER o verdadeiro assassino e sim parte de um plano bem engendrado pela máfia local de encontrar logo um culpado pela morte dos filantropos e calar a Polícia, Pepper é o pai da pequena Ivy, que mais tarde viria a ser conhecida como a sedutora Hera Venenosa


Quando percebe, James Gordon já está bem no meio da guerra particular entre dois dos mais poderosos chefes do crime de Gotham, Carmine Falcone (John Doman) e Sal Maroni (David Zayas), e graças às conexões de seu parceiro Bullock, também na mira da perigosa Fish Mooney (Jada Pinkett Smith), o braço direito do velho Falcone. Após um ardil muito bem montado por Falcone, Gordon se vê obrigado a eliminar um dos dedos-duro do time de Mooney se quiser se manter vivo, e o policial tem que forjar a morte do ambicioso Oswald Cobblepot (Robin Lord Taylor), já que seu código de honra imutável o impede de matá-lo de verdade. Achando que assim ganhou a alma e a cooperação do último policial honesto de Gotham, Falcone dá por encerrada as buscas pelo verdadeiro assassino de Thomas e Martha Wayne, fazendo com que Gordon o tenha que fazer nas sombras, longe dos olhos até mesmo de seu parceiro Bullock.


De forma bem competente Gotham nos mostra que Jim Gordon está sozinho nadando num mar de tubarões famintos que irão devorá-lo a qualquer movimento falso que ele der, e essa sensação de estarmos andando na mesma corda bamba que Gordon é o principal atrativo da série, enquanto vamos percebendo o quanto aquela cidade PRECISA de um Batman. Se de um lado percebemos que toda a força policial come nas mãos de Falcone e que o submundo do crime consegue agir de forma tão pomposa e atrevida à luz do dia, por outro, vemos Gordon lutando para manter seus ideais enquanto tudo a sua volta afunda na lama. Com o peso da suposta morte de Cobblepot nas costas, ele começa a ser investigado pelos representantes da UCE (Unidade de Crimes Especiais) Renee Montoya (Victoria Cartagena) e Crispus Allen (Andrew Stewart-Jones), que acreditam que, assim como boa parte da força policial, Gordon também esconde esqueletos no armário.


Para manter a sanidade, James conta com o apoio da jovem namorada Barbara Kean (Erin Richards) que vê o companheiro mudar ao passo que seu trabalho começa a interferir na relação entre os dois. Sem saber de imediato o que James foi obrigado a fazer para se livrar  das garras de Carmine Falcone, Barbara começa a ser instigada por Renee Montoya, com quem teve um caso anteriormente, a desconfiar de James, uma vez que as evidências começam a apontar que ele eliminou mesmo o capanga de Fish Mooney. Não sei bem se um relacionamento entre Montoya, que nas HQs é declaradamente homossexual, e a esposa de James Gordon chegou a ser sugerido, mas confesso que isso meio que foi uma surpresa para mim, considerando que nunca tinha ouvido falar em nada parecido. Seja como for, esse amor antigo acabou apimentando as coisas, já que Montoya começa a tomar certas atitudes contra Gordon mais movida pelos sentimentos do que apenas pela razão.


Diferente da minha opinião inicial que era calcada COMPLETAMENTE por um PREconceito em que eu a havia estabelecido, eu tenho gostado de Gotham. Alguns escritores já haviam tentado nos mostrar o universo do Batman sem que ele participasse ativamente (Gotham City contra o Crime escrita por Ed Brubaker, por exemplo), e embora vejamos os vilões do Morcego como o Victor Zsasz (Anthony Carrigan) e às vezes características deles, como o Veneno que fortalece o vilão Bane, já pipocando na tela em suas versões sem-fantasia, a série trata tudo de uma forma bem adulta, sem escapismos baratos para apenas citar um ou outro personagem. Há uma trama correndo solta, e o foco continua sendo em James Gordon, que a meu ver, nunca foi um personagem lá dos mais interessantes, funcionando mesmo apenas como um coadjuvante que liga o batsinal e se esconde atrás da asa do morcego quando o bicho pega.


Os personagens coadjuvantes, por falar neles, também têm seus atrativos, e para ajudar nas investigações dos crimes que abundam em Gotham, Gordon e Bullock contam com o engraçado detetive forense Edward Nygma (Cory Michael Smith) que sempre tem uma “charada” na ponta da língua, embora ninguém o deixe completá-las. O nerd frustrado que é vidrado na arquivista da DPCG já mostra talento com relação ao futuro mestre do crime que ele virá a ser dentro do colante verde com a interrogação no peito, e embora esteja do lado da lei nessa primeira temporada, já é possível perceber as razões que o levarão a atravessar a linha maniqueista entre o certo e o errado.


