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10 de janeiro de 2025

TOP 10 – FILMES DE 2024

Top 10 Filmes 2024


Oi, eu sou o Rod Rodman! Lembram de mim?

É começo de ano, e como sempre tento fazer aqui nesse meio de comunicação ultrapassado e obsoleto — quem ainda escreve em blog? E pior… quem ainda lê? —, é hora de elencar o que de melhor rolou no cinema, ou aquilo que NA MINHA OPINIÃO foi menos pior do que todo o resto que eu consumi.

Eu sou meio paranoico com estatísticas e planilhas, por isso, controlei exatamente todos os filmes que assisti em 2024 organizando tudo por ano de lançamento, média de pontuação (de 1 a 5), elenco, direção e meio de visualização.

Foram no total 277 filmes, separados da seguinte maneira no quesito gênero — lembrando que animação e filme nacional estão todos compactados em apenas duas categorias, sem distinção se são drama, comédia, etc:

Filmes de 2024 por gênero



Foi um ano bem trevoso em que eu mergulhei fundo no terror. Foram 59 filmes desse gênero, enquanto outros 19 se classificaram como suspense.

As plataformas de streaming continuam disputando espaço de mercado loucamente em meio aos consumidores que, às vezes, têm tanta oferta, que acabam perdidos sem saber exatamente por qual optar. É claro que nessas horas é o bolso quem dá a resposta mais eloquente, e aí é hora de recorrer a PIRATARIA meios alternativos para assistir aquele filme ou série que não encontramos em mais nenhum lugar do mainstream… ou que simplesmente não dispomos de grana para pagar pela plataforma que o armazena temporariamente.



Esse ano, eu dei uma chance ao MAX, serviço de streaming da Warner que já se chamou HBO, HBO/MAX e que agora é só MAX mesmo. Além do Max, assino também o Amazon Prime, além de usar de vez em quando outras plataformas gratuitas como a Pluto TV, a Mercado Play — ambas com anúncios a cada cinco minutos de projeção! — e o velho Youtube.

Usei por um período de teste o serviço de streaming da Paramount no intuito de acompanhar os jogos da Libertadores da América que estavam sendo transmitidos por lá. Aproveitei para conferir alguns dos filmes que eles disponibilizavam, mas o catálogo é bem reduzido. Fora alguns títulos como O Poderoso Chefão — a trilogia toda — e os filmes da série Missão Impossível, não vi muita vantagem em manter a assinatura.

De bom mesmo só assisti o documentário “Thriller 40” que fala sobre os quarenta anos do álbum lendário de Michael Jackson e de todos os pormenores que o tornaram um dos discos mais vendidos e premiados do planeta até hoje.

Thriller 40


Além disso, revi o excelente “Acredite em mim: A história de Lisa McVey”, um suspense bastante comovente que é baseado na história real de uma garota que foi sequestrada e violentada nos Estados Unidos, mas que conseguiu superar todos os seus traumas para usar o seu incrível talento de observação, conduzir a polícia de volta ao local onde ela foi atacada e prender o criminoso que a raptou.

Acredite em mim: A história de Lisa McVey


A contagem de filmes por serviço de streaming e/ou meio de visualização ficou assim:

Filmes por serviço ou plataforma


Sim. Eu fui apenas DUAS VEZES ao cinema esse ano e me envergonho bastante disso. O preço do ingresso subiu demais e os filmes que estão sendo lançados acabam não compensando a ida ao Cinemark… nem tampouco todo o perrengue só para se chegar nessa bagaça.

Em contrapartida, foram 82 filmes assistidos por meios, digamos, alternativos. 

É aquela coisa… se não tem cão, caça com gato, como diria a minha avó.

Além dos 10 filmes que destacarei nesse post daqui a pouco — calma, segura a ansiedade aí, padawan! —, quero mencionar outros títulos que não são de 2024, mas que merecem ao menos uma citação, começando pelo excelente “Fúria Incontrolável” ("Unhinged")



Esse suspense dirigido por Derrick Borte e com Russell Crowe de protagonista possui um ritmo insano do começo ao fim da história e é impossível não ter a atenção do espectador absolutamente absorvida já nos primeiros momentos.

Na história, Crowe é um cara completamente descontrolado que arranja uma briga de trânsito com uma pacata mãe de família que está levando o seu filho para o colégio de carro. Incapaz de relevar a breve discussão entre motoristas, "O Homem" decide perseguir a mulher interpretada pela atriz Caren Pistorius pela cidade inteira, aterrorizando não só ela como também a todos que a cercam.

O enredo é bem simples, mas o suspense é tão bem narrado e construído que nos mantém desesperados do outro lado da tela para saber o que irá acontecer a seguir. Se você está sem nada para ver no streaming e quer ser surpreendido por um filmaço, dá o play em Fúria Incontrolável de 2020. Disponível no Amazon Prime.

Outro filmão que só assisti esse ano foi “Os Suspeitos” ("Prisoners") de 2013. Dirigido por Dennis Villeneuve (de “Duna”), esse é outro suspense que vale a pena ver sem saber muita coisa sobre o roteiro antes, além de ter um baita elenco que conta com Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Paul Dano, Viola Davis, entre outros. Tem um plot twist inacreditável no final e vai te deixar bastante surpreendido se você não é um bom detetive, assim como eu não sou.

Prisoners


A terceira citação antes de começar o Top 10 de 2024, é “Magnólia” (1999) de Paul Thomas Anderson, filme que rendeu indicação ao Oscar de Melhor Ator para Tom Cruise lá no começo do século e que foi uma das coisas mais inesperadas e tocantes que já assisti na vida. 

Magnólia


A história é sobre as vidas de nove personagens que são interligadas por um programa de TV e, ao longo das mais de três horas de projeção — é longo, mas vale a pena —, o filme mostra um retrato bem fiel da realidade humana, através dos traumas, das perdas e dos dramas dessas pessoas.

Além de Cruise, o filme também conta com Julianne Moore, Philip Seymour Hoffman e John C. Reilly no elenco e é realmente uma pena que eu nunca tenha tido a chance de assistir antes. Grande filme e com uma ótima trilha sonora também.

Agora, antes que eu me estenda mais, é hora de elencar o Top 10 – Melhores Filmes de 2024

10 – Lobos

Lobos


Totalmente subestimado pelo público e perdido no PÉSSIMO serviço de streaming da Apple, “Lobos” (“Wolfs”) passou completamente batido pelos cinemas no Brasil e estreou quase como um fracasso de bilheteria anunciado nos EUA, mesmo tendo em seu cartaz os rostos de George Clooney e Brad Pitt.

Lobos é um delicioso thriller que mistura com muita competência suspense e ação, começando com um plot muito atraente de uma mulher que pede a ajuda de um profissional em um quarto de hotel quando o novinho com quem ela pretendia dar uns metecos simplesmente morre antes do “cumprimento do dever”.

A história se desenvolve inteiramente de início em torno do mistério que envolve a suposta morte do rapaz no hotel, mas evolui muito rapidamente para perseguições alucinantes, troca de tiros e até um conflito com a máfia.

