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26 de fevereiro de 2025

Emilia Pérez e Anora no Conclave


Combo Breaker Oscar 2025


Chegou aquela época do ano em que a gente deixa um pouco de lado os filmes de bonecos fazendo “piw piw” e assume a nossa persona de Rubens Ewald Filho para falar um pouco sobre FILMES QUE PRESTAM de verdade.

No Combo Breaker de hoje, vou destacar Emilia Pérez, Anora e Conclave, todos eles disputando com Ainda Estou Aqui o prêmio máximo do cinema no Oscar 2025.

Sigam-me os bons!

Emilia Pérez

Emilia Pérez Combo Breaker Oscar


Dirigido pelo já polêmico Jacques Audiard (“Ferrugem e Osso”, de 2012) Emilia Pérez conta em forma de musical a história do chefe de cartel de drogas mexicano, Juan Manitas (Karla Sofía Gascón) que decide contratar uma advogada em evidência na mídia para que ela possa ajudá-lo a fazer a sua transição de gênero em sigilo. "Matando” assim a sua persona masculina para sempre.

Emilia Pérez
Jacques Audiard e o elenco de Emilia Pérez


No enredo, a advogada Rita Mora (Zoë Saldaña) acabou de ganhar uma causa onde conseguiu safar um criminoso da prisão quando ela é abordada por Manitas, que lhe oferece uma caralhada de dinheiro em troca dos seus serviços.

Em seu primeiro encontro para tratar sobre negócios, Rita fica cara a cara com o narcotraficante em seu esconderijo, e se sente tentada a ajudá-lo com o seu problema de falta de identificação de gênero, porque, afinal, ela é uma fodida que precisa muito da grana.

Emilia Pérez Combo Breaker Oscar
Karla Sofía Gascón como "Manitas" e Zoë Saldaña


Nesse encontro, Rita também conhece a esposa de Manitas, Jessi (Selena Gomez), além dos dois filhos do casal, e isso faz com que ela repense momentaneamente em aceitar ou não a proposta do traficante. 

Emilia Pérez Combo Breaker Oscar
Selena Gomez e sua fluência ZERO em espanhol


Embora isso não fique muito claro ao espectador num primeiro momento, Manitas não pretende voltar a ver a sua família após a sua redesignação sexual, dando também um “migué” em seus comandados e na sua vida criminosa. É por essa razão que Rita chega a pensar em desistir de ajudá-lo.

Por fim, ela aceita e foda-se! “Vou ficar milionária e a família do meu cliente que se lasque!

Logo após Rita concordar em conhecer algumas das clínicas que façam a cirurgia de transgenitalização de maneira discreta, vem uma das cenas mais constrangedoras que eu já assisti na minha vida. O momento em que a advogada visita uma clínica na Tailândia e que rola o musical que virou meme na internet de tão absurda!

Emilia Pérez Combo Breaker Oscar


“Homem para mulher ou mulher para homem?”

“Homem para mulher”

“Então, pênis para vaginaaaa”

É sério. Fiquei imaginando alguém que passou por uma transgenitalização de verdade assistindo a essa sequência vergonhosa que trata com humor escrachado um assunto tão sério! 

E tudo isso com musiquinha e dancinha… como se o filme fosse editado por um adolescente no TikTok!

O filme em si tem muitos momentos embaraçosos e a listagem parece infindável quando paramos para pensar um segundo sobre o que estamos assistindo na tela. Para começar, a maneira estereotipada com que o diretor Jacques Audiard enxerga o México e a sua cultura. O francês chegou a visitar o país antes das filmagens, mas admitiu que a visão que ele tinha do México “não condizia com a realidade que ele encontrou lá” ao visitá-lo.

No final, ele mandou um foda-se ao que os mexicanos poderiam pensar a esse respeito e decidiu continuar até o fim com a sua representação preconceituosa sobre o que ele pensava ser o México — um lugar onde a criminalidade impera, com mariachis cantando no meio da rua, onde se faz pouco caso quanto aos desaparecidos mexicanos mortos pelo narcotráfico e onde as cidades têm um aspecto de mundo pós-apocalíptico de tão sujas e destruídas.

É como se um norte-americano tentasse fazer um episódio dos Simpsons sobre o Brasil sem nunca ter visitado o país e colocasse no desenho todos os seus preconceitos e estereótipos representados graficamente na tela, com macacos espalhados pela cidade, mulheres nuas andando nas ruas sacudindo os peitos e selva onde deveria haver prédios e asfalto.

Emilia Pérez Combo Breaker Oscar


Já pensou se isso tivesse acontecido???

Em outra de suas falas polêmicas, Audiard ainda relacionou o idioma espanhol — falado em quase 80% do seu filme — com pobreza e depois pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas de alguma forma pelo seu filme.

Emilia Pérez Combo Breaker Oscar
Declarações polêmicas de Jacques Audiard


É o famoso "foi mal, eu tava doidão"!

Para jogar de vez uma pá de merda sobre o filme, a própria atriz que interpreta a personagem título do filme acabou sendo desmascarada como sendo uma bela de uma racista ainda durante a campanha de premiações do longa. Em postagens antigas, a espanhola Karla Sofía Gascón destilou o seu veneno nas redes sociais contra negros, muçulmanos e outras minorias, esquecendo completamente que ela também faz parte de uma minoria, a das pessoas trans.

Emilia Pérez Combo Breaker Oscar
"... a sua religião [Islã] é incompatível com os valores ocidentais."


Em tempo, Emilia Pérez tem VARRIDO as premiações a que tem sido indicado desde o ano passado, e entre esses prêmios, levou, inclusive o Golden Globe de Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Atriz Coadjuvante (para Zoë Saldaña), Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e Melhor Canção Original com “El Mal” na interpretação das próprias Zoë Saldaña e Karla Sofía Gascón.

Emilia Pérez concorre a 13 estatuetas do Oscar nesse ano e mesmo com o escândalo das declarações infelizes de Gascón e do show de estereótipos criado pelo diretor francês, o filme tem fortes chances de garantir pelo menos uma dessas estátuas, batendo de frente com “Ainda Estou Aquiem todas as categorias que o brasileiro também disputa.

Na internet, nem os próprios mexicanos “representados” no cinema pelo filme "tankaram" essa produção, e até a comunidade LGBT pareceu não ter ficado muito satisfeita com a maneira no mínimo desrespeitosa com que foi mostrada em tela.

Mas, sabe quem adorou o filme e que doido para premiar Emilia Pérez por “dar visibilidade à causa trans”? Os velhos da academia de cinema estadunidense que, na realidade, tão pouco se fodendo tanto para as pessoas trans quanto para os mexicanos! 

Anora

Anora Combo Breaker Oscar


Tirando Emilia Pérez, que já assisti tendo alguma noção do que se tratava a história do filme, esse ano eu tentei ver as produções que disputam o Oscar de Melhor Filme antes de me inteirar sobre as suas sinopses, ou mesmo dar uma conferida nos trailers.

A tragicomédia Anora foi um desses casos que assisti “no pelo”. Até antes de começar a projeção, eu não fazia a mais puta ideia do que se tratava o filme, mas acabei me surpreendendo muito positivamente com a produção que levou a Palma de Ouro em Cannes em 2024 — um dos prêmios mais prestigiados do cinema.

Na história, Ani — ou Anora, como ela realmente se chama — vivida pela atriz Mikey Madison, é uma jovem stripper do Brooklyn que, numa noite de sorte, é indicada por seu cafetão para entreter o filho de um oligarca russo na boate em que trabalha.

Anora Combo Breaker Oscar
Mikey Madison como a dançarina erótica Ani


Pela fluência de Ani no idioma do rapaz Ivan (Mark Eydelshteyn), a “dançarina erótica” acaba pegando simpatia por ele, o que mais tarde, após novos encontros — inclusive fora da boate — ocasiona um improvável romance entre os dois.