Nenhum futuro vilão do Batman brilha mais nessa série, no entanto, que o Pinguim. Sim. O Pinguim, o vilão mais idiota do Homem Morcego que só conseguiu ser minimamente interessante UMA ÚNICA VEZ na vida, na pele de Danny DeVitto em Batman O Retorno, de Tim Burton. O ator Robin Lord Taylor dá vida a uma das melhores caracterizações de Oswald Cobblepot que já se viu em outra mídia diferente das HQs (o que não é assim tão difícil!) e sem nadadeiras, deformações ou qualquer outra das bizarrices insanas de Tim Burton, ele consegue nos convencer de que pode sim ser um bom personagem, agindo onde ele se dá melhor, no mundo das intrigas e disse-me-disse. O papel do Pinguim é justamente esse, o de causar o maior número de intrigas possível entre as duas maiores famílias criminosas da cidade, e sua forma de agir nos mostra que o que ele quer mesmo é ver o circo pegar fogo e reconstruí-lo à sua imagem das cinzas. Com trejeitos meio afeminados e por vezes desajeitados, Pinguim é o verdadeiro maestro por trás do que acontece entre a rivalidade de Falcone e Maroni, e pelo visto ele será um personagem ainda mais importante até o fim da série.


É complicado se acostumar a ver Gotham City sem a sombra do Batman pairando sobre ela, e às vezes dá certa ansiedade em vermos logo o fedelho chatinho Bruce Wayne saindo pra treinar e enfim se tornar o Cavaleiro das Trevas. Por ora a série vem cumprindo seu papel de entreter a audiência e não sentimos tanto a falta do Homem Morcego. Enquanto as sementes da luta pela justiça vão sendo incutidas na mente do jovem Wayne, auxiliado por Alfred, nos contentamos em ver a luta de James Gordon para tornar sua cidade menos corrupta. Só não sei se iremos esperar muitas temporadas de uma série do Batman SEM o Batman. Essa brincadeira talvez canse.



NOTA: 8,0 por enquanto.

Ps.: Sou só eu ou mais alguém percebeu a semelhança entre a jovem Camren Bicondova que interpreta a Selina Kyle de Gotham e a atriz Michele Pfeiffer que interpretou a Mulher Gato em Batman O Retorno? 



Ps. 2: E não é estranho que o ator que interpreta o Pinguim se chame "Robin"?


NAMASTE! 

31 de outubro de 2014

A FASE 3 da Marvel nos cinemas


Apenas seis dias após o lançamento não-oficial (mas que depois acabou sendo oficial!) do primeiro trailer de Os Vingadores 2 - A Era de Ultron (que eu comentei aqui), a Marvel reuniu a imprensa, como já havia sido previsto, para anunciar seus planos para os próximos SEIS ANOS, dando início assim, a chamada FASE 3 da empreitada do estúdio para os cinemas. Com uma CARALHADA de novidades, e mostrando que em relação a organização e empenho ela dá uma surra de pau mole na cara da WARNER/DC, a Marvel entrou com os dois pés no peito da concorrência, e fez a nerdaiada ter orgasmos com a lista de filmes a serem lançados até 2020! 

Entre piadinhas com relação ao vazamento do trailer de Os Vingadores 2 (que deveria acontecer NESSE EVENTO), cuja autoria acabou sendo dada a HYDRA (organização "do mal" que acabou se revelando em Capitão América 2) e um título zombeteiro para o terceiro filme do Sentinela da Liberdade, algo como "Capitão América 3 - A Sociedade da Serpente", Kevin Feige, o manda-chuva por trás dos estúdios Marvel, comandou o evento não só mostrando quais serão os próximos filmes com o selo Marvel para os próximos seis anos, mas também dando alguns detalhes importantes sobre eles após a exibição de peças gráficas como pôsteres e vídeos.
Apertem os cintos, pegue sua agenda e anote as datas em que você estará totalmente indisponível para a sociedade para os próximos anos, jovem padawan:

Capitão América: Guerra Civil - 6 de maio de 2016
Doutor Estranho - 4 de novembro de 2016
Guardiões da Galáxia 2 - 5 de Maio de 2017 
Thor 3: Ragnarok - 28 de julho de 2017
Pantera Negra - 3 de novembro de 2017 
Capitã Marvel - 6 de julho de 2018 
Inumanos - 2 de novembro de 2018
Avengers: Infinity War - Parte I - 4 de maio de 2018
Avengers: Infinity War - Parte II - 3 de maio de 2019

O filme do Homem Formiga, que estreia em 2015, deve encerrar a FASE 2 dos filmes Marvel, e depois dele, enfrentaremos uma ressaca brava até 2016, quando então o Capitão América volta aos cinemas em um filme cujo subtítulo deve ter arrepiado até o cabelo do sovaco da nerdaiada: CIVIL WAR.