Clooney e Pitt repetem a parceria da trilogia “Onze Homens e um segredo” e se mostram muito à vontade em seus papeis de tiozões quase aposentados que ainda dão conta do recado. Diferente de outros heróis geriátricos de ação como todos os personagens do Liam Neeson dos últimos dez anos, os “Lobos” do título não tentam nos provar que são indestrutíveis ou infalíveis, e até fazem um brinde à realidade com suas dores nas costas, falta de pique para dar uma corridinha atrás dos suspeitos ou para pular muros.

Filme muito divertido e competente dirigido por Jon Watts, o cara por trás dos filmes do Homem-Aranha do MCU. Realmente uma pena que flopou bonito e que não terá uma continuação.

Jon Watts, Brad Pitt e Goerge Clooney
Jon Watts, Brad Pitt e George Clooney


Como adiantei no início do tópico, está disponível no horrível e nada funcional serviço de streaming da Apple TV.

9 – Sorria 2

Sorria 2


Essa é uma daquelas franquias que, muito provavelmente, vai se estender ad aeternum como Pânico e Sexta-Feira 13 e nem acho que o primeiro filme foi lá grandes coisas.

O que me chamou a atenção nesse segundo capítulo, no entanto, foi a incrível atuação da atriz Naomi Scott (a Jasmine do live-action de Aladdin e a Ranger Rosa do terrível Power Rangers de 2017), que praticamente leva o filme quase inteiro nas costas com o seu talento.

Naomi Scott em Aladdin e Power Rangers
Naomi Scott em Aladdin e Power Rangers


Como no primeiro longa-metragem, uma força demoníaca obriga certas pessoas a cometerem suicídios brutais, deixando em suas vítimas sempre um sorriso perturbador em seus rostos. A novidade de “Sorria 2” (“Smile 2”) é que agora a tal ameaça diabólica começa a perseguir uma artista musical em ascensão, a levando a duvidar da sua própria sanidade enquanto mortes cada vez mais absurdas começam a cercá-la.

Além da atuação magnífica de Scott, é preciso aqui também elogiar o trabalho do diretor Parker Finn (que também dirigiu o primeiro filme) com seus planos-sequências ousados e com close-ups exagerados nos atores em momentos-chave da história, dando ao espectador uma sensação muito angustiante de desconforto — vejam a câmera em primeira pessoa na cena da discussão dentro do carro. É insana!

Outro que acaba brilhando em sua curta participação no filme é o ator Ray Nicholson, que impressiona não só em cena como o affair descompensado da personagem de Scott, como também pela incrível semelhança com o seu pai, Jack Nicholson, naquele que foi um dos seus trabalhos mais icônicos, “O Iluminado”.

Ray Nicholson e o pai, Jack
Ray Nicholson e o pai, Jack


Esse eu assisti na pirataria, mas está disponível para aluguel tanto na Apple TV quanto na Amazon Prime.

8 – Pisque Duas Vezes

Pisque Duas Vezes


O filme de estreia de Zoë Kravitz atrás das câmeras é também um grande desbunde visual no que diz respeito ao gênero terror. 

Zoë Kravitz
Zoë Kravitz


Na história, a garçonete Frida (Naomi Ackie) conhece o bilionário Slater King (Channing Tatum) em um coquetel que ela e a amiga, Jess (Alia Shawkat), invadem na caruda e, depois disso, concorda em passar as férias na ilha particular do cara sem saber o que a espera por lá. A partir daí, o que parecia ser a viagem perfeita se torna uma experiência angustiante quando Jess desaparece, forçando a garçonete a questionar a realidade após situações estranhas acontecerem.

Naomi Ackie
Naomi Ackie


O filme tem um forte apelo feminista — o que, obviamente, irritou a ala incel da internet — e lá pela metade da trama, descobrimos que King e seus amigos não são exatamente os anfitriões amáveis que parecem ser num primeiro momento. Algo de muito errado não está certo naquela ilha e Frida é obrigada a lutar por sua própria vida numa trama que tem uma reviravolta muito interessante em seu desfecho.

Pisque duas Vezes (Blink Twice) pode ser alugado na plataforma Amazon Prime.

7 – Não Fale o Mal

Não Fale o Mal


Adaptação de uma produção homônima dinamarquesa de 2022, “Não Fale O Mal” ("Speak No Evil”) é um filme que te deixa desconfortável sentado em frente à tela do começo ao fim. Os personagens principais têm claros problemas comportamentais e é a interação entre os dois casais de protagonistas que deixa o clima cada vez mais angustiante à medida que a história avança.

No enredo, Louise (Mackenzie Davis) é casada com Ben (Scoot McNairy) e os dois estão de férias na Inglaterra com a filha Agnes (Alix West Lefler) quando conhecem Paddy (James McAvoy) e Ciara (Aisling Franciosi), um casal local que logo de cara apresenta um comportamento pra lá de esquisito.

Agnes (Alix West Lefler), Louise (Mackenzie Davis) e Ben (Scoot McNairy) 


Os descoladões também têm um filho com praticamente a mesma idade de Agnes e, enquanto as duas crianças interagem entre si, logo descobrimos que o menino aparenta sofrer de algum tipo de deficiência. Ele não se comunica bem e parece estar sempre acuado, mesmo na presença dos pais.

Paddy (James McAvoy) e Ciara (Aisling Franciosi)
Paddy (James McAvoy) e Ciara (Aisling Franciosi)


McAvoy interpreta aquele tipo de cara que parece estar sempre querendo medir o tamanho do seu pau com o dos outros e exala por todos os poros um machismo que chega a incomodar. O ator está tão bem em cena que nem chega a ser feio torcer para que ele se foda logo na história.

Qualquer coisa que seja dita além disso estragaria totalmente a experiência de assistir esse que para mim foi um dos filmes mais perturbadores do ano, e que me prendeu a atenção do começo ao fim, mesmo com a sensação claustrofóbica que ele me causou ao assistir.

Não Fale O Mal está disponível para alugar na Amazon Prime, já a versão dinamarquesa só Deus sabe onde pode ser encontrada. As críticas dizem que o original é bem melhor e me deixou curioso para assistir também. Quem sabe um dia?

6 – Alien Romulus

Alien: Romulus


Até pouco tempo atrás, eu nunca tinha assistido os filmes originais da franquia Alien, tirando, salvo engano, o segundo, dirigido por James Cameron, quando esse foi transmitido na TV aberta lá em mil novecentos e bláu.

Em 2024, decidi corrigir essa falha de caráter e coloquei todos os filmes em dia — exceto os lançados no século XXI, que ouvi falar muito mal e não tive interesse em correr atrás —, tudo isso para me preparar para a chegada de Alien: Romulus.

Eu conhecia o diretor Fede Alvarez de “A Morte do Demônio”, o remake de 2013 de Evil Dead e sabia que o cara pegava pesado no gore em filmes de terror, algo que era mais do que necessário para revitalizar uma franquia já tão combalida quanto Alien.

Fede Alvarez, Isabela Merced, Cailee Spaeny e David Jonsson
Fede Alvarez, Isabela Merced, Cailee Spaeny e David Jonsson


Sem o protagonismo de Sigourney Weaver com a sua Ripley, depois do quarto filme, a série dos alienígenas bocudos com cabeça de piroca nunca mais foi a mesma nos cinemas, nem mesmo com a tentativa frustrante de Ridley Scott, o diretor original do filme de 1979, de resetar a porra toda com "Prometheus" (2012) e "Alien: Covenant" (2017).