Anora Combo Breaker Oscar


Decidida a aceitar a sugestão de Ivan de se casar com ele para que o russo tenha direito à cidadania norte-americana — e fugir da intransigência de seus pais milionários —, Anora passa a viver uma história de Cinderela contemporânea por alguns dias. 

Anora


Em Las Vegas, o casal resolve consumar o relacionamento intempestivo e se casa de forma impulsiva. Quando a notícia do casamento chega à Rússia, o conto de fadas é rapidamente ameaçado: os pais do jovem partem para Nova York com a irredutível intenção de anular o matrimônio.

Anora Combo Breaker Oscar
Ivan e Ani


Ah, Rodman… o filme é só isso? Uma história de comédia romântica? Que bosta!

Aí é que está a graça do roteiro escrito e dirigido por Sean Baker (de Tangerine, 2015). Partindo desse plot super simples é que o filme começa a desenvolver uma história muito dinâmica e extremamente divertida enquanto os capangas armênios do pai de Ivan começam a se meter no casamento do casal, além de caçar o jovem russo por Nova York no momento em que ele decide sumir do mapa simplesmente para não ter que lidar com os mandos e desmandos dos pais autoritários.

Anora Combo Breaker Oscar


As interações de Anora com os atrapalhados empregados armênios são hilárias e é impossível ficar indiferente ao humor crescente que o filme vai nos apresentando a cada nova cena, e a cada nova encrenca a que a moça vai se metendo para não perder todo o luxo e a riqueza com que ela foi agraciada ao se casar com o moleque irresponsável.

Anora Combo Breaker Oscar


Aliás, entre as concorrentes de Fernanda Torres ao prêmio de Melhor Atriz do Oscar, Mikey Madison é uma das mais fortes de todas. Em cena, além das inúmeras tomadas de strip-tease e de sexo que ela protagoniza diante das câmeras, a jovem atriz de 25 anos — que despontou no sexto filme da franquia Pânico como a personagem Amber e que foi uma das hippies malucas do bando de Charles Mason em Era Uma Vez… Em Hollywood — dá um verdadeiro show de interpretação nas sequências cômicas, mas principalmente nas dramáticas, o que justificou o seu prêmio no Bafta de 2025 como Melhor Atriz — desbancando a favorita do público, Demi Moore de A Substância.

Anora Combo Breaker Oscar
Mikey Madison em "Pânico", "Era Uma Vez... Em Hollywood" e em "Anora"


Anora foi o filme mais divertido entre todos os que assisti a concorrer ao Oscar desse ano e o único que eu toparia rever futuramente.

Anora


O longa arrecadou mais de US$ 20 milhões de bilheteria e, além do prêmio de Melhor Atriz, disputa também o Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção (para Sean Baker), Melhor Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante (para Yura Borisov, que interpreta um dos principais capangas do sogro de Anora) e Melhor Montagem.

Anora Combo Breaker Oscar
O diretor Sean Baker e o ator Yura Borisov


Conclave

Conclave Combo Breaker Oscar


“Cardeal Bellini. Quem você indica para o paredão do Vaticano e o porquê em trinta segundos!”

Uma boa definição para quem ainda não viu Conclave e pretende assistir ao longa dirigido por Edward Berger (de Nada de Novo no Front de 2022, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional) é que a história é um Big Brother de cardeais que se juntam para eleger o novo Papa.

Conclave Combo Breaker Oscar
O diretor de Conclave, Edward Berger


Aliás, a ironia da coisa em um filme que trata sobre esse assunto estar em voga exatamente na época em que o Papa vigente, Francisco, está sofrendo com problemas graves de saúde é uma puta campanha de marketing involuntária do Vaticano ao longa, não é?

Brincadeiras idiotas à parte, Conclave segue os passos do cardeal Lawrence (Ralph Fiennes) do momento em que ele é obrigado a reunir um grupo de sacerdotes para eleger o sucessor do Papa que acabou de falecer até a escolha, de fato, do novo pontífice.

Conclave Combo Breaker Oscar
Ralph Fiennes como o cardeal Lawrence


Cercado por líderes do mundo todo nos corredores do Vaticano — incluindo um misterioso religioso mexicano —, Lawrence descobre uma trilha de segredos profundos que podem abalar a própria fundação da Igreja.

Nesse meio-tempo, é claro que rolam várias intrigas entre os sacerdotes durante a reunião do conclave — que é como é chamada a reunião geral para eleger um novo Papa —, bem como compra de votos, lavação de roupa suja sobre o passado de alguns deles e muito, muito golpe baixo.

Conclave Combo Breaker Oscar


Pra ser um BBB, só falta mesmo a apresentação do Tadeu Schmidt, porque o resto está todinho lá!

Apesar de ter feito pouco alarde “no mundo real” quanto ao plot twist final do longa, Conclave consegue subverter muito bem a expectativa do público até o desfecho da narrativa, tornando as sequências de contagem de votos e o suspense envolvendo quem será o novo Papa interessantes — mesmo parecendo de início que o enredo não vai sair da mesmice de roteiro que outros filmes envolvendo o Vaticano já construíram em Hollywood.

Conclave Combo Breaker Oscar
Carlos Diehz como o cardeal latino Benitez


Além de Fiennes que está cotado ao prêmio de Melhor Ator no Oscar 2025, o filme ainda conta no elenco com os excelentes Stanley Tucci (como o cardeal Bellini), John Lithgow (como cardeal Joseph) e Isabella Rossellini (como a irmã Agnes).  

Conclave Combo Breaker Oscar
Stanley Tucci, John Lithgow e Isabella Rossellini


Conclave está indicado a oito estatuetas do Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Isabella Rossellini), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino e Melhor Montagem.

Conclave levou o prêmio de Melhor Elenco no SAG Awards desse ano e isso pode servir de termômetro para quem vai ganhar o Oscar de Melhor Filme em 2025. Nos últimos anos, o SAG anteviu a maioria dos filmes que acabaram saindo vitoriosos de dentro do Dolby Theatre em Hollywood.

Conclave
Conclave premiado pelo Screen Actors Guild


E, cá entre nós, entre todos os que disputam a estatueta mais cobiçada do Oscar, Conclave é o filme com “mais cara de Oscar” de todos!

A minha torcida é para Ainda Estou Aqui, por razões óbvias, mas se for para não ser clubista, quero muito que Anora leve o de Melhor Filme… até porque a Fernanda Torres vai levar o de Melhor Atriz COM CERTEZA!

Fernanda Torres totalmente oscarizada


Eu falei também sobre “A Substância” (que concorre a Melhor Filme) e “Divertida Mente 2” (Melhor Animação) no resumão dos filmes de 2024. Clica no banner aí e seja feliz.



NAMASTÊ!

30 de dezembro de 2021

COMBO BREAKER #015 – TITÃS, GAVIÃO ARQUEIRO E O MANDALORIANO

ESSE POST CONTÉM SPOILERS!



TITÃS – TERCEIRA TEMPORADA

Eu sou o Rod Rodman e eu sei que já deveria ter desistido dessas séries merdas da DC, mas às vezes, assistir episódio por episódio é mais forte que eu. Vejo um, dois, quando percebo, já estou na metade da temporada, aí feito uma droga muito forte, não consigo mais largar!

Tem tratamento para isso, Rodman. Se chama séries da Marvel!

E eu acabo de perder os dois leitores dcnautas que eu ainda tinha aqui no Blog por conta desse comentário, jovem padawan!


Titãs temporada 3


Em 2021 estreou na HBO Max e na Netflix a terceira temporada de Titãs, série comandada por caras como Akiva Goldsman, Greg Berlanti — showrunner também das outras séries mequetrefes de heróis da CW — e o badaladíssimo Geoff Johns que, teoricamente, é o cara que entende de quadrinhos e que não devia deixar que as coisas desandassem como desandam nas três temporadas de Titãs.

