E aí, pessoal? Como cês tão?
Depois de fracassar miseravelmente em assistir um filme por dia
nos últimos três anos, em 2025 eu consegui o meu intento — apesar da escala 6x1
— e consegui criar uma lista com uma produção cinematográfica para cada um
desses malditos 365 dias.
É claro que para conseguir isso, tive que apelar para os curtas-metragens
que abundam por aí nos streamings e, por isso, não assisti EXATAMENTE um filme
por dia. Nas folgas do trabalho acabei assistindo mais de um por dia e isso acabou
fazendo com que a quantidade de filmes aumentasse.
Mas, enfim, ainda assim, a missão foi cumprida!
Na minha contagem — mentira, foi na do Excel —, em 2025
foram muitos os gêneros que sentei em frente ao sofá para acompanhar, porém, o
Terror ainda foi o meu preferido. Foram exatamente 70 títulos, reunindo muita
coisa nova lançada entre 2024 e 2025, mas também muitos clássicos que eu nunca
havia visto, como “Carrie, A Estranha” (1976) e outros que decidi rever como “O
Iluminado” (1980) e a sua continuação, “Doutor Sono” (2019).
O gênero Ação ficou em segundo lugar com 69 títulos, entre
os quais eu destaco o divertidíssimo “Thunderbolts*” da Marvel que passou meio
que em branco pela maioria das listas de “melhores” de 2025, mas que entregou o resultado mais qualitativo de um ano bem ruim para o MCU.
Depois, vêm os curtas com 52 títulos onde o destaque fica
para “O Avião de Papel” (2012) dirigido por John Kahrs, o vencedor do Oscar de
Melhor Animação em Curta-Metragem de 2013. Eu nunca tinha
visto essa animação e fiquei encantado pela sutileza do roteiro e,
principalmente, pela delicadeza com que trata a interação romântica dos personagens. Para
quem ficou interessado, a animação está disponível no Disney+, mas também tem
no YouTube.
Falando em plataformas digitais, esse foi o meu primeiro ano
de assinatura do Disney+ e a grande maioria dos títulos que vi em casa
foram no streaming do Mickey.
É, eu sei, eles tiraram do ar o programa do Jimmy Kimmel e
cometeram atrocidades como lançar os live-actions da Branca de Neve e Lilo
& Stitch… mesmo assim, eu dei dinheiro para esses crápulas. Eu sei, sou eu quem financia essa merda!
Apesar de assinar QUATRO serviços de streaming, é
engraçado como ainda há uma cacetada de títulos de filmes e séries que não
estão disponíveis no catálogo de nenhum deles, o que nos faz recorrer ao nosso bom e velho
Jack Sparrow na hora de sentar e escolher algo para assistir.
Na categoria “Alternativos”, foram 81 títulos distribuídos
em vários locais onde a pirataria come solta por aí. A bem da verdade, se
fôssemos mesmo honestos com nossos valores, a gente já devia ter excluído as
contas de todos esses streamings CAPENGAS e optado apenas pela garimpagem de torrents. Foda-se o Capitalismo. É tudo nosso!
E vou te falar, hein… Como é ruim o app da Disney+! Em matéria
de funcionamento, ainda não vi igual à Netflix. O app do Mickey se desconecta
sozinho do celular, trava, não grava o andamento das nossas séries, quando
mudamos de um dispositivo para outro ele simplesmente esquece o que já consumimos e
ainda tem a questão de NÃO DEIXAR o download de determinados conteúdos acontecerem
simplesmente porque... SIM.
Experiência pior que essa eu só tive com o AppleTV+ que
decididamente é uma bosta!
Em 2025 também voltei a frequentar o cinema, não tanto
quanto queria, mas bem mais do que antes, no período pós-pandemia.
Foram 7 títulos vistos na sala de projeção ao todo, e é claro que deu para passar
aquela raivinha com relação às pessoas que simplesmente não sabem mais viver em
sociedade. As salas de cinema viraram praticamente um local de bate-papo, para
tirar foto e desfilar o tempo todo. O que menos as pessoas fazem na porra da
sala escura é… assistir o que está sendo projetado.
Bons tempos quando o cinema era um refúgio onde você entrava
e era imerso completamente pelo som surround e pelo brilho da tela por pelo
menos duas horas. Esquecendo completamente o mundo ao nosso redor. Hoje em dia
isso é impossível com tanta “agitação”.