Em Alien: Romulus, voltamos ao clima sujo e desesperançado do primeiro filme, desta vez, com protagonistas mais jovens que se unem em uma causa nobre: se rebelar contra a corporação capitalista que os oprime e os escraviza, a Weyland-Yutani.

A história segue um grupo de jovens de uma colônia espacial que se aventura nas profundezas de uma estação abandonada onde descobrem uma forma de vida aterrorizante, o próprio Xenomorfo já tantas vezes representado nos cinemas. Junto dos amigos e de seu fiel “irmão” replicante Andy (David Jonsson), a protagonista Rain (Cailee Spaeny) se vê forçada a lutar por sua sobrevivência em um ambiente inóspito que favorece em tudo a um “bom” clima de terror absoluto.



Ainda com uma temática sci-fi que é indelével à franquia, mas com uma pegada muito mais aterrorizante, Fede Alvarez consegue dar um novo fôlego a Alien, mostrando que os erros do passado não precisam continuar sendo repetidos a exaustão pelos estúdios de cinema. Ainda é possível tirar leite dessa pedra alienígena e isso se comprova porque o filme foi muito bem nas bilheterias — Romulus bateu a marca de 350 milhões de dólares no mundo — e uma sequência já foi confirmada.

O filme está disponível no catálogo da Disney +.

5 – A Substância

A Substância


Muito se falou sobre a atuação premiada de Demi Moore em “A Substância” ("The Substance”) e em como a história do filme alavancou discussões a respeito da opressora indústria da beleza no mundo todo, porém, o longa-metragem dirigido pela diretora Coralie Fargeat vai muito além disso.

Margaret Qualley, Coralie Fargeat e Demi Moore
Margaret Qualley, Coralie Fargeat e Demi Moore


No alto dos seus 62 anos, Moore nunca havia ganhado um prêmio de reconhecimento a seu talento antes e o Globo de Ouro conquistado no começo desse ano por sua atuação como Elisabeth Sparkle acabou corrigindo essa injustiça de alguém que há muito tempo já vinha entregando ótimos papeis no cinema, incluindo a tenente Joanne Galloway do excelente “Questão de Honra” (“A Few Good Man”), de 1992, e a corajosa Jane de “Até o limite da Honra” (GI Jane), de 1997.

De uma maneira um tanto quanto polêmica, Fargeat faz com que Moore e a sua contraparte mais jovem e mais bonita, Sue (Margaret Qualley) chafurdem num universo machista e misógino que faz com as mulheres tenham que ser vistas sempre como perfeitas, caso contrário não servem mais para o show business.



O personagem de Dennis Quaid na trama deixa isso bem claro logo no início da história, quando despede Sparkle de seu programa semanal de aeróbica, alegando que ela está “velha demais” para cumprir a sua função em frente às câmeras.

Se vendo preterida e escanteada, Elisabeth decide, então, adotar um procedimento estético revolucionário que promete resolver todos os seus problemas. A partir daí, nasce — literalmente — uma versão mais jovem dela própria e é em busca de manter essa sua nova versão que a atriz e performer começa a sua luta diária. Vencendo cada um dos obstáculos que causaram a sua demissão e revivendo paulatinamente os seus dias de glória.

Elisabeth Sparkles


O final do “A Substância” é apoteótico, mas houve quem criticou o clima quase galhofeiro que a história toma no decorrer do filme. Não a toa, para o Globo de Ouro, o longa foi classificado como comédia, mas a mensagem por trás dele esconde muito mais reflexões do que necessariamente risadas.

Está disponível para aluguel na plataforma MUBI, através do Amazon Prime.

4 – A Noite que mudou o Pop

A noite que mudou o Pop


Enquanto eu assistia ao documentário “A Noite que mudou o Pop” ("The Greatest Night in Pop”), eu só pensava em como as produtoras haviam guardado essas imagens inéditas por tantos anos? Por que ninguém havia tido a ideia de fazer um documentário sobre a reunião mais improvável das maiores estrelas da música dos anos 1980 há mais tempo?

Para quem não sabe, em 1985, o cantor Lionel Richie teve a ideia de juntar os maiores artistas da época para contribuir de alguma forma com a fome no continente africano, uma questão assoladora daquele período que levantava vários debates a respeito de o porquê as demais nações — em especial, as mais prósperas — não se mobilizavam para ajudar.

Lionel Richie e Quincy Jones
Lionel Richie e Quincy Jones


Usando de sua influência e persuasão, Richie começa a convocar um por um os artistas que podemos ver no hoje icônico clipe de “We Are The World”, no projeto USA for Africa. É bastante interessante acompanhar de perto como se deu a composição da música, como a presença de Michael Jackson — que já despontava para ser o Rei do Pop após o lançamento de Thriller — agregou valor ao projeto e como ele foi fundamental para manter todos os convidados reunidos na caótica gravação do vídeo.

USA for Africa


Embora fosse um encontro beneficente e em pró de uma causa justa, havia muito ego envolvido. A grande maioria dos nomes relacionados estava no auge do seu sucesso — entre eles, artistas como Cindy Lauper, Ray Charles, Stevie Wonder e Bruce Springsteen —, vendendo milhões de discos e ganhando cada vez mais dinheiro na inflamada indústria musical americana. Ninguém queria aparecer menos ou ser ofuscado por outrem. A ideia era brilhar. E brilhar muito.

Michael Jackson e Cindy Lauper


Imaginem os perrengues que o Lionel Richie teve que segurar para manter essa galera unida. Pois é. Isso tudo consta no documentário.

“The Greatest Night in Pop” é um documentário original Netflix e consta no catálogo da plataforma.

3 – Divertida Mente 2

Divertida Mente 2


Acho que ninguém esperava que “Divertida Mente 2” (“Inside Out 2”) fosse fazer o sucesso que fez em 2024, ainda mais se considerando que sequências de grandes filmes raramente conseguem superar o seu antecessor tanto em crítica quanto em bilheteria.

Indo contra todas as apostas, no entanto, o segundo filme arrecadou mais de US$ 1,6 bilhão nos cinemas, superando e muito o primeiro, que em 2015 fechou com “apenas” US$ 501,9 milhões.

No enredo, a menina Riley agora está passando pela tão temida adolescência e, junto com o seu amadurecimento, a sala de controle onde conhecemos a Alegria, a Tristeza, a Raiva, o Medo e o Nojinho no primeiro filme, também está passando por uma adaptação para dar lugar a algo totalmente inesperado: novas emoções.



Enquanto tenta se adaptar às suas novas condições hormonais, Riley começa a entrar em conflito com suas antigas amigas, tudo na esperança de se sentir popular e mais próxima da galera descolada do colégio. Com isso, novos “divertidamentes” são adicionados à Sala de Controle, e é quando conhecemos agora os “invasores”, a Vergonha, a Inveja, o Tédio e a descontrolada Ansiedade, que na versão brasileira não podia ter outra intérprete senão a Tatá Werneck.

Vergonha, Ansiedade, Inveja e Tédio


A certo ponto, Inside Out 2 é quase tão tocante quanto o primeiro filme — até porque nada pode superar o sacrifício do amigo imaginário Bing Bong — e me arrancou lágrimas sinceras em seus momentos mais conflituosos. Não tem como. Os filmes da Pixar sempre conseguem arrancar aquele seu sentimento reprimido e escondido da mente e Divertida Mente 2 mereceu todo o sucesso que fez nos cinemas, principalmente se levarmos em conta o quão didática essa história se torna para que educadores, pais e mães apresentem o amadurecimento infantil para as crianças de várias idades.

