12 de março de 2014

O Robocop de Elite



Desde o início eu sabia que teria dificuldades em assistir o remake de Robocop dirigido por José Padilha e não relacioná-lo ao clássico de 1987 dirigido pelo holandês Paul Verhoven, mas, porém, todavia, no entanto, fui ao cinema de mente aberta, procurando não fazer comparações entre os dois filmes para que isso não prejudicasse a minha experiência. De antemão, já posso dizer que essa libertação mental valeu a pena.

Houve muita fofoca acerca da produção de Robocop quanto a quem realmente estava dirigindo o filme, e entre comentários maldosos e verdades absolutas, o que se vê na tela, é que, de alguma forma, José Padilha venceu a batalha contra os estúdios norte-americanos (pelo menos boa parte dela), porque apesar de ser uma produção estadunidense, Robocop tem muito da cara do diretor brasileiro, e isso desde o estilo de filmagem, com as câmeras tremidas em cenas de tensão, até a linha narrativa, em especial no que diz respeito aos conflitos pessoais dos personagens. Por tudo que haviam falado quanto ao controle dos estúdios sobre diretores menos experientes em Hollywood, eu esperava ver bem menos da assinatura de Padilha no filme, mas a surpresa fora interessante.


O roteiro assinado por Nick Schenk nos leva a um futuro não tão distante (afinal 2028 está logo aí!) onde vários países do mundo são patrulhados por drones e robôs policiais que garantem a segurança do local, mantendo as pessoas longe de confusão (e com as rédeas beeeem curtas num sistema fascista!). Embora essas máquinas de justiça sejam americanas, a ironia é que o próprio povo americano se recusa a aceitá-las em seu território, incentivado pelo Senador Dreyfuss (Zach Grenier) que abomina a prática da utilização de robôs para tomar decisões delicadas como a prisão de delinquentes e a proteção de pessoas inocentes. Afinal, o que garante que essas máquinas vão mesmo fazer aquilo para o qual foram programadas?


Pensando diferente da maioria de seus compatriotas, o diretor da megacorporação responsável pela criação dessas máquinas patrulheiras (incluindo aí os gigantes ED-209) Raymond Sellars (Michael Keaton) decide que é hora de mudar esse cenário, e que sua empresa Omnicorp precisa lançar um robô com consciência humana que seja aceito pela população. 


Enquanto ele, sua equipe de marketing liderada por Pope (Jay Baruchel de Trovão Tropical e Aprendiz de Feiticeiro) e o psicanalista Norton (Gary Oldman) estudam possíveis candidatos a “homens dentro de uma máquina”, o público no cinema conhece o detetive Alex Murphy (Joel Kinnaman), um dos poucos policiais honestos no centro da corrupta cidade de Detroit. Ao lado de seu parceiro Jack Lewis (Michael K. Willians), Murphy investiga a chegada de armas pesadas ilegais às ruas da cidade, e sem saber, se envolve em uma intrincada trama de poder e cobiça que vai levá-lo a sofrer um atentado que o deixará entre a vida e a morte, tornando-se assim, o candidato perfeito ao experimento de Sellars e o Dr. Norton.


O plot não é diferente do clássico oitentista Robocop – O Policia do Futuro escrito por Edward Neumeier e Michael Miner, mas o reboot trata de forma muito mais visceral a fusão entre o homem e a máquina, dando mais tempo de tela para a transformação forçada do policial Alex Murphy em um ciborgue, logo que ele sofre o acidente que deixa boa parte do seu corpo inutilizada. 


O roteiro explora muito mais o estado psicológico do personagem, tratando-o como um soldado ferido de guerra que tem que aceitar a amputação de um membro e aprender a conviver com isso, e não só uma mente humana reprogramada em um corpo sintético. No caso de Murphy, ele tem a consciência de quem ele era antes da explosão, e a aceitação para o fato de que ele agora está preso a um corpo artificial é um ponto delicado que o texto trata, diferente do que o filme anterior fazia. Explorando mais o homem dentro da máquina, Robocop consegue lidar melhor com a questão que permeia a história: Como as pessoas receberiam a ideia de que há a mente de um homem controlando o corpo de um policial robô?

Direção

José Padilha precisou dirigir apenas dois filmes para que eu me tornasse um fã incondicional de seu trabalho. Com os dois Tropa de Elite, o diretor carioca de 46 anos movimentou o cinema brasileiro como há muito tempo não acontecia, e levou para as rodas de bar e para os círculos mais elitizados as questões que ele conseguiu abordar nos dois filmes, corrupção e violência. Com seu excelente trabalho em Tropa de Elite, parecia natural que ele se tornasse a ponta de lança para um filme como Robocop, cujo clássico de 1987 tratava justamente destes mesmos temas, corrupção e violência.


Surgiram algumas dúvidas de como Padilha iria lidar com os Milhões de Dólares que envolvem uma produção desta magnitude, e principalmente como ele iria lidar com seu ponto forte (a questão social) em meio a tantos efeitos digitais e traquitanas tecnológicas, porém, seu desempenho foi acima da média, porque o tempo todo podemos ver sua assinatura no longa metragem, sem que haja a descaracterização de seu trabalho. Com o texto de Nick Schenk forçando bastante a relação humana da história, tornando esse Alex Murphy alguém consciente de sua nova situação depois do atentado que destruiu seu corpo original, ficou fácil para Padilha trabalhar nas cenas dramáticas do longa e intensificá-las de uma maneira que o filme de 87 jamais conseguiu. 


Justificando essa carga mais emocional com o fato de Murphy não ter tido a mente apagada ao se tornar Robocop, o diretor conseguiu impor um tom mais plausível a seu filme, assim como nas cenas de ação em que ele procurou usar menos CGI e mais efeitos práticos


A questão, no entanto, é que por forçar mais nas emoções do personagem, e passar mais tempo cuidando de sua psique, ficou aquela impressão de que faltou ação no filme, e que os lampejos de tiroteio que existem na fita (como o treinamento do Robocop no galpão ao som de Hocus Pocus e na sequência final) não suprem a nossa necessidade por sangue, algo que jorrava no filme de Paul Verhoeven.


Ai, Rodman, mas meus olhinhos são sensíveis demais para aquela violência toda do Verhoeven!

Eu sei, delicado Padawan, a questão é que violência nos picos é o mínimo que se espera de um filme intitulado Robocop, devido as ingratas comparações com a fita de 87, o que dessa vez teve que ser apaziguado devido a faixa indicativa de idade (13 anos) que o filme recebeu.


