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11 de março de 2023

The Walking Dead temporada 5 feat. The Last Of Us

The Walking Dead 5 Temporada


Por conta do sucesso da série The Last Of Us na HBO e pela espera de uma semana entre um episódio e outro, eu decidi deixar o meu ranço de lado para VOLTAR a assistir The Walking Dead, aproveitando o hype da temática apocalipse zumbi. 

Olha só, vejam vocês!

Eu tinha largado de mão a série da finada Fox por conta da exaustão do tema em si. Quando chegou na quinta temporada, não dava mais para ver nos episódios aquela chama que me fazia assistir com grande interesse todos os domingos a série baseada nos quadrinhos de Robert Kirkman e, por conta disso, parei de acompanhar.

Ironicamente, agora que voltei a assistir religiosamente aos episódios do ponto de onde parei, não é raro me pegar comparando as duas produções — TWD e TLOU — e apontando aquilo que me deixa mais satisfeito — como espectador — em cada uma delas.

As semelhanças, aliás, são várias, mas a disparidade de qualidade entre uma e outra é gritante.

Enquanto falo da quinta temporada de The Walking Dead, farei alguns paralelos entre ela e The Last Of Us.

Sigam-me os bons!

O Terminal

O primeiro episódio da quinta temporada começa exatamente de onde a anterior acabou com os sobreviventes do grupo de Rick Grimes (Andrew Lincoln) se reencontrando no Terminal, lugar que é alardeado como um oásis de salvação no mundo agora povoado pelos “walkers”.

nua pelada bucetinha gostosa delícia xoxota


Tendo aprendido a lição com a falsa receptividade e acolhimento de Woodbury — a cidade criada e dominada pelo Governador (David Morrissey) —, Rick, Michonne (Danai Gurira), Carl (Chandler Riggs) e Daryl (Norman Reedus) decidem inspecionar o local envolto em muros antes de aceitar fazer parte da tal comunidade “paz e amor”.

Ao darem a volta no conjunto de residências e surpreender alguns de seus moradores, Rick logo percebe que há algo de errado com aquelas pessoas e que, além disso, os seus amigos estão correndo risco de morte.

Separados após a debandagem causada pelo ataque brutal do Governador à prisão que eles vinham usando como lar há bastante tempo, os sobreviventes seguem caminhos distintos ao longo da estrada e chegam em momentos diferentes ao Terminal. 

Assim, quando Rick e seu grupo alcançam o local, Glenn (Steven Yeun), Maggie (Lauren Cohan) e Sasha (Sonequa Martin-Green) já foram capturados e estão presos em um contêiner junto dos novos personagens com quem toparam no caminho: Abraham (Michael Cudlitz), Rosita (Christian Serratos) e Eugene (Josh McDermitt).

The Walking Dead 5 Temporada
Os novos integrantes da série, Abraham, Rosita e Eugene


Desarmados e à mercê dos soldados de Gareth (Andrew J. West), o comandante local, Rick e seus amigos não demoram a perceber que a tal comunidade pacífica não passa de uma armadilha para atrair mais pessoas a fim de alimentar os moradores locais.

Pois é.

Gareth e seus colegas são canibais e se alimentam das pessoas que chegam ao Terminal à procura de abrigo e proteção contra os zumbis.

O episódio “When We Are in Need” de The Last Of Us nos apresenta a uma comunidade muito parecida a essa do Terminal de The Walking Dead que também é formada por caçadores que atraem outras pessoas a fim de usá-las como alimento. Na escassez de comida e de recursos mais básicos, os dois grupos se veem tendo que avançar a última linha que os separam da barbárie e passam a comer — literalmente — outras pessoas.

The Walking Dead e The Last of us
Canibais nos dois universos das séries


Num mundo pós-apocalíptico em que os recursos para subsistência são escassos — para não dizer quase inexistentes —, o que nós, como seres humanos, seríamos capazes de fazer para sobreviver?

É um questionamento que ambas as produções levantam e, cada uma com seus argumentos, nos convence a refletir sobre o assunto.

O massacre na igreja

Após serem salvos por Carol (Melissa McBride), Rick e seus amigos voltam a cair na estrada — depois de queimar quase que completamente o Terminal — e se deparam com Gabriel (Seth Gilliam), um padre solitário sem seu rebanho que os vinha espreitando pelo caminho.

The Walking Dead 5 Temporada
O Padre Gabriel na série e nas HQs


Apesar de toda a desconfiança que a figura do religioso acaba inspirando no grupo, eles aceitam segui-lo até a igreja, onde o homem ainda retém um pouco de comida e um teto onde eles podem se abrigar sob.

Ainda com a ideia fixa de seguir viagem rumo a Washington, onde, segundo o problemático Eugene, o Governo americano ainda mantém uma base de onde se pode fazer pesquisas para a cura do Z-Vírus, o esquentado ex-militar Abraham causa uma cisão no grupo, forçando Rick a tomar uma decisão a respeito do destino deles agora que a farsa do Terminal foi desmantelada.

Nesse ínterim, Daryl encontra uma pista que pode conduzi-lo à Beth (Emily Kinney) — que foi sequestrada enquanto os dois lutavam contra zumbis isolados do restante do grupo — e o arqueiro parte com Carol em busca da irmã de Maggie.

Sempre deixando rastros atrás de si e, aparentemente, não tendo aprendido nada com a retaliação do Governador à prisão, Rick é encurralado pelos homens que ele deixou para trás ao queimar o Terminal e que ressurgem em busca de vingança.

Após armar uma situação a fim de atrair o grupo de Gareth para dentro da igreja onde Carl, Gabriel, Bob (Lawrence Gilliard Jr.) e a pequena Judith — a filha de Rick e Lori —estão escondidos, Rick é quem acaba emboscando os sobreviventes do Terminal e dá cabo dos homens de maneira um tanto quanto violenta desta vez.