Enfim, estou velho e o que mais sei é reclamar, gente. Relevem.
Sobre os atores e atrizes preferidos nesses 365 filmes, dá pra destacar pelo menos sete nomes que apareceram inúmeras vezes nas produções que assisti.
Disparado, o ator que mais se repetiu foi Daniel Craig com nada menos do que 12 títulos (entre eles a trilogia "Knives Out" de Rian Johnson e "Logan Lucky - Um Roubo em família", um dos filmes mais divertidos que assisti em 2025).
Em segundo lugar ficou Brad Pitt com 9 filmes (contando o clássico "Se7en" e "Guerra Mundial Z") e em terceiro, empatados com 8 filmes cada, os atores Denzel Washington (com a trilogia "O Protetor") e o arroz de festa Dave Bautista que de Marvel ao universo de "Duna", tem estado em grande evidência nos últimos anos.
Do lado das atrizes, empatadas com quatro filmes cada, destaco as sempre presentes Amanda Seyfried (com o atual "Sete Véus" e romântico "Querido John") e Ana de Armas (que protagonizou o excelente "Bailarina", spin-off de John Wick) e a veterana Julia Roberts do clássico suspense "Dormindo com o Inimigo" e a trilogia "Onze Homens e um Segredo".
♦
Bora para o Top 10 melhores filmes de 2025 então?
Sigam-me os bons!
1 - Pecadores
Lançado em abril desse ano e dirigido por Ryan Coogler (de “Pantera
Negra” e “Creed”), “Pecadores” foi com certeza a grande sensação do ano, e não
só por conta do seu elenco, mas especialmente pelo roteiro cativante — que
também foi desenvolvido por Coogler — e por ser extremamente bem-filmado e
bem-ambientado nos Estados Unidos de 1932.
![]() |
| Ryan Coogler e Michael B. Jordan no set de "Sinners" |
A história do preconceito racial norte-americano já foi exposta de várias maneiras no cinema das últimas décadas, mas a maneira como Coogler
retrata os seus personagens em meio ao ainda crescente avanço do racismo contra
negros em “Sinners” é com certeza o ponto alto do filme.
Em um país onde não se aprende nada com a sua própria
cultura e onde a população majoritária continua elegendo pessoas tacanhas e preconceituosas para os mais
altos cargos políticos, é até curioso o sucesso que a produção teve por lá —
Sinners arrecadou US$ 366,7 milhões de dólares no mundo todo —, em especial por se
tratar de um projeto de um diretor/roteirista negro com um elenco
prioritariamente negro nos principais papeis.
E, por falar em elenco, Michael B. Jordan está em sua melhor
forma — e nem estou falando do seu físico — vivendo os dois irmãos gêmeos Smoke
e Stack. O cara já tinha entregado tudo em seu papel de Killmonger em Pantera
Negra — nos fazendo, inclusive, duvidar se ele era o vilão da história —, porém,
aqui ele está no auge do seu talento interpretativo. Durante a projeção, é
muito fácil esquecer que os dois personagens são vividos pelo mesmo ator
tal é a diferença facial e até gestual entre eles.
Se você ainda não viu, vale a pena correr atrás dessa
obra-prima do cinema moderno, e não caia nessa história de que “ainnn, mais um filme de
vampiro” porque os sanguessugas são a parte mais irrelevante da história toda.
Pecadores já está disponível no catálogo da Max… HBO Max…
Netflix/HBO… NetBO… sei lá!
2 - O Agente Secreto
Dirigido e roteirizado por Kleber Mendonça Filho (de “Bacurau”),
“O Agente Secreto” vai levar novamente a bandeira do Brasil para o foco dos
grandes festivais de cinema no próximo ano. O filme já abocanhou alguns prêmios
em Cannes (Melhor Diretor e Melhor Interpretação Masculina para Wagner Moura) e, com certeza, vai chegar com os dois pés no peito do Globo de Ouro e à própria cerimônia do
Oscar, a exemplo do catártico “Ainda Estou Aqui”, que nos deu o primeiro Oscar
de Filme Estrangeiro da história.
![]() |
| Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho |
Diferente do que o título nos leva a crer, “O Agente Secreto”
não é sobre uma missão de espionagem tupiniquim — embora pudesse ser —, e se passa mais ou menos no mesmo período que
“Ainda Estou Aqui”, logo, também fala sobre a Ditadura Militar e a perseguição a cidadãos comuns vistos como ameaças para o governo vigente.