Pra quem não lembra, o arco Guerra Civil nas HQs representou uma quebra de paradigmas na conceituação do universo Marvel 616, colocando em lados opostos velhos amigos como Tony Stark e Steve Rogers. Enquanto um apoiava a lei de registro para super-humanos, que marcaria feito gado qualquer super-herói para que eles passassem a ser responsáveis por seus atos (destruir propriedades públicas, depredar, matar) não só como heróis, mas também em suas identidades secretas, o outro era radicalmente contra isso tudo, o que o colocou em guerra com a SHIELD e causou o esfacelamento dos Vingadores. 


Agora imaginem essa porra no cinema!

Kevin Feige comentou que a Guerra Civil dos cinemas não será igual a das HQs (óbvio que não), mas só de pensar em algo remotamente parecido, e que coloque o Homem de Ferro pra sair na porrada com o Capitão América, é motivo pra aplaudir de pé tamanha ousadia. 



Eu pago um Dólar por isso!


No mesmo ano, ainda teremos a estreia do Mago Supremo Doutor Estranho nos cinemas, dessa vez confirmado, já que só se ouvia boatos infundados sobre essa produção (algumas eu comentei aqui). Na última semana, o nome de Benedict Cumberbatch (a voz do Smaug de O Hobbit e o Sherlock Holmes da série) esteve envolvido na boataria de que ele seria, enfim, o escolhido para viver Stephen Strange na telona, mas nem mesmo o próprio Kevin Feige foi capaz de confirmar isso. 



Depois de Ewan McGregorJoaquin Phoenix e até mesmo Johnny Depp, Cumberbatch é a bola da vez para ser pleiteado ao papel, embora eu ache que não demore a aparecer o nome oficial do protagonista em breve, agora que o filme já tem até data para estrear. 


Em 2017 os heróis galáticos que ganharam o mundo em 2014 (chegando ao patamar do filme mais visto da Marvel nesse ano) voltam as telas para uma nova aventura, e nada além disso foi mencionado. Guardiões da Galáxia 2 ainda é uma incógnita com relação a roteiro (embora tenhamos um ou outro palpite) ou mesmo elenco, mas acho difícil que alguém erre feio com a sequência de um filme que foi tão bem visto por vários tipos de público, desde os fãs mais xiitas de quadrinhos até a galera que curte um cineminha de vez em quando. 



Eu particularmente gostaria que a FOX se estrepasse todinha com esse novo Quarteto Fantástico que ela vem produzindo e que os personagens espaciais como Surfista PrateadoGalactusTerrax e os Skrulls voltassem para as mãos da Marvel para rolar uma interação com os Guardiões, mas enquanto isso não acontece, espero ver mais da Tropa Nova em ação, de Richard Rider e quem sabe do próprio Adam Warlock. Fica aí a esperança.

Paquita Marteluda volta para o terceiro filme cujo subtítulo também impõe respeito, uma vez que RAGNAROK foi um dos melhores arcos escritos para o Thor nos últimos dez anos. A história contava o ciclo de vida e morte que ronda o povo dos Nove Reinos, e como os habitantes de Asgard enfrentam seu derradeiro fim de tempos em tempos. O ciclo inevitável abate todos, e nas HQs, Ragnarok marca não só a morte de Thor, como também o fim de todos os personagens asgardianos numa batalha do caralho contra o demônio Surtur e seus chegados.



 Se esse arco for levado fielmente ao cinema, veremos uma puta história de batalhas medievais e um banho de sangue bonito de se ver, o que obviamente o PG-13 classificatório JAMAIS permitiria. Levando em consideração que a primeira formação de atores dos Vingadores está começando a custar caro demais para a Marvel, não estranharia se esse fosse o último filme com Chris Hemsworth na pele do Thor, marcando então a morte do personagem. 



Imagino que algo parecido possa acontecer em Capitão América 3, seja com Chris Evans, que publicamente já se pronunciou cansado desses filmes cujo comprometimento se estende por anos e anos, ou com o próprio Robert Downey Jr., que se queixou de algo semelhante. 



Deve ser chato ficar ganhando Milhões assim para interpretar um personagem, né? Ô vida cansativa!


