9 de abril de 2010

Os Sete Pecados de X-Men Origens: Wolverine


O filme X-Men Origins: Wolverine de 2009, estrelado pelo já famoso ator Hugh Jackman e dirigido “moderadamente” (pra não dizer mediocremente) por Gavin Hood (Quem?) ocupa (até agora) a 21ª posição das maiores bilheterias do cinema em seu fim de semana de estreia com $ 34.433.831, ficando atrás de outras produções baseadas em quadrinhos como Homem Aranha (os 3 filmes), Homem de Ferro, Batman o Cavaleiro das Trevas e até do fraquíssimo X-men 3. O filme figura entre as maiores bilheterias do ano passado (em torno de $ 148.290.744) principalmente pela atual popularidade do personagem e pela curiosidade dos fãs que se jogaram de cabeça achando que era impossível sair um filme ruim do baixinho invocado. Ledo engano.

Escrito por David Benioff, que entre outras coisas também escreveu o roteiro de Tróia, com Brad Pitt no papel principal, e dirigido por Gavin Hood, que a única coisa importante no currículo é o Oscar de melhor filme estrangeiro por
Infância Roubada - Tsotsi que ele escreveu e dirigiu, X-Men Origens: Wolverine é uma das mais fracas adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos.
O filme é mais uma prova de que um estúdio de cinema e seus produtores exercem forte influência sobre a história do filme, gerando ao fim da produção um belo de um "samba do crioulo doido". Esses mesmos problemas já haviam ocorrido em X-Men 3 – The Last Stand, e o esperado era que o estúdio Fox tivesse aprendido com os erros anteriores. Não foi o que aconteceu.


A seguir, os sete maiores pecados do filme solo do baixinho invocado:

O primeiro ato do filme nos situa em 1845 nas montanhas do Canadá, e mostra um jovem James Howlett (o futuro Wolverine) aparentando ser um menino bastante frágil e doente, assim como na HQ Origem (escrita por Paul Jenkins).



A história original começa a ser modificada quando nos é mostrado que Thomas Logan além de pai de Victor Creed, é também o verdadeiro pai de James. Após invadir a mansão dos Howlett (sem maiores explicações), Thomas Logan, o caseiro da família atira no patrão John aos olhos de Elisabeth, a mãe de James, e enfurecido, o menino ejeta suas garras ósseas pela primeira vez, e empala Logan que pouco antes de morrer revela ser seu verdadeiro pai(!).

Na HQ, em nenhum momento fica claro que Thomas Logan, um homem alcoólatra e rude é o verdadeiro pai de James, embora isso seja insinuado. A mãe de James demonstra um afeto pelo homem depois que ele é morto pelo menino (de forma semelhante a do filme), e na história real o filho de Thomas Logan não é Victor Creed e sim um garoto chamado de “Cão”. Durante a leitura da HQ, devo confessar que eu mesmo pensei que Cão fosse o mais tarde conhecido Dentes-de-Sabre, e o roteirista do filme se aproveitou dessa “confusão” na cabeça dos leitores pra dar um parentesco aos dois adversários.


O personagem que vemos no filme não é o mesmo que conhecemos dos quadrinhos. Em alguns raros momentos vemos o Logan selvagem como na cena em que ele escapa do Projeto Arma X e quando ele ataca o Victor Creed (Liev Shreiber) caindo com ele da janela, mas de resto, vemos um Logan patético preocupado em impedir Creed de assassinar pessoas inocentes e aparentemente cansado de guerra.


O que mais incomoda nesse filme, é essa relação forçada de irmãos entre Logan e Creed. A cada cena dos dois juntos vem aquele melodrama de “somos irmãos e temos que um defender o outro” e isso se arrasta pelo filme todo. Até o fato de Creed querer que Logan volte a sua vida marginal a qualquer custo é banal.