No enredo, Wagner Moura interpreta o personagem “Marcelo”, um
professor universitário e especialista em tecnologia que retorna à sua cidade natal
— Recife — anos depois de sair de lá e que, sem saber, está na mira de uma dupla de
assassinos profissionais contratados para darem cabo dele por conflitos
passados com um poderoso industrial sudestino.
Pois é. Aqui, mais uma vez — tal qual em Bacurau —, Mendonça coloca os sudestinos
como os verdadeiros paus-nos-cus da história e, quanto a isso,
nem há o que se questionar — isso vindo de alguém que mora em São Paulo, o segundo maior antro de paus-nos-cus do Brasil. O primeiro, fica a cargo de vocês debaterem!
A história é um remendo de vários momentos da vida de
Marcelo — que na verdade se chama Armando — desde o momento em que ele
confronta o rico empresário de São Paulo por seus ideais até a sua vida com o
filho pequeno em Pernambuco.
Em meio a seu retorno a Recife, somos apresentados à
carismática Dona Sebastiana (Tânia Maria) que não só abriga os chamados
refugiados em sua pensão, mas que também tem a sua própria história pregressa
de combate às injustiças praticadas por militares — e não só os do Brasil!
![]() |
| Dona Sebastiana (Tânia Maria) |
Por não conter uma linha cronológica muito coesa a película pode não ser muito palatável ao grande público que, atualmente, só se interessa por histórias mastigadinhas e bem explicadas. Porém, ele é bem menos pesado do que Ainda Estou Aqui — que lida com a história real do país de um modo mais dramático — e está na forma abrupta como a história termina o grande diferencial do longa-metragem.
O Agente Secreto é o melhor filme nacional do ano em uma
temporada recheada de bons lançamentos brasileiros, e é claro que a torcida já está posta para
que a produção consiga o mesmo sucesso internacional que Ainda Estou Aqui.
BRASIL-IL-IL-IL-IL!
Mas a pergunta que não quer calar é: Raparigou ou não raparigou?
3 - Uma Batalha após a outra
Dirigido por Paul Thomas Anderson (do excelente “Magnólia”),
“Uma Batalha após a outra” não pode ser considerado um dos grandes sucessos do
ano — tendo custado US$ 130 milhões, o filme só arrecadou US$ 205 milhões —, já que
fracassou amargamente nas bilheterias.
Para um filme de tanta qualidade, é mesmo engraçado perceber
o quão pouco foi gasto com o marketing dele. Eu mesmo só ouvi falar do longa por causa de um pôster que vi num canto do cinema, mas devo confessar que a arte em si não me chamou nenhuma
atenção. O nome “Leonardo DiCaprio” era a única coisa realmente atrativa na peça publicitária, e tendo em vista que de uns tempos para cá o ator não se presta a qualquer papel no cinema, eu achei que valia a pena dar uma chance para a película.
![]() |
| Leonardo DiCaprio e Paul Thomas Anderson |
Outra coisa que me surpreendeu enquanto eu o assistia — e eu cheguei completamente despreparado sem nem ter visto o trailer — foi descobrir que se tratava de uma comédia. E das boas!
Com um elenco muito afiado ao seu redor, Leonardo DiCaprio
brilha novamente com o que sabe fazer de melhor: gritar, xingar, falar palavrão
e ter reações explosivas.
Esse é exatamente o mesmo papel que ele tem feito há muito
tempo — desde que se livrou do estigma de rostinho bonito de Hollywood —, e que
ele só se desprendeu em “O Regresso” (2015), curiosamente, o filme que finalmente lhe conferiu o Oscar
de Melhor Ator.
E, veja bem. Isso não é uma crítica.
É exatamente esse seu jeito histriônico que nos faz
gostar da sua atuação. Ele é muito emotivo e transparece facilmente tudo que o
seu personagem está sentindo sem precisar de legenda. É tudo sempre às claras e
extremamente nítido.
Aqui, o nosso querido Leo interpreta um ex-revolucionário chamado
Bob Ferguson, que após anos se escondendo do seu passado, é obrigado a sair da
aposentadoria para resgatar a sua filha, Willa, vivida pela talentosíssima
Chase Infiniti.
