25 de janeiro de 2013

Review - A Essência do Medo

O Post abaixo contém SPOILERS sobre a referida Saga!


A falta de originalidade nas Histórias em Quadrinhos tem se tornado uma constante nos últimos tempos, e o que os leitores têm visto com relação aos personagens com que cresceram admirando, é um esgotamento das boas ideias. Tanto Marvel quanto DC, parecem ter atingido o fundo do poço criativo, e tanto uma editora quanto a outra, não consegue mais nos presentear com histórias boas e divertidas, cometendo o pecado de repetir as mesmas fórmulas (que já não dão certo) Ad Infinitum. Por que continuamos consumindo esse material então? Paixão? Loucura?

Talvez um pouco das duas coisas.

Recentemente terminei de ler A Essência do Medo, a última Mega Saga da Marvel que “mudou para sempre o Status Quo da Editora e blábláblá”, e honestamente, essa foi uma das séries mais fracas que li nos últimos, sei lá, dez anos.


Escrita por Matt Fraction, um dos “Arquitetos” da Marvel atual, e desenhada pelo talentoso Stuart Immonen, A Essência do Medo mais parece um grande apanhado de boas ideias que não deram certo do que necessariamente uma boa Mega Saga como foi, por exemplo, Guerra Civil, de Mark Millar

Sério! Nem mesmo os momentos mais impactantes do arco (e devem rolar só uns dois ou três em 8 edições!!) conseguem marcar o leitor (sem falar que um deles é desfeito no fim da saga!), e o resto não passa de um falatório sem fim, que torna os personagens envolvidos maçantes e dispensáveis.


Nada contra bons diálogos, claro, mas Fraction não é um Michael Bendis que consegue nos entreter mesmo quando seus personagens mais falam do que agem. Ele não consegue nos manter interessados em seu texto, e pra piorar, suas cenas de ação não são bem descritas, o que parece que está sempre faltando alguma coisa na narração, e que tudo foi feito para que tivéssemos apenas uma visão parcial e superficial do que está acontecendo na história.


A Essência do Medo conta a busca de Pecado, a filha do falecido Caveira Vermelha, por um artefato místico que seu pai fracassou em possuir na época da Segunda Guerra, e que a faz conquistar o poder de Skadi, a verdadeira herdeira do Deus Serpente. Dotada de um martelo místico parecido com o Mjolnir de Thor, o recém-liberado avatar da deusa de cara vermelha sai em busca da libertação de seu pai nas profundezas do mar, onde ele fora aprisionado pelo próprio Odin há milênios. 


Enfim livre de sua prisão submarina, o enfraquecido, porém não indefeso Pai Supremo resolve “tocar o terror” na Terra, convocando com seu poder os Sete Dignos, sete martelos que caem em nosso mundo dispostos a carregar de energia mística aqueles que atenderem seu chamado. Assim sendo, O Fanático, O Hulk (que está no Brasil!), Titânia, Homem Absorvente, Attuma, Gárgula Cinzento e o Coisa são transformados nos arautos da destruição da Serpente, e conforme eles conclamam o caos e o medo ao redor do Globo, mais o Pai Supremo se revigora, o que o torna cada vez mais apto de confrontar seu próprio irmão Odin, aquele que usurpou seu lugar ao trono de Asgard.

Nul (Hulk), Kuurth (Fanático) e Mokk (Gárgula Cinzento)

Véi!! Irado!! Agora o pau vai comer solto entre os heróis e vilões!! Hah! Essa vai ser a melhor história de todos, Todos, TODOS os tempos!

Pois é. Esse prelúdio nos dá mesmo essa sensação, mas a expectativa criada não é nem de longe satisfeita pelo texto chato e enrolado de Matt Fraction.

Pontos Negativos

Matt Fraction tinha de longe, um dos melhores argumentos para um quebra-pau de responsa entre heróis e vilões, e esse argumento era tão forte, mas tão forte que ele meio que entrou em parafuso, sem saber exatamente o que fazer com ele.


Desta vez os heróis Marvel (leia-se Vingadores) não iam enfrentar meros vilões da Terra. Quem estava do outro lado do ringue eram deuses poderosíssimos, o que acabou “apequenando” em excesso personagens como Homem Aranha, Punho de Ferro, Luke Cage, Mulher Aranha e Doutor Estranho, os Vingadores buchas preferidos do Brian Michael Bendis. Diante de tanto poder e tanta destruição, a meu ver, morreram poucos personagens, visto que eles não eram mais do que moscas zunindo no ouvido de caras como os Sete Dignos, de Skadi e do próprio Pai Supremo.

Os Vingadores de Brian Bendis X Skadi no traço de John Romita Jr.