O hospital

Depois de se livrar do perigo representado por Gareth, Glenn, Maggie e Tara (Alanna Masterson) decidem acompanhar Abraham e Rosita até Washington em busca da cura que, aparentemente, apenas Eugene sabe da existência.

Enquanto isso, Rick, Michonne e os outros decidem ficar na igreja a fim de esperar pelo retorno de Daryl e Carol, que ainda estão na pista de Beth.

Sem que o grupo na igreja soubesse, a filha mais nova do velho Hershel Greene acabou sendo levada para um hospital onde, após se recuperar dos seus ferimentos, passou a trabalhar como enfermeira, sob o comando firme de uma policial chamada Dawn (Christine Woods) e de um cirurgião chamado Steven (Erik Jensen) que salva pessoas em situação crítica que são levadas para o local pelos demais policiais recrutados por Dawn em patrulha pela cidade (entre eles Bob Lamson, interpretado por Maximiliano Hernández, o agente da Hidra Sitwell de Capitão América - O Soldado Invernal).

Apesar de parecer um local seguro, Beth logo descobre que está presa junto daquelas pessoas perigosas e que toda a comida que come é paga pelos seus serviços. Em meio aos corredores do hospital, ela acaba conhecendo o garoto Noah (Tyler James Williams, o Chris, de Todo Mundo Odeia o Chris) e juntos eles começam a arquitetar um plano de fuga.

The Walking Dead 5 Temporada
O Chris, deixado pra trás pela Rochelle e pelo Julius


Sendo ameaçada por um dos policiais e sofrendo os maus-tratos da policial no cargo de chefia, Beth consegue fugir com Noah, mas logo é recapturada. Enquanto o garoto escapa e acaba se encontrando com Daryl e Carol do lado de fora, Beth se vê cada vez mais ameaçada dentro do hospital e as coisas só pioram quando a própria Carol é levada para um dos leitos após ter sido atropelada.

Quando Daryl aciona Rick, eles decidem capturar dois dos soldados de Dawn a fim de barganhar pelas vidas de Beth e Carol, porém, na hora da troca, um acidente acaba ceifando a vida da jovem irmã de Maggie e temos aí um dos episódios mais chocantes e tristes da quinta temporada.

Mano, eu achei que TWD não podia me emocionar mais desse jeito, mas quando o Daryl sai do hospital carregando o corpo da Beth, foi difícil segurar as lágrimas!

The Walking Dead 5 Temporada
O triste destino de Beth


Eugene e a farsa

Enquanto isso, o ônibus da igreja que conduz o grupo de Abraham pela estrada rumo a Washington capota e logo nós somos apresentados à informação — que não surpreende ninguém — de que Eugene NÃO TEM informação privilegiada alguma a respeito de cura e que ele nem mesmo é um cientista de verdade.

Largados no meio do caminho e agora sem rumo, Maggie, Rosita e Glenn são forçados a enfrentar um enraivecido Abraham que não só nocauteia Eugene como também entra em um acesso de fúria por ser agora um homem sem uma missão a cumprir.

Em flashback, é mostrado o passado violento do ex-militar no início da “pandemia”, e nos é revelado que foi em um de seus acessos de raiva que ele acabou ocasionando a morte da sua esposa e dos próprios filhos. Logo depois disso, antes que ele cometesse suicídio, Abraham encontra o Eugene que, com o papo de “cientista salvador”, acaba convencendo o ruivo a ajudá-lo a chegar até Washington.

Adeus, Tyreese

Outro dos episódios mais pesados da temporada ocorre logo após a morte de Beth e é quando aprendemos um pouco mais sobre a máxima “Peter Parkiana” de que “com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”.

Em uma missão para levar Noah de volta para casa, honrando um último desejo de Beth, Rick, Michonne e Tyreese (Chad Coleman) aceitam escoltar o garoto até um bairro antes tranquilo onde ele espera reencontrar a mãe e os dois irmãos mais novos.

The Walking Dead 5 Temporada
Tyreese


Quando chegam ao local, no entanto, assim como boa parte do mundo, o condomínio está tomado pelos zumbis e a família de Noah está morta.

Enquanto inspeciona a casa que era do Chris Noah, Tyreese começa a ser infernizado por “fantasmas” das pessoas que morreram recentemente perto dele e que parecem, de alguma forma, estarem ali para lhe passar um recado.

São as figuras do Governador e de um dos capangas de Gareth, no entanto, que mais mexem com a sua mente, já que ambos o fazem lembrar das consequências geradas pela sua clemência para com os inimigos. O capanga havia ameaçado matar a bebê Judith ainda durante os eventos do Terminal e, apesar disso, Tyreese se recusou a matá-lo. Dias depois, esse mesmo capanga retornou com Gareth na emboscada dentro da igreja e isso custou a vida de Bob, de quem os canibais já haviam arrancado uma perna.

Em meio a esses devaneios, Tyreese acaba sendo atacado por um dos irmãos de Noah e tem o braço mordido. Apesar da rápida ação de Rick e Michonne em lhe amputar o membro superior, o grandalhão acaba não resistindo aos ferimentos e parte enxergando as figuras de Beth, Bob e das meninas Lizzie (Brighton Sharbino) e Mika (Kyla Kenedy) — a quem ele e Carol tiveram que sacrificar pela segurança de Judith anteriormente — prontos para conduzi-lo ao infinito e além.

Dois episódios carregados de emoção logo na sequência provando que, apesar do início de temporada fraco e dos argumentos ruins, a série ainda tem a força emocional de antes.   

De volta à estrada

Com o fim da ilusão de que há um lugar seguro em Washington e que é possível encontrar a cura, os sobreviventes voltam a cair na estrada. Porém, agora sem recursos para se manter em pé e sem um teto sobre suas cabeças, eles improvisam um antigo estábulo como esconderijo, quando então são obrigados a enfrentar uma tempestade.

Após sobreviveram a mais esse percalço, Rick e o seu agora ainda maior grupo são abordados por Aaron (Ross Marquand), um rapaz, aparentemente, inofensivo que lhes oferece uma chance de se salvar. Segundo ele, há uma nova comunidade formada a alguns quilômetros de onde eles se encontram e que está aceitando novos membros.