Em boa parte do filme fica aquela dúvida na cabeça: Afinal, o que Stryker (Danny Huston) quer? Ele aparentemente odeia os mutantes pelo fato de seu filho ser um e ter matado a sua esposa (como, isso não fica claro), daí ele se dedica a caçá-los e fazer experiências financiadas por militares com eles. Sim, você cria experimentos bizarros para deter outras aberrações? Pra mim não faz sentido.
Nos quadrinhos, o Projeto Arma X busca a criação de um supersoldado capaz de realizar as mais impossíveis missões para o governo, e Logan é o Arma X (10 em nº Romano) por ser a décima tentativa (a 1ª e bem sucedida seria o projeto que criou o Capitão América, segundo a mente maníaca de Grant Morrisson). Isso até é citado no filme, tanto que o Deadpool (!!) é a Arma XI, mas as intenções de Stryker não são lá muito bem explicadas.




Quem em sã consciência deixaria por vontade própria que colocassem um metal experimental em seu corpo num processo dito anteriormente MUITO doloroso? O Wolverine, claro!

Ok, o cara tem um fator de cura poderosíssimo que o faz suportar as mais diversas formas de tortura possíveis e imagináveis, mas ninguém seria idiota o suficiente de servir de cobaia para uma experiência nunca antes testada. No filme, ele aceita de bom grado pelo simples fato de querer vingança contra Creed, que lhe aplica uma surra de “criar bicho”, como diriam no interior. Nos quadrinhos a fama dos poderes de cura de Logan chegam aos ouvidos de inescrupulosos cientistas que o raptam a fim de transformá-lo numa perfeita máquina de matar. O processo de aplicação de adamantium é demorado e extremamente doloroso para o mutante, que reverte completamente a seu lado animal ao fim do processo. O que vemos no filme não passa nem perto de parecer com a história original.



Na tentativa de fazer um filme de ação extremamente “massa, véio”, de deixar Transformers do Michael Bay no chinelo, Gavin Hood e sua patota criaram cenas pra lá de apelativas e forçadas.

O que dizer do voo de Wolverine sobre o helicóptero do Agente Zero e depois ele andando da forma mais clichê possível enquanto o veículo explode atrás dele?
O que é o Gambit (Taylor Kitsch) saltando de cima de um prédio e descendo girando o seu bastão como uma hélice? E o efeito da pancada de seu bastão no chão que causa uma espécie de explosão telecinética derrubando Creed e Logan? Quem ele é? O Gandalf do Senhor dos Anéis?

Falando em Gambit, as cenas que mais causam vergonha alheia são dele. O X-galã subindo pelas paredes cravando os dois pedaços de seu bastão no concreto e ao fim do filme dividindo ao meio um bloco gigante de uma estrutura que caía sobre o Wolverine com seu bastão “mágico” completam o circo de horrores que é a participação do cajun no filme do canadense. Só faltou ele disparar raios da porra do pedaço de madeira ou transformá-lo num sabre-de-luz!



Além do próprio Wolverine, que na minha opinião, está bastante descaracterizado, embora Hugh Jackman o incorpore perfeitamente, há uma porrada de personagens incluídos desnecessariamente ou mal utilizados nesse filme. O próprio Gambit, que hoje é um personagem pra qual muita gente torce o nariz, mas que nos anos 90 fazia a alegria da mulherada (e da rapaziada também) por seu estilo de luta e seus poderes (que nem são grande coisa), está pra lá de mal arranjado. Na verdade deram uma enfodecida em seus talentos mutantes, mas o que todo mundo queria mesmo ver era ele caindo de pau com o Wolverine, o que acontece no filme, mas de forma tosca. A luta entre eles beira o ridículo, e o que é mais engraçado é que já tivemos vários momentos em que isso aconteceu nas HQs, e as mulas dos produtores do filme nem para copiar! Dessem uma olhada em algum filme do Jason Statham pelo menos!


