17 de agosto de 2015

Exterminador do Futuro Genisys – Velho e Obsoleto


Há algumas semanas eu fui conferir a nova empreitada nos cinemas da combalida franquia Terminator iniciada em 1984 e saí bem animado com o que vi. Essa animação, no entanto, não durou, quando eu percebi que o efeito nostalgia havia feito com que eu superestimasse Exterminador do Futuro – Genisys mais do que ele merecia. Uma pena!

Eu e a galera do AIJOVEM fizemos um podcast inteiro para tentar entender a linha cronológica de Terminator e eu precisei desenhar LITERALMENTE a tal linha para que essas idas e vindas no tempo ficassem minimamente inteligíveis. O que Terminator Genisys fez, na verdade, foi um desserviço ao restante da franquia, ficando no meio do caminho entre um Reboot, um Remake e um puta samba do crioulo afrodescendente desprovido das faculdades mentais, homenageando o primeiro e o segundo filme no início do filme, e fodendo toda a linha temporal do meio do filme pra frente.

Mas antes de entrar nos deméritos do filme, vamos falar de coisa boa primeiro!

Já ouviram falar da Tekpix? A câmera mais vendida no mundo?

Não. Zoeira!


Os primeiros minutos de Terminator Genisys mostram o futuro de 2029 já nos momentos decisivos entre os rebeldes liderados por John Connor (Jason Clarke) e as máquinas comandadas pela Skynet. Por mais impensável que isso possa parecer, os humanos estão vencendo a guerra (nunca entendi essa porra! Humanos... ganhando de robôs assassinos de mais de dois metros de altura!), e a Skynet num ato desesperado cria uma máquina do tempo para enviar um T-800 (linha de montagem com a cara do Arnold Schwarzenegger!) ao passado para dar cabo da então jovem Sarah Connor (Emilia Clarke), a mãe do líder rebelde que iria salvar a humanidade. Sim, a mesma história de Terminator 1, só que vista de um ângulo nunca antes retratado no cinema... O do futuro.

Mostrando que tem os hackers mais fodões do planeta ao seu dispor, rapidamente Connor aprende a dominar os comandos da engenhoca temporal, e decide enviar alguém de confiança para o ano de 1984 a fim de deter o T-800 assassino, seu braço direito Kyle Reese (Jai Courtney). Quando está se preparando para encarar o vórtice temporal da máquina, Reese que tem a missão de salvar a mãe de Connor no passado (e COPULAR com ela pra gerar o próprio John Connor!), vê seu líder sendo atacado por um exterminador disfarçado, mas nada pode fazer já que está sendo removido do tempo. O ataque faz com que a linha cronológica a qual pertence sofra alterações drásticas, e à caminho de 84, Reese é atingido por memórias de uma época que ele não se lembra de ter vivido.


A explicação do roteiro? Reese viu flashes de sua outra vida que foi criada com uma mudança súbita na história causada por eventos que ele só vai descobrir do meio do filme pra frente.

Está confuso, leitor? Calma que piora.

O que vem a seguir é uma baita de uma homenagem ao primeiro filme, e os fãs mais atentos puderam perceber que eles, inclusive, reeditaram cenas inteiras do clássico de 84 escrito e dirigido por James Cameron. Tem a cena da chegada de Reese pelado na parada de caminhões, tem ele fugindo por um beco com a roupa de um mendigo, tem ele sendo encurralado pela Polícia em uma loja de roupas, tem ele sendo perseguido por um T-1000 e... Mas hein?? T-1000?


Sim, do nada surge um filho da puta de um T-1000 no meio da quizomba toda, que não é o Robert Patrick (o T-1000 de T2) e nem o Tom Cruise, mas que pelo visto frequentou a mesma escola de corrida, estilo “nem respiro”. O sul-coreano Lee Byung-Hun corre pra caralho!

Sem que Reese saiba naquele momento, o T-800 que ele veio deter (a reconstrução digital do jovem Arnold Schwarzenegger tão comentada) foi abatido por outro... T-800 mais velho (o próprio Arnold) e é aí que as homenagens aos primeiros filmes acabam e T5 procura ganhar identidade própria.



Aqui os bastidores de como rejuvenesceram o velho Arnold digitalmente.



E aqui a cena em que o Arnold CGI é inserido

Misteriosamente, um T-800 foi enviado ao tempo antes de 84 e ele foi responsável pela criação de Sarah Connor desde a infância. Essa relação de Sarah com seu “Pops” é um dos pontos altos do filme, já que nos faz ter empatia não só pelo Arnold (que é O Arnold, né, galera!), mas também por Sarah, que chega para salvar Reese do T-1000 coreano assassino botando banca de fodona. Isso tudo você vê no trailer. Não soltei nenhum SPOILER. Aliás, parabéns ao editor do trailer que já soltou na cara de todo mundo o grande “segredo” que o filme teria! Filho da puta!