O filme, assim como o primeiro, está disponível no Disney +.

2 - Super/Man: A história de Christopher Reeve

Super/Man: A história de Christopher Reeve


Eu fui uma criança que cresceu nos anos 90 praticamente em frente à TV e, naquela época, como várias vezes já mencionei aqui no blog, conteúdo com a temática “Nerd” não era muito abundante, o que nos obrigava a reverenciar inúmeras vezes as mesmas coisas sendo reprisadas ao infinito e além.

Os filmes do Superman estrelados por Christopher Reeve eram, ao meu ver, naquele período o que havia de mais completo a respeito do personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster na década de 1930. Eu curtia a série “Lois & Clark: As Aventuras do Superman”, mas os episódios nem de perto me davam a mesma sensação que os dois primeiros filmes de Richard Donner me causavam. Reeve inspirava a elegância e a imponência que um legítimo Superman deveria exalar e é exatamente nisso que se baseia o emocionante documentário da Max a respeito do homem por de trás do mito.

Super/Man: A história de Christopher Reeve


Eu ainda estava no ensino fundamental quando correu a notícia do acidente de hipismo que acabou deixando o ator de 42 anos tetraplégico. Todo moleque de treze ou quatorze anos na época conhecia Reeve por causa do seu papel icônico, e me lembro que foi muito triste saber que ele nunca mais voltaria a ficar de pé ou a andar.

Na minha mente, era quase como se alguém tivesse conseguido derrotar o Super-Homem de verdade e era difícil superar o fato de que aquele cara que a gente via na televisão voando e segurando helicópteros com as mãos pudesse ser tão humano na vida real. Depois da lição aprendida com a morte do Mufasa em O Rei Leão, a queda de Christopher Reeve deve ter sido a segunda lição que o pequeno Rodman aprendeu sobre a vida e a nossa mortalidade.

Christopher Reeve e a esposa, Dana Reeve
Christopher Reeve e a esposa, Dana Reeve


O documentário muito bem conduzido pelos diretores Ian Bonhôte e Peter Etterdgui não se preocupa em seguir a vida de Reeve cronologicamente, mostrando primeiro a sua infância até a sua morte, como costuma acontecer nesse tipo de produção. Uma narração em off feita pelo próprio ator já na cadeira de rodas onde ele passou mais de dez anos abre o documentário e, logo em seguida, somos convidados a conhecer mais a fundo a sua traumatizante adaptação após o acidente de cavalo que o vitimou.

É claro que o filme também conta como foi a escalação de Reeve para viver o maior super-herói dos quadrinhos na tela dos cinemas e como ele chocou os amigos da escola de teatro em aceitar um papel visto como banal para alguém que já havia interpretado as obras de Shakespeare nos palcos.

É notável também perceber quão bonita era a amizade entre Reeve e Robin Williams, e como o comediante foi importante em sua vida, principalmente após o acidente. Essa foi uma das grandes novidades que o documentário trouxe, já que eu não fazia ideia que os dois eram tão próximos assim.

Robin Williams e Christopher Reeve
Robin Williams e Christopher Reeve


Super/Man: A história de Christopher Reeve serve para nos mostrar que a nossa vida é frágil e que a qualquer momento podemos ser privados daquilo que mais prezamos. Além disso, o documentário acerta em mostrar que a família é muito importante em momentos de privação e que ela é mesmo a base que nos sustenta e que nos mantém firmes, mesmo diante das nossas fraquezas.

O filme está disponível na plataforma Max.

1 - Os Horrores de Caddo Lake

Os Horrores de Caddo Lake


Confesso que nunca tinha ouvido falar desse filme até ele aparecer numa lista de “melhores filmes de terror de 2024”, e decidi colocá-lo na lista aproveitando que estava com o serviço de streaming Max “no jeito”.

"Os Horrores de Caddo Lake" é daqueles filmes que te deixam inquieto, pensativo e reflexivo por muito tempo ainda além dos créditos finais. Me senti uma toupeira humana quando a projeção acabou e eu me vi ainda com um monte de perguntas a respeito do enredo na mente. Me forcei a tentar entender os intrincados meandros de uma história que não é tão complexa, mas que possui detalhes em sua narrativa que precisam ser absorvidas com calma.

Os Horrores de Caddo Lake


Não me envergonho de dizer que tive que assistir duas vezes seguidas para ter as minhas dúvidas sanadas. E valeu a pena.

Dirigido por Celine Held e Logan George, “Caddo Lake” conta a história de uma cidadezinha no sul dos Estados Unidos que se vê movimentada pelo desaparecimento misterioso de uma menina de oito anos. Quando uma série de mortes e de outros desaparecimentos passados começam a se conectar, é quando vemos as vidas de Ellie (Eliza Scanlen) e Paris (Dylan O'Brien) se alterando para sempre, à medida que conhecemos mais da história de sua família disfuncional.

Ellie (Eliza Scanlen) e Paris (Dylan O'Brien)
Ellie (Eliza Scanlen) e Paris (Dylan O'Brien)


Dizer mais do que isso estragaria a experiência de assistir esse filme que, para mim, em matéria de suspense e entrega foi o melhor do ano. Por isso, se você se interessou com todo esse mistério, vá atrás de “Caddo Lake” e mergulhe bem fundo nessa história que adorei ter conhecido… mesmo que tardiamente.

Como dito antes, o longa está disponível no Max.

NAMASTE!

23 de março de 2022

10 Melhores Filmes do Oscar 2022

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Como já se tornou tradição no Blog do Rodman, mês de março é para falar de Oscar, então 'bora fazer um top 10 por ordem de preferência das produções indicadas esse ano para o grande prêmio da noite, o de Melhor Filme.

And the Oscar goes to…

 

10 - "Belfast"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Passado no final dos anos 60 e tendo como foco principal o cotidiano de uma família comum da Irlanda, Belfast é praticamente uma autobiografia do diretor e roteirista norte-irlandês Kenneth Branagh, que em sua infância, viu de perto as implicações de uma verdadeira guerra civil entre protestantes e católicos naquela mesma década.

Filmado em grande parte em preto branco e com uma fotografia capaz de capturar com bastante precisão as nuances dos cenários de época, Belfast retrata fielmente um período conturbado da história irlandesa — a guerra santa citada anteriormente no texto e que mais tarde, originou canções como "Sunday Bloody Sunday", do U2 —, embora esse conflito não seja o que mais importa na trama.

Na história, acompanhamos as aventuras de um menino de 9 anos chamados apenas de “Buddy” — com o ator mirim Jude Hill representando o próprio Branagh — vivendo num bairro de subúrbio com seu irmão mais velho, os pais e os avós. Ele vai à escola, conhece seu primeiro amor, participa de confusões com uma prima mais velha e se torna alvo de uma gangue perigosa que quer punir o seu pai apenas por sua escolha religiosa.