Criada basicamente para escapar do conceito "heróis coloridos e bonzinhos" imortalizados na CW, Titãs já mostra desde a primeira temporada que a violência é o mote central dos episódios, o que já faz com que seu espectador mais atento consiga equiparar a série com os filmes mais adultos e realistas iniciados nos cinemas com Man of Steel do visionário diretor Zack Snyder.

Sim… eu usei de sarcasmo no último parágrafo, caso você não tenha percebido, leitor.

Na primeira temporada, acompanhamos um jovem Robin/Dick Grayson (Brenton Thwaites) — agora detetive da polícia de Detroit — tentando escapar da sombra de seu mentor Batman/Bruce Wayne por, em suas palavras, “estar ficando parecido demais com ele” nos métodos de combate ao crime. 

Enquanto Dick desiste gradativamente da sua identidade de Menino-Prodígio, o Batman — que na Season 1 só aparece como um vulto e sem um ator definido por trás da máscara — arranja um substituto para ele e é quando conhecemos o Robin/Jason Todd (Curran Walters), que disparado, é o melhor personagem da temporada.


Titãs temporada 3


Sim. Eu, que sempre detestei esse personagem de merda, admito que o Jason Todd da série é o melhor personagem dela, o que diz muito sobre o enredo em si!

Em paralelo aos dramas inúteis de um Dick Grayson descaracterizado totalmente dos quadrinhos — violento, sem carisma ou qualquer tipo de senso de humor —, nós também acompanhamos a chegada da adolescente Rachel Roth (Teagan Croft) uma garota que acha que é órfã de mãe e que vê a mulher que a criou desde pequena ser morta na sua frente, durante o que parece ser uma tentativa de sequestro. 

Titãs temporada 3


Rachel sente que uma força muito poderosa tenta dominá-la e sem entender bem os seus dons malignos, ela foge para Detroit. Na cidade do Robocop, a menina de cabelos roxos  acaba se encontrando com Dick, alguém que ela já conhecia de sonhos recorrentes onde ele aparecia ainda jovem lamentando a morte de seus pais, após o acidente com os artistas circenses Graysons Voadores.

Toda essa ligação entre Dick e Rachel, com ele tentando protegê-la ao mesmo tempo que procura descobrir quem, afinal, a está tentando raptar, torna a série minimamente assistível nos primeiros capítulos e nos faz querer seguir em frente apesar dos efeitos toscos e das atuações "marromenos".


Titãs temporada 3
Mutano, Rapina e Columba


Nessa temporada, alguns episódios como o 4 “Patrulha de condenados” — que nos apresenta à Patrulha do Destino, que mais tarde ganharia uma série própria — conectando o personagem Gar Logan (Ryan Potter) ao grupo de desajustados — como nos quadrinhos —, o 8 “Donna Troy” que introduz a jovem amazona na série (interpretada por Conor Leslie), o 9 “Hank e Dawn” que nos conta mais do passado cheio de traumas dos heróis Rapina (Alan Ritchson) e Columba (Minka Kelly), além do episódio 11 “Dick Grayson” que encerra a temporada mostrando uma realidade alternativa onde Dick se casou com Dawn e teve uma vida feliz, são os grandes destaques de uma série que demora a engrenar e que se perde entre a sua metade e o seu final.

É difícil se importar, por exemplo, com todo enredo que envolve a Koriand’r (Anna Diop), que é de longe uma das melhores atrizes do elenco, mas cuja história é insossa e desinteressante para quem está acompanhando o resto das tramas envolvendo os personagens mais urbanos. 


Titãs temporada 3


Cara, ela é uma alienígena, mas em nenhum momento a vemos agindo como uma ou tendo dificuldade em se adaptar aos costumes humanos. É como se ela fosse de outro país de língua inglesa e não de outra galáxia. Tirando seus dons sobre o fogo, ela age quase que 99% do tempo como uma humana qualquer. Mesmo quando se refere a seu planeta Tamaran — o que não acontece até o final da primeira temporada — é difícil ser convencido que a mulher de cabelo rosa é uma alien refugiada em nosso planeta.

Como eu disse, a atriz é excelente para o papel — e diferente da opinião de alguns nerdolas que reclamaram de Diop ser negra e não "combinar" com a Kory das HQs, a cor de sua pele não faz nenhuma diferença no enredo —, porém, se a personagem fosse uma adolescente recém-chegada na Terra e estivesse ainda se adaptando à nossa língua, aos nossos costumes e a nossos gostos específicos, faria bem mais sentido, até para a sua interação com os demais jovens titãs como a Ravena e o Mutano. No final das contas, além de fazê-la parecer uma prostituta de luxo — num dos visuais mais cafonas da série toda — e ir para a cama com o Dick — entre outros caras — não há nenhuma necessidade prática dessa Kory da série ser uma adulta. 

Mas até aí, isso é só cagação de regra deste que vos fala!

A segunda temporada tem uma inversão na ordem qualitativa, porque ela começa muito ruim com o péssimo episódioTrigon” — além do personagem em CGI horrível a maneira como as coisas se resolvem enquanto eles enfrentam um dos personagens mais grandiosos da DC é bem caída —, fica muito boa a partir do episódio 4 “Atlante” — que nos apresenta ao Aqualad… Você já tinha imaginado que veria o AQUALAD em versão live-action? —, nos mantém com aquela esperança de que a série finalmente engrenou até o episódio 9 “Reparação” — quando finalmente entendemos o que aconteceu ao Jericó (Chella Man), o filho do Deathstroke/Slade Wilson (Esai Morales) —, mas volta a pôr tudo a perder com episódios modorrentos como “Atrás das grades”, onde se sentindo culpado pelo que aconteceu com o amigo Jericó, Dick desiste de lutar contra o crime e soca um policial no aeroporto para ser preso. 🙄

Essa temporada também é marcada pelas estreias do Conner/Superboy (Joshua Orpin) e pela Rose Wilson/Devastadora (Chelsea Zhang), porém, nenhum deles recebe um tratamento adequado pelo roteiro, que se torna muito inchado de tramas e subtramas e acaba não conseguindo concluir nenhuma delas de maneira satisfatória.


Titãs temporada 3


Rose, que é a filha do Exterminador e que está infiltrada na “torre titã” a mando do pai — funcionando mais ou menos como a Terra do arco “Contrato de Judas” do Marv Wolfman nas HQs — até consegue ter bons momentos no enredo, em especial com o seu envolvimento sentimental com o temperamental Jason Todd, além dos seus conflitos com o pai, mas o Superboy é totalmente desperdiçado.

Covarde demais para nos apresentar um Superboy mais despojado e divertido como aquele criado nas HQs após a morte do Superman — que vivia no Havaí e usava jaquetinha — ou apelar de vez para o sujeito amargurado e descolado da realidade por ser um clone tanto do Homem de Aço quanto de Lex Luthor — como ele aparece muito bem retratado na animação Justiça Jovem —, o personagem de Orpin fica num limbo em que sua atuação horrível é tão apática quando a sua participação na história.


Superboy de jaquetinha


Assim como a Estelar não é uma alienígena perdida no nosso planeta, esse Superboy também não é uma criança num corpo de um adulto sarado — lindo, tesão, bonito e gostosão e isso precisamos admitir! —, ele só é alguém movido pelo ódio o tempo todo e que faz muita merda, mesmo quando não está sendo controlado pelo Projeto CADMUS, que na série, é comandada pela faz-tudo de Lex Luthor Mercy Graves (Natalie Gumede).