The Walking Dead 5 Temporada
Ross Marquand como Aaron


Enquanto interroga o cara e o força a dar mais informações, Rick descobre que Aaron e o seu parceiro os estiveram vigiando desde a estrada e que esse método faz parte do recrutamento da tal comunidade para novos membros. Afinal, não é qualquer um que merece ser convidado para além dos muros da sua “cidade feliz”.

Bem-vindos a Alexandria

Rick e seu bando são aceitos por Deanna Monroe (Tovah Feldshuh), a mulher que comanda a comunidade conhecida como "Alexandria". Arisco e ainda sofrendo dos traumas causados pelo Terminal — onde ele e seus amigos quase foram servidos num banquete de canibais —, Rick aceita a estadia por ora, enquanto coloca aquilo que agora chama de sua família para espreitar a tal comunidade.

The Walking Dead 5 Temporada


Numa dessas inspeções, Deanna acaba comparando aquilo que eles organizaram por ali como “Comunismo” e é aí que encontramos outro paralelo com The Last Of Us.

No episódio 6, chamado “Kin”, Joel (Pedro Pascal) na companhia de Ellie (Bella Ramsey), enfim, consegue encontrar o seu irmão desaparecido e ele está estabelecido em uma comunidade muito parecida com a que vimos em Alexandria de TWD. Num certo momento do episódio, a personagem Maria (Rutina Wesley) compara a organização que eles têm por ali como um sistema “Comunista” e, para quem estava acompanhando as duas séries ao mesmo tempo, é impossível não fazer esses paralelos de diálogos entre ambas.

The Last Of Us Comunismo

The Last Of Us comunismo
"Vai pra Cuba, comunista!"


É preciso então um apocalipse zumbi para que tenhamos a certeza de que o capitalismo, afinal, não funciona? Ora só, vejam vocês!

The Walking Dead 5 Temporada


Em TWD, apesar de agora terem casa, água quente, eletricidade, muros altos que rechaçam os zumbis e uma aparente segurança que há muito tempo eles não encontravam, Rick e a sua família não parecem satisfeitos com aquela tranquilidade e começam a planejar tomar o lugar, julgando que Deanna não merece o que foi construído ali.

Os entreveros entre os dois grupos não demoram a acontecer e, enquanto Glenn acaba sendo vítima de uma emboscada armada pelo irmão mais velho do Rafael Portugal, Nicholas (Michael Traynor), é Noah quem acaba pagando com a própria vida.

The Walking Dead 5 Temporada


Além dos muros de Alexandria, Rick acaba ficando atraído pela prestatividade de Jessie (Alexandra Breckenridge) e, enquanto começamos a duvidar da idoneidade do nosso “herói” achando que ele vai começar a dar em cima de uma mulher casada, é Carol quem descobre a cruel realidade oculta dentro da casa da loira: Ela é agredida pelo marido Pete (Corey Brill) quase que diariamente e isso causa uma instabilidade emocional em seu filho mais jovem, Sam, que acaba se apegando a Carol no processo.

The Walking Dead 5 Temporada
Rick e Jessie se aproximam


Vale lembrar que esse tema é bastante sensível para Carol, que desde o começo da série era vítima de um marido violento que ameaçava, inclusive, abusar da própria filha Sophia. Quando ela vê a mesma coisa acontecendo com Jessie, rapidamente ela aciona Rick e o manda tomar uma providência quanto ao médico Pete.

Com o pavio aceso, não demora para a casa cair dentro de Alexandria. Enquanto os planos de tomada de Rick são descobertos, Deanna fica entre a cruz e a espada ao se ver forçada a tomar uma atitude quanto ao grupo de Grimes: Expulsá-los para garantir a paz de seus moradores e perder a expertise militar que eles conferem à comunidade ou aceitá-los e ver ruir a civilização que ela tão bem conseguiu construir ao longo de todo aquele tempo?

The Walking Dead 5 Temporada
Deanna peitando Rick


Assim como em The Last Of Us, nós aprendemos em The Walking Dead, em sua quinta temporada, que em um mundo infestado por zumbis as maiores ameaças aos sobreviventes vêm das próprias pessoas e não dos infectados. Nas duas séries os zumbis passam a ser apenas o pano de fundo de uma busca por sobrevivência que depende muito mais de saber se proteger dos seres humanos pensantes do que daqueles que já foram dessa para uma melhor e que andam por aí a esmo em busca de carne fresca.

The Last Of Us está disponível na HBO Max (enquanto ainda tem esse nome) e as 11 temporadas de The Walking Dead podem ser maratonadas pela Netflix.


Review da Primeira Temporada de The Walkind Dead

Review da Segunda Temporada de The Walking Dead 

Review da Terceira Temporada de The Walking Dead (PARTE 1)

Review da Terceira Temporada de The Walking Dead (PARTE 2)

Review da Quarta Temporada de The Walking Dead

Review extra


NAMASTE!

23 de março de 2022

10 Melhores Filmes do Oscar 2022

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Como já se tornou tradição no Blog do Rodman, mês de março é para falar de Oscar, então 'bora fazer um top 10 por ordem de preferência das produções indicadas esse ano para o grande prêmio da noite, o de Melhor Filme.

And the Oscar goes to…

 

10 - "Belfast"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Passado no final dos anos 60 e tendo como foco principal o cotidiano de uma família comum da Irlanda, Belfast é praticamente uma autobiografia do diretor e roteirista norte-irlandês Kenneth Branagh, que em sua infância, viu de perto as implicações de uma verdadeira guerra civil entre protestantes e católicos naquela mesma década.

Filmado em grande parte em preto branco e com uma fotografia capaz de capturar com bastante precisão as nuances dos cenários de época, Belfast retrata fielmente um período conturbado da história irlandesa — a guerra santa citada anteriormente no texto e que mais tarde, originou canções como "Sunday Bloody Sunday", do U2 —, embora esse conflito não seja o que mais importa na trama.