O pai do garoto, um carpinteiro que está sempre viajando a trabalho, é vivido pelo ator Jamie Dornan (mundialmente conhecido por seu papel de Christian Grey na série de filmes Cinquenta Tons de Cinza) e tem uma ligação importante com o personagem principal, apesar de parecer ausente. Já a mãe (Caitriona Balfe), é obrigada a segurar as pontas em casa com os dois filhos enquanto os conflitos armados passam a eclodir com cada vez mais frequência na vizinhança, até então, pacata.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Se focasse no conflito entre protestantes e católicos em si , Belfast seria apenas mais um dos tantos filmes sobre guerras civis, mas como mira na visão inocente de uma criança em meio a um conflito violento de fundo religioso, a produção ganha vários pontos extras por seguir por um caminho menos comum em Hollywood e mais agradável.

Indicado ao prêmio de Melhor Filme e ao de Melhor Diretor para Keneth Branagh, Belfast também concorre a Melhor Roteiro Original, além da estátua de Melhor Atriz Coadjuvante para a veterana Judi Dench (a “M” da série de filmes 007), que apesar de seu talento inegável já provado tantas vezes em outras obras, aqui, não me parece justificável a indicação, já que seu papel é bem econômico como a vó bondosa do menino Buddy e sem grande destaques de atuação.

Belfast ainda não estreou em nenhuma plataforma de streaming e pode ser visto apenas em alguns cinemas menos populares e em sessões de horários duvidosos.


9 - "Amor, Sublime Amor"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Faltava um musical na incrível carreira de filmografia de Steven Spielberg. Agora não falta mais.

Tive grande resistência em comprar a ideia de Amor, Sublime Amor quando assisti ao trailer e só aceitei a tarefa de ver o longa quando me impus a obrigação de, pela primeira vez na história do Oscar, gabaritar a lista de indicados a Melhor Filme.

Eu sempre tive muita preguiça para musicais e ao longo dos meus anos de cinéfilo pipoca, deixei passar em branco vários nomes do gênero como Moulin Rouge, Chicago e Os Miseráveis por puro preconceito.

Ok, eu fui ao cinema assistir La La Land, mas em grande parte por conta do diretor Damien Chazelle que tinha me ganhado em Whiplash: Em Busca da Perfeição, filme que considero o ápice da atuação de um ator — J.K. Simmons —, mas isso não terminou com a minha cisma em assistir musicais.

Falando de Amor, Sublime Amor, é difícil comparar com outros filmes dirigidos pelo Spielberg já que nenhum deles sequer se assemelha com o que o diretor veterano nos trouxe em 2021, por isso, a crítica só pode ser feita com base no que podemos ver ao longo das 2h36 de projeção.

O musical é outro dos exemplos desse ano que poderia ter pelo menos uns trinta minutos a menos, já que a história de Romeu e Julieta do casal principal passada no final dos anos 50 é bastante insossa e bem menos interessante que a dos personagens coadjuvantes que acabam roubando a cena.

Os personagens de Ansel Elgort e Rachel Zegler não são bem desenvolvidos e se tornam desinteressantes logo no início do longa, quando acabam sendo ofuscados pelo casal Anita (Ariana DeBose) e Bernardo (David Alvarez), dois porto-riquenhos radicados em Nova York que são obrigados a enfrentar toda o preconceito da vizinhança local e que chamam todos os holofotes da história para si com seu jeitão explosivo.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


No enredo, Tony (Ansel Elgort) faz parte de uma gangue de americanos denominada “Jets” e que tem uma rixa quase que pessoal com o bando de Bernardo, o líder dos porto-riquenhos. Ao conhecer Maria (Rachel Zegler), que é a irmã de Bernardo, Tony acaba se apaixonando pela menina e decide colocar de lado suas convicções para viver o seu amor, coisa que não é vista com bons olhos por Riff (Mike Faist) o líder dos Jets.

Como toda boa encenação do clássico romântico de Shakespeare, é claro que a história acaba em tragédia, mas até lá, nós conseguimos desfrutar dos números musicais impressionantes filmados em plano aberto e que mostram que, mesmo aos 75 anos, o velho Spielberg continua afiado atrás das câmeras, provando que não há gênero no cinema que ele não possa dominar.

Destaque para a atriz Ariana DeBose (que merecidamente está disputando o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante) tanto por sua atuação dramática quanto por sua expressão corporal na dança. Nunca tinha visto uma atriz se entregar tanto a um papel de dançarina como vi em Amor, Sublime Amor. Palmas e mais palmas. O filme vale acima de tudo pelos números musicais que ela comanda.  

Amor, Sublime Amor está no catálogo do Disney +.

  

8 - "Duna"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Adaptado da obra escrita pelo norte-americano Frank Herbert para uma série de livros iniciada na década de 60, a megaprodução Duna de Denis Villeneuve é a segunda tentativa de levar a saga do jovem Paul Atreides aos cinemas. A primeira aconteceu em 1984 e foi dirigida por David Lynch num filme considerado por muitos como aquém à obra da qual se origina.

Parte de uma série já anunciada pelo próprio diretor antes mesmo do primeiro filme estrear, Duna conta a história do jovem brilhante e herdeiro de uma família real Paul (Timotheé Chalamet), considerado por muitos como um messias e que tem como sua primeira missão viajar para um planeta arenoso hostil a fim de garantir o futuro de seu povo, além de salvar os próprios pais.

Com ares de superprodução e um orçamento idem — US$ 165 milhõesDuna é o representante mais caro a fazer parte da lista oficial dos dez indicados à estatueta de Melhor Filme na cerimônia do Oscar e também o que mais destoa dos demais concorrentes por parecer mais com um blockbuster produzido para faturar milhões nas bilheterias mundiais do que necessariamente ser algo mais artístico.

Apesar da série de livros Duna ter inspirado muitas das obras cinematográficas que se tornaram famosas nas décadas seguintes — incluindo Star Wars —, hoje todo o roteiro e seu lance de “o escolhido”, "jornada do herói" e “guerra espacial” soa como uma grande cópia de centenas de outras que já estamos cansados de ver por aí, o que causa certo desinteresse a seu enredo.

Por se tratar do começo de uma nova saga, também é bem claro que a história do filme por si só parece não conseguir se sustentar, já que faltam pedaços da narrativa para que seu entendimento seja completo. Além disso, Duna é longo em excesso e se perde no ritmo em vários momentos, se tornando sonolento e chato.

A produção de cenários, vestuário e efeitos digitais, no entanto, é um ponto indiscutível no Duna de 2021. Villeneuve não quis economizar no quesito qualidade e o resultado ficou impressionante, mesmo para quem, à revelia do pedido do próprio diretor, não conseguiu ver a sua obra-prima na tela do cinema em IMAX. A meu ver, a junção de efeitos práticos e cenários reais sem a muleta do chroma-key foi um dos grandes acertos da “película” e fez jus ao que tanto alardearam sobre visual magnífico do filme.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Além de Melhor Filme — o que dificilmente deve levar —, Duna também concorre a Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora — para Hans Zimmer —, Melhor Som, Maquiagem e Cabelo, Melhor Design de Produção, Melhor Edição, Melhor Fotografia e Efeitos Visuais, categoria em que vai bater de frente com Homem-Aranha: Sem Volta para Casa e Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, ambas produções da Marvel/Disney.