A mídia manipuladora que distorce fatos para torná-los favoráveis a seu ponto de vista é representada nesse filme pelo personagem Pat Novak (Samuel L. Jackson), um apresentador de TV formador de opinião que apoia claramente apenas um lado da discussão: Os robôs devem patrulhar os EUA. No primeiro filme, a mídia e seus programas sensacionalistas são utilizadas como palco para ocultar a decadência cada vez mais palpável da sociedade, em especial da população de Detroit, que vive sob o domínio da corporação OCP


No caso de Novak, ele é um daqueles representantes direitistas (ou esquerdistas, dependendo do ângulo em que você coloca a questão “robôs devem patrulhar nosso país”) que apoia vexatoriamente um lado, e coíbe manifestações contrárias ao que ele pensa, deixando clara sua visão totalmente parcial dos fatos, exacerbado assim, no conjunto, o bem estar da população americana, que segundo o personagem, é a coisa mais importante do mundo. O ufanismo de Novak com relação a visão de que os EUA são o centro do mundo, o torna uma das críticas mais mordazes à própria mídia sensacionalista americana, algo que, por incrença que parível, os próprios americanos têm consciência que é uma das mais escrotas do mundo. Seja como for, essa parte do roteiro se torna um dos pontos altos do filme, fazendo com que ele seja ainda mais verossímil.


Salvo a falta de cenas de ação mais memoráveis (não me recordo de nenhuma que me empolgou) e o final pra lá de bunda-mole para o quesito fechamento de história, Robocop agrada sim, em especial pelos conceitos novos inseridos e pelo excelente trabalho de José Padilha, que encarou bem os norte-americanos e não permitiu que seu filme se transformasse em algo 100% controlado por um estúdio, como vimos acontecer com diversos outros longas que se tornaram fracassos de bilheteria justamente pela insistente manipulação artística. A recepção na Terra do Tio Sam pode não ter sido das mais animadoras, mas Padilha conseguiu fincar uma bandeira importante por lá, mostrando que brasileiro é mais do que Carnaval, Futebol e Corrupção. Aqui também é trabalho, meu filho!

NOTA: 8,5

Para saber mais da minha opinião sobre o Robocop de Elite do Zé Padilha, acesse o A.I.JOVEM. O AIPOD #006 é justamente sobre os dois filmes (o de 87 e o de 2014), e nele eu, o Killerdepano e o IChucky destrinchamos toda a nossa experiência com os filmes do homem de lata mais famoso do cinema. Clique na imagem abaixo para acessar o Podcast.



NAMASTE! 

13 de fevereiro de 2014

Não Liga pra Justiça: WAR


Como muita gente já deve saber, a DC decidiu rebootar seu universo inteiro dos quadrinhos após a saga Flashpoint, criando assim o que começou a ser chamado de Novos 52 (uma referência a quantidade de títulos que a editora passaria a publicar com seus personagens). Assim sendo, tudo que os leitores mais velhos conheciam, ou pensavam que conheciam foi para a vala, e após as confusões do Flash com as linhas temporais (o que pode ser visto no arco Flashpoint e também na animação homônima), tudo se renovou, inclusive os conceitos de personagens que não se alteravam há anos, como o Superman e o Batman.


A animação Liga da Justiça: WAR  leva para a tela o primeiro arco da maior equipe de super-heróis da DC escrita por Geoff Johns e desenhada por Jim Lee nos quadrinhos, e salvo algumas alterações e adaptações necessárias para caber em um desenho de quase duas horas, a bagaça consegue ser bem fiel aos conceitos (ou a falta de) criados por Johns, além de manter a já costumeira qualidade DC de animação, que sempre superou e MUITO a da concorrência.


Para assistir WAR, em primeiro lugar é necessário se desprender de tudo o que você achava que sabia sobre os principais personagens da DC. Esse desprendimento deve ser ao nível mais básico mesmo. As mudanças são tantas, que eu não me surpreenderia em, de repente, saber que o Batman agora se chama João da Silva e que ganhou seus poderes de morcego após sofrer uma mutação benigna!


Sem KY, a introdução da história já nos coloca bem no meio de uma perseguição a uma criatura “morceguística” que começa a assombrar Gotham City, raptando pessoas de forma aleatória na cidade. Enquanto a mídia dá destaque a um suposto “Batman” que começou a tocar o terror na cidade gótica, cabe ao Lanterna Verde do Setor 2814 Hal Jordan investigar e caçar essa criatura das trevas. Quando Jordan consegue surpreender o tal “morcego”, o verdadeiro Batman surge para dizer quem é que manda nessa porra, começando claro, um conflito com ele (e olhe que dessa vez ele nem se pintou de amarelo para poder sentar o braço no Lanterna). 


O tal morcego assustador na verdade é um parademônio a serviço de um tal de Darkseid (“O que é Darkseid? Uma banda?”, pergunta Jordan), que assim como outros de sua raça estão na Terra, espalhados em diversas cidades como Metrópolis, Central City, etc, etc, para instalar Caixas Maternas que irão abrir portais para o mundo de Darkseid (que nem sei se ainda se chama Apokolips!) e começar uma invasão.

A velha história de invasão alienígena que reúne uma pá de heróis para detê-la, nada muito original.


Enquanto a tal invasão começa a se desenhar ao redor do mundo, a animação começa a nos apresentar os demais personagens. Vemos Diana, a princesa guerreira em busca de uma conferência com o Presidente dos EUA, Victor Stone, um astro do futebol americano em busca do reconhecimento do pai, que é um cientista mega-antenado nos paranauês quânticos e nanotecnológicos, vemos um Superman pra lá de boçal, que a meu ver, só serve para exibir seus imensos e inigualáveis superpoderes enquanto come os parademônios de porrada e Billy Batson, um impetuoso garoto (aparentemente órfão), fã de futebol que esconde seu poderoso alter-ego Shazam (esqueçam essa de “Capitão Marvel”), o libertando nos momentos mais desesperadores.


Enquanto posiciona seus soldados meio demônios, meio robôs, meio a puta que o pariu (sério, não dá pra saber o que eles são!) para abrir tubos de explosão que darão passagem de seu mundo para a Terra, o onipotente Darkseid observa tudo de seu universo, lambendo os beiços e mal podendo esperar para casar com a Mulher Maravilha dominar o planeta azul (sabe-se lá Deus porquê!).


Sério. A história é toda muito superficial. Não rola nem a menor tentativa de um aprofundamento sequer razoável acerca do posicionamento dos personagens ou mesmo de suas características mais básicas. Quem diabos é Darkseid (“um gigante mau em quem nós vamos sentar a porrada!”), o que diabos são os parademônios (“soldados rasos que nós vamos despedaçar!”) e o que diabos esses putos querem com nosso planeta. Há apenas uma linha finíssima de roteiro que diz “então vem um ser superpoderoso que vai querer dominar a Terra” e mais nada. 