Na história, acompanhamos as aventuras de um menino de 9 anos chamados apenas de “Buddy” — com o ator mirim Jude Hill representando o próprio Branagh — vivendo num bairro de subúrbio com seu irmão mais velho, os pais e os avós. Ele vai à escola, conhece seu primeiro amor, participa de confusões com uma prima mais velha e se torna alvo de uma gangue perigosa que quer punir o seu pai apenas por sua escolha religiosa.

O pai do garoto, um carpinteiro que está sempre viajando a trabalho, é vivido pelo ator Jamie Dornan (mundialmente conhecido por seu papel de Christian Grey na série de filmes Cinquenta Tons de Cinza) e tem uma ligação importante com o personagem principal, apesar de parecer ausente. Já a mãe (Caitriona Balfe), é obrigada a segurar as pontas em casa com os dois filhos enquanto os conflitos armados passam a eclodir com cada vez mais frequência na vizinhança, até então, pacata.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Se focasse no conflito entre protestantes e católicos em si , Belfast seria apenas mais um dos tantos filmes sobre guerras civis, mas como mira na visão inocente de uma criança em meio a um conflito violento de fundo religioso, a produção ganha vários pontos extras por seguir por um caminho menos comum em Hollywood e mais agradável.

Indicado ao prêmio de Melhor Filme e ao de Melhor Diretor para Keneth Branagh, Belfast também concorre a Melhor Roteiro Original, além da estátua de Melhor Atriz Coadjuvante para a veterana Judi Dench (a “M” da série de filmes 007), que apesar de seu talento inegável já provado tantas vezes em outras obras, aqui, não me parece justificável a indicação, já que seu papel é bem econômico como a vó bondosa do menino Buddy e sem grande destaques de atuação.

Belfast ainda não estreou em nenhuma plataforma de streaming e pode ser visto apenas em alguns cinemas menos populares e em sessões de horários duvidosos.


9 - "Amor, Sublime Amor"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Faltava um musical na incrível carreira de filmografia de Steven Spielberg. Agora não falta mais.

Tive grande resistência em comprar a ideia de Amor, Sublime Amor quando assisti ao trailer e só aceitei a tarefa de ver o longa quando me impus a obrigação de, pela primeira vez na história do Oscar, gabaritar a lista de indicados a Melhor Filme.

Eu sempre tive muita preguiça para musicais e ao longo dos meus anos de cinéfilo pipoca, deixei passar em branco vários nomes do gênero como Moulin Rouge, Chicago e Os Miseráveis por puro preconceito.

Ok, eu fui ao cinema assistir La La Land, mas em grande parte por conta do diretor Damien Chazelle que tinha me ganhado em Whiplash: Em Busca da Perfeição, filme que considero o ápice da atuação de um ator — J.K. Simmons —, mas isso não terminou com a minha cisma em assistir musicais.

Falando de Amor, Sublime Amor, é difícil comparar com outros filmes dirigidos pelo Spielberg já que nenhum deles sequer se assemelha com o que o diretor veterano nos trouxe em 2021, por isso, a crítica só pode ser feita com base no que podemos ver ao longo das 2h36 de projeção.

O musical é outro dos exemplos desse ano que poderia ter pelo menos uns trinta minutos a menos, já que a história de Romeu e Julieta do casal principal passada no final dos anos 50 é bastante insossa e bem menos interessante que a dos personagens coadjuvantes que acabam roubando a cena.

Os personagens de Ansel Elgort e Rachel Zegler não são bem desenvolvidos e se tornam desinteressantes logo no início do longa, quando acabam sendo ofuscados pelo casal Anita (Ariana DeBose) e Bernardo (David Alvarez), dois porto-riquenhos radicados em Nova York que são obrigados a enfrentar toda o preconceito da vizinhança local e que chamam todos os holofotes da história para si com seu jeitão explosivo.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


No enredo, Tony (Ansel Elgort) faz parte de uma gangue de americanos denominada “Jets” e que tem uma rixa quase que pessoal com o bando de Bernardo, o líder dos porto-riquenhos. Ao conhecer Maria (Rachel Zegler), que é a irmã de Bernardo, Tony acaba se apaixonando pela menina e decide colocar de lado suas convicções para viver o seu amor, coisa que não é vista com bons olhos por Riff (Mike Faist) o líder dos Jets.

Como toda boa encenação do clássico romântico de Shakespeare, é claro que a história acaba em tragédia, mas até lá, nós conseguimos desfrutar dos números musicais impressionantes filmados em plano aberto e que mostram que, mesmo aos 75 anos, o velho Spielberg continua afiado atrás das câmeras, provando que não há gênero no cinema que ele não possa dominar.

Destaque para a atriz Ariana DeBose (que merecidamente está disputando o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante) tanto por sua atuação dramática quanto por sua expressão corporal na dança. Nunca tinha visto uma atriz se entregar tanto a um papel de dançarina como vi em Amor, Sublime Amor. Palmas e mais palmas. O filme vale acima de tudo pelos números musicais que ela comanda.  

Amor, Sublime Amor está no catálogo do Disney +.

  

8 - "Duna"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Adaptado da obra escrita pelo norte-americano Frank Herbert para uma série de livros iniciada na década de 60, a megaprodução Duna de Denis Villeneuve é a segunda tentativa de levar a saga do jovem Paul Atreides aos cinemas. A primeira aconteceu em 1984 e foi dirigida por David Lynch num filme considerado por muitos como aquém à obra da qual se origina.

Parte de uma série já anunciada pelo próprio diretor antes mesmo do primeiro filme estrear, Duna conta a história do jovem brilhante e herdeiro de uma família real Paul (Timotheé Chalamet), considerado por muitos como um messias e que tem como sua primeira missão viajar para um planeta arenoso hostil a fim de garantir o futuro de seu povo, além de salvar os próprios pais.