Calma aí, Rodman. Você está me dizendo então que alguém mandou um T-800 reprogramado mais para o passado ainda para salvar a Sarah Connor criança?

Exatamente, jovem padawan!

E relaxa que esse mistério NÃO É explicado até o fim do filme. É dito que a memória do T-800 (o Arnold véio) quanto a identidade de quem o enviou foi apagada, e isso meio que se torna um plot a ser desenvolvido no próximo filme, uma vez que T5 seria apenas o primeiro de uma nova trilogia. Quem espera isso, no entanto, pode tirar o Pé de Pano da chuva, porque o filme decepcionou nas bilheterias, mas daqui a pouco falamos disso.


Com dois exterminadores em seu encalço, o T-1000 (metal líquido) e o T-800 (Arnold jovem) “ressuscitado” pelo T-1000, o trio é obrigado a usar a cabeça para sobreviver, e eles acabam liquidando seus inimigos numa armadilha, pelo visto, planejada há anos por Sarah e seu “papi” metálico. Lembrando que essa versão de Sarah Connor foi treinada desde criança para ser uma militar fodona, e está longe de ser aquela garçonete ingênua vivida por Linda Hamilton em 84.


Além da tal armadilha ácida que dá cabo dos exterminadores, Sarah e Pops criam uma máquina do tempo no quintal de casa. Até porque essas coisas são comuns em 84.
Todo mundo criava máquinas do tempo no quintal de casa.

Isso é comum, gente.

Muito natural.


Aff!

O T-800 véio (que tem essa aparência porque os tecidos que revestem sua carcaça metálica envelhecem como pele comum) possui as memórias do que irá acontecer a Sarah Connor no futuro, e por isso ele calcula que o envio da moça no tempo, para antes da criação da Skynet, seja a única forma de parar as viagens e garantir sua sobrevivência e a de seu futuro filho John Connor. 


Impossibilitado de viajar com eles devido a exposição de seu esqueleto mecânico (lembram-se que somente corpos orgânicos podem ser enviados no tempo?), Pops fica pra trás e manda Sarah e Reese (pelados!!) para o futuro de Sarah.
Claro, eles viajam para 1997, que é quando o ataque da Skynet dará início ao Julgamento Final e...

Porra nenhuma!

Em sua primeira viagem temporal, Reese teve vislumbres de um futuro alternativo que mudou toda a história, e por isso, ele está certo que a Skynet só ganhará força em 2017, quando um Sistema Operacional chamado Google Genisys dará início ao VERDADEIRO Julgamento Final.


Tá. Não faz essa cara. É isso mesmo.

Bem, foda-se 1997! Nesse momento, tudo que você viu em T2 e T3 foi para o caralho, e viajando no tempo, Sarah e Reese têm que impedir que a Cybedyne lance o tal Sistema Operacional que vai conectar o mundo todo em uma só rede, que é mais ou menos o que o Google já faz, mas que ninguém fala nada.

Rebatizada de Genisys, a Skynet (que tecnicamente só vai nascer quando o contador para o lançamento do Genisys zerar) e a Cyberdyne (que por sua vez é dirigida pelo filho de Miles Tyson de T2) são financiadas por ninguém mais ninguém menos que...

John Connor!


E isso não foi SPOILER, porque essa merda aparece no trailer do filme. Não devia, mas aparece.

Sim, jovem padawan. A grande virada de roteiro, coloca John Connor, o líder da rebelião contra as máquinas, como figura central da CRIAÇÃO da própria Skynet e sim, do lado negro da força.

No futuro de Kyle Reese, o exterminador que atacou Connor no momento em que ele é enviado ao passado, na verdade o inoculou com uma tecnologia que é capaz de “melhorar” o corpo humano com uma espécie de nanotecnologia. Essa nanotecnologia torna os humanos capazes de reconfigurarem seus corpos assim como regenerá-los, os tornando imbatíveis. A missão de Connor é convencer Reese e Sarah de que a evolução dos seres humanos é algo necessário e que eles não precisam ser inimigos. O envio de Connor no tempo (não me pergunte como ou quando!!) para o ano de 2017 é a cartada final da Skynet, que percebe que seu erro foi sempre tentar matar Connor, quando na verdade ele deveria se aliar a ele. É uma saída bem bosta, claro, mas causa uma reviravolta interessante, transformando o grande herói da franquia no principal vilão.