É muito maniqueísmo até mesmo para uma animação infantil!

Outra coisa que incomoda e muito no desenho, é a personalidade dos heróis da Liga da Justiça. O intuito dos Novos 52 nos quadrinhos foi principalmente o de rejuvenescer seu panteão principal de personagens e mantê-los atraentes para a nova geração de fãs (mais ou menos o que Joe Quesada e a Marvel fez com o Homem Aranha e o lance do Pacto com o Mephisto), o que de certa forma funcionou, já que novos leitores foram atraídos e muitos dos velhos leitores continuaram lendo apenas porque são vermes desprezíveis para falar mal do material. 


A questão é que com esse rejuvenescimento, todos os personagens (com exceção do Batman, que continua sisudo e mal-humorado) se tornaram um bando de adolescentes imaturos com poderes. Não há nada do velho escoteirismo característico na persona do Superman. Ele se assemelha muito mais a um bombadão descerebrado que quer mostrar que seu braço é maior do que os demais do que um defensor da paz e da harmonia. Hal Jordan mais parece um garotão inconsequente do que um verdadeiro protetor de todo um setor espacial (ainda mais do que ele já era nos primórdios de sua carreira ainda nos “velhos 52”). A Mulher Maravilha é uma explosão de impetuosidade e brutalidade, e age mais como uma bárbara do que uma guerreira treinada, pronta para brandir sua espada e decepar cabeças sem medir as consequências. Enquanto pouco do Flash brincalhão do antigo desenho da Liga da Justiça é mostrado, o personagem mais consciente de seu papel de super-herói da animação é mesmo o Cyborg, embora ele se torne um “ciborgue” da forma mais inverossímil possível, após um acidente com uma caixa materna no laboratório onde seu pai trabalha.


Não... Sério? Ele morre na mesa de cirurgia e seu corpo danificado é reconstituído por tecnologia de Apokolips?

Sério?

A maior decepção da animação, no entanto, é com relação ao Shazam. Até entendo ele parecer um grandão bobo quando assume o corpo do garoto Billy Batson (afinal, é isso que ele é, um adulto com mente de criança), mas nem mesmo os poderes dele parecem condizer com o que eram antes. Pra começar, sua escala de super-força parece BEM ABAIXO da do Superman (que na animação possui um nível imbatível de força), uma vez que ele nem faz cócegas em Darkseid quando começa a trocar socos com ele. Sem falar que agora ele mais parece um “Homem Elétrico” soltando faíscas a todo tempo ou um “Deus do Trovão” disparando relâmpagos do que um ser mágico, fonte natural de seus dons. Se antes o velho Capitão Marvel conseguia fazer frente aos poderes do Superman, nessa nova versão ele mais parece que foi rebaixado para a segunda divisão dos heróis, servindo como um saco de pancadas humano.


Falando em pancadas, a violência assume níveis altíssimos à medida que os heróis percebem que estão perdendo o controle da invasão alienígena, e que o próprio Darkseid é uma ameaça grande demais para que eles possam enfrentar. Em um dado momento, Superman é capturado por Desaad, o puxa-saco principal de Darkseid, e o Homem-de-Aço começa a ser controlado pelas forças do mal. Enquanto seus acólitos levam o kryptoniano para o lado de lá da lei, o soberano de Apokolips enfrenta os amigos do Azulão no mano-a-mano, provando que ele é mais do que eles podem suportar, mesmo todos juntos. Enquanto o Batman deduz que sem o Superman não há como vencer a luta, e parte sozinho para tentar libertá-lo, seus Superamigos fazem de tudo para derrotar Darkseid (inclusive destruir toda a cidade!), chegando aos extremos da violência após um plano porcamente engendrado pelo imaturo Hal Jordan. 


Destaque para o que eles fazem com os olhos do gigante cinza.

Liga da Justiça: WAR  é um apanhado de clichês mal desenvolvidos que chega a causar desconforto em certo ponto. Os heróis não demonstram em nenhum momento sua bravura em combate ou mesmo utilizam de estratégia para vencer Darkseid. Porra nenhuma! A treta é resolvida na grosseria mesmo, e perto de seu clímax, o combate chega a ser vergonhoso. Os personagens estão descaracterizados, e para atingir um público maior, os executivos da DC decidiram torná-los pitboys anabolizados que não se importam com as consequências de seus atos, e sim com o resultado imediato. O roteiro parece que foi escrito por um moleque de dez anos. Eu sei porque nessa idade escrevi muitos assim!


Não gostei da postura de nenhum dos personagens. Se outrora eu costumava me sentir inspirado pela força de vontade do Lanterna Verde ou pela força do caráter do Superman, terminei de ver WAR como se eu tivesse assistido uma briga de bar sem sentido, onde vilões combatem vilões piores ainda apenas para medir quem tem o pau maior!



Se esse é o futuro das animações da DC, agora que eles deixaram para trás de vez todo o passado glorioso da editora, eu prefiro não fazer parte dele. WAR ainda vale a pena como entretenimento puro. Como de costume, o ritmo a animação é de tirar o fôlego, os desenhos empolgam bastante, mas o roteiro é uma bosta. Se você não se importa em ver o Superman matando parademônios sem qualquer remorso ou ver a Mulher Maravilha feito uma bárbara em meio a soldados bersekers, você vai adorar WAR. Caso você seja um cara que, assim como eu, está velho demais para essa merda, passe longe. Vá ver o filme do Pelé! 



NOTA: 5

NAMASTE!

1 de fevereiro de 2014

Game, Cinema, Anime e HQ - 2014 vem com tudo!


2014 promete ser um ano orgásmico para quem vive ávido por novidades da cultura pop. Com estreias sensacionais movendo a indústria do entretenimento tanto na área dos games, cinema, quadrinhos, mangás e animes, esse ano tem tudo para ser grandioso para os nerds, geeks e otakus de todo canto desse Brasil varonil.


Um dos grandes lançamentos (e também um dos mais esperados) de 2014 é com certeza o game Metal Gear Rising: Revengeance, que chega aos PCs quase um ano depois dos consoles. Bem avaliado pelos maiores veículos de comunicação, e entendedores do assunto, o game tem sido descrito como excelente pelos críticos, apresentando uma jogabilidade fantástica , uma trilha sonora envolvente e gráficos espetaculares, como pode ser visto nos vídeos exibidos até então.



No game produzido por Shingenobu Matsuyama, os jogadores desta vez assumem o papel de Raiden, o aliado de Snake (o herói das versões anteriores do jogo) que foi transformado numa verdadeira máquina de matar, graças aos implantes biônicos em seu corpo. Desta forma, ação é o que não falta nesse grande jogo lançado pela empresa Konami (famosa pelos jogos de futebol PES) e que já pode ser encontrado nas grandes lojas do ramo.



