Episódio 3 - "A palma da sua mão"
Após os acontecimentos do episódio 2 “Ótica”, Matt Murdock (Charlie Cox) e Kirsten McDuffie (Nikki M. James) estão preparando a defesa de Hector Ayala (Kamar de los Reyes) e, para isso, é necessário manter Nick Torres (Nick Jordan), a única testemunha capaz de impedir a condenação do porto-riquenho, em segurança.
![]() |
Nick Torres (Nick Jordan) |
Enquanto Matt visita Ayala na Ilha Rykers e ele lhe conta a história sobre a espécie de sapo monogâmica, Cherry (Clark Johnson) mantém Torres sob vigilância em seu esconderijo. Em um diálogo rápido entre eles, nós finalmente começamos a entender a relação de Nick com os policiais Powell (Hamish Allan-Headley) e Shanahan (Jefferson Cox) que o espancavam na estação de metrô.
![]() |
Powell, o personagem de Hamish Allan-Headley |
Ex-traficante, Nick se tornou informante da polícia após um acordo feito entre eles, e na
noite que Ayala tentou impedir que ele fosse morto, o homem se recusava a passar informações a Powell e seu parceiro.
No primeiro dia de julgamento, Matt e Cherry precisam criar
uma série de distrações para que Torres consiga chegar vivo ao tribunal, onde
irá servir de testemunha do réu. Ele é a única chance de Ayala e, pouco antes
da chegada do informante à corte, Matt ouve murmúrios na plateia de policiais
que assistem ao julgamento de que “Torres não pode testemunhar”.
Powell intercepta Cherry a caminho do tribunal, mas não
consegue impedir que Torres chegue ao local. Uma vez sentado no banco das
testemunhas, o próprio Murdock o interroga, mas inesperadamente, no momento
decisivo do seu testemunho, se sentindo acuado pelos policiais presentes, o informante muda de
ideia e alega que estava em casa na noite em que o policial Shanahan morreu
atropelado por um trem. Logo, não teria como testemunhar a favor de Ayala.
Sem outro recurso que possa usar para defender Hector, já
que Torres era a única possibilidade mais palpável de isso acontecer, Matt então apela em revelar
a identidade secreta do porto-riquenho diante do juiz. Ele alega em alto e bom
tom que o homem sentado no banco dos réus é, na verdade, o vigilante Tigre
Branco.
A ideia de Matt é causar simpatia no júri ao usar o passado
de Hector como prova do seu caráter altruísta, onde por várias vezes, ele
arriscou a própria vida para salvar terceiros. Após uma discussão entre ele, o
juiz e o advogado de acusação, Matt escolhe usar a imagem do Tigre Branco como argumento de defesa e, já no
segundo dia do julgamento, consegue trazer como testemunhas inúmeras pessoas que
foram salvas pelo Tigre Branco e que o reconhecem como a um herói.
A estratégia de Matt funciona e, independentemente das
acusações do advogado de acusação que alega que “pessoas boas também podem
fazer coisas ruins” — logo em seguida descrevendo aos presentes o que acontece a um ser humano que é atropelado por um trem —, o júri decide dar causa favorável a Ayala, o julgando
inocente da acusação de assassinato do policial Shanahan.
Entre as cenas de julgamento do episódio, é importante citar um dos
depoimentos veiculados no blog da BB Urich (Genneya Walton), onde um cidadão comum diz que Ayala
não teria um julgamento justo apenas e tão somente por ser um latino imigrante. Esse discurso foi um paralelo muito forte com a atual realidade dos Estragos Fudidos onde não
só a polícia oficial como também a polícia de imigração — o tal ICE — têm interceptado imigrantes nas ruas na intenção de expulsá-los do país.
![]() |
Hector Ayala |
Para a atual gestão governamental de Donald Trump, não há
lugar para estrangeiros ilegais — e mesmo os legais — em seu país e a situação
de Hector Ayala na ficção, se fosse trazida para a vida real, teria fortes
chances de acabar em condenação perpétua ou pena de morte.
Aí tá vendo? A gente abriga esses latinos e agora eles vêm
aqui matar os nossos policiais!
O episódio termina de maneira chocante, com Hector Ayala
sendo baleado a sangue frio quando, livre de qualquer acusação criminal, decide sair uma vez mais às ruas em seu
traje de Tigre Branco na intenção de ajudar pessoas necessitadas. Ao mesmo tempo, Wilson
Fisk (Vincent D'Onofrio) discursa em seu gabinete para BB Urich a respeito da sua lei de tolerância zero para os
vigilantes em Nova York, totalmente insatisfeito com o resultado do julgamento
de Ayala.
Nas HQs, a morte do personagem criado por Bill Mantlo e
George Pérez se deu de maneira semelhante à da série. Na ocasião, o Tigre
Branco foi acusado de assassinar um policial ao tentar impedir um assalto a uma
loja de penhores e acabou parando no banco dos réus de maneira similar ao que
aconteceu em Demolidor – Renascido.
Na história escrita por Brian Michael Bendis — que é
consultor da série atual — e desenhada pelo talentoso Terry Dodson em 2003, é a dupla
Luke Cage e Punho de Ferro quem sai em defesa ao Tigre e os Heróis de Aluguel pedem para que Matt Murdock represente Ayala
diante da corte. O advogado cego de Hell’s Kitchen decide aceitar o pedido dos seus colegas e começa a trabalhar em seu caso em seguida.
![]() |
Brian Michael Bendis (autor) e Terry Dodson (artista) |
O desfecho dessa história é ainda mais dramático, porque nos quadrinhos Ayala é considerado culpado pelo júri e, num ato impensado, acaba roubando a
arma de um policial ao tentar fugir do tribunal. Hector é alvejado
por vários policiais e termina os seus dias de vigilante morto a tiros na escadaria do local.
Mais tarde, Murdock descobriria provas de que ele era mesmo inocente.
Na série, vemos mais indícios de que o símbolo do Justiceiro
foi tomado por uma facção de policiais corruptos que andam fazendo justiça com
as próprias mãos em Nova York. Um dos policiais no julgamento tem uma tatuagem
da caveira no pescoço. Uma parede também aparece pichada com o logo durante o episódio e o homem que
baleia o Tigre Branco simplesmente usa um colete com o símbolo pintado em cima.
Meu amigo… eu mal posso esperar para o especial do
Justiceiro que a Marvel está prometendo para logo mais e pela aparição do próprio
Frank Castle na série Born Again. Se o personagem de Jon Bernthal já não era muito são antigamente,
imagina agora que a polícia está usando o seu símbolo para cometer barbaridades
por aí!
Perdeu o review dos dois primeiros episódios de Demolidor - Renascido? Clica no banner aí embaixo.
Quer ver o que eu achei da série do Gavião Arqueiro? Clica na imagem aí embaixo.
Não leu a minha opinião sobre a última temporada do Demolidor e do Justiceiro lá na Netflix? Sinta-se à vontade.
NAMASTÊ!
Nenhum comentário:
Postar um comentário