O desfecho da temporada até que tem uma ideia boa ao colocar o Superboy para ser o “vilão” final, mas a luta contra os Titãs é tão mal coreografada e tem efeitos visuais tão ruins que a morte de Donna Troy nem consegue nos abalar.

Titãs temporada 3

(Mentira… a cena do funeral dela causa um nó na garganta sim, mas isso porque eu gosto muito da atriz Conor Leslie que consegue dar alguma profundidade à sua Donna).

E depois desse resumo safado feito nas coxas, finalmente chegamos à terceira temporada




E putz…

Outro desperdício de conceito.

O arco do surgimento do Capuz Vermelho escrito nos gibis por Judd Winick e que ganhou até uma animação — que eu resenhei aqui em 2000 e blau — é bem amarradinho e conseguiu me entreter por algum tempo, numa época em que eu já tinha parado de acompanhar os quadrinhos da DC. Mesmo que passado alguns anos de seu lançamento e que todo mundo já conheça a história da ressurreição de Jason Todd, ainda assim, eu sinto que daria para que todo esse plot fosse muito bem adaptado para a série, o que para nossa infelicidade, acabou não acontecendo.


Titãs temporada 3


A impressão que tive é que os roteiristas tentaram deixar ainda mais sombrio e mais violento o único momento em que o Jason Todd se torna relevante na DC para a série, o que nem de longe fez com que o arco se tornasse interessante em live-action.

Na terceira temporada de Titãs, após quase morrer jogado de um prédio pelo Exterminador na segunda temporada, Jason acaba desenvolvendo um medo irracional da morte e passa a ter a sua já conturbada sanidade questionada pelo próprio Bruce Wayne (Iain Glen) que decide aposentar o Robin até que ele esteja mentalmente sadio — o que é irônico vindo de um PSICOPATA que se veste de morcego —, piorando ainda mais as inseguranças do garoto.


Titãs temporada 3


Para sanar o seu medo excessivo, Jason decide apelar para o cara que melhor controla aquele sentimento em Gotham City, é quando ele visita Jonathan Crane (Vincent Kartheiser) no Asilo Arkham, querendo que o ex-psicanalista crie uma fórmula que o faça deixar de ter medo.


Titãs temporada 3


O tiro, óbvio, sai pela culatra e Jason se torna dependente da fórmula “anti-medo” do Espantalho. Num rompante de brabeza e burrice causado por excesso de confiança, numa bela noite, o sidekick decide perseguir o Coringa, apesar das recomendações de Bruce para que ele não o faça sozinho. Como o esperado, o palhaço, o bobo, o joker, o curinga acaba emboscando o jovem Robin e como nas HQs, o mata na base do pé-de-cabra.

Nooossa, Rodman! Essa série é sangue no zóio mesmo! E voa os miolos? Dá pra ver o sangue jorrando?

Sem muita empolgação, jovem padawan seguidor da seita zacksnyderiana! A cena é mostrada de longe, o Coringa nem aparece direito e não há qualquer diálogo, apenas a risada do maníaco. Aliás, quanto à decisão dos roteiristas de incorporar alguns elementos do universo do Batman em Titãs e outros não é tudo muito dúbio nessa produção. Por que o merda do Espantalho pode ter um ator o interpretando a série toda e o Coringa, para dois ou três frames, não pode nem sequer ter um dublador para um diálogo antes de matar o Robin?

Deve ser para não ter comparação com a excelente atuação realizada pelo Jared Leto em Liga da Justiça e Esquadrão Suicida, Rodman. Todo mundo sabe que aquele trabalho é insuperável!




Deve ser isso mesmo!

Também como previsto, um novo vigilante aparece em Gotham pouco após a morte de Jason Todd tentando fazer justiça do seu jeito e ele se auto-intitula Capuz Vermelho. Para a surpresa de ninguém e sem querer fazer surpresa para os espectadores que porventura nunca tenham lido um gibi do Batman na vida, no mesmo episódio em que o Capuz aparece ele já se revela sendo Jason Todd e por razão nenhuma, ele está muito puto com Dick Grayson e os Titãs.


Titãs temporada 3
Pelo menos a roupinha de Capuz Vermelho ficou maneira!

Por mais que o plot seja manjado, seria bacana manter o “mistério da identidade do Capuz Vermelho” por pelo menos dois ou três episódios — já que a porra da série tem 13! —, mas os roteiristas mostram desde o início que o que importa mesmo para o enredo é transformar Jason em vilão gratuitamente, além dele servir de capacho do Espantalho, que o manipula o tempo todo usando a droga anti-medo para tê-lo sob controle.

Nas HQs, Jason tem todos os motivos do mundo para estar puto com o Batman e a sua bat-família, já que passado anos de sua morte, o seu pai adotivo não fez nada para punir o Coringa, o cara que o matou com requintes de crueldade — lembrando que depois da "massagem cerebral" com pé-de-cabra, o Coringa ainda explode a casa onde o Robin tá amarrado e indefeso! —, o que justifica — pelo menos em sua visão distorcida — a raiva que ele sente pela impunidade de seu assassino.


Titãs temporada 3
"Morte em família" o arco que Jason morreu


Nas HQs, faz sentido também que Jason use de métodos mais violentos para combater o crime à sua maneira quando veste o capuz vermelho, já que para ele, a forma do Batman de fazer justiça — dando soco em bandido e prendendo — claramente não funciona. Desta forma, Jason retorna fazendo uso de armas de fogo, algo que Bruce Wayne abomina. Além disso, ele é um inimigo físico muito bom para o próprio Batman, uma vez que foi treinado por ele e conhece a maioria dos seus truques.

Na série, nada disso justifica a raiva de Jason. Ele vai atrás do Coringa sozinho sem qualquer motivo plausível além da própria burrice, cai numa armadilha pra lá de besta e quando ressuscita, se volta contra os antigos aliados apenas porque SIM. Em alguns momentos, o roteiro usa da droga anti-medo para tentar justificar as atitudes equivocadas do garoto, mas às vezes, ele nem está sob o efeito dela e mesmo assim age como se odiasse Dick e sua turma.

Sem falar que os métodos “mais violentos” que o Capuz Vermelho usa em seu retorno pós-morte nem cola na série, já que nesse universo, TODOS os Titãs são assassinos violentos e não têm nenhuma moral para julgar o moleque. O próprio Batman MATA O CORINGA COM O PÉ-DE-CABRA, o que também anula completamente o ódio que Jason podia sentir por seu mentor “não ter feito nada” para vingar a sua morte.

Aiiin, Rodman, mas o Curran Walters é um bom ator, ele manda muito bem na série!

Isso realmente não podemos negar. Ao lado de Anna Diop, talvez Walters seja um dos que mais se destacam em atuação, porque ô série lazarenta pra ter ator ruim!

Além do desperdício de plot do Capuz Vermelho — cujo único episódio que vale mesmo a pena é o quinto chamado “Lázaro” —, a terceira temporada traz ainda a estreia da Barbara Gordon (Savannah Welch) — que se tornou a nova comissária Gordon após a morte de seu pai James — e da Estrela Negra (Damaris Lewis) que é a irmã renegada da Estelar e que começa a série aprisionada… POR UM ÚNICO AGENTE de uma agência que aprisiona alienígenas potencialmente perigosos, mas que, provavelmente, por falta de orçamento da produção, nunca dão as caras.


Titãs temporada 3


A Bárbara de Welch é um dos poucos acertos de Titãs, trazendo um frescor interessante às relações conturbadas de Bruce Wayne com a bat-família e ainda criando um shipp legal de torcer entre ela e Dick, uma vez que antes do encontro da moça com o Coringa — que nesse universo também a deixou aleijada com um tiro — os dois eram amantes e viviam roubando obras de arte pela cidade porque… sim. Os dois são jovens, bem treinados, têm grana, são sustentados pelos pais, o que mais eles poderiam fazer à noite além de roubar quadros famosos, não é mesmo?