Com ares de superprodução e um orçamento idem — US$ 165 milhõesDuna é o representante mais caro a fazer parte da lista oficial dos dez indicados à estatueta de Melhor Filme na cerimônia do Oscar e também o que mais destoa dos demais concorrentes por parecer mais com um blockbuster produzido para faturar milhões nas bilheterias mundiais do que necessariamente ser algo mais artístico.

Apesar da série de livros Duna ter inspirado muitas das obras cinematográficas que se tornaram famosas nas décadas seguintes — incluindo Star Wars —, hoje todo o roteiro e seu lance de “o escolhido”, "jornada do herói" e “guerra espacial” soa como uma grande cópia de centenas de outras que já estamos cansados de ver por aí, o que causa certo desinteresse a seu enredo.

Por se tratar do começo de uma nova saga, também é bem claro que a história do filme por si só parece não conseguir se sustentar, já que faltam pedaços da narrativa para que seu entendimento seja completo. Além disso, Duna é longo em excesso e se perde no ritmo em vários momentos, se tornando sonolento e chato.

A produção de cenários, vestuário e efeitos digitais, no entanto, é um ponto indiscutível no Duna de 2021. Villeneuve não quis economizar no quesito qualidade e o resultado ficou impressionante, mesmo para quem, à revelia do pedido do próprio diretor, não conseguiu ver a sua obra-prima na tela do cinema em IMAX. A meu ver, a junção de efeitos práticos e cenários reais sem a muleta do chroma-key foi um dos grandes acertos da “película” e fez jus ao que tanto alardearam sobre visual magnífico do filme.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Além de Melhor Filme — o que dificilmente deve levar —, Duna também concorre a Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora — para Hans Zimmer —, Melhor Som, Maquiagem e Cabelo, Melhor Design de Produção, Melhor Edição, Melhor Fotografia e Efeitos Visuais, categoria em que vai bater de frente com Homem-Aranha: Sem Volta para Casa e Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, ambas produções da Marvel/Disney.

É muito provável que Duna faça a limpa nessas categorias mais técnicas como maquiagem, som e edição e seria o grande triunfo pessoal de Villeneuve vencer na categoria Efeitos Visuais depois de dizer que os filmes da Marvel/Disney não passam de “cópia e cola uns dos outros, o que guardada as devidas proporções, não deixa de ser uma verdade incômoda.

Duna está disponível no catálogo da HBO Max, mas ninguém deve assistir pela TV a pedido de Denis Villeneuve. Se você não viu no cinema, não veja mais em lugar nenhum.  

 

7 - "Licorice Pizza"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Até bem metade do filme, eu não tinha entendido qual era a de Licorice Pizza ou o que o diretor e roteirista Paul Thomas Anderson estava propondo contar com sua história, até que me dei conta que não havia nenhuma trama mais elaborada a ser desvendada. Assim como muitas outras obras de seu extenso currículo, o diretor norte-americano estava preocupado apenas em contar uma história de amor passada nos anos 70 e nada mais além disso.

Com um roteiro simples, ótimas atuações de um elenco jovem e desconhecido do grande público, Licorice Pizza é o mais despretensioso dos indicados ao prêmio de Melhor Filme do Oscar e que exatamente por isso, talvez, se torne um forte candidato a levar a estátua.

No enredo, acompanhamos as aventuras de um ex-ator mirim menor de idade interpretado por Cooper Hoffman que se apaixona quase à primeira vista pela já experiente Alana Kane (Alana Haim) durante uma sessão de fotos na escola e passa a tentar de tudo para se aproximar dela, inclusive usar de toda a sua lábia.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Os dois se tornam parceiros de negócios e embora fique claro ao expectador que eles se gostam, ambos acabam vivendo várias situações que os afastam sempre que estão muito perto de concretizar o que sentem um pelo outro.

Por ser protagonizado por dois jovens “fora do padrão de beleza hollywoodiano” — ele mais rechonchudo com uma tremenda cara de adolescente de trinta anos e ela de nariz alongado e feição judia —, Licorice Pizza ganha vários pontos ao nos apresentar um relacionamento cotidiano entre duas pessoas comuns. Até os diálogos entre eles soam bastante naturais, quase como se não tivessem sido escritos para personagens de um filme e sim ditos por um vizinho ou um parente nosso.

A naturalidade é tão grande que personagens e atores se mesclam. Alana Haim, a protagonista, não só compartilha o mesmo nome que a sua personagem como também a sua família, já que o seu pai (Moti Haim) no filme e as suas irmãs na história, são também seus familiares na vida real, o que obviamente, contribui para o citado tom “comum” que o enredo procura passar o tempo todo.

Licorice Pizza — cujo nome eu custei a entender o significado mesmo correndo atrás de fontes seguras — está indicado ao Oscar de Melhor Direção e a Melhor Roteiro Original — escrito pelo próprio Paul Thomas Anderson —, além de Melhor Filme e ainda não está disponível em nenhuma plataforma de streaming oficial.

Se vira aí pra assistir, mané!


6 - "O Beco do Pesadelo"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Fazia algum tempo que eu não assistia a um filme dirigido pelo mexicano Guillermo del Toro, mas com O Beco do Pesadelo, eu me surpreendi pela maneira como ele conseguiu fugir do estigma de sempre nos apresentar histórias com elementos fantásticos e criaturas monstruosas em seus trabalhos.

Ambientado na época pós-Primeira Guerra Mundial, o roteiro baseado no livro Nightmare Alley de William Lindsay Greshaw conta a história do ambicioso vigarista Stanton Carlisle (Bradley Cooper) que tem um talento nato em manipular pessoas e que decide usar isso para fazer fortuna. Unido a uma clarividente e seu marido mentalista após uma apresentação circense, Carlisle encontra seu destino final quando tenta aplicar o golpe da sua vida num poderoso magnata com a ajuda da psiquiatra dele, em cena, vivida por Cate Blanchett.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Com uma fotografia suja, planos longos e uma duração entediante de 2h20, o filme acaba sendo desnecessariamente arrastado e confesso que tive que assistir como uma série em “três episódios” para não me render totalmente ao sono.