É muito provável que Duna faça a limpa nessas categorias mais técnicas como maquiagem, som e edição e seria o grande triunfo pessoal de Villeneuve vencer na categoria Efeitos Visuais depois de dizer que os filmes da Marvel/Disney não passam de “cópia e cola uns dos outros, o que guardada as devidas proporções, não deixa de ser uma verdade incômoda.

Duna está disponível no catálogo da HBO Max, mas ninguém deve assistir pela TV a pedido de Denis Villeneuve. Se você não viu no cinema, não veja mais em lugar nenhum.  

 

7 - "Licorice Pizza"

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Até bem metade do filme, eu não tinha entendido qual era a de Licorice Pizza ou o que o diretor e roteirista Paul Thomas Anderson estava propondo contar com sua história, até que me dei conta que não havia nenhuma trama mais elaborada a ser desvendada. Assim como muitas outras obras de seu extenso currículo, o diretor norte-americano estava preocupado apenas em contar uma história de amor passada nos anos 70 e nada mais além disso.

Com um roteiro simples, ótimas atuações de um elenco jovem e desconhecido do grande público, Licorice Pizza é o mais despretensioso dos indicados ao prêmio de Melhor Filme do Oscar e que exatamente por isso, talvez, se torne um forte candidato a levar a estátua.

No enredo, acompanhamos as aventuras de um ex-ator mirim menor de idade interpretado por Cooper Hoffman que se apaixona quase à primeira vista pela já experiente Alana Kane (Alana Haim) durante uma sessão de fotos na escola e passa a tentar de tudo para se aproximar dela, inclusive usar de toda a sua lábia.


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Os dois se tornam parceiros de negócios e embora fique claro ao expectador que eles se gostam, ambos acabam vivendo várias situações que os afastam sempre que estão muito perto de concretizar o que sentem um pelo outro.

Por ser protagonizado por dois jovens “fora do padrão de beleza hollywoodiano” — ele mais rechonchudo com uma tremenda cara de adolescente de trinta anos e ela de nariz alongado e feição judia —, Licorice Pizza ganha vários pontos ao nos apresentar um relacionamento cotidiano entre duas pessoas comuns. Até os diálogos entre eles soam bastante naturais, quase como se não tivessem sido escritos para personagens de um filme e sim ditos por um vizinho ou um parente nosso.

A naturalidade é tão grande que personagens e atores se mesclam. Alana Haim, a protagonista, não só compartilha o mesmo nome que a sua personagem como também a sua família, já que o seu pai (Moti Haim) no filme e as suas irmãs na história, são também seus familiares na vida real, o que obviamente, contribui para o citado tom “comum” que o enredo procura passar o tempo todo.

Licorice Pizza — cujo nome eu custei a entender o significado mesmo correndo atrás de fontes seguras — está indicado ao Oscar de Melhor Direção e a Melhor Roteiro Original — escrito pelo próprio Paul Thomas Anderson —, além de Melhor Filme e ainda não está disponível em nenhuma plataforma de streaming oficial.

Se vira aí pra assistir, mané!


6 - "O Beco do Pesadelo"

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Fazia algum tempo que eu não assistia a um filme dirigido pelo mexicano Guillermo del Toro, mas com O Beco do Pesadelo, eu me surpreendi pela maneira como ele conseguiu fugir do estigma de sempre nos apresentar histórias com elementos fantásticos e criaturas monstruosas em seus trabalhos.

Ambientado na época pós-Primeira Guerra Mundial, o roteiro baseado no livro Nightmare Alley de William Lindsay Greshaw conta a história do ambicioso vigarista Stanton Carlisle (Bradley Cooper) que tem um talento nato em manipular pessoas e que decide usar isso para fazer fortuna. Unido a uma clarividente e seu marido mentalista após uma apresentação circense, Carlisle encontra seu destino final quando tenta aplicar o golpe da sua vida num poderoso magnata com a ajuda da psiquiatra dele, em cena, vivida por Cate Blanchett.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Com uma fotografia suja, planos longos e uma duração entediante de 2h20, o filme acaba sendo desnecessariamente arrastado e confesso que tive que assistir como uma série em “três episódios” para não me render totalmente ao sono.

Como entretenimento, fica aquém do que esperamos para uma história baseada em fatos, mas entrega boas atuações de Bradley Cooper — esnobado pela academia mais uma vez —, o sempre ótimo Willem DaFoe, Rooney Mara como a partner de apresentações mentalistas de Stanton e claro, Cate Blanchett, que nunca decepciona.

O filme está disponível no catálogo da Star +.  

 

5 - "Ataque dos Cães"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Dirigido pela neozelandesa Jane Campion, Ataque dos Cães ("The Power of the Dog") chega como um dos favoritos à noite do Oscar e tem fôlego extra para bater de frente com outros dos grandes concorrentes ao prêmio de Melhor Filme, ainda mais depois de ganhar duas das principais categorias do Globo de Ouro, a de Melhor Filme e Melhor Direção.

Na história, um fazendeiro linha-dura interpretado por Benedict Cumberbatch trava uma guerra de ameaças contra a nova esposa do irmão mais novo George (o Matt Damon genérico Jesse Plemons) e decide fazer da vida da moça (interpretada por Kirsten Dunst, a Mary Jane da trilogia Sam Raimi do Homem-Aranha) e de seu filho (Kodi Smit-McPhee, o Noturno de X-Men Apocalipse e Fênix Negra) um verdadeiro inferno.


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Toda a rudeza do personagem de Cumberbatch e a sua aparente falta de tolerância ao jeito mais sensível do garoto serve, no entanto, para ocultar segredos antigos do fazendeiro, algo que acaba vindo à tona quando, enfim, os dois começam a se aproximar.

Embora tenha optado por uma abordagem mais direta ao enredo original do livro na qual a história é baseada — ocultando, por exemplo, que o personagem Phil teria sido responsável pela morte do pai do garoto Peter —, a direção de Ataque dos Cães é precisa em abordar o tema homossexualidade como ele seria tratado na época em que os fatos são narrados — metade da década de 1920 — e não deixa nada subentendido a quem está assistindo com atenção.

Com uma fotografia incrível e uma direção de elenco firme, Campion mostra que tem o filme inteiramente sob seu controle e nos presenteia com uma história muito bem narrada e muito bem interpretada.

Apesar disso, nenhuma das indicações de premiação ao elenco parece se justificar, já que nenhum deles se destaca necessariamente em seus papéis ou mesmo interpreta cenas inesquecíveis, daquelas a que estamos acostumados a ver no Oscar. 

Indicado ao prêmio de Melhor Ator, Cumberbatch dificilmente deve superar os trabalhos de Denzel Washington (indicado por A Tragédia de MacBeth) ou Will Smith, que levou o Globo de Ouro por seu papel em King Richards: Criando Campeãs. Já Kirsten Dunst, embora não decepcione, tem um papel muito econômico em Ataque dos Cães para conseguir bater de frente na categoria com Ariana DeBose (Amor, Sublime Amor) ou Aunjanue Ellis, que faz dupla com Will Smith em King Richards.

O filme tem ao todo 12 indicações ao Oscar e faz parte do catálogo da Netflix desde 2021. Para uma noite insone, vale a conferida.