![]() |
| Sean Penn e Chase Infiniti |
Além de DiCaprio, quem também está voando em seu papel de
militar fodão é o veterano Sean Penn, cujo personagem está caçando pessoalmente Bob e a sua
filha. No papel do amigo revolucionário de Bob entra Benicio del Toro que sem se
esforçar muito, consegue arrancar algumas risadas da plateia em suas aparições pontuais.
E temos também a Regina Hall (a Brenda de “Todo Mundo em Pânico”) num raro
papel sério da sua longa carreira como comediante.
Uma Batalha após a outra está cotado para alguns dos principais prêmios do
próximo Oscar e vai botar Leonardo DiCaprio contra o nosso Wagner Moura se tudo
der certo — ou errado, sei lá — na categoria de Melhor Ator!
O filme já está disponível na HBO Max desde dezembro.
4 – Frankenstein
Eu nunca li a obra clássica de Mary Shelly e, portanto, não
tenho a envergadura moral para comparar a história adaptada por Guillermo del
Toro com o livro.
Mesmo assim, posso falar pelo que eu vi na tela e de toda a
imersão que a produção me proporcionou.
Achei o visual do filme um DESBUNDE inacreditável quase tão
grande quanto todas as demais películas de del Toro. Ouvi muitos comentários
sobre esse ter sido o filme mais “contido” do diretor em relação à sua
filmografia — onde ele menos pirou na criatividade —, e que ele se equivocou em tornar o monstro e o próprio doutor
Frankenstein em seres sem qualquer ambiguidade, com a aura puramente maniqueísta.
![]() |
| Guillermo del Toro e Oscar Issac |
Ao meu ver, apesar dessas críticas — que são válidas,
obviamente — eu gostei muito da teatralidade da obra como um todo. Encarei a verdadeira maratona que é o
filme (são duas horas e meia) com a mente aberta e me senti surpreendido pelo
esmero de toda a ambientação de época bem como os cenários e figurinos.
Del Toro já sabe o caminho do Oscar — ele ganhou dois por "A Forma da Água" (Melhor Diretor e Melhor Filme em 2018) e um por "Pinóquio" (Melhor Animação em 2023) — e enquanto assistia
Frankenstein, tive a impressão nítida que ele estava desenvolvendo algo especificamente
para abocanhar uma porção de prêmios técnicos, e não só porque ele é apaixonado
pela obra de Mary Shelly, mas também porque quis fazer a adaptação mais fiel do livro da
escritora britânica até aqui.
Não tenho dúvidas que o filme será premiado por conta da sua tecnicidade visual, mas outro ponto a se destacar é a atuação fenomenal de Oscar Isaac como o amargurado Doutor Frankenstein. Atuação, inclusive, que o colocará em “rota de colisão” com Leonardo DiCaprio e Wagner Moura em busca de ser o Melhor Ator do ano.
Será que o nosso Cavaleiro da Lua tem chance?
5 - A Hora do Mal
Dirigido, escrito e produzido por Zach Cregger (de “Noites
Brutais”), “Weapons” ou “A Hora do Mal” foi para mim o melhor filme de terror
do ano.
Com uma história inovadora recheada de toques de humor, o
filme produzido pela Warner ganhou a sua audiência logo no trailer, fazendo todo
mundo se perguntar, afinal, “o que diabos aconteceu na noite em que todas aquelas
crianças saíram correndo ao mesmo tempo de casa?”
No enredo, o vilarejo de Maybrook se vê em polvorosa quando
17 crianças de uma turma da terceira série correm repentinamente de suas casas
às 2h17 da manhã e desaparecem. Apenas um aluno, Alex Lilly, permanece, o que
faz com que o mistério aumente em torno do ocorrido.
A professora, Justine Gandy (Julia Garner, a Surfista Prateada
de “Quarteto Fantástico”) se torna a principal suspeita do desaparecimento de
seus alunos e, por conta disso, o diretor Marcus Miller (Benedict Wong, o Wong
de “Doutor Estranho”) a coloca de licença como um meio de diminuir os ataques
que ela começa a sofrer pela comunidade.
Ostracizada, Justine tem uma recaída no alcoolismo e inicia
um caso com seu ex-namorado, o policial Paul Morgan (Alden Ehrenrich) enquanto
tenta descobrir por si mesma o paradeiro de seus pimpolhos.
O que se segue é exatamente o que faz de “Weapons” a grande
surpresa do terror em 2025. Se você ainda não viu, veja agora! O filme já está
disponível na HBO Max.