Como entretenimento, fica aquém do que esperamos para uma história baseada em fatos, mas entrega boas atuações de Bradley Cooper — esnobado pela academia mais uma vez —, o sempre ótimo Willem DaFoe, Rooney Mara como a partner de apresentações mentalistas de Stanton e claro, Cate Blanchett, que nunca decepciona.

O filme está disponível no catálogo da Star +.  

 

5 - "Ataque dos Cães"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Dirigido pela neozelandesa Jane Campion, Ataque dos Cães ("The Power of the Dog") chega como um dos favoritos à noite do Oscar e tem fôlego extra para bater de frente com outros dos grandes concorrentes ao prêmio de Melhor Filme, ainda mais depois de ganhar duas das principais categorias do Globo de Ouro, a de Melhor Filme e Melhor Direção.

Na história, um fazendeiro linha-dura interpretado por Benedict Cumberbatch trava uma guerra de ameaças contra a nova esposa do irmão mais novo George (o Matt Damon genérico Jesse Plemons) e decide fazer da vida da moça (interpretada por Kirsten Dunst, a Mary Jane da trilogia Sam Raimi do Homem-Aranha) e de seu filho (Kodi Smit-McPhee, o Noturno de X-Men Apocalipse e Fênix Negra) um verdadeiro inferno.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Toda a rudeza do personagem de Cumberbatch e a sua aparente falta de tolerância ao jeito mais sensível do garoto serve, no entanto, para ocultar segredos antigos do fazendeiro, algo que acaba vindo à tona quando, enfim, os dois começam a se aproximar.

Embora tenha optado por uma abordagem mais direta ao enredo original do livro na qual a história é baseada — ocultando, por exemplo, que o personagem Phil teria sido responsável pela morte do pai do garoto Peter —, a direção de Ataque dos Cães é precisa em abordar o tema homossexualidade como ele seria tratado na época em que os fatos são narrados — metade da década de 1920 — e não deixa nada subentendido a quem está assistindo com atenção.

Com uma fotografia incrível e uma direção de elenco firme, Campion mostra que tem o filme inteiramente sob seu controle e nos presenteia com uma história muito bem narrada e muito bem interpretada.

Apesar disso, nenhuma das indicações de premiação ao elenco parece se justificar, já que nenhum deles se destaca necessariamente em seus papéis ou mesmo interpreta cenas inesquecíveis, daquelas a que estamos acostumados a ver no Oscar. 

Indicado ao prêmio de Melhor Ator, Cumberbatch dificilmente deve superar os trabalhos de Denzel Washington (indicado por A Tragédia de MacBeth) ou Will Smith, que levou o Globo de Ouro por seu papel em King Richards: Criando Campeãs. Já Kirsten Dunst, embora não decepcione, tem um papel muito econômico em Ataque dos Cães para conseguir bater de frente na categoria com Ariana DeBose (Amor, Sublime Amor) ou Aunjanue Ellis, que faz dupla com Will Smith em King Richards.

O filme tem ao todo 12 indicações ao Oscar e faz parte do catálogo da Netflix desde 2021. Para uma noite insone, vale a conferida.


4 - "Não Olhe Para Cima"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Lançado no final de 2021 pela Netflix, Não Olhe para Cima ("Don't Look Up") do diretor Adam McKay (de “Vice” e “A Grande Aposta”) ganhou rapidamente os trending topics por conta da semelhança da história com a nossa realidade atual em que a ciência é ridicularizada pelos “especialistas” de internet e também pelos negacionistas que nos governam — com alguns deles fazendo até campanha contra vacina.

Na história, dois astrônomos medíocres — vividos pelos astros Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence — descobrem que um meteorito está em rota de colisão com o planeta Terra e decidem alertar as pessoas que o resultado dessa “visita inesperada” pode ser a extinção global.

De maneira inacreditável, a descoberta dos cientistas não causa a comoção esperada na população e da presidente dos Estados Unidos (brilhantemente interpretada pela inoxidável Meryl Streep) ao cidadão mais comum, a vinda de um meteoro é encarada apenas como mais uma “Fake News”, gerando no máximo alguns bons memes na internet.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


A galera no Twitter no mundo real se viu conectada instantaneamente à história, já que o filme parece retratar de maneira fiel a nossa própria realidade durante a pandemia de Covid-19, em que lemos e ouvimos as maiores atrocidades vindas de autoridades que tentaram com muito custo banalizar os estudos de especialistas ligados à ciência que alertavam sobre os perigos da doença.

Com seu filme, McKay estava fazendo uma crítica ferrenha aos Estados Unidos e ao governo estapafúrdio de Donald Trump que tinha como grande meta levantar bandeiras como o negacionismo científico — inflando o combate a seus opositores democratas com notícias falsas deflagradas por seus próprios meios —, mas a carapuça serviu muito bem para quem tem vivido num país chamado Brasil nos últimos três anos e que tem sido vítima de um governo que, assim como o Chacrinha, não está aqui para explicar e sim para confundir.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Com poucas chances de levar a estatueta de Melhor Filme por seu teor de chacota, Não Olhe Para Cima também disputa o prêmio de Melhor Roteiro Original — escrito por Adam McKay — e apesar de ser uma sátira excelente com nomes como Cate Blanchett, Jonah Hill, Ron Pearlman e Timotheé Chalamet no elenco estelar, a produção deve passar em branco na premiação.

Como dito anteriormente, Não Olhe Para Cima consta no catálogo da Netflix.

 

3 - "King Richard: Criando Campeãs"

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Contando a trajetória de vitórias que permeou as carreiras das tenistas Serena e Venus Williams desde a sua infância, King Richards: Criando Campeãs do diretor Reinaldo Marcus Green é o “filme de superação” da lista, categoria muito comum todos os anos no Oscar.