Para quem curte mangás (e animes no combo!) a Panini traz para o Brasil o elogiado Attack on Titans, escrita e desenhada por Hajime Isayama. O mangá é uma série que ocorre num mundo onde o restante da população humana vive dentro de uma cidade cercada por muralhas enormes devido ao súbito aparecimento dos titãs, criaturas humanoides gigantescas, que devoram humanos aparentemente sem razão. A história tem em foco Eren Jaeger e sua irmã adotiva Mikasa Ackerman, cujas vidas foram mudadas para sempre, após o aparecimento de um titã colossal que destruiu parte da muralha da cidade permitindo que vários outros de sua raça invadissem o local. 


Notou alguma semelhança desse enredo com o filme Pacific Rim de Guillermo Del Toro? Pois é, não me espantaria se o gordaça tivesse se baseado nesse mangá para compor parte do enredo de seu filme que botou pra lutar robôs gigantes com os terríveis kaijus

A versão anime da série estreou dia 6 de Abril de 2013 no Japão, e trouxe para a tela toda a energia dos desenhos de Isayama.


No mundo das HQs, as novidades não são tão empolgantes assim, mas vale citar as alterações que começam a acontecer com o baixinho canadense mais invocado da Marvel em 2014.



Agora Wolverine é mortal, e a falta do fator de cura, seu grande trunfo contra os adversários, colocará o Carcaju para "sofrer um dobrado", tendo que se virar em meio aos mesmos perigos de sempre sem qualquer garantia que irá sobreviver. Para se resguardar de ataques mortais, Logan agora vai utilizar uma armadura e além de reduzir o uso de suas garras de adamantium ele vai recorrer a pistolas para contra-atacar os vilões. O que ninguém explicou é como seu corpo vai reagir ao adamantium em seus ossos, uma vez que era o fator de cura que o fazia capaz de suportar o metal ali fixado!

Como diria o Capitão Mathias, "eu estou sentindo o cheiro de merda"!

Essa "maravilha" de enredo foi escrito por Paul Cornell e os desenhos da edição ficam a cargo do competente Alan Davis.

Vamos esperar essa pérola chegar ao Brasil para criticar com propriedade, porque pelo visto, não vai valer nem o scan! 

No mundo do cinema, quatro filmes dividem as atenções dos nerds e disputam o posto de filme blockbuster mais esperado do primeiro semestre do ano: Robocop, Capitão América 2 - O Soldado Invernal, Need for Speed e X-men- Dias de um Futuro Esquecido



Robocop, dirigido por José Padilha (de Tropa de Elite 1 e 2) tem estreia prevista para Fevereiro, e diferente do que se pensava devido os atrasos na produção e fofocas acerca dos desmandos dos produtores sobre o diretor brazuca, o filme tem recebido bastante notoriedade, incluindo aí uma excelente divulgação (comentei aqui sobre os primeiros boatos sobre o filme). 

Os trailers, teasers e comerciais de TV têm empolgado bastante, mostrando um Robocop mais ágil e mais humano em cenas de ação de tirar o fôlego. Se de um lado as expressões exageradas desse novo Alex Murphy, bem como sua mão humana aparente incomodam os saudosistas e amantes do filme de 1987 dirigido por Paul Verhoeven (que eu resenhei aqui), por outro lado é nítido o distanciamento que essa produção tenta manter da anterior, mostrando o que podemos entender como um Robocop da nova geração, um Robocop do século XXI. 



O Sentinela da Liberdade vivido por Chris Evans está de volta, e desta vez ele vai encarar um adversário que ele jamais poderia imaginar: Seu antigo amigo, dado como morto, Bucky Barnes!

"Rodman, filho da puta! Solta SPOILER e nem avisa??"

Caaalma, sua piranha! Calma!


Essa pequena introdução nem pode ser considerada um SPOILER, visto que é fato mais do que notório que o Bucky volta dos mortos nas HQs e ainda ressurge como um grande inimigo dos americanos, o terrível Soldado Invernal.

O primeiro trailer do filme é uma pancada no pâncreas dado o ritmo intenso e conspiratório mostrado nele. Vemos Steve Rogers se adaptando ao mundo moderno, ao mesmo tempo em que começa a trabalhar ao lado de Nick Fury, a SHIELD e a Viúva Negra. A ruiva, desta vez, irá assumir uma posição mais importante na história do velho soldado, e não parece exagero afirmar que vai rolar um clima entre eles durante o filme.

Ao mesmo tempo, tanto pelo traje mais sóbrio do Capitão e seu escudo desbotado, quanto pela atmosfera sombria, Capitão América 2 - O Soldado Invernal tem todo o jeito de ser o filme mais sério da empreitada Marvel nos cinemas (se bem que Homem de Ferro 3 também parecia!), e que vai levar os personagens a uma nova pegada de ação e espionagem, tudo que está bem presente nas HQs escritas por Ed Brubaker e desenhadas por Steve Epting, fonte de inspiração do filme. 


Esperando ansioso por essa bagaça que estreia no Brasil em Abril.



Baseado no jogo homônimo, Need for Speed ainda não tem data de estreia, mas traz no elenco o ator Aaron Paul, o Jesse Pinkman de Breaking Bad, série que arrebentou tudo com seu final apoteótico ano passado e que estreou no Brasil na TV aberta com o ridículo nome de "A Química do Mal".

É de conhecimento público que o jogo Need for Speed NÃO POSSUI ENREDO NENHUM, e que quem joga está mesmo a fim de sair por aí fazendo drift e despedaçando seus carros caríssimos em corridas alucinantes, o que por si só já deveria garantir uma adaptação para o cinema vazia e descerebrada. 

Não sei, pode ser que sim, pode ser que não. 

Uma coisa que ficou bem claro, é que Need for Speed tem cara de franquia de sucesso, assim como o foi Velozes e Furiosos no passado, quando então o filme só se preocupava em mostrar carros tunados e corridas sensacionais. Hoje, a série está mais focada na ação sem limites, e por acaso de vez em quando ocorrem alguns rachas. 

Se Need for Speed será o substituto natural de Velozes e Furiosos só o tempo dirá (ainda mais depois da morte trágica de Paul Walker), mas primeiro teremos que esperar o filme chegar aos cinemas!




X-Men - Dias de um Futuro Esquecido é com segurança um dos filmes mais esperados do ano. A franquia que andava moribunda após o fraco X-Men 3 -  Batalha Final e que quase havia sido enterrada com o vergonhoso X-Men: Wolverine Origens (um dos primeiros filmes que resenhei aqui no Blog) conseguiu ressurgir tal qual uma fênix com o muito bem executado X-Men - Primeira Classe (que resenhei aqui), voltando ao passado do Professor Xavier e de Magneto para nos contar como foi criada a primeira equipe dos filhos do átomo. 