Só a chamada Blitzkrieg (algo como uma ação repentina e feroz ao inimigo) já parecia demais para que os Novos Vingadores de Luke Cage pudessem enfrentar (que na edição solo dos heróis, contam ainda com o “reforço” do Demolidor!), e diferente do que Matt Fraction alardeou em entrevista (aqui publicada na edição A Essência do Medo – Prólogo – O Livro da Caveira), nós precisamos sim, acompanhar os tie-ins da saga para entender melhor a história. Eu que só acompanhei os tie-ins publicados na revista dos Vingadores, nem pude perceber a dimensão dos poderes dos outros Sete Dignos, como o Attuma, A Titânia ou o Homem Absorvente. 


Até mesmo as armas forjadas pelo Homem de Ferro em Asgard para que os Vingadores tivessem alguma chance contra a turma da Serpente, bem como os poderes que elas despertavam em quem as usava, foram ridiculamente exploradas dentro da história. Como eu disse, tudo ficou muito superficial.


Como é de se esperar, os Vingadores levam um sacode da turma de deuses, mas o único que acaba pagando com a vida é mesmo Bucky Barnes, que é arrasado por Skadi em uma cena bem chocante.

A morte do Bucky consta como um dos momentos mais impactantes da série, mas dessa vez a Marvel nem espera uma nova Mega Saga para trazer o personagem de volta, e o responsável pelo ressurgimento do Bucky (lá na saga Soldado Invernal) Ed Brubaker o levanta do túmulo mais uma vez na última edição da Essência do Medo, a meu ver, a mais bem escrita de todas.  


Palmas pra Marvel! Um dos melhores momentos da saga é simplesmente desfeito ao final dela!

Outro que “morre” e ressuscita na mesma edição é o Coisa, que enquanto está possuído pelo martelo de Angrir o Destruidor de Almas, é atravessado pelo Mjolnir de Thor, ficando a beira da morte. Claro que o semideus Franklin Richards resolve esse problema, o que ele não consegue melhorar é nossa cara de bunda vendo uma solução de roteiro tão covarde como o “toque mágico” do menino, que salva a vida do tio.

Lembrando que foi culpa de Franklin também a Saga Heróis Renascem... Mas é melhor nem comentar, afinal, é mágica, não precisa de explicação.

E o escudo do Capitão América que agora todo mundo consegue destruir?


Antigamente havia duas coisas nos quadrinhos da Marvel que todos precisavam respeitar: O escudo do Capitão América é inquebrável e o Martelo do Thor é invencível.

Atualmente, qualquer supervilão de quinta consegue destruir os dois. E o que é pior. Qualquer um consegue consertá-los em seguida.


Os momentos de vergonha alheia em A Essência do Medo são vários, mas não pretendo me estender mais, correndo o risco de me tornar tão enfadonho quanto o texto do Fraction. A série tinha um bom potencial inserindo na mitologia de Thor um personagem do passado de Odin que só ele mantinha conhecimento, e que não só estava em busca de vingança contra o irmão, como também seria o responsável pela derrocada de seu filho mais querido. Porém, no entanto, todavia, A Essência do Medo tornou-se apenas mais uma série esquecível e que NÃO VAI MUDAR NADA no Status Quo da Marvel, tendo ela própria revertido todos seus maiores momentos.


Mas Rodman, o Thor continuou morto ao fim da história!

Vamos ver até quando, uma vez que o personagem já pode ser visto em imagens promocionais da chamada “Marvel Now” que começa esse ano lá nos States.


Claro que nem tudo é um desperdício total de papel, e rolaram alguns bons momentos na história, em especial com relação a Steve Rogers, que com a “morte” do Bucky reassume o escudo e volta a se chamar de Capitão América, servindo mais uma vez como o pilar de sustentação dos Vingadores. Sua coragem em enfrentar Skadi mesmo sabendo o quão grande é seu poder e sua bronca em Odin, que pasmem, dá uma arregada pro velho soldado estrelado, é lindo de se ver. A porradaria entre Thor e Hulk e o Coisa (ao mesmo tempo), também é bem empolgante, pena que acaba rápido demais, quase como um daqueles coitos interrompidos depois de um dia todo de expectativa.


Destaque também para os desenhos de Stuart Immonen que conseguiu tornar a história bem dinâmica com seu traço limpo e fluído. Por várias vezes, sua arte se assemelha a de outro fera da Marvel, Olivier Coipel, do qual também virei fã, como já mencionei no Review sobre o Cerco, e o cara tornou a história suportável de se ler. 

Não me importo que a Marvel leve meu dinheiro com o meu consentimento, desde que ela me apresente no mínimo histórias bem escritas e bem desenhadas, e que acima de tudo, eu não esqueça no momento seguinte em que li. Tive que ler A Essência do Medo mais de uma vez para tentar memorizar o que acontece em suas páginas, e isso é um mau sinal de o quanto ela é descartável!

NAMASTE! 

2 comentários:

  1. Estou lendo esta resenha em 2017 porque vai ser republicada em 2v pela salvat capa preta. Ainda bem que li aqui hehehe... Vou passar longe

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