Fechando o ano, teremos o tão comentado filme do Pantera Negra, o herói negro de maior expressão nas fileiras não só dos Vingadores como também de toda a Marvel. Dos lançamentos mais surpreendentes, o filme do Pantera foi o único que teve o nome do ator principal revelado, e Chadwick Boseman será o rosto por trás da máscara do Rei de Wakanda. O ator e roteirista de 32 anos não trabalhou em nenhum filme de expressão até então, tendo participado apenas de séries como CSI e Law & Order, o que dificulta para que saibamos qual é seu grau interpretativo. 



Até lá, no entanto, o cara vai ter tempo de sobra para treinar o corpo e a mente até que seja capaz de dar uma chave de braço no Surfista Prateado para que seja capaz de dar vida ao personagem que nunca sequer apareceu de relance em nenhuma produção live-action da Marvel, mas que era figurinha carimbada no excelente desenho animado The Avengers - Earth's Mightiest Heroes



Acusado de ser injustamente apenas o "Batman da Marvel", o Pantera teve um arco excelente escrito por Reginald Hudlin e desenhado por John Romita Jr., e há muito tempo se especula que ele poderia ir para a telona sem que nunca isso se concretizasse. 



Eu consigo ver grandes histórias se passando no país fictício de Wakanda envolvendo o material precioso Vibranium que abunda naquela região e as selvas africanas, e agora é torcer para que o diretor e os roteiristas (sejam eles quem forem!) saibam levar todo esse clima aventuresco para o cinema para que o personagem ganhe enfim uma definição própria.


Eu não achei que viveria para ver (e ainda não sei se vou viver até lá!) a Capitã Marvel (Carol Danvers) e os Inumanos no cinema, mas é o que vai acontecer em 2019, quando esses dois filmes serão lançados. A Marvel tenta há anos ter em suas fileiras a sua própria Mulher Maravilha, foi tentado com a Tempestade dos X-Men, com a Mulher Invisível do Quarteto, mas parece que caiu no colo da ex-Miss Marvel o título da maior heroína da editora. Os arcos de histórias em que ela aparecia sozinha, publicados no Brasil na revista dos Vingadores eram até engraçadinhos, mas nunca foram um sucesso de crítica (muita gente até reclamava!) por essas bandas, o que nos faz ter pouco parâmetro para sugerir algo que valha a pena ser levado para o cinema.



 Em sua nova persona, ela agora é chamada de Capitã Marvel (para honrar o título deixado vago pelo falecido Capitão Marvel), usa um traje menos escandaloso (embora eu prefira o maiozinho preto!), possui uma atitude mais rígida e parece perfeita para ser mais um nome feminino forte no cinema como a Lara Croft da Angelina Jolie ou a Alice, vivida por Milla Jovovich de Resident Evil. Tomara que, diferente da esquelética Gal Gadot que foi escolhida para ser a Mulher Maravilha da DC, os produtores escolham uma atriz mais portentosa para o papel de Carol Danvers, e que além de atuar bem, ela consiga nos encher os olhos durante as cenas de ação. 



Alguém tem algum palpite?


Sobre os Inumanos eu não sei o que pensar sobre um filme desses. Em muitos anos de leitor de quadrinhos, eu nunca sequer vi um arco solo com os personagens sem que eles estivessem envolvidos ou com os Vingadores ou com o Quarteto Fantástico, por isso, posso apenas especular que eles tenham uma abordagem próxima da que foi usada com os Guardiões da Galáxia, no que se refere a questão de "personagens pouco conhecidos do qual ninguém espera nada mas que se mostram com um tremendo potencial". 



Já foi dito que a inserção dos Inumanos no universo cinematográfico Marvel será feita para tampar o buraco deixado pela falta de mutantes, já que os X-Men e derivados estão com a FOX, e se bem usada, a desculpa das pedras terrígenas kree que concedem poderes a pessoas comuns, pode vir bem a calhar nesse sentido. É provável que vejamos mais sobre isso já em Vingadores 2, uma vez que não se pode dizer nem que a Feiticeira Escarlate e o Mercúrio são mutantes e muito menos que são filhos de Magneto



Assim sendo, os dois devem ter ganhado seus poderes entrando em contato com as tais pedras que deram os dons aos Inumanos, que tem em suas fileiras o Raio Negro, cujo suspiro pode derrubar uma montanha, sua esposa Medusa, capaz de usar os cabelos ruivos como tentáculos, Gorgon, o gigante com uma patada mortífera e Karnak, o baixinho capaz de identificar pontos fracos em estruturas inorgânicas e destruí-las com golpes. Além de Triton,o Homem-Peixe e Crystalis, que comanda os elementos, hoje em dia não faço ideia de quem mais encabeça as fileiras do super-grupo, mas estou ansioso para saber como a Marvel irá tratar esses personagens fantásticos e relacioná-los com todo seu panteão de heróis, que cresce cada dia mais.