Quando Bryan Synger resolveu voltar ao barco assumindo os roteiros, o destino dos mutantes parece ter retornado também aos trilhos, e essa é a razão por essa grande expectativa com relação ao segundo filme que promete ligar as duas franquias (a terminada em X-Men 3 e a começada com Primeira Classe).

Se de um lado vemos fãs pirando com a possibilidade de assistir na tela o roteiro escrito por Chris Claremont e John Byrne lá nos idos anos 80, de outro, é preocupante o fato de que o enredo fique "cabeça" demais para o público médio entender. Viagens temporais, transporte de mentes, encontro de personagens de linhas temporais distintas... Talvez isso seja "nerd" demais para um público geral que não costuma receber bem filmes com roteiros tão intrincados. Seja como for, a galera irá para conferir o Wolverine fazendo SNIKT e retalhando geral, o resto é história. 



O filme chega aos cinemas em Maio e até lá tem muita água pra rolar por debaixo da ponte. 


Esse mês no site A.I.JOVEM eu, Killerdepano e IChucky comentamos sobre esses lançamentos e mais uma porrada deles no nosso podcast A.I.POD #004. Clique na imagem abaixo e confira nosso bate-papo!




NAMASTE! 

22 de janeiro de 2014

Arrow - Mid-Season 2ª Temporada


2013 foi um ano muito positivo com relação às séries, e não só pelas grandes estreias que arrebataram a TV como Almost Human, Dracula, The Blacklist, Agents of S.H.I.E.L.D e na internet como House of Cards e Orange is the new Black (ambas produções exclusivas do Netflix), mas principalmente pela incrível continuidade que os seriados já estabelecidos se permitiram. O filão “enlatado estrangeiro” nunca esteve tão bem prestigiado por aqui em terras tapuias quanto agora, em especial pela facilidade de acesso a essas produções, e pela qualidade (sem falar na variedade!) apresentada a nós brasileiros.

Procurei me manter fiel a alguns seriados no decorrer do último ano, e dei chance a outros novos, e o propósito deste post é compartilhar um pouco da experiência de ter visto os primeiros episódios da segunda temporada de Arrow (cuja primeira temporada já resenhei aqui).

Sigam-me os bons e confira comigo no replay!


Sem muita hesitação, a segunda temporada de Arrow começa exatamente do ponto de onde a primeira terminou, mostrando as consequências do terremoto que abalou o bairro carente Glades e de que maneira ele afetou a população de Starling City e a família Queen.
Moira Queen (Susanna Thompson) acabou presa por se admitir cúmplice de Malcolm Merlyn (John Barrowman) no atentado que destruiu o Glades e que acabou matando o filho de Malcolm e amigo de Oliver Queen (Stephen Amell), Tommy (Colin Donnell)


Decidido a honrar a memória de Tommy, que em um de seus últimos momentos o acusou de assassino ao descobrir que ele era o Vigilante de Starling, Oliver começou a rever seu papel de anti-herói e abandonar a identidade de “Arqueiro Verde”, se isolando em outra ilha. Já no primeiro episódio, ele é convencido por Diggle (David Ramsey) e Felicity (Emily Bett Rickards) a retornar para a civilização, e de volta à cidade ele descobre que sua nova luta será para restabelecer o legado milionário deixado por seu pai, e recuperar as empresas Queen que começam a ruir agora que um grupo empresarial comandado por Isabel Rochev (Summer Glau) pretende adquirir todo seu patrimônio. Além disso, ele agora tem que lidar com o fato de que sua mãe está presa e prestes a enfrentar um julgamento que pode considerá-la culpada de todas as acusações (nada mais justo) e que aquilo pode ser um choque grande demais para sua irmã Thea (Willa Holland) encarar.


Os nove primeiros episódios da série foram quase que completamente aproveitáveis, sem tempo para enrolações ou enchimento de linguiça. Além da trama familiar e/ou amorosa que rola em paralelo desde a primeira temporada, servindo de liga para a relação entre os personagens, Arrow decidiu jogar referências aos quadrinhos à rodo em cada episódio, aproveitando desta vez até mesmo os flashbacks dos cinco anos em que Oliver passou em uma ilha, para acrescentar fatos importantes para a história. Assim sendo, em nove episódios já vimos referências a organização criminosa C.O.L.M.E.I.A (inimigos dos Novos Titãs na década de 80), ao Irmão Sangue (outro adversário clássico dos Titãs) que na série surgiu como um inofensivo samaritano do Glades chamado Sebastian Blood (Kevin Alejandro), mas que aos poucos foi se revelando um dos grandes adversários que Oliver Queen teria de enfrentar.


Um das coisas que eu mais me questionava ao longo da série era em que momento o Good Guy Slade Wilson (Manu Benett) que treina Oliver na ilha e que o ajuda a sobreviver naquele lugar remoto, iria se tornar o grande mercenário Exterminador, que nos quadrinhos surra a Liga da Justiça sozinho sem nem despentear os cabelos grisalhos. A resposta começou a surgir.

Nessa temporada, Slade é ferido gravemente quando uma equipe chega à ilha decidida a recuperar um artefato denominado mirakuru, e que estaria escondido em um submarino perdido ali desde a Segunda Guerra Mundial. Mirakuru, uma invenção japonesa, seria capaz de tornar um homem comum em um Supersoldado (em termos nada técnicos), e dispostos a passar por cima de qualquer um para se apoderar daquele artefato, os mercenários aprisionam Oliver e o obrigam a revelar o esconderijo de Slade e de Shado (Celina Jade), seus únicos amigos naquele lugar. À bordo do cargueiro dos inimigos, Oliver faz uma surpreendente revelação: Sara Lance (Caity Lotz), sua acompanhante na lancha Gambit na noite em que ele naufragou e que chegou à ilha, estava viva, e agindo ao lado dos mercenários. Ao mesmo tempo, no presente, uma nova vigilante começa a agir nas noites de Starling City, a intrépida Canário Negro, cuja peruca loira e roupas negras escondem a verdadeira identidade de Sara, a irmã de Laurel (Katie Cassidy) e filha do detetive Quentin Lance (Paul Blackthorne).  