Muita coisa fica em aberto em T5, como por exemplo, de onde diabos veio aquele T-1000? Quem enviou o T-800 para o passado de Sarah, uma vez que Connor virou vilão, que nada é mencionado sobre sua esposa Kate e já que Reese foi jogado de volta no tempo? Quem poderia se beneficiar com algo assim no futuro?


Com a mudança na linha cronológica, Sarah e Reese permaneceram em 2017, ficam juntos, Pops é “destruído” para matar Connor, mas acaba sendo “atualizado” ganhando meio que status de T100, capaz de remodelar sua forma e o Genisys acaba sendo detido... Por ora. Com o fracasso de bilheteria, tendo o filme faturado apenas US$ 27 Milhões no primeiro fim de semana de estreia (vale lembrar que Jurassic World faturou US$ 208 Milhões só no primeiro fim de semana!) é bem difícil que o filme ganhe continuação, o que vai fazer com que essas questões nunca sejam respondidas. Foi notório o esforço que o ator Arnold Schwarzenegger fez para divulgar o filme, viajando a vários países para promovê-lo, postando fotos nas Redes Sociais, fazendo vídeos engraçadinhos para atrair o público mais jovem, participando de Pegadinhas e até mesmo tirando depoimentos de James Cameron, que foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso da franquia Terminator. Cameron chegou a declarar que se o público gostou de T1 e T2, ele iria aprovar tudo o que havia sido feito em T5, mas nem isso reaqueceu o interesse do público pelo filme.


A minha opinião sincera é de que, apesar de muitos deslizes como os que comentei até aqui, Genisys NÃO É um filme ruim. Ele é bem competente no quesito ação, consegue te deixar interessado pelos personagens, faz com que você se importe com eles e cria uma boa relação entre o trio principal. Tirando Jai Courtney que tem sempre aquela cara de paisagem (e não querendo puxar a sardinha para o primeiro Kyle Reese de 84, o ator Michael Biehn, que também era MUITO RUIM!), todos estão muito bem em seus papeis. Jason Clarke convence como o John Connor fodão do bem e também do mal, ele transparece a imagem do militar fodão e também do empresário maquiavélico, e essa dualidade é bem representada. Emilia Clarke não é nem de perto a Sarah Connor Badass de T2, mas é bem melhor que a Sarah Connor ingênua de T1. Ela não compromete o papel, mas é estranho ver a Daenerys carregando armas e explodindo a porra toda, já que na série Game of Thrones, tudo que ela faz é fugir de batalhas... Embora tenha três dragões na garagem. E como ela é linda, hein! Jesus amado!


O bom e velho Arnold não está velho e obsoleto como seu “Pops” insiste em dizer, mas desta vez não são suas cenas de ação que impressionam (até porque é tanto CGI e tanto dublê que nem sei se ele fez alguma cena de ação!) e sim o carisma que seu personagem exala. E nem estou falando das risadas forçadas do T-800 véio, mas do carinho que ele demonstra ter com relação a “sua Sarah”, a protegendo o tempo todo como um pai indestrutível. 


Nesse filme, fica claro que, afinal, as máquinas podem desenvolver sentimentos (em T2 precisaram remover um módulo de seu cérebro para isso!) e as interpretações de Arnold, sempre tão criticadas devido seu sotaque austríaco bizarro ou por sua incapacidade cênica, conseguem SIM segurar o filme em boa parte. Acho que não existiria Genisys sem a presença de Schwarzenegger nele, e exatamente por isso o fracasso na bilheteria é tão dolorido para nós que crescemos vendo esse cara destruir tudo nas telas do cinema e faturando milhões de dólares com um sucesso atrás do outro.


Como o Fábio Barreto disse no Rapaduracast sobre o filme, infelizmente, Schwarzzas, assim como outros contemporâneos como o Stallone ou o Bruce Willis já não garantem mais público pela sua simples presença num filme, e nem retornando ao papel que lhe alçou ao estrelato definitivamente (o T800) a nova audiência se convence de que Arnold ainda pode contar boas histórias. No quesito Blockbuster, acho que T5 fez sua parte. Ele é animado, tem cenas impactantes, ação desenfreada e nos deixa interessados pela história, mas o problema é que tudo isso os demais filmes da franquia também entregavam e de forma muito mais bem ajambrada (tirando T3 e T4 que são duas bostas!), e se é pra fazer mais do mesmo, é melhor não fazer.

Para nós fãs é triste dizer, mas a franquia Terminator está velha e obsoleta.

Nota: 7,5

PS.: Quem teve a brilhante ideia de contratar o J.K. Simmons pra fazer aquela figuração de luxo que foi seu papel em Terminator 5? Um ator oscarizado não precisava passar por isso!



NAMASTE!

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