Para fechar os lançamentos, ainda em 2019, a Marvel lança a primeira parte de Avengers: Infinity War que pelo subtítulo deve culminar num quebra-pau da porra entre os heróis Marvel e o todo poderoso Thanos, que até lá, já vai ter se apossado das seis joias do infinito.


Cara! Você acabou de ler o que eu escrevi?

Thanos. Joias do Infinito. Vingadores. Guerra.



PUTA QUE PARIU! 

Essa Marvel tá de zoeira com a nossa cara! Como que esses inconsequentes me levam um dos arcos mais fodas de toda a historiografia da editora para o cinema e espera que não enfartemos só de ler uma notícia dessas? 

COMO?



Todo o planejamento, ao mostrar as fuças do Titã Louco na cena pós-crédito do primeiro Os Vingadores, depois de colocá-lo falando e claramente a fim de se apossar da gema do infinito que começa o filme dos Guardiões da Galáxia sendo ROUBADA pelo Senhor das Estrelas, passando provavelmente por Guardiões da Galáxia 2 e quem sabe pelo filme dos Inumanos, vai enfim se fechar com não só um, mas DOIS filmes dos Vingadores, que serão divididos em duas partes, uma em 2019 e outra em 2020. Diferente da Divina Concorrente, a Marvel parece que já tinha MESMO tudo planejado desde o início, e a ejaculação precoce dos fãs que já queriam ver os Maiores Heróis da Terra caindo de pau sobre o Thanos já no segundo filme, não fazia o menor sentido, uma vez que precisaríamos vê-los se estabelecendo como uma equipe e enfrentando inimigos mais terrenos como o Ultron antes disso. 



É possível, como rolam os boatos, que não vejamos a mesma equipe que vimos no primeiro filme e no segundo em Infinity War, já que um racha na equipe deve acontecer ao final de Age of Ultron que vai mandar cada um pro seu quadrado. O bicho deve pegar de vez em Capitão América 3 quando Rogers e Stark devem sair na mão, e até chegar em Infinity War, talvez tenhamos uma equipe totalmente remodelada de Vingadores, formada pelo Visão (que vai aparecer em Age of Ultron), a Feiticeira Escarlate, o Mercúrio e mais alguns nomes de peso, até pra que eles consigam durar ao menos um round contra o Thanos mega ultra-over-powerizado. Sem a trindade clássica (Capitão, Homem de Ferro e Thor), não vejo muita graça nos Vingadores, a menos que eles consigam incorporar a própria Capitã Marvel ou caras como o Sentinela (sonhei alto?) somados ao Hulk e mais algum personagem cósmico.



Ah, sei lá!

Fiquei empolgadaço com esse anúncio da Marvel muito mais do que saber que a Warner vai fazer um filme do... Aquaman! E como já disse antes, vou reforçar minha promessa de começar a me alimentar bem e fazer exercícios para que eu consiga chegar vivo e com saúde até 2020.


Abaixo o trailer legendado de Avengers 2 - Age of Ultron com uma cena extra divertidíssima com todos os personagens reunidos.

E aí? Quem é digno?



Ah, Marvel, sua danadinha!

NAMASTE! 

5 de outubro de 2014

A Batalha dos Cinco Exércitos - A Expectativa


Em uma enquete realizada pelo Blog do Rodman entre Agosto em Setembro sobre qual era o filme mais esperado para o fim de ano no Brasil, os leitores se manifestaram e escolheram O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos com 47% dos votos. Numa disputa acirrada com o também muito esperado Jogos Vorazes – A Esperança Parte 1 (23% dos votos) e com aqueles que já haviam estreado quando a enquete começou a rolar Os Mercenário 3 (17%) e As Tartarugas Ninjas bombadas do Michael Bay (11%), O Hobbit acabou se mostrando uma grata surpresa nessa pesquisa, visto que nenhum dos dois primeiros filmes haviam sido bem recebidos pela crítica em geral, embora tivesse alegrado o público, incluindo este que vos fala.


O terceiro filme da segunda trilogia do universo de J.R.R. Tolkien levada aos cinemas pela mente criativa de Peter Jackson estreia em Dezembro, e com ele vem mais uma grande ansiedade por parte dos fãs que, assim como já haviam feito com a primeira trilogia de O Senhor dos Anéis (concluída em 2003), guardaram grandes expectativas para os novos filmes. Essas expectativas começaram a esmorecer conforme O Hobbit ia decepcionando os mais xiitas seguidores da obra de Tolkien alegando que os novos filmes eram infantis demais e com um tom mais “engraçaralho” que os filmes clássicos. Outro problema que Uma Jornada Inesperada e A Desolação de Smaug enfrentaram foram as reclamações quanto aos furos de roteiro e as situações absurdas (banho de ouro no dragão? Sauron aparecendo antes da hora?) que remodelaram o texto de Tolkien para tentar fazer com que a história ficasse mais aceitável para as novas gerações (convenhamos... o livro O Hobbit foi escrito no final da década de 30!).