4 - "Não Olhe Para Cima"

10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Lançado no final de 2021 pela Netflix, Não Olhe para Cima ("Don't Look Up") do diretor Adam McKay (de “Vice” e “A Grande Aposta”) ganhou rapidamente os trending topics por conta da semelhança da história com a nossa realidade atual em que a ciência é ridicularizada pelos “especialistas” de internet e também pelos negacionistas que nos governam — com alguns deles fazendo até campanha contra vacina.

Na história, dois astrônomos medíocres — vividos pelos astros Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence — descobrem que um meteorito está em rota de colisão com o planeta Terra e decidem alertar as pessoas que o resultado dessa “visita inesperada” pode ser a extinção global.

De maneira inacreditável, a descoberta dos cientistas não causa a comoção esperada na população e da presidente dos Estados Unidos (brilhantemente interpretada pela inoxidável Meryl Streep) ao cidadão mais comum, a vinda de um meteoro é encarada apenas como mais uma “Fake News”, gerando no máximo alguns bons memes na internet.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


A galera no Twitter no mundo real se viu conectada instantaneamente à história, já que o filme parece retratar de maneira fiel a nossa própria realidade durante a pandemia de Covid-19, em que lemos e ouvimos as maiores atrocidades vindas de autoridades que tentaram com muito custo banalizar os estudos de especialistas ligados à ciência que alertavam sobre os perigos da doença.

Com seu filme, McKay estava fazendo uma crítica ferrenha aos Estados Unidos e ao governo estapafúrdio de Donald Trump que tinha como grande meta levantar bandeiras como o negacionismo científico — inflando o combate a seus opositores democratas com notícias falsas deflagradas por seus próprios meios —, mas a carapuça serviu muito bem para quem tem vivido num país chamado Brasil nos últimos três anos e que tem sido vítima de um governo que, assim como o Chacrinha, não está aqui para explicar e sim para confundir.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022


Com poucas chances de levar a estatueta de Melhor Filme por seu teor de chacota, Não Olhe Para Cima também disputa o prêmio de Melhor Roteiro Original — escrito por Adam McKay — e apesar de ser uma sátira excelente com nomes como Cate Blanchett, Jonah Hill, Ron Pearlman e Timotheé Chalamet no elenco estelar, a produção deve passar em branco na premiação.

Como dito anteriormente, Não Olhe Para Cima consta no catálogo da Netflix.

 

3 - "King Richard: Criando Campeãs"

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Contando a trajetória de vitórias que permeou as carreiras das tenistas Serena e Venus Williams desde a sua infância, King Richards: Criando Campeãs do diretor Reinaldo Marcus Green é o “filme de superação” da lista, categoria muito comum todos os anos no Oscar.

Baseado na história real das duas irmãs que se tornaram os maiores nomes no tênis mundial de todos os tempos, o filme coloca o já tarimbado Will Smith no papel de Richard Williams, um pai dedicado e determinado a tornar suas duas filhas em lendas no esporte comumente praticados por pessoas brancas.

De uma maneira muito cativante e não poupando o espectador de nenhuma nuance ao longo da carreira das duas meninas — mesmo as negativas —, o filme retrata o personagem de Smith como um dos grandes pilares na criação das duas máquinas de ganhar títulos que se tornaram Venus e Serena a partir dos anos 90.

Em uma atuação sólida e nem um pouco caricata, Will Smith prova de uma vez por todas que está pronto para fazer parte do hall da fama dos maiores atores da sua geração e que chegou a sua vez de mostrar que ele é muito mais do que Um Maluco no Pedaço, Hancock ou outros personagens mais farofas que ele protagonizou ao longo da carreira.

Igualmente fantástica, ao lado de Smith em cena está Aunjanue Ellis, atriz que interpreta Brandi, a mãe de Serena e Venus. Os dois protagonizam juntos cenas de discussão e enfrentamento com muita tensão, do tipo que são particularmente destacados durante a cerimônia do Oscar. Não me espantaria se ela levasse o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante que disputa com as já citadas Ariana DeBose e Judi Dench, o que seria até bem justo devido a sua atuação talentosa.


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Destaque também para as jovens atrizes que dão vida à Venus (Saniyya Sidney) e Serena (Demi Singleton) da infância à adolescência. 

As duas meninas entregam grandes atuações nas cenas dramáticas e provam que também dão conta na parte física, representando com perfeição as tenistas que homenageiam. As cenas de competição em quadra são as mais bem-executadas que já vi em um filme sobre esporte. Em nenhum momento parece que as jogadas filmadas são coreografadas ou soam robóticas e ensaiadinhas. É como se as garotas estivessem em uma competição de tênis de verdade e esses momentos de preciosismo técnico fazem valer o filme em toda a sua duração de 2h24 minutos.

King Richards: Criando Campeãs está disponível no HBO Max.

 

2 -  "No Ritmo do Coração"

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Eu tendo a me tornar parcial quando um filme consegue me emocionar durante a sua execução e depois das lágrimas derrubadas, é difícil falar da produção como um todo com um olhar mais crítico. Dito isso, ainda assim, No Ritmo do Coração é facilmente um dos meus preferidos para levar o prêmio de Melhor Filme na noite da cerimônia do Oscar e nada é capaz de mudar a minha opinião.

Dirigido pela praticamente estreante diretora estadunidense Sian Heder, "CODA" (no original) é um casamento perfeito entre história bem contada, personagens cativantes e atuações primorosas de um elenco afiadíssimo, o que faz com que as duas horas de reprodução — e com 1h51 minutos ele é um dos mais curtos da lista aqui citada — passem suaves diante dos nossos olhos.  


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No enredo, a jovem Ruby (Emilia Jones) é a única pessoa que ouve em uma família de surdos e a garota decide seguir firme o seu grande sonho de se tornar uma cantora de renome. Dividida entre o seu amor pela música e as suas obrigações com a empresa de pesca da família, Ruby ainda acaba se apaixonando pelo jovem Miles (Ferdia Walsh-Peeloem sua jornada atribulada rumo ao sucesso, o que torna ainda mais difícil as escolhas que ela terá que fazer em sua vida.

A sinopse soa de uma maneira dramática, porém, é surpreendente como a história acaba criando diversas situações hilárias ao longo do filme, algumas de causar gargalhadas mesmo, especialmente as protagonizadas pelos pais de Ruby, o casal Frank (Troy Kotsur, ator surdo indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante) e Jackie (Marlee Matlin, atriz surda que venceu na categoria Melhor Atriz em 1986, por seu papel em "Filhos do Silêncio").


10 Melhores Filmes do Oscar 2022
Daniel Durant, Marlee Matlin, Troy Kotsur e Emilia Jones


O romance entre Ruby e Miles permeia boa parte da trama, mas a busca da garota pelo sonho de ser cantora nos faz torcer genuinamente por ela, além do que a cena final de sua audição para entrar na universidade de música, se apresentando para a família em libras, é de fazer chorar.

Apesar da sua atuação primorosa contracenando tanto com os atores “ouvintes” quanto soltando a voz de verdade ao cantar as músicas do filme, além da sua dedicação com os sinais complicadíssimos das libras, a jovem atriz Emilia Jones não está indicada a nenhum prêmio do Oscar, mas merece uma citação, já que todo o carisma de seu personagem se dá por conta de seu talento inegável para o drama e para o humor.