😍


Dividida entre ceder aos sentimentos que ainda nutre por Dick e agir de maneira firme diante de seus comandados no DPGC coibindo as ações dos Titãs — que se mudam para a cidade depois que o Batman mata o Coringa e desaparece —, Barbara se encontra num dilema moral, o que em um dos episódios, inclusive, a faz perder seu emprego por agir mais com o coração do que com a razão.


Wakanda Forever... não, pera! Editora errada!


Já todo o arco envolvendo a Estrela Negra e a Estelar é um saco! 

Fica num vai-e-vem eterno entre elas agirem como irmãs que se amam e que se odeiam e nada na história das duas tamarianas faz algum sentido. O meio de campo fica ainda mais embolado com a revelação final de que os poderes de fogo da Estelar eram na verdade da Estrela Negra e que seus pais usaram magia de camponês para resolver a questão devido costumes locais de que a primogênita da família obrigatoriamente precisa possuir dons especiais para seguir a linhagem..

No final das contas, Estrela Negra rouba seus poderes de volta da irmã e a Estelar ganha… novos super poderes que ninguém perde um segundo do tempo da série para nos explicar quais são.

Ela faz bolas de energia, Rodman.

OK.

Para não dizer que tudo na trama tamariana é um completo desperdício de tempo de tela, Damaris Lewis é uma adição muito boa ao elenco de Titãs e o traje tamariano de combate que ela usa tem um design INFINITAMENTE melhor que o da Estelar. 


Titãs temporada 3


Morta ao tentar salvar a Columba de ser esmagada por uma torre de energia na temporada anterior, o corpo de Donna Troy é levado por seus pares até Themyscira e a Ravena a acompanha, acreditando que pode ressuscitar a amiga com seus poderes místicos. Mais da metade da temporada se passa até que ouvimos falar novamente das duas e num episódio muito do mal explicado e com uma produção pra lá de pobre para nos mostrar a Ilha Paraíso da Mulher Maravilha — que também nem dá as caras, assim como a rainha Hipólita ou a Ártemis… —, Ravena descobre que não tem o que é necessário para reviver Donna e que pasmem, a Moça-Maravilha está morta porque ela quer estar.

É no episódio 9 “Almas” que vemos então a luta de Tim Drake (Jay Lycurgo) para voltar à vida — depois de ser alvejado sem nenhuma razão pelo Espantalho — e no caminho, entre a vida e a morte, o garoto acaba se deparando com Donna Troy e Hank — que morreu explodido pelo Jason Todd —, que o ajudam a retornar para casa.


Titãs temporada 3
Jay Lycurgo como Tim Drake, o terceiro Robin


O conceito de limbo até que é bem interessante de ser tratado, mas outra vez, tudo é tão raso que quase nem conseguimos nos importar com a ressurreição de dois dos três personagens citados. 

Acho que de todos os defeitos dessa Season 3, a banalização do retorno de Donna Troy é o mais grave deles. 

Num momento, ela está morta em Themyscira, no outro, está no limbo lutando pela vida que ela nem quer mais e no instante seguinte, ela vai parar no castelo onde um Bruce Wayne suicida está tentando se matar queimado.

NADA FAZ SENTIDO!

Quando finalmente faz o caminho de volta para Gotham — já ressuscitada —, ela é confrontada fisicamente pela líder das amazonas — que não é a Hipólita — e ao chegar na cidade, ela mal tem tempo de procurar os amigos Titãs, já que é obrigada a ajudar Tim Drake — que ela só conheceu num trem entre a vida e a morte — a deter o caos que a cidade se tornou por conta dos efeitos da variante do gás do medo do Espantalho.

Nesse ínterim, ela reencontra a Ravena e o Mutano, mas quando se junta aos demais Titãs para melar o plano insano do Espantalho, não há sequer um momento de confraternização por ela ter se levantado do túmulo. Todos eles simplesmente cagam para o fato da amiga que estava morta há vários meses estar de volta. Ninguém liga!

“Oh, Donna, você voltou. Legal. Ajuda a gente aqui com esse psicopata que está tentando matar todo mundo em Gotham”.


Conor Leslie Donna Troy


CARA!

É amadorismo demais até para uma série padrão CW! Acho que até os roteiristas de The Flash conseguiriam dar mais vida a essa sequência toda de fatos envolvendo a morte/ressurreição de Donna, mesmo levando em consideração que Titãs tem metade dos episódios das produções da Warner e que deveria ser bem mais enxuta, como as séries da Marvel/Disney, por exemplo.

Eu nem ligo muito para os efeitos visuais incrivelmente porcos usados para representar os poderes de transmutação do Mutano, os raios da Estelar e seja lá o que for aquilo que sai da Ravena quando ela tá muito puta, mas já que a série tem problemas orçamentários visíveis, por que então não usar mais os personagens que só dependem de seu físico?

Eu não me importaria se mostrassem aquele tigre verde escroto do Mutano uma ou duas vezes por temporada desde que me entregassem embates físicos de responsa, por exemplo, entre o Dick e o Slade ou o Dick e o Jason. Em Titãs, mesmo o personagem que só depende de um dublê mais bem treinado em acrobacias, como é o caso do Asa Noturna, é muito razoavelmente representados em cena. Em termos de comparação — nesse caso, injusta — o Demolidor da série da Netflix parece muito mais um atleta acrobático que a porra do Robin, que além de acrobata de circo, foi treinado para ser um super-herói desde criança pelo Batman!

Ficaria tão mais caro assim para a Warner contratar um dublê fodão que manja dos paranauês de parkour ou arte circense e botar para fingir que é o Asa Noturna?




Chegam alguns momentos que eu gostaria até mesmo que os roteiristas pesassem mais no drama da série, só para a gente não ter que ficar vendo efeitos merdas ou enredos que parecem que não vão chegar a lugar nenhum.

Drama, Rodman? Cenas dramáticas com esse elenco?



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Pensando por esse lado, acho que poucos ali conseguiriam segurar cenas mais dramáticas…

Melhor ficarmos com os efeitos visuais merdas mesmo!

OBS.: O episódio 7 “Bruce Wayne” da segunda temporada é com certeza um dos melhores da série toda. Além de fazer Dick Grayson ter a sensação que está sendo perseguido pela “sombra” de seu mentor o tempo todo, ainda tem Iain Glen relembrando a clássica Bat Tootsie do seriado dos anos 60! Esse episódio é muito bom e ainda tem uma porradaria maneira entre Dick e Bruce.




OBS. 2: Ô dona Warner! Vamos investir mais grana nas perucas dessas atrizes que o negócio tá vergonhoso demais! O que é aquele lace escroto que a gracinha da Minka Kelly usa na cabeça desde a primeira temporada? E as peruquinhas zoadas da Ravena? Vocês conseguem fazer o Mutano se transformar num morcego verde e não conseguem gastar uma grana em cabelos artificiais? 🤣🤣🤣

 

Minka Kelly delícia


GAVIÃO ARQUEIRO – PRIMEIRA TEMPORADA

Gavião Arqueiro Hawkeye


Depois da frustração sofrida em Falcão e o Soldado Invernal, eu esperava muito pouco de Gavião Arqueiro e exatamente por isso é que achei a série só ok no final das contas e não um desperdício completo de tempo como Loki, por exemplo.

Com seis episódios bem concisos e sem as costumeiras “barrigas” de roteiro que toda série acaba ganhando lá pela sua metade, Hawkeye nos faz acompanhar as consequências dos atos de Clint Barton (Jeremy Renner) durante os cinco anos de “blip”, depois que sua família lhe foi inteira tirada pelo estalar de dedos de Thanos, em Vingadores – Guerra Infinita.