Particularmente eu nem considero que os dois primeiros filmes tenham sido assim tão “infantis” como alardearam, e independente disso, o terceiro filme promete ligar todas as pontas soltas criadas não só entre os próprios filmes DESTA trilogia como também desta trilogia com A ANTERIOR, já que personagens em comum transitam entre as duas séries, como Gandalf, Elrond e o próprio hobbit Bilbo Bolseiro. Concluir a série O Hobbit e fazer com que ela faça sentido com tudo que já vimos na série O Senhor dos Anéis não parece tarefa fácil, mas esperamos que Peter Jackson e seus roteiristas respeitem sua própria obra, respeitem a obra original de Tolkien e também os fãs de ambas.


Na terceira parte, após recuperarem sua tão almejada montanha das garras impiedosas do dragão Smaug, os anões liderados por Thorin, Escudo de Carvalho acabam liberando a ameaça pelo mundo da Terra Média, colocando em perigo iminente os moradores da Cidade do Lago, que fica ao pé da montanha. Cego pela sua avareza, agora que recuperou o tesouro dos anões, Thorin dá as costas para as amizades, e cabe ao pequeno hobbit Bilbo unir as forças que irão combater não só o dragão como também a escuridão que começa a retornar na figura de Sauron, que capturou Gandalf e que pretende liderar um exército de orcs para enfim dominar o mundo.




O trailer liberado mostra muitas batalhas e um clima intenso de guerra, o que provavelmente vai agradar aqueles que tanto reclamaram do clima infantiloide dos dois primeiros filmes. O que eu espero, no mínimo, é que esse encerramento seja tão divertido quanto os filmes anteriores, e isso já será de bom tamanho.


A Batalha dos Cinco Exércitos (que antes ia se chamar Lá e de Volta Outra Vez) estreia dia 17 de Dezembro, e nós estaremos lá.

Para relembrar meus reviews sobre Uma Jornada Inesperada e A Desolação de Smaug, clique nas imagens abaixo:



NAMASTE!

29 de setembro de 2014

Do Fundo do Baú - 20 Anos de MARVELS!


A primeira vez que botei meus olhos em uma edição de Marvels, ela estava pendurada na banca de jornal onde eu costumeiramente comprava minhas revistinhas do Homem Aranha e as figurinhas para meu álbum dos X-Men (o desenho animado). A primeira edição lançada no Brasil pela Editora Abril vinha em um incomum (na época) formato americano, e com uma sobrecapa de acetato transparente, o que dava um caráter de “mais importante” que as demais edições que com ela dividiam espaço. 


A figura do Tocha Humana perambulando pela rua em meio ao pânico de uma população me deixou cismado, não pelo fato das pessoas estarem assustadas por causa da figura flamejante, mas pela arte extremamente realista em que o personagem estava retratado. O dono da banca que eu e meus amigos de escola frequentavam também era um aluno conhecido nosso, embora uns 4 ou 5 anos mais velho, e folhear as edições de Marvel e DC era algo do qual ele não reclamava, diferente de outros donos de bancas. Logo me coloquei a virar página após página daquela revista luxuosa protegida por aquele acetato, e me deparei com uma das artes para quadrinhos mais fantásticas que já tinha visto naqueles meus poucos anos de leitor assíduo de HQs. Jamais esqueci aquelas imagens, e a partir de então, elas entraram em meu imaginário, me fazendo crer que sim, os personagens Marvel existiam de verdade.


Em 2014 faz 20 anos que Marvels, a Graphic Novel que mudou a história das publicações regulares, escrita por Kurt Busiek e maravilhosamente desenhada por Alex Ross saiu nas bancas, e até hoje ela é recordada como uma das mais importantes HQs da própria Marvel, em especial por todo o clima nostálgico que o texto de Busiek emprega na história, nos fazendo crer que os super-heróis estão mesmo entre nós desde a década de 40, nas figuras do Tocha Humana original, do Príncipe Submarino Namor e do Sentinela da Liberdade Capitão América. Cada página da primeira edição é um mergulho sensacional aos tempos da Segunda Guerra Mundial, tanto na ambientação, nos veículos, nos trajes das pessoas comuns (que são as figuras centrais do enredo todo) e até mesmo no vocabulário.