Baseado na história real das duas irmãs que se tornaram os maiores nomes no tênis mundial de todos os tempos, o filme coloca o já tarimbado Will Smith no papel de Richard Williams, um pai dedicado e determinado a tornar suas duas filhas em lendas no esporte comumente praticados por pessoas brancas.

De uma maneira muito cativante e não poupando o espectador de nenhuma nuance ao longo da carreira das duas meninas — mesmo as negativas —, o filme retrata o personagem de Smith como um dos grandes pilares na criação das duas máquinas de ganhar títulos que se tornaram Venus e Serena a partir dos anos 90.

Em uma atuação sólida e nem um pouco caricata, Will Smith prova de uma vez por todas que está pronto para fazer parte do hall da fama dos maiores atores da sua geração e que chegou a sua vez de mostrar que ele é muito mais do que Um Maluco no Pedaço, Hancock ou outros personagens mais farofas que ele protagonizou ao longo da carreira.

Igualmente fantástica, ao lado de Smith em cena está Aunjanue Ellis, atriz que interpreta Brandi, a mãe de Serena e Venus. Os dois protagonizam juntos cenas de discussão e enfrentamento com muita tensão, do tipo que são particularmente destacados durante a cerimônia do Oscar. Não me espantaria se ela levasse o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante que disputa com as já citadas Ariana DeBose e Judi Dench, o que seria até bem justo devido a sua atuação talentosa.


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Destaque também para as jovens atrizes que dão vida à Venus (Saniyya Sidney) e Serena (Demi Singleton) da infância à adolescência. 

As duas meninas entregam grandes atuações nas cenas dramáticas e provam que também dão conta na parte física, representando com perfeição as tenistas que homenageiam. As cenas de competição em quadra são as mais bem-executadas que já vi em um filme sobre esporte. Em nenhum momento parece que as jogadas filmadas são coreografadas ou soam robóticas e ensaiadinhas. É como se as garotas estivessem em uma competição de tênis de verdade e esses momentos de preciosismo técnico fazem valer o filme em toda a sua duração de 2h24 minutos.

King Richards: Criando Campeãs está disponível no HBO Max.

 

2 -  "No Ritmo do Coração"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Eu tendo a me tornar parcial quando um filme consegue me emocionar durante a sua execução e depois das lágrimas derrubadas, é difícil falar da produção como um todo com um olhar mais crítico. Dito isso, ainda assim, No Ritmo do Coração é facilmente um dos meus preferidos para levar o prêmio de Melhor Filme na noite da cerimônia do Oscar e nada é capaz de mudar a minha opinião.

Dirigido pela praticamente estreante diretora estadunidense Sian Heder, "CODA" (no original) é um casamento perfeito entre história bem contada, personagens cativantes e atuações primorosas de um elenco afiadíssimo, o que faz com que as duas horas de reprodução — e com 1h51 minutos ele é um dos mais curtos da lista aqui citada — passem suaves diante dos nossos olhos.  


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


No enredo, a jovem Ruby (Emilia Jones) é a única pessoa que ouve em uma família de surdos e a garota decide seguir firme o seu grande sonho de se tornar uma cantora de renome. Dividida entre o seu amor pela música e as suas obrigações com a empresa de pesca da família, Ruby ainda acaba se apaixonando pelo jovem Miles (Ferdia Walsh-Peeloem sua jornada atribulada rumo ao sucesso, o que torna ainda mais difícil as escolhas que ela terá que fazer em sua vida.

A sinopse soa de uma maneira dramática, porém, é surpreendente como a história acaba criando diversas situações hilárias ao longo do filme, algumas de causar gargalhadas mesmo, especialmente as protagonizadas pelos pais de Ruby, o casal Frank (Troy Kotsur, ator surdo indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante) e Jackie (Marlee Matlin, atriz surda que venceu na categoria Melhor Atriz em 1986, por seu papel em "Filhos do Silêncio").


10 Melhores Filmes do Oscar 2022
Daniel Durant, Marlee Matlin, Troy Kotsur e Emilia Jones


O romance entre Ruby e Miles permeia boa parte da trama, mas a busca da garota pelo sonho de ser cantora nos faz torcer genuinamente por ela, além do que a cena final de sua audição para entrar na universidade de música, se apresentando para a família em libras, é de fazer chorar.

Apesar da sua atuação primorosa contracenando tanto com os atores “ouvintes” quanto soltando a voz de verdade ao cantar as músicas do filme, além da sua dedicação com os sinais complicadíssimos das libras, a jovem atriz Emilia Jones não está indicada a nenhum prêmio do Oscar, mas merece uma citação, já que todo o carisma de seu personagem se dá por conta de seu talento inegável para o drama e para o humor.

Troy Kotsur também tem páreo duro pela frente concorrendo com grandes nomes do cinema como J.K. Simmons (indicado por Apresentando os Ricardos), Jesse Plemons (Ataque dos Cães) e o veterano Ciarán Hinds (Belfast), mas não seria nenhuma injustiça se Kotsur acabasse sendo condecorado, uma vez que seu papel é maravilhosamente bem conduzido ao longo de toda a história.

No Ritmo do Coração disputa também o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado e o filme está disponível no Amazon Prime.


1 - "Drive My Car"

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No ano em que Parasita de Bong Joon-ho levou o Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção, um paradigma foi quebrado em Hollywood e isso tornou possível que filmes estrangeiros também pudessem concorrer ao maior prêmio do cinema “mundial” nos Estados Unidos. 

Até aquele ano, a Academia de Cinema costumava premiar apenas produções caseiras e raramente dava destaque a coisas feitas além das fronteiras estadunidense. Central do Brasil e Cidade de Deus que o digam!

Em 2022, o japonês Dirija Meu Carro de Ryusuke Hamaguchi chega com chances reais de vencer na categoria Melhor Filme e não só porque o sul-coreano Parasita conseguiu antes dele e abriu portas, mas sim porque ele é com segurança o melhor entre os dez indicados à categoria. Simples assim.