O que o Ciclope faz nesse filme? Subaproveitado na trilogia dos mutantes, ele aparece nesse só para dizer que está ali. Totalmente desnecessário assim como a presença de Emma Frost, que no filme não é telepata e só possui os poderes secundários de tornar sua pele em diamante. Pra piorar, no filme a loira é irmã (!!) da Raposa Prateada (que também é mutante, vivida pela belíssima Lynn Collins). Haja imaginação aonde não é preciso.


Dominic Monagham (o Charlie de LOST) aparece em cena umas três vezes interpretando Bradley(??), um mutante capaz de controlar a eletricidade (acho), enquanto Kevin Durand (o homicida Keamy, também de LOST) interpreta um “Blob” sem seus poderes de alteração de massa. Ele mais parece um saco de banha ambulante e usa apenas superforça. Completando a equipe de inúteis de William Stryker, temos John Writh, vivido por Will.I.am(!!) que não compromete no papel e até tem uma cena de ação encarando o gigante Victor Creed. Seus poderes de teleporte são até interessantes, mas o personagem claramente só é inserido para justificar os poderes de Deadpool.


Diz a lenda e as más línguas que a participação do Deadpool no filme se restringiria ao início do filme, onde o engraçadinho Ryan Reynolds (que atualmente filma o Lanterna Verde, no papel título) atua numa cena regada a “arame-fú” e depois morre nas mãos de Victor Creed. Por puro puxa-saquismo ou não, o personagem de Reynolds acabou mesclado ao de Arma XI (antes interpretado por Scott Adkins que chegou a gravar algumas cenas), e ele se tornou o vilão no fim do filme, protagonizando com Hugh Jackman e Liev Schreiber umas das melhores (e quase únicas) cenas de ação da película. Nos quadrinhos Deadpool é uma coisa e Arma XI é outra, mas quem liga? De qualquer forma no filme, o personagem se teleporta como o Noturno, tem o fator de cura do Logan, ejeta “espadas” dos pulsos e tem até as rajadas óticas do Ciclope. É um samba do crioulo doido ou não é?


Não deve ser mesmo fácil para um roteirista tentar condensar tanta informação num filme de duas horas e ainda amarrar tudo sem furo na história (o que não acontece), mas no final do filme fica bem claro o resultado de toda essa correria e o estica e puxa do roteiro. A forma como a base do Arma X é destruída, o jeito como Deadpool “morre” e os tiros na testa que Logan leva (com balas de adamantium) para justificar a sua amnésia nos filmes posteriores são decisões apressadas que deixam o espectador com uma incômoda sensação de desapontamento.

O personagem Wolverine não é um personagem complexo e na teoria não deveria ser difícil fazer um filme de ação empolgante e com uma história no mínimo coerente e fiel aos quadrinhos. Na verdade todo mundo já imaginava como seria um filme protagonizado pelo Logan desde X-Men 2 em que a famosa cena da invasão da Mansão X deixou todo mundo boquiaberta. Na minha cabeça seria algo como um Rambo com fator de cura e garras de adamantium. Muita ação, porradaria desenfreada, mas com um roteiro decente e eficaz, coisa que Benioff e Hood deixaram de lado por pressão dos produtores, infelizmente.



Abaixo a melhor cena do filme (dublada em espanhol)


video
Com direito a um "This is Sparta!" no peito do Deadpool! Hehehhee!

NAMASTE!

2 comentários:

  1. Odiei o filme.
    Não assito de novo nem de graça
    eles tinham tudo pra fazer um filme bom e so zuaram.
    ....
    E quanto ao Gambit.... prefiro n comentar ¬¬

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  2. Eu que não sou leitora assídua de HQs, e portanto não conheço os pormenores da biografia do Logan, também não gostei do filme.
    Pra mim o segundo pecado foi o que mais chamou atenção, um Logan seboso,quase politicamente correto!
    Realmente, ninguém merece!

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