Através do roteiro de Busiek, podemos sentir as reações dos populares e da imprensa de Nova York quando essas “maravilhas” (Marvels) começam a andar entre nós, o medo irracional de um homem artificial que entra em combustão espontânea, a forma como o Dr. Horton é obrigado a se livrar de sua criação com medo que ele se torne uma arma ambulante, e da forma como o androide é alçado à categoria de herói quando outro ser fantástico tão poderoso quanto ele ameaça aniquilar a vida na superfície terrestre, vindo direto das profundezas dos oceanos, e o flamejante se põe contra ele. 


Tudo isso visto pela ótica de um fotógrafo chamado Phil Sheldon, que registra cada acontecimento com seu olhar clínico único (sem trocadilhos!!), dando a sorte de poder presenciar os melhores momentos de uma época mágica, onde os “Marvels” do título da história começaram a dar as caras pela primeira vez.


A grande vantagem de Marvels com relação às histórias que eram lançadas na mesma época, ou mesmo anteriormente, é a veracidade que os traços e a pintura de Alex Ross dão ao enredo escrito por Busiek. De forma intimista, poucas vezes retratada numa HQ, os dois conduzem a história de modo tanto a apresentar os primórdios do universo Marvel aos leitores, como também levantar questionamentos puramente humanos como preconceito racial, o medo daquilo que é fora do comum e principalmente a ignorância


No primeiro capítulo Phil Sheldon se vê cara a cara com o impensável surgimento de criaturas incrivelmente poderosas que imediatamente são vistas como potenciais ameaças, enquanto um menino franzino se torna um campeão em meio ao maior conflito mundial que a Terra já passou, trazendo assim a esperança de volta aos Estados Unidos. Quando Phil se torna vítima de um combate entre o androide Tocha Humana e o Namor, ele começa a perceber que suas convicções de bem e mal não devem ficar acima de seu bem estar físico, o que o faz escolher sua jovem noiva em vez de cobrir a Guerra como um fotógrafo oficial.


No segundo capítulo, o mundo agora é outro, e Phil se torna um proeminente fotógrafo, especializado em fotografar as “Maravilhas”, seja para o Clarim Diário, cujo redator-chefe, J.J. Jameson lhe é um amigo de longa data, ou para um livro com fotos suas tiradas ao longo das décadas. Nova York se vê em meio a novos personagens incríveis como o Quarteto Fantástico, os Vingadores e o Demolidor, enquanto procura combater as ameaças representadas pelo “terrível” Homem Aranha e o monstro Hulk


A popularização de uma raça que já nasceu com super-poderes também começa a preocupar a opinião pública, e o surgimento dos X-Men causa uma histeria anti-mutante em que Phil Sheldon se vê bem no centro dos acontecimentos quando suas duas filhas resolvem abrigar uma indefesa garotinha mutante no porão de sua casa. Ao mesmo tempo que após um encontro com a primeira equipe de filhos do átomo (Ciclope, Fera, Anjo, Homem de Gelo e a Garota-Marvel) Phil coloca em xeque sua tolerância aos tais mutantes, e também embarca na descriminalização popular, suas filhas o fazem enxergar que os mutantes não são as criaturas horríveis que as pessoas julgam ser, e que assim como os humanos, eles merecem seu lugar no planeta.


 Sem sombra de dúvida, o capítulo 2 de Marvels é um incrível apanhado sobre preconceito racial, e com certeza pontualiza o que Stan Lee e Jack Kirby sempre imaginaram para as histórias dos X-Men do começo da década de 60. A forma como os X-Men são retratados por Alex Ross, sendo que aquela é a visão de Sheldon, os deixa com um aspecto muito ameaçador, e a frase do Ciclope se repetindo "Eles não valem a pena" encaixa perfeitamente com o contexto, enquanto o fotógrafo caolho trava uma batalha interna entre o seu preconceito e sua compaixão pela estranha menininha de olhos arregalados indefesa em seu porão.


No terceiro capítulo o terror dessa vez não vem nem do fundo do Oceano e nem de um grupo de mutantes, e sim do espaço, na figura gigantesca de Galactus que ameaça obliterar o planeta em nome da sua fome celestial, colocando o mundo numa terrível neura só combatida pelo Quarteto Fantástico e pelo próprio arauto de Galactus, o também alienígena Norrin Radd, o Surfista Prateado


Como nunca li a história original escrita por Stan Lee e desenhada por Jack Kirby da invasão de Galactus, e como o enredo de Busiek apenas dá leves pinceladas sobre o que aconteceu em sua origem, me senti muito instigado a correr atrás desse material, só pra ver com maiores detalhes o que apenas é comentado em Marvels, através da ótica de Sheldon e dos populares nova-iorquinos. 