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Contando uma história delicada sobre luto num cenário mundialmente conhecido pelos ataques de uma das bombas atômicas que encerraram a Segunda Guerra Mundial em 1945 — Hiroshima —, Drive My Car narra a trajetória de um ator e diretor teatral que é convidado a reencenar uma peça de Tchécov em que a sua esposa falecida trabalhou boa parte da vida.

Para superar todos os fantasmas deixados pela morte dolorosa da mulher e os mistérios envolvendo o seu relacionamento conturbado, Yusuke (Hidetoshi Nishijima) mergulha de cabeça em seu trabalho dois anos após o fato que o abalou e isso faz com que seu destino acabe se cruzando com a motorista particular Miura (Misaki Watari), uma jovem bastante introspectiva com um passado de muitas perdas e de muita solidão.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Diferente de outros títulos da lista de Melhor Filme, com quase três horas de duração, Drive My Car é tão bem dirigido, que cada minuto transcorrido na projeção acaba valendo a pena. Mesmo em passagens longas dentro do carro — e o filme não tem esse nome “dirija meu carro” à toa —, mostrando apenas as expressões do personagem principal ou contemplando os cenários numa fotografia competente, ainda assim, o filme é bem interessante, nos convidando a uma contemplação mais intimista que só mesmo uma obra oriental poderia nos proporcionar.

Na vida real, eu tenho pavor a respostas curtas em diálogos cotidianos de pessoas próximas e simplesmente detesto o silêncio muito longo em conversas.

O personagem Yusuke é claramente um cara que internaliza seus problemas e que tem dificuldades para se expor. Seus diálogos com outras pessoas são cheios de respostas curtas e objetivas em excesso, mas essas características são tão bem apresentadas desde o começo da história, que em nenhum momento isso se torna um problema enquanto assistimos ao filme. Pelo contrário. A gente entende logo de cara que é o jeito dele e por isso, o acaba respeitando.

A sinopse do filme já fala sobre a história de luto do personagem, mas como eu não tinha lido nada antes de assistir e só tinha visto o trailer — que a meu ver, não diz ABSOLUTAMENTE NADA sobre o enredo —, confesso que fui pego de surpresa quando a esposa de Yusuke, Oto (Reika Kirishima), morre repentinamente. Com seu jeito delicado — mesmo nas cenas não-explícitas de sexo — e a interpretação suave, Kirishima nos faz criar uma ligação com a sua personagem desde a primeira aparição — ela literalmente abre o filme — e apesar de ela continuar presente na história até o fim — de uma maneira muito especial —, não tem como não ficar chocado com a sua saída da vida de Yusuke.

Aliás, é necessário um tópico especial para elogiar o elenco feminino desse filme. Além de Reika Kirishima, o outro grande nome de Drive My Car é o de Misaki Watari que é perfeita como a motorista Toko. É muito raro nos identificarmos com personagens quietos em demasia com dificuldades de se expressar, mas a simples presença da garota já causa conforto nas cenas em que aparece, além de que todo o seu plot com o passado envolvendo a mãe austera é extremamente tocante — o que acaba causando grande mudança no protagonista Yusuke.

Outra que rouba a cena mesmo não dizendo uma só palavra por interpretar uma personagem muda, é a atriz sul-coreana Park Yoo-Rim, a Lee Yu-Na.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022
Park Yoo-Rim e Janice Chan


No filme, ela é a esposa de um dos produtores da peça que Yusuke está dirigindo e que ganha um dos papeis após uma apresentação contundente em libras. Por ser coreana e não entender japonês, ela acaba sendo obrigada a interpretar em coreano conforme o marido traduz o que ela diz por sinais aos membros japoneses da audição, mas é num dos outros ensaios da peça — a que acontece ao ar-livre, num parque — que Lee Yu-Na acaba conquistando o coração de todos, em uma troca muito singela de atuação com a outra atriz do elenco, a taiwanesa Sonia Yuan (Janice Chan).

Mesmo sem entender, de fato, o que a peça encenada quer dizer, é possível compreender o sentimento envolvido no texto apenas pelos gestos de Lee e Park Yoo-Rim faz tudo de um jeito tão doce que não tem como não acabar morrendo de amores pela atriz.


10 Filmes Oscar 2022


É difícil descrever o quão bonitas são as cenas em que Park Yoo-Rim encarna a sua personagem muda e como é comovente a maneira como ela se expressa em libras. Os gestos firmes e ao mesmo tempo delicados, a sua fisionomia e todo o conjunto me deixou bastante encantado tanto pelo personagem quanto pela atriz que a interpreta. 


"Cada dia é muito divertido agora..."


Aliás, a metalinguagem presente em Drive My Car é um ponto importante a se discutir, já que estamos assistindo a atores de cinema interpretando atores dentro de uma peça de teatro. Chega uma hora que tudo se funde e acabamos esquecendo o que é realidade e o que é fantasia no enredo.

A representatividade está bastante presente no filme com a atuação de atores de fora do Japão na história, diálogos em inglês, coreano e até mandarim. A incorporação das libras é outro elemento interpretativo que ganha grande destaque no enredo de Drive My Car, algo que também é usado nos concorrentes No Ritmo do CoraçãoDuna, com a personagem Jessica de Rebecca Fergusson.

Se alguém me perguntasse “Rodman, qual seu favorito ao Oscar esse ano? ”, eu diria sem pestanejar Drive My Car por todo o conjunto da obra. Eu não só estou torcendo para que o filme leve o prêmio de Melhor Filme como acho também muito justo que ele supere os demais. Foi de longe a minha melhor experiência diante da tela entre todos os dez títulos. Terminei a projeção em lágrimas e filmes de arte que nos tocam dessa maneira tão particular devem ser melhor considerados que os demais. 

Além de Melhor Filme, a obra intimista de Ryusuke Hamaguchi disputa Melhor Direção e Melhor Filme Estrangeiro. No Brasil, infelizmente, não está disponível em nenhuma plataforma de streaming, mas vale muito a pena correr atrás, nem que por meios alternativos. Filme imperdível.

Nota 10.

NAMASTE!

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