Em meio à aparição de uma Canário Negro treinada pela Liga das Sombras (liderada por ninguém menos que Ra's Al Ghul, citado na série), de vilões como Tigre de Bronze (Michael J. White), e do alter-ego de Solomon Grundy Cyrus Gold, poucas coisas foram mais esperadas nessa temporada do que a aparição do detetive forense Barry Allen (Grant Gustin). Os episódios 8 e 9 foram quase que inteiramente dedicados a apresentação de Allen ao público, e se no cinema a Warner/DC parece mais perdida que puta em convento, pelo menos com relação ao tratamento de seus personagens na TV a empresa tem caprichado, visto que os dois episódios citados foram disparados os melhores de toda a temporada.


Quando um misterioso caso de arrombamento seguido de roubo ocorre nos arredores de Starling City, a polícia de Central City envia o jovem detetive Barry Allen para investigar. Conforme o caso vai sendo destrinchado, descobre-se que uma única pessoa invadiu o lugar e carregou um artefato que pesaria algumas toneladas nas costas, o que faz com que Oliver se lembre de um contato anterior que já havia tido com alguém com as mesmas características de força sobre-humana. Enquanto nos flashbacks vemos Slade Wilson sendo exposto ao mirakuru, no presente um supersoldado aparentemente à serviço do Irmão Sangue aplica uma verdadeira surra em Oliver, o tirando de ação por algum tempo. Barry Allen e Felicity começam a estudar o composto químico do “supersoldado” nas veias de Oliver (depois deste ser atingido por seringas com o composto) e conseguem chegar até sua fonte, o próprio Irmão Sangue.


Como todo fã de quadrinhos devia estar esperando, é no último episódio que o acidente que transforma Barry Allen no Flash acontece, logo que ele retorna para Central City após sua estadia em Starling City. Cabe a todos agora aguardar pela tão alardeada série do homem mais rápido do mundo (cujos conceitos discuti aqui), que se depender dessa introdução em Arrow, vai render bons frutos à Warner. A meu ver, todo o cuidado em dar uma origem ao personagem foi muito bem feito (é citada até mesmo a morte da mãe de Allen pelas mãos de alguém com poderes, que nas HQs deu origem a todo o universo dos Novos 52 da DC), e os responsáveis pela série acertaram e muito no tom dos dois episódios que encerraram a mid-season de Arrow, até mesmo no tema musical que sempre tocava quando Allen estava em cena, se assemelhando muito à trilha sonora criado por Danny Elfman na série dos anos 90 do Flash. Não houve exposição exagerada a Allen, e Oliver Queen continuou sendo o astro principal sem que a introdução a elementos fantásticos (como os supersoldados) soasse falsa demais numa série que até então vinha se mantendo distante desse tipo de artifício, algo que a meu ver, tornou Smallville ("Somebody saaaaaaaaave meee!"), por exemplo, maçante. Como era esperado, um homem correndo na velocidade da luz não apareceu em Arrow, e sim seu alter-ego humano que erra e se apaixona como qualquer um. Aliás, quem não se apaixonaria pela gracinha da Felicity, hein?


Estou no aguardo da próxima metade da temporada de Arrow e aguardando ansioso por uma série realmente boa do Flash.

NAMASTE! 

8 de janeiro de 2014

O Hobbit - No Cafofo do Smaug


E a jornada do pequeno Hobbit Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) ao lado do mago Gandalf (sir Ian McKellen) e dos treze anões Thorin Escudo-de-Carvalho (Richard Armitage), Balin (Ken Stott), Dwalin (Graham McTavish), Bifur (William Kircher), Bofur (James Nesbitt)Bombur (Stephen Hunter), Fili (Dean O’Gorman), Kili (Aidan Turner), Oin (John Callen), Gloin (Peter Hambleton), Nori (Jed Brophy), Dori (Mark Hadlow) e Ori (Adam Brown) para reaver o reino de Erebor, continua no filme O Hobbit – A Desolação de Smaug, que estreou em Dezembro de 2013 nos cinemas.

A história de fantasia que se baseia no livro único O Hobbit escrito pelo mesmo autor da trilogia O Senhor dos Anéis J.R.R Tolkien, transformada em três filmes pelo diretor Peter Jackson, conta a saga de Bilbo, um Hobbit do Condado que é convidado a participar de uma aventura inesperada pelo velho mago Gandalf, o Cinzento, que é praticamente uma lenda por aquelas regiões áridas da Terra Média. Cansado de sua vida monótona e regrada (característica básica de todo Hobbit), Bilbo decide ir atrás do Cinzento e dos treze anões, mesmo sabendo os perigos que o esperam no caminho até a Montanha Solitária de Erebor, lar dos anões, tomado por um gigantesco dragão que se apoderou de todos os tesouros e riquezas escondidos do lado de lá das muralhas. Guiada por Gandalf, a comitiva tem em sua posse uma chave que abrirá uma passagem secreta na montanha dos anões, e lá chegando, Bilbo, como o ladrão do grupo, tem a dura tarefa de encontrar a pedra Arkenstone em meio a todo o tesouro agora sob o poder de Smaug, sabendo que essa pedra pode trazer o poder de volta às mãos de Thorin, filho de Thrain, neto de Thror, o legítimo herdeiro real de Erebor.


Como visto no primeiro filme, a vida dos quinze personagens não é nada fácil até chegarem a Erebor. Enquanto um mal sem precedentes (maior que a ameaça de Smaug) se esgueira nas florestas e começa a atrair trolls e orcs para próximo das cidades dos elfos, Bilbo e seus amigos são obrigados a suar para transpor as passagens até o reino dos anões. Caçados pelo orc branco Azog (cujos movimentos são capturados do ator Manu Bennett, o Slade Wilson da série Arrow) e sua horda de orcs, os pequeninos quase perdem seu líder Thorin, que no final do primeiro filme decide encarar (de novo) o monstro pálido, levando a pior dessa vez. Thorin decepou o braço da criatura durante a batalha nos portões de Moria e impediu que seu povo fosse inteiramente massacrado por ele no passado, o que não resolveu o problema permanentemente. Pelo contrário, Azog espreita ainda mais perigoso, e o grande entrevero entre eles deve mesmo ficar para o terceiro filme, uma vez que Azog mal aparece no segundo.


Em A Desolação de Smaug, em paralelo a jornada dos anões em reaver seu reino das garras ambiciosas e gananciosas de Smaug, nós vemos também o ressurgimento de um poderoso Necromante que começa a expandir sua influência maligna pela Terra Média, o que intriga os magos Gandalf (que larga os anões à própria sorte por causa disso) e Radagast (Sylvester McCoy), o Castanho. Após deixar Bilbo e os anões à caminho da Montanha Solitária, o Cinzento começa a seguir pistas que o levam a encarar o próprio Necromante face-a-face, e a criatura etérea acaba se revelando como um dos personagens principais da outra trilogia de Peter Jackson, o temível Sauron.