A melhor parte é a histeria pré-fim do mundo que se instaura enquanto um gigante azul e lilás paira sobre a cidade, e como pela primeira vez estamos do lado de cá dos acontecimentos, do lado das pessoas que não têm super-poderes para combater adversários igualmente superpoderosos e que acabam dependendo quase que totalmente do logro dos heróis fantasiados. 


Nesse quesito Marvels é fantástica, pois de forma inédita nos colocou como meros espectadores da ação que acontece a alguns metros de distância sem necessariamente vermos detalhes.


Alex Ross mais uma vez surpreende com sua arte grandiosa, fazendo a luta entre o Surfista Prateado e seu mestre, ser épica. Em homenagens aos quadros desenhados originalmente por Jack Kirby, ele pinta a batalha em páginas inteiras, com um realismo absurdo, do tipo que nos faz ficar minutos seguidos apreciando, como uma obra de arte. Esse capítulo, segundo o próprio Ross, é seu preferido de Marvels, aquele em que ele realmente se dedicou totalmente. Pelo resultado, dá pra perceber!  
  

O último capítulo é dedicado ao maior herói da Marvel e foda-se o Wolverine Homem Aranha, e como as pessoas são influenciadas a acreditarem que ele realmente é um bandido por causa da campanha difamatória infligida pelo Clarim Diário


Enquanto investiga a morte do Capitão de Polícia George Stacy durante uma batalha entre o Aranha e o Doutor Octopus, Phil Sheldon conhece a doce e meiga (não de acordo com Joe Quesada e J.M. Straczynski!!) Gwen Stacy, a filha da vítima. 


Enquanto conversa com Gwen, Sheldon começa a acreditar na influência negativa que o herói aracnídeo exerce sobre a família dela, ao mesmo tempo em que ele acaba se encantando pelo jeito inocente da moça. 


É curioso observar nessa investigação que, ao conhecer Peter Parker, Sheldon não simpatiza em nada com o jovem fotógrafo (por ele ajudar Jameson a difamar o Aranha, vendendo fotos do aracnídeo em ação), e em seus pensamentos ele procura uma razão para que Gwen namore aquele rapaz. Para nós, que sabemos que Peter e o Aranha são a mesma pessoa, soa engraçada a forma como os dois são retratados como pessoas diferentes, mais um ponto positivo em se analisar Marvels pela visão de uma pessoa comum.  


A dramaticidade da Graphic Novel atinge seu auge quando o Duende Verde decide sequestrar a jovem Gwen para se vingar do Homem Aranha, embora Phil Sheldon e a população em geral não saibam disso


Para mim que li a história original da Noite em que Gwen Stacy morreu desenhada pelo Gil Kane foi um deleite ver a reedição de Alex Ross para os quadros que ficaram eternizados em minha mente (sim! A meu ver, essa é a melhor história do Homem Aranha de todos os tempos!) e a forma como Kurt Busiek nos coloca aflitos como meros espectadores, embora já saibamos qual será o destino da jovem Gwen sobre a ponte George Washington é sensacional


Quando Sheldon constata a realidade, a de que Gwen está mesmo morta e que o Homem Aranha não a conseguiu salvar, ele entra em profunda depressão, cansado demais depois de tantos anos para ainda conseguir se por do lado das "Maravilhas", que direta ou indiretamente acabam causando tanto sofrimento as pessoas comuns quanto oferecem proteção. 


Em um período de A Morte do Superman, A Queda do Morcego e posteriormente A Saga do Clone, séries que acabaram se tornando datadas e ultrapassadas em pouco tempo, Marvels se destacou como uma flor num deserto, tão atemporal quanto era sua premissa inicial, e isso graças aos talentos combinados de Alex Ross e Kurt Busiek.

Marvels é lembrada até hoje como uma das melhores Graphic Novels da Casa das Ideias, e após alguns relançamentos nacionais, enfim adquiri meu exemplar, graças a coleção da SALVAT que tem feito um excelente trabalho em publicar por aqui todo esse material que antes eu só via sem poder comprar. 


Demorou quase vinte anos, mas agora Marvels consta em minha coleção e daqui não sai mais.

Ps.: Vale a conferida nas últimas páginas da edição da SALVAT do processo criativo do artista Alex Ross, como ele trabalha suas pinturas em cima de fotos, modelos reais e até mesmo bonecos, porém, a editora deixou muita coisa desse material fantástico DE FORA de seu encadernado, o que é uma pena. 


A Editora Abril já havia publicado isso na edição do 10º Aniversário de Marvels, mas os leitores que só puderam acompanhar agora pela SALVAT perderam essa oportunidade. Uma pena. 



NAMASTE!

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