Troy Kotsur também tem páreo duro pela frente concorrendo com grandes nomes do cinema como J.K. Simmons (indicado por Apresentando os Ricardos), Jesse Plemons (Ataque dos Cães) e o veterano Ciarán Hinds (Belfast), mas não seria nenhuma injustiça se Kotsur acabasse sendo condecorado, uma vez que seu papel é maravilhosamente bem conduzido ao longo de toda a história.

No Ritmo do Coração disputa também o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado e o filme está disponível no Amazon Prime.


1 - "Drive My Car"

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No ano em que Parasita de Bong Joon-ho levou o Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção, um paradigma foi quebrado em Hollywood e isso tornou possível que filmes estrangeiros também pudessem concorrer ao maior prêmio do cinema “mundial” nos Estados Unidos. 

Até aquele ano, a Academia de Cinema costumava premiar apenas produções caseiras e raramente dava destaque a coisas feitas além das fronteiras estadunidense. Central do Brasil e Cidade de Deus que o digam!

Em 2022, o japonês Dirija Meu Carro de Ryusuke Hamaguchi chega com chances reais de vencer na categoria Melhor Filme e não só porque o sul-coreano Parasita conseguiu antes dele e abriu portas, mas sim porque ele é com segurança o melhor entre os dez indicados à categoria. Simples assim.


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Contando uma história delicada sobre luto num cenário mundialmente conhecido pelos ataques de uma das bombas atômicas que encerraram a Segunda Guerra Mundial em 1945 — Hiroshima —, Drive My Car narra a trajetória de um ator e diretor teatral que é convidado a reencenar uma peça de Tchécov em que a sua esposa falecida trabalhou boa parte da vida.

Para superar todos os fantasmas deixados pela morte dolorosa da mulher e os mistérios envolvendo o seu relacionamento conturbado, Yusuke (Hidetoshi Nishijima) mergulha de cabeça em seu trabalho dois anos após o fato que o abalou e isso faz com que seu destino acabe se cruzando com a motorista particular Miura (Misaki Watari), uma jovem bastante introspectiva com um passado de muitas perdas e de muita solidão.


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Diferente de outros títulos da lista de Melhor Filme, com quase três horas de duração, Drive My Car é tão bem dirigido, que cada minuto transcorrido na projeção acaba valendo a pena. Mesmo em passagens longas dentro do carro — e o filme não tem esse nome “dirija meu carro” à toa —, mostrando apenas as expressões do personagem principal ou contemplando os cenários numa fotografia competente, ainda assim, o filme é bem interessante, nos convidando a uma contemplação mais intimista que só mesmo uma obra oriental poderia nos proporcionar.

Na vida real, eu tenho pavor a respostas curtas em diálogos cotidianos de pessoas próximas e simplesmente detesto o silêncio muito longo em conversas.

O personagem Yusuke é claramente um cara que internaliza seus problemas e que tem dificuldades para se expor. Seus diálogos com outras pessoas são cheios de respostas curtas e objetivas em excesso, mas essas características são tão bem apresentadas desde o começo da história, que em nenhum momento isso se torna um problema enquanto assistimos ao filme. Pelo contrário. A gente entende logo de cara que é o jeito dele e por isso, o acaba respeitando.

A sinopse do filme já fala sobre a história de luto do personagem, mas como eu não tinha lido nada antes de assistir e só tinha visto o trailer — que a meu ver, não diz ABSOLUTAMENTE NADA sobre o enredo —, confesso que fui pego de surpresa quando a esposa de Yusuke, Oto (Reika Kirishima), morre repentinamente. Com seu jeito delicado — mesmo nas cenas não-explícitas de sexo — e a interpretação suave, Kirishima nos faz criar uma ligação com a sua personagem desde a primeira aparição — ela literalmente abre o filme — e apesar de ela continuar presente na história até o fim — de uma maneira muito especial —, não tem como não ficar chocado com a sua saída da vida de Yusuke.

Aliás, é necessário um tópico especial para elogiar o elenco feminino desse filme. Além de Reika Kirishima, o outro grande nome de Drive My Car é o de Misaki Watari que é perfeita como a motorista Toko. É muito raro nos identificarmos com personagens quietos em demasia com dificuldades de se expressar, mas a simples presença da garota já causa conforto nas cenas em que aparece, além de que todo o seu plot com o passado envolvendo a mãe austera é extremamente tocante — o que acaba causando grande mudança no protagonista Yusuke.

Outra que rouba a cena mesmo não dizendo uma só palavra por interpretar uma personagem muda, é a atriz sul-coreana Park Yoo-Rim, a Lee Yu-Na.


10 Melhores Filmes do Oscar 2022
Park Yoo-Rim e Janice Chan


No filme, ela é a esposa de um dos produtores da peça que Yusuke está dirigindo e que ganha um dos papeis após uma apresentação contundente em libras. Por ser coreana e não entender japonês, ela acaba sendo obrigada a interpretar em coreano conforme o marido traduz o que ela diz por sinais aos membros japoneses da audição, mas é num dos outros ensaios da peça — a que acontece ao ar-livre, num parque — que Lee Yu-Na acaba conquistando o coração de todos, em uma troca muito singela de atuação com a outra atriz do elenco, a taiwanesa Sonia Yuan (Janice Chan).

Mesmo sem entender, de fato, o que a peça encenada quer dizer, é possível compreender o sentimento envolvido no texto apenas pelos gestos de Lee e Park Yoo-Rim faz tudo de um jeito tão doce que não tem como não acabar morrendo de amores pela atriz.


10 Filmes Oscar 2022


É difícil descrever o quão bonitas são as cenas em que Park Yoo-Rim encarna a sua personagem muda e como é comovente a maneira como ela se expressa em libras. Os gestos firmes e ao mesmo tempo delicados, a sua fisionomia e todo o conjunto me deixou bastante encantado tanto pelo personagem quanto pela atriz que a interpreta. 


"Cada dia é muito divertido agora..."


Aliás, a metalinguagem presente em Drive My Car é um ponto importante a se discutir, já que estamos assistindo a atores de cinema interpretando atores dentro de uma peça de teatro. Chega uma hora que tudo se funde e acabamos esquecendo o que é realidade e o que é fantasia no enredo.

A representatividade está bastante presente no filme com a atuação de atores de fora do Japão na história, diálogos em inglês, coreano e até mandarim. A incorporação das libras é outro elemento interpretativo que ganha grande destaque no enredo de Drive My Car, algo que também é usado nos concorrentes No Ritmo do CoraçãoDuna, com a personagem Jessica de Rebecca Fergusson.

Se alguém me perguntasse “Rodman, qual seu favorito ao Oscar esse ano? ”, eu diria sem pestanejar Drive My Car por todo o conjunto da obra. Eu não só estou torcendo para que o filme leve o prêmio de Melhor Filme como acho também muito justo que ele supere os demais. Foi de longe a minha melhor experiência diante da tela entre todos os dez títulos. Terminei a projeção em lágrimas e filmes de arte que nos tocam dessa maneira tão particular devem ser melhor considerados que os demais. 

Além de Melhor Filme, a obra intimista de Ryusuke Hamaguchi disputa Melhor Direção e Melhor Filme Estrangeiro. No Brasil, infelizmente, não está disponível em nenhuma plataforma de streaming, mas vale muito a pena correr atrás, nem que por meios alternativos. Filme imperdível.

Nota 10.

NAMASTE!

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