Além das duas tramas, vemos também surgir um herói entre os homens, o safo Bard (Luke Evans, o Zeus de Imortais), que ajuda os anões a chegarem à Cidade dos Lagos, e acaba se revelando o herdeiro daquele que não conseguiu impedir o avanço de Smaug sobre Erebor. Na história, o pai de Bard teve a chance de atingir o dragão com uma balestra (arma usada para disparar uma espécie de arpão) feita pelos anões, e o homem vive na Cidade dos Lagos, aos pés da Montanha Solitária, literalmente sob a sombra do fracasso de seu progenitor. Disposto a corrigir o erro de seu pai, Bard se vê obrigado a usar a última flecha negra capaz de matar Smaug, e apesar de se interpor entre Thorin e seu destino à princípio, ele faz com que seu filho leve a flecha até a balestra, sabendo que o retorno do dragão é agora algo inevitável.


Esses três plots conduzem a história de A Desolação de Smaug, mas aquiete seu facho se você acha que verá algum desfecho ainda na segunda parte da película. O filme acaba quase duas horas e meia depois do começo e não fecha nenhuma das tramas desenvolvidas durante esse tempo, o que acaba deixando alguns espectadores meio que emputecidos na sala de cinema.

Os Efeitos Especiais

É certo que a tecnologia digital a que Peter Jackson e sua equipe dispõem hoje é infinitamente maior do que a que ele tinha na época da filmagem da trilogia do Senhor dos Anéis (e nem faz tanto tempo assim!), e aproveitando-se de tais recursos, o diretor decidiu extravasar libera e joga tudo pro ar e dar na cara do espectador (literalmente!) com uma tecnologia de ponta, usada para trazer a mais nítida imagem e os melhores efeitos digitais que o século XXI pode criar.



Não consegui assistir o primeiro Hobbit em um cinema que me permitisse apreciar a qualidade de imagem proporcionada pelas câmeras que rodam em 48 fps (frames por segundo), mas dessa vez me vi embasbacado na poltrona olhando para uma tela que mais parecia uma vitrine, onde do outro lado os atores e personagens fantásticos conduziam a história de A Desolação de Smaug. À princípio me senti incomodado por aquela imagem tão nítida que mais parecia uma cena de novela dentro do Pônei Saltitante enquanto Thorin e Gandalf conversavam, mas depois, comecei a mergulhar naquela perfeição de imagem, e percebi os benefícios de assistir um filme rodado a 48 fps. Tudo é mais limpo, e até mesmo perceber os defeitos e inserções de CGI é gratificante. 



Nas cenas de ação, a mescla entre atores e personagens digitais é cada vez menos visível (exceto criaturas quadrúpedes!), e uma das cenas mais comentadas e elogiadas do filme, a queda nas corredeiras e a batalha dos anões contra os orcs, fica ainda mais divertida com a nitidez das câmeras. O esplendor da cidade dos elfos comandada por Thranduil (Lee Pace) é ainda mais perceptível, enquanto a floresta negra por onde os anões passam e são obrigados a enfrentar terríveis aranhas gigantes (cena, aliás, pra deixar qualquer um com aracnofobia!) fica ainda mais sinistra, enquanto abelhas gigantes voam de encontro ao espectador no cinema.

O 3D, no entanto, para por aí, uma vez que ele é apenas usado como muleta, dando profundidade a alguns cenários (como o do já citado encontro no Pônei Saltitante) e alguma vertigem nas corredeiras, enquanto os anões boiam em barris tentando escapar da fúria dos orcs.
Seja como for, as inserções de CGI estão mais bem cuidadas nesse segundo filme, e já é quase impossível saber quando estamos vendo um boneco digital saltando entre anões e orcs, e quando estamos vendo o verdadeiro Orlando “Boneco de Cera” Bloom (agora com 37 anos e nitidamente bem menos ágil nas cenas de luta), voltando a encarnar o destemido Legolas, para o delírio das mocinhas.



Só para não dizer que tudo são flores, a tão esperada aparição do transmorfo (por falta de definição melhor) Beorn (Mikael Persbrandtfoi pra lá de decepcionante. Além da falta de profundidade do personagem e da rápida passagem em que ele dá casa, comida e roupa lavada aos anões, sua transformação de urso para “humano” é bem meia-boca, sem falar que Beorn nem sequer parece um urso! Sabe-se (de acordo com o livro) que Beorn volta a aparecer na guerra que deve culminar entre os exércitos no terceiro filme, mas mesmo para uma introdução de personagem, achei bem caída sua aparição.  
Adaptação
Como já citei no outro post, eu não li a trilogia O Senhor dos Anéis e nem tampouco O Hobbit, portanto, não tenho nada a questionar sobre a fidelidade da obra a que Peter Jackson deveria ou não seguir. Tudo o que sei sobre a obra, foi o que li a respeito na internet e que ouvi em podcasts e fóruns de discussão por aí.

Através dessas fontes, descobri que o orc branco Azog não desempenha papel tão importante na história, e que ele morre (e isso não é SPOILER, porra!) mesmo na batalha de Moria. Quem fica para vingar o legado de matança e maldade do pai é Bolg, que aparece em A Desolação de Smaug, mas que é descrito como apenas um pau-mandado do próprio Azog, num diálogo que quase quer dizer: “Bolg, meu fi. Vá lá atrás daqueles anões e acabe com todos eles pra mim, porque eu preciso ser resguardado pro terceiro filme!”. Assim sendo, Bolg acaba sendo o grande general dos exércitos de orcs no segundo filme, e fica sendo o responsável pela "quase invasão" das criaturas ao reino dos Elfos, em busca dos anões que são feitos prisioneiros pelos orelhudos da floresta logo após se livrarem das aranhas gigantes.



Após esse entrevero entre elfos e aranhas gigantes, descobrimos que o coração de Legolas, o elfo fodão de O Senhor dos Anéis, bate rápido e acelerado por uma elfa plebeia, a linda e destemida Tauriel (Evangeline Lilly, a Kate de LOST), mas que o amor dos dois é algo inalcançável, já que Thranduil, a Rainha louca... digo, o Rei dos Elfos não aprova que seu filho de sangue real se junte com uma elfa advinda da plebe. Assim sendo, começa a rolar um improvável clima entre Tauriel e o anão bonitão Kili (já citado no primeiro post como o galã entre os treze anões), o que incomodou muita gente durante o filme. 



Em primeiro lugar, dos treze anões da comitiva para reaver Erebor, só mesmo uns três ou quatro tem aparência do anão clássico, aquele baixote cabeçudinho que veste armadura e carrega um machado, os demais, ao longo do filme nem sequer parecem anões, exceto quando colocados próximos de personagens de estatura humana comum, como Gandalf e os elfos, por exemplo. Eu mesmo quase me esqueço que eles são anões, embora sejam chamados assim o tempo todo. Seja como for, o affair imposto na história não existe no livro, até mesmo porque a personagem Tauriel foi criada apenas para o filme, o que faz provavelmente com que Evangeline Lilly seja eternamente grata a Peter Jackson.