Como descobrimos durante Vingadores – Ultimato, Clint decidiu se tornar um assassino cruel chamado Ronin quando sua família desapareceu e o cara viveu aqueles cinco anos passando geral tudo quanto era gangue criminosa pelo mundo.


Gavião Arqueiro Hawkeye
O Ronin e Clint Barton


A série nos dá um enfoque interessante sobre a “Gangue do Agasalho”, cujos membros acabaram tendo um encontro nada amistoso com o Ronin nesse período e nos faz entender razoavelmente bem como funciona a sua hierarquia de comando. Liderados por Maya (Alaqua Cox), uma moça surda e treinada em artes marciais, a Gangue segue incansavelmente os rastros do vigilante ninja que matou seu antigo líder — o pai de Maya — e essa busca se torna obsessiva até bem próximo do fim da temporada, quando finalmente a Eco fica cara a cara com o homem por trás do capuz.


Gavião Arqueiro Hawkeye
A Eco nos quadrinhos e na série


Em paralelo à tentativa de Clint Barton de resolver as pendências do Ronin e de retornar para casa a tempo de comemorar o Natal com sua família, nós conhecemos a encantadora personagem Kate Bishop (Hailee Steinfeld) que é com certeza absoluta a ÚNICA razão dessa série existir.


Gavião Arqueiro Hawkeye
Kate Bishop (Hailee Steinfeld)


Muito à vontade em seu papel de aprendiz de arqueira — e estagiária de super-heroína — Steinfeld destoa absolutamente do papel insosso e sem qualquer carisma de Jeremy Renner, que com seu Gavião Arqueiro, é com certeza um dos grandes problemas de adaptação entre todos os personagens dos quadrinhos da Marvel que já migraram para o live action

Nas HQs, apesar de ser, sobretudo, o cara teimoso e ranzinza que frequentemente batia de frente com o Capitão América na liderança dos Vingadores, o Gavião Arqueiro sempre foi um personagem bastante divertido e carismático, características que foram totalmente limadas em sua versão cinematográfica.

Gavião Arqueiro Hawkeye


Nos filmes, além dele não ser o mulherengo cafajeste das HQs, o Clint Barton de Renner é um caro chato e quase inexpressivo, o que faz com que uma série totalmente focada nele e sua — falta de — personalidade seja um produto descartável.

Convenhamos, se não fosse a Kate Bishop, que interesse teríamos em acompanhar a vida sem graça de Clint Barton?

Kate traz uma vivacidade muito boa aos episódios e nela são focadas todas as tiradas engraçaralhas que a Marvel/Disney adora nos enfiar goela abaixo em suas produções, desde que comprou a Marvel e passou a gerenciar os filmes de seu estúdio.

O arco familiar de Kate que inclui sua mãe Eleanor (Vera Farmiga) e seu padrasto Jack Duquesne (Tony Dalton) além dos misteriosos assassinatos que permeiam a casa Bishop não chegam a nos manter ligados no enredo, mas traz a sombra de um personagem muito importante de uma antiga série de um certo demônio audacioso que há algum tempo vinha sendo boatado que faria parte de Hawkeye.

Outra surpresa no elenco é a aparição bombástica de Yelena Belova (Florence Pugh) que nos foi apresentada no filme solo da Viúva Negra e que caiu rápido no gosto popular. Esse spoiler eu não havia tomado e não fazia ideia que ela estaria na série, agindo à serviço de um certo rei do crime e querendo vingar a morte de sua irmã Natasha (Scarlett Johanssen), que mesmo brigadinha com a Disney, acaba aparecendo em alguns flashbacks tirados de Vingadores – Ultimato.


Gavião Arqueiro Hawkeye


As interações de Yelena e Kate são a grande cereja do bolo de Hawkeye, e o episódio 5 “Ronin”, que mostra o que aconteceu com a espiã russa durante os cinco anos do blip, além do diálogo despojado dela com Kate em sua cozinha — sutilmente ameaçando matar a garota —, é maravilhoso de assistir. 

Eu acompanharia facilmente uma série de 25 episódios só focado nessa “amizade” entre as duas personagens, tamanha é a interação entre elas em cena. Pugh mostra que está mais do que pronta para entrar de vez no MCU com sua Yelena e é impressionante como ela está à vontade no papel de Viúva Negra, tanto nas cenas mais dramáticas ou cômicas quanto na porradaria, que é algo que eu já elogiei aqui num outro post.


Gavião Arqueiro Hawkeye


Todo mundo sabe que foi uma tremenda injustiça terem matado a Natasha em vez do Clint naquela decisão de quem ficaria com a joia da alma e quem se sacrificaria em Ultimato, mas já que aconteceu, que deixem logo a Kate no lugar do Gavião e essa nova Viúva Negra como a espiã oficial dos Vingadores para mais cenas de diálogo como a do episódio "Ronin"!

A essa altura todo mundo já sabe que o Wilson Fisk/Rei do Crime de Vincent D’Onofrio da série extinta do Demolidor da Netflix está reprisando seu papel em Gavião Arqueiro, mas apesar de ser muito bom rever um ator que encarnou tão bem seu personagem voltar a interpretá-lo, a participação do Rei nessa série foi um tremendo desperdício de potencial.


Gavião Arqueiro Hawkeye
O Rei e a sua camisa de bicheiro de "Negócios de Família"


Eu fui um dos que até assinou baixo-assinado virtual para que a Disney retomasse o projeto de Daredevil’s Marvel e vibrei muito quando pude acompanhar as notícias de que a empresa do Mickey Mouse tinha mesmo interesse em resgatar os personagens da antiga parceria com a locadora vermelha, mas achei bem desnecessária a participação do Rei da maneira como ela aconteceu.

O mistério por trás da identidade do tal “chefão” ou “grandão” que Clint Barton e a Gangue do Agasalho viviam se referindo até o episódio 5 é interessante, mas usá-lo daquela maneira como um adversário físico da Kate Bishop ou fazê-lo ser arremessado feito um saco de batatas, atropelado ou explodido por uma bomba achei que diminuiu enormemente a importância do personagem dentro do próprio universo criado.

Primeiro, se ele é o “chefão” e já tem uma gangue que age a seu serviço — com uma assassina ninja bem treinada a seu dispor, coisa que o Rei sempre teve nas HQs — por que caralhos ele precisaria sair de casa para cair na porrada com alguém?

Segundo, já que é para usar o cara em cena de luta, que ele mostre realmente que é um adversário duro de enfrentar e não alguém que é derrotado facilmente por uma aspirante a heroína!

A meu ver, o Rei nem deveria estar naquela cena final, já que tínhamos a Eco e a Yelena como adversárias do Gavião e da Kate. Achei bem gratuita a sua aparição na zona de guerra. Como ele é o “Rei” faria mais sentido que fizesse um especial de fim de ano na Globo agisse nos bastidores e continuasse controlando tudo das sombras, mesmo que seus aliados fossem surrados em batalha. Eu preferiria muito mais ver o Rei contemplando a sua própria imagem numa janela espelhada após os acontecimentos no centro de Nova York do que vê-lo sendo derrotado pela Kate ou LEVANDO UM TIRO da Maya!

Mal chegou no MCU e o Rei já virou um vilãozinho de quinta categoria! Aquele Demolidor da Netflix moeria esse Wilson Fisk na porrada com uma mão só e SEM seus sentidos ampliados!

Obs.: Apesar dos meus desejos nerds, vou gostar de ver esse Rei do Crime mais vezes no MCU, isso é, se o tiro da Maya não acabou mesmo com ele no último episódio, o que seria uma atitude bem broxante típica da Marvel!


O MANDALORIANO – PRIMEIRA E SEGUNDA TEMPORADA

O Mandaloriano The Mandalorian


Depois da decepção total e completa do encerramento da saga Skywalker em Star Wars – Episódio IX – A ascensão Skywalker, eu perdi bastante do interesse em acompanhar qualquer coisa que tivesse “Star” e “Wars” no mesmo título.

