


Não dá para assistir True Blood e não comparar com a série começada com Crepúsculo. Por mais que esteja claro que Stephanie Meyer tenha escrito seus livros pensando em adolescentes sentimentais e apaixonadas, e que os filmes tenham sido desenvolvidos para esse mesmo público, é vergonhoso lembrar como os vampiros são tratados pela escritora. É como se a verdadeira essência das criaturas não estivesse ali. Em True Blood, apesar de vermos também um vampiro todo apaixonadão pela protagonista, todo o restante continua sendo guiado pelos instintos primitivos, o que os tornam perigosos e nunca EMOs. Diferente de Crepúsculo, há muito mais elementos que atraem a atenção masculina para a série, há cenas violentas, há cenas de sexo, mulheres nuas e sangue, muito sangue. Vi os dois primeiros filmes da série de Meyer para acompanhar minha namorada e para tentar entender todo esse fascínio repentino por vampiros, e tive muito sono enquanto via. Não há nada ali que prenda a atenção, só romance insosso e interpretações mais insossas ainda.

A série começou mostrando um ambiente bem reduzido, poucos personagens principais, com uma trama bem desenvolvida e simples de entender. As altas dosagens de sexo são mostradas desde o 1º capítulo e envolve o relacionamento de mulheres (na série, tratadas como fode-presas)da pacata Bon Temps com vampiros. Sabemos desde sempre que vampiros tem uma lascívia acima do normal e que eles podem induzir suas "vítimas" a fazerem o que eles querem, dessa forma não é difícil imaginar um certo fascínio que isso causa em algumas pessoas. Na série, é dito mais de uma vez que a forma meio "animalesca" com que os vampiros agem na "hora H" é um atrativo à parte para esse tal fascínio e aí entra a busca por esse "algo mais" que os vampiros tem. Humanos normais começam a matar vampiros e traficar seu sangue, que passa a ser conhecido como V ou V Juice. Surgem então viciados na nova droga que querem beber da fonte e ter para si todas as propriedades curativas e afrodisíacas de um bom e fresco sangue de vampiro. Bizarro, e acredito eu, inédito até então.
A série conta ainda com outros personagens secundários, porém igualmente interessantes como Lafayette (Nelsan Ellis) que faz de tudo um pouco para sobreviver em Bon Temps, desde cozinhar para o Bar de Sam Merlotte à traficar V. Gay assumido, arruma briga com qualquer um que o trata com preconceito, e não vê nenhum problema em se relacionar com vampiros, fazendo até programas com eles. Ellis manda muito bem no papel, e em alguns momentos ele é bem divertido, principalmente por seus diálogos afiados com a prima Tara. Apesar de coadjuvante, Lafayette tem grande destaque na trama.
Além dos coadjuvantes e fora os problemas de Tara com a mãe alcóolatra Lettie Mae Thornton (Adina Porter), os mistérios também envolvem o passado de Sam Merlotte, o dono do bar onde fatos importantes se desenrolam. Ninguém sabe de onde ele veio ou se tem família, e quando ele começa a se comportar de maneira estranha, começamos a descobrir qual sua real natureza, e ela é assustadora.
A abertura da série é uma das melhores que já vi em todos os tempos, possui imagens fortes além do tema empolgante "Bad things" cantada por Jace Everett . Quando assistimos aquelas cenas bizzaras cortadas secamente sem conseguirmos nos prender nos detalhes, entendemos quase que completamente do que a série trata. Não só vampiros, vemos imagens de religião, pessoas simples de interior, animais, fanatismo e possessões, além claro, de muitas cenas sensuais o que lembra que o sexo as vezes pode despertar a animalidade que existe em cada um. Nota 10.
Não tente ver True Blood no sofá da sala com a mamãe e o papai, ela não é uma série família. Ela não trata de assuntos fáceis de se digerir, fala de drogas, sexo e muito sangue, e por isso tudo mesmo é boa, ganhando um enfoque muito intimista. Allan Ball cuidou para que os elementos certos fossem inseridos em cada capítulo e não é qualquer um que tem estômago para assisti-la. Conheço umas duas ou três pessoas que diriam "ai, que série nojenta", mas a meu gosto, até então, tem agradado bastante. Os mistérios que são criados dão um toque a mais, sem falar no interessante triângulo amoroso que acaba acontecendo entre Sookie, Bill e Sam. Receita para mais umas três temporadas. Seria True Blood um "Crepúsculo" com cenas de sexo e violência? Não mesmo. Vai muito além disso.

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