Quanto ao romance entre Tauriel e Kili, não sou contra. Basta lembrar que Evangeline já namorou o ator Dominic Monaghan, seu parceiro de elenco em LOST e que interpretou o Hobbit Merry na primeira Trilogia. Ou seja, experiência em lidar com "anões" a moça tem! "Ok! Ok! Eu aumento, mas não invento!!"



Incoerências e desvios gritantes quanto à linha narrativa mostrada no livro (que lembrando, foi escrito para crianças) existem aos montes com relação ao Hobbit adaptado para o cinema, mas é importante salientar que tanto Jackson quanto a Warner (produtora conhecida por esticar, esticar e esticar a baladeira até não sobrar mais nada, visto séries de TV como Smalville e Supernatural) tiveram que criar três filmes se baseando em um “roteiro” de pouco mais de 300 páginas. 




Liberdades poéticas e inserções seriam necessárias de qualquer forma, mas ao fim da sessão, ficou aquele gosto amargo de que Jackson havia exagerado em sua ambição de querer faturar com três filmes, uma vez que com menos enrolações ele conseguiria colocar tudo muito bem colocado em dois filmes.
Lá e de volta outra vez...
Como filme, sem pensar que ele é uma adaptação e nem o julgando se ele tem ou não incoerências de roteiro (e vamos combinar que o plano dos anões de afogar o Smaug em ouro foi bem merda!) A Desolação de Smaug é um baita de um filme (baita mesmo, com um orçamento de US$ 270 Milhões), equivalente ao primeiro em grandiosidade e na qualidade dos efeitos visuais. Três das minhas cenas prediletas envolvem movimentação e ação, e são tão bem executadas que me recordo como se tivesse acabado de ver o filme. A cena já citada da fuga dos anões pelas corredeiras é sensacional, mostra toda a sincronia e trabalho em equipe dos amigos anões enquanto eles são caçados impiedosamente pelos orcs comandados por Bolg. Em paralelo à destreza dos pequenos, também vemos a agilidade e mira infalível de Legolas (que também não aparece na história original de O Hobbit) e de Tauriel, que estão ali para reaver os anões e ao mesmo tempo afastar a ameaça orc de suas terras.



A cena na floresta com as aranhas gigantes, e que precede a das corredeiras, também é excelente, não só pelo cenário, mas principalmente pelas alucinações que o local causa nos pequenos quando estes colocam seus pés em seu interior. Como numa viagem louca de ácido, Bilbo e os treze anões começam a alucinar sob efeito da floresta, e começam a se perder enquanto andam em círculos e começam a ter ataques de esquizofrenia. O clima de terror aumenta quando (outra vez, repetindo a cena de O Retorno do Rei quando Frodo é ferroado e enrolado em teia por uma terrível aranha gigante) aranhas enormes começam a caçar os anões para almoçá-los, obrigando o pequeno Hobbit a usar sua espada Ferroada e o Um anel guardado em seu bolso desde o Concurso de Charadas com o Gollum, para salvá-los.



Minha terceira cena preferida, apesar do desfecho sem criatividade do banho de ouro, é quando Smaug dá as caras pela primeira vez. Sem sombra de dúvidas, esse é o melhor e mais bem feito dragão que já vi no cinema. Enquanto ouvia a atuação do ator Benedict Cumberbatch, que faz a voz de Smaug, eu me peguei analisando a forma do lagarto gigante, pensando com meus botões “Quanto tempo esses filhos da puta demoraram para digitalizar e renderizar esse dragão!”. O personagem digital é um dos mais perfeitos que já vi, e não só possui o peso que vemos faltar em bonecos digitais (Como o Hulk, por exemplo, que sempre parece ser feito de borracha) como também a movimentação excelente, algo que talvez tenhamos que agradecer a Guillermo  del Toro, que apesar de ter abdicado da direção de O Hobbit, participou da produção, tendo seu nome creditado no filme. O diretor rotundo é conhecido por caprichar nas criaturas fantásticas que desenvolve para o cinema, e isso ficou bem claro em Hellboy, onde trabalha quase que inteiramente com animatronics e no recente Pacific Rim, onde ele nos fez acreditar que monstros e robôs gigantes podem mesmo existir em nosso mundo. Isoladamente a equipe de criação do Smaug merecia ganhar um Oscar de efeitos visuais tal é a perfeição do dragão, e vão se passar alguns anos até que algum outro diretor (ou o próprio Peter Jackson) venha a superar o que foi conseguido em A Desolação de Smaug nesse quesito.



Independente do que a crítica “especializada” e que leu todos os livros de Tolkien achou, eu gostei para caralho de O Hobbit – A Desolação de Smaug por tudo que já foi citado e também por ter cumprido seu papel principal: Entreter. Eu me diverti assistindo o filme, eu ri com as peripécias dos anões, me empolguei com as cenas de luta muito bem coreografadas, me deliciei com as cabeças de orcs rolando a todo momento e em especial gostei de revisitar a Terra Média sob essa nova ótica em 48 fps de Peter Jackson. O filme tem defeitos, óbvio, qual filme não tem? Mas eu fui menos cricri comigo mesmo e relevei alguns deles porque se tratava de uma história fantástica com seres fantásticos. Como posso me importar com incoerências de roteiro em uma história em que vejo treze anões sofrerem os maiores infortúnios como quedas em corredeiras, quedas de árvores a centenas de metros do chão, flechadas, ataques de orcs e nada acontecer de grave a eles? O único anão que esteve mesmo às portas da morte foi o Kili, e isso porque ele precisava ter uma cena romântica em que é salvo pela elfa bonitona. Os outros, sabemos que são indestrutíveis!
A Desolação de Smaug é um excelente filme de aventura, daqueles que devem ser repetidos no futuro Ad infinitum na Sessão da Tarde. Tem ação, suspense e comédia na medida certa, e apesar de ser um caça-níquel fidumaégua entre o primeiro e o terceiro (O Hobbit – Lá e de volta outra vez) filme (sim, nós sabemos disso!), assim como o primeiro, vale cada centavo do ingresso do cinema em 3D, que não é barato hoje em dia. Se você não é fã xiita da obra de Tolkien, vá assistir sem medo de ser feliz. Vale a pena.
NOTA: 9,0

CLIQUE NA IMAGEM PARA LER O REVIEW DE O HOBBIT - UMA JORNADA INESPERADA

NAMASTE!

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...