Quando surgiram as primeiras notícias sobre uma série focada em um mandaloriano — que primeiramente diziam que seria do Boba Fett — eu nem sequer apresentei interesse em assistir e continuei sem qualquer vontade de ver, mesmo quando estreou no Disney +. 

Chateado e sem vontade de cantar uma bela canção tal qual Joseph Climber, ignorei todos os suspiros femininos a respeito do Baby Yoda que ouvi soarem pela internet e continuei fazendo de conta que a Disney não havia estragado AINDA MAIS o universo de Star Wars.


O Mandaloriano The Mandalorian


Em 2021, no entanto, após maratonar os filmes da série — incluindo Han Solo! — resolvi ver qualéquié de The Mandalorian e…

Não posso descrever quão arrebatadora foi a maneira pela qual fiquei retumbantemente encantado pela fofura do Baby Yoda!


Mandaloriano The Mandalorian


A série conta a história de um membro da guilda dos caçadores de recompensa que também é um mandaloriano, com todos os seus códigos de conduta e ética milenares, mas é a adição do elemento Baby Yoda — que chega ao personagem título da série como um trabalho — que impacta em muito a nossa expectativa. 

Num misto de boneco-marionete e efeitos digitais, a criaturinha verde — criada especialmente para a série e que não tem ligação direta com o Mestre Yoda — é simplesmente adorável e tem todas as características físicas e trejeitos de um bebê humano, incluindo os gemidinhos, as risadinhas e outros sons que fazem todo mundo em volta emitir um sonoro "OIIIINNNN" quando o vê por mais de dez segundos.

Parece até bobo pautar isso, mas é o cuidado do mandaloriano com seu coleguinha esverdeado e todos os percalços que ele é obrigado a enfrentar para mantê-lo seguro que faz "The Mandalorian" ser um produto tão especial, mais até do que um baita serviço bem-feito que a série é como um todo para os fãs, que têm sido tão maltratados desde que a Disney assumiu a Lucasfilm



Rapaz, depois do segundo episódio da primeira temporada — "A Criança" — é simplesmente  impossível não querer saber o que vai acontecer a seguir e os capítulos vão sendo consumidos de uma maneira muito boa, quase como numa degustação de um doce muito bom que a gente está adorando, mas que não quer que acabe.


Mandaloriano The Mandalorian


Foi exatamente essa a sensação de assistir aos 16 episódios da série que é criada por Jon Favreau — diretor de Homem de Ferro 1 e 2 e de Mogli: O Menino Lobo de 2016 — e escrita por ele e Dave Filoni, que além de diretor, foi um dos idealizadores das séries animadas Clone Wars e Rebels, ambas ambientadas no universo Star Wars.


O Mandaloriano The Mandalorian


O capricho com o cânone do universo criado por George Lucas e o frescor que tanto Favreau quanto Filoni trazem ao universo Star Wars, são dignos de nota, algo que nos faz pensar o que exatamente houve de tão errado durante a criação da nova trilogia do cinema, que foi um desastre quase completo. Além de bagunçar toda a cronologia, os filmes de J.J. Abrams e Rian Johnson brigavam entre si, causando uma sensação muito grande ao espectador de desrespeito aos personagens clássicos, além de não saber o que fazer com os novos.

Em O Mandaloriano, o que sobra a cada final de episódio é justamente o contrário. O quentinho no coração e a sensação de acalanto com o que sempre adoramos nesse universo criado há mais de 40 anos é o que nos faz querer ver mais daquilo e começar um novo episódio é sempre prazeroso…

E isso está sendo dito por mim, um velhote de quase 40 anos que não tem mais amor a nada!


titi



Além de Dave Filoni, que está à frente de vários dos 16 episódios, outros diretores foram convidados para estarem atrás das câmeras e o roteiro é escrito de maneira tão coesa, que a troca constante de direção não estraga em nada o ritmo a que estamos mais acostumados desde o começo.

Um dos meus episódios preferidos da série toda, “O Santuário”, o 4º da primeira temporada, é dirigido por Bryce Dallas Howard e é de uma singeleza tão absurda que chega a tocar o coração do espectador com a maneira leve com que ela trata a ligação entre Mando e seu pequeno acompanhante verde quando os dois tentam se refugiar em um planeta, até então, pacífico e escondido no meio do nada. Nesse episódio também nos é apresentado a ex-rebelde Cara Dune (Gina Carano) e a sua relação com o mandaloriano é imediata, assim como com o público.


O Mandaloriano The Mandalorian


Ainda nessa temporada, além de Dallas Howard, dirigem episódios também o diretor de descendência nigeriana Rick Famuyiwa (que chegou a ser cotado para dirigir o filme “The Flash” antes de Andy Muschietti), Deborah Chow (que entre outras coisas dirigiu episódios de Diários de um Vampiro, Jessica Jones e Perdidos no Espaço e que está creditada como a diretora dos episódios da série do Obi-Wan Kenobi a estrear em 2022) e Taika Waititi, que além de dirigir o episódio 8 “Redenção” também trabalha como dublador do droide pistoleiro IG-88 na série.


IG-88
IG-88 pistoleiro matadô


Sem perder o ritmo entre as temporadas, o próprio Jon Favreau dirige o excelente episódio 9 — ou o primeiro da segunda temporada — denominado “O Xerife”, que nos dá um vislumbre do retorno de Boba Fett ao universo Star Wars live action — o personagem “estava morto” desde O Retorno de Jedi, quando o vemos, aparentemente, ser devorado por um sarlacc — ao nos apresentar o personagem vivido pelo inexpressivo Timothy Olyphant, que está usando a armadura mandaloriana verde do filho de Jango Fett, comprada de um grupo de jawas.


O Mandaloriano The Mandalorian
O "Xerife" 


Esse episódio tem um ritmo diferente dos demais, é um pouco mais lento, mas tem sequências impressionantes de ação com efeitos visuais caprichadíssimos em dunas de uma cidade próxima a Mos Eisley — o porto de contrabandistas que conhecemos em Uma Nova Esperança —, o que nos faz esquecer completamente que estamos vendo apenas um episódio de uma série de “TV” e não um filme de cinema.

Aliás, quanto a esse esmero nos produtos para streaming da Disney, é um baita de um tapa na cara de suas concorrentes que continuam nos “presenteando” com pérolas visuais como o tigre meia-boca do Mutano em Titãs ou a transmutação medíocre do Caçador de Marte em Supergirl da CW enquanto o Mickey investe milhões em suas séries!

Meu intuito não é falar aqui de cada um dos episódios da temporada, mas eu preciso citar pelo menos o episódio 10 “A passageira” dirigido por Peyton Reed — acreditem ou não, o diretor dos dois Homem-Formiga da Marvel! — que me deixou com o coração na mão a cada segundo de reprodução.

Cara! Só de lembrar já me sinto meio mal!

No episódio, em uma de suas várias passagens por Tatooine, Mando recebe a incumbência de transportar uma passageira incomum em sua nave Razor Crest e a tarefa parece bem simples, levando em consideração que ele só precisa sair do ponto A e chegar ao ponto B.

A questão que envolve o episódio é que a passageira precisa chegar rapidamente até o seu planeta para fertilizar os ovos de sua prole, mas para isso, Mando não pode usar o hiperpropulsor — para viajar na velocidade da luz —, o que mataria os filhotes ainda nem nascidos da mulher. Para complicar ainda mais a situação, a passageira está sendo procurada pela Nova República e os ovos que ela carrega são para impedir que toda a sua espécie seja extinguida, o que torna esse episódio ainda mais angustiante.

No meio do caminho até o tal planeta, a Razor Crest é abordada por uma X-Wing da República e sem alternativas, Mando se vê obrigado a tentar escapar para salvar a si e a sua passageira. Num erro de cálculo GROTESCO, o mandaloriano acaba mergulhando sua nave num planeta gelado e enquanto eles afundam com a nave bastante avariada no gelo fino, o desespero se instaura porque o tempo para a fertilização dos ovos começa a se esgotar e não vemos qualquer chance de Mando reparar seu veículo para que eles possam zarpar dali em segurança.


O Mandaloriano The Mandalorian

Como se não bastasse esse imbróglio, um faminto “Baby Yoda” fica a todo momento querendo devorar os ovos da pobre passageira durante o episódio, o que aumenta ainda mais o nosso desespero como espectadores, querendo que a situação se resolva logo.

Em toda a minha vida, eu não me lembro de já ter assistido um episódio tão tenso de uma série quanto “A Passageira” e chegou um momento que eu já estava torcendo em pé na sala de casa para que a mamãe sapo conseguisse salvar seus ovos.


O Mandaloriano The Mandalorian


Mano! Olha essa carinha! O design da personagem é todo criado para nos causar comoção, mesmo que ela tenha a aparência de um sapo gigante!

Peyton Reed quase me fez dormir em Homem-Formiga e a Vespa, mas depois desse episódio de O Mandaloriano, o cara conseguiu se redimir. Está na minha lista de episódios favoritos da série.

Na dança das cadeiras de diretores, além de Reed, a segunda temporada volta a contar com Bryce Dallas Howard (episódio 3, "A Herdeira") que nos apresenta a um trio de mandalorianos que pede a ajuda de Mando para reaver o seu planeta Natal. Carl Weathers — que interpreta o chefe da guilda de mercenários, Greef Karga — dirige o excelente e agitadíssimo episódio “O Cerco” e o tarimbado Robert Rodriguez — de Um Drink no Inferno —, assume a direção de “A Tragédia”, episódio que coloca Mando frente a frente com Boba Fett.


Carl Weathers
Apolo "O Doutrinador" Greef


Além do personagem principal muito bem representado por Pedro Pascal, que mesmo usando um capacete todo coberto em 98% dos episódios, dá vida de maneira bastante expressiva a seu mandalore Din Djarin, a série tem um acervo muito grande de personagens coadjuvantes que se revezam entre os episódios e são, em quase sua totalidade, muito bem vividos pelos atores que os interpretam.

A já citada Cara Dune de Gina Carano é um dos destaques, já que aparece em quase metade dos 16 episódios e consegue convencer em seu papel de mercenária durona que se torna a xerife de Nevarro, planeta onde a guilda de Greef Karga está estabelecida.

A atriz e ex-lutadora de MMA causou grande polêmica com suas declarações comparando a perseguição ao partido Republicano — de Trump — com a perseguição feita a judeus na época da Segunda Guerra e em 2021, a Disney resolveu se posicionar no caso, alegando que Carano está desligada terminantemente do elenco da série para uma vindoura terceira temporada.

Agora sabemos como os diretores conseguiram tirar alguma emoção de Carano durante a cena em que ela é confrontada por um piloto imperial que fala sobre a destruição de seu planeta natal, Alderaan. Alguém deve ter falado no ouvido dela "o Joe Biden ganhou as eleições e você vai ter que se vacinar". A bicha chegou a chorar de verdade! 




Outra personagem de bastante destaque na série é Fennec Shand, vivida pela sempre maravilhosa Ming-Na Wen — a agente Melinda May da finada Agents of SHIELD — que primeiramente aparece como uma rival de Mando, mas que acaba se aliando a ele mais para frente, fazendo até parte do “esquadrão de elite” do mandaloriano para enfrentar a perversidade de Moff Gideon (Giancarlo Esposito).


Mandaloriano The Mandalorian


Essa mulher tem 58 FUCKIN’ ANOS e continua com a mesma carinha de 30. 

É impressionante como ela não envelhece!

Além de O Mandaloriano, como visto no final da temporada, ela será a guarda-costas pessoal de Boba Fett (Temuera Morrison) e já está creditada em todos os episódios do spin-offO Livro de Boba Fett” a série que vai mostrar a ascensão do clássico caçador de recompensas da trilogia original de Star Wars ao trono antes ocupado por Jabba, o Hutt à frente dos mercenários de Tatooine.


Mandaloriano The Mandalorian
"Jabba The Hutt de cu é rola, mané!"


Como anteriormente citado, Giancarlo Esposito faz em The Mandalorian mais um de seus inúmeros vilões em seu currículo de atuação e apesar de uma participação burocrática na série, seu personagem fica tempo suficiente na tela para que queiramos que ele morra com metade da cara explodida como em Breaking Bad.


Mandaloriano The Mandalorian
Giancarlo "Gus Fring" Gideon Esposito


A série é tão bem escrita, que até personagens pequenos acabam sendo muito bons de acompanhar, como a carismática “consertadora” de naves Peli Motto (Amy Sedaris), o mal-humorado, porém leal Kuiil (Nick Nolte) e o mau caráter Mayfeld (Bill Burr) que acaba tendo seu momento de redenção no episódio 7, “O que acredita”.

Duas participações são mais do que especiais na segunda temporada e uma delas é a da personagem criada para a animação Clone Wars Ahsoka Tano, desta vez, em carne osso, interpretada pela maravilhosa Rosario Dawson — também conhecida como ser a única personagem que realmente importava em Luke Cage e em Punho de Ferro — e que eleva à décima potência a importância do episódio “A Jedi”.

 

Mandaloriano The Mandalorian


Eu não fui um dos espectadores das intermináveis temporadas de Clone Wars, mas mesmo eu que pouco conhecia da personagem — que era uma aprendiz de Anakin Skywalker — fiquei orgulhoso de vê-la tão bem caracterizada como a Jedi sábia que consegue entender o “Baby Yoda” e revela o seu verdadeiro nome — Grogu — tanto ao Mando quanto para o público que está assistindo a série.

Achei todo o visual da Ahsoka sensacional, desde a sua primeira aparição envolta em névoas quanto ao uso de seus dois sabres-de-luz brancos.


Mandaloriano The Mandalorian


Sabres… BRANCOS! 

Achei toda aquela cena em que ela derrota os soldados enviados pelo Kyle Reese (Michael Biehn) bem no começo do episódio sensacional. Ponto muito positivo da série.




Eu gostaria de não ter sabido de antemão que o Luke Skywalker de Mark Hamill faz uma aparição “surpresa” no último episódio da temporada e sinto que aquele momento teria sido ainda mais fantástico de assistir se não houvesse uma coisa chamada spoilers de internet.

Mesmo já sabendo que ele estaria ali, ainda assim, foi bastante impactante ver o personagem central da saga Star Wars sendo usado de maneira tão respeitosa — LEU ESSA RIAN JOHNSON, SEU ARROMBADO?? — e explorando seus poderes Jedi de um jeito que a gente nunca viu em nenhum filme.

A gente ama a trilogia clássica, mas convenhamos que o Luke dos episódios IV, V e VI era só um moleque raivoso com um sabre-de-luz na mão.

A maneira como ele parte para cima dos Dark Troopers é digna de aplausos — muito equiparada com a sequência de ação do Darth Vader em Rogue One — e na minha humilde opinião, só faltou uma trilha sonora mais impactante ali, algo que nos remetesse à Força, ou uma trilha que pelo menos se assemelhasse a de John Williams.

Seja como for, ouviu-se dizer que um certo Rod Rodman foi às lágrimas entre a chegada do R2-D2 à cena até a partida do Grogu no colo do Luke. Final maravilhoso para uma série estupenda…

E tenho dito.

QUE A FORÇA ESTEJA COM VOCÊ!  

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