6 - Faça ela voltar
Se “Weapons” foi o filme mais criativo do gênero de Terror
do ano, eu elenco “Faça ela Voltar” (“Bring Her Back”) facilmente como o filme mais
DESGRAÇADO do ano.
Sério.
Eu tenho dúvidas se vou querer rever esse filme algum
dia tal foi o nível de tortura mental a que ele me conduziu.
Dirigido pelos irmãos Danny e Michael Philippou (que já tinham feito algum barulho com "Fale Comigo" de 2022) e produzido pela sempre presente A24 (que já desgraçou a nossa cabeça com “Hereditário” e “Midsommar”), o filme fala sobre um casal de irmãos Andy (Billy Barratt), de 17 anos, e sua meia-irmã Piper (Sora Wong) — que possui visão parcial — que são enviados para morar com Laura (Sally Hawkins) após uma tragédia ocorrida na vida dos dois.
![]() |
| Billy Barratt, Sora Wong e Sally Hawkins |
A mulher, uma excêntrica ex-conselheira, também
acolhe um menino mudo chamado Oliver (Jonah Wren Phillips), além de viver à sombra de uma tragédia
que a marcou profundamente: a morte por afogamento da sua filha Cathy (Mischa Heywood), que
também era cega.
Tudo que envolve Laura e seu estranho acolhido, Oliver,
transforma completamente a vida dos irmãos órfãos, os conduzindo por uma espiral
descendente de acontecimentos que faz com que os espectadores sejam tragados
junto dos dois até as profundezas do inferno... quase que literalmente!
Sem zoeira. Se você assistir à cena do garfo e não tiver qualquer
reação de angústia, você é um psicopata!
“Bring Her Back” também está disponível na HBO Max.
7 – Superman
James Gunn tinha a missão de dar o pontapé inicial no novo
DCU recriando para os cinemas — outra vez! — o maior herói dos quadrinhos. Diferente
do que aconteceu na época do “Snyderverso”, por exemplo, o público atual já
andava saturado de filmes de bonecos há algum tempo. Pelo menos, desde que a
Marvel encerrou a Saga do Infinito nos cinemas e começou a dar um tiro n’água
atrás de outro com produções beirando ao amadorismo — tipo, “Thor: Love & Thunder" do superestimado Taika Waititi.
Como então fazer com que as pessoas voltem a se importar com
super-heróis e, mais ainda, se importem com um Superman de verdade, um escoteiro visto como mais antiquado por não apelar para a violência descomedida e que tenha apreço aos valores humanos?
James Gunn estava com a faca no pescoço antes do filme estrear, isso temos que
admitir. Além de garantir um novo universo para os personagens da DC no
audiovisual, ele precisava causar interesse no público a um personagem que,
aparentemente, não tem mais nenhum atrativo atualmente além de se tornar sempre “o cara mal que vai ser combatido pelo Batman e levar umas porradas”.
E Gunn conseguiu. Com algumas ressalvas, é claro.
Tendo custado US$ 225 milhões aos combalidos cofres da Warner, “Superman”
rendeu US$ 616,8 milhões de dólares, o que o colocou como um dos raros casos de
sucesso de filmes de super-heróis no ano.
A termos de comparação simples, o filme do Azulão ficou em
nono lugar das produções mais rentáveis de 2025 (atrás de F1 – O Filme, estrelado por Brad Pitt e na
frente do último capítulo de Missão Impossível – Acerto Final, do Tom Cruise), e nenhum filme
da Marvel sequer apareceu no ranking dos dez mais.
Perto de “Aquaman” que garantiu mais de 1 bilhão à Warner em
2018, US$ 616 milhões realmente não parecem grande coisa, mas são sim se levarmos em conta
que a era do streaming tirou bastante o público dos cinemas, a ponto de esse mesmo
público que curtia uma salinha escura não estar se renovando.
É absurdo pensar que um personagem meia-boca como o Aquaman
tenha o filme de maior sucesso da DC até aqui, e que “Superman” não tenha conseguido superar nem mesmo os filmes do “Coringa” (US$ 1 bilhão), da “Mulher Maravilha”
(US$ 821 milhões) e o mais ou menos “The Batman” (US$ 770 milhões) em
bilheteria.
Em se tratando de James Gunn, o seu primeiro longa-metragem
para a concorrente, não superou NENHUM dos filmes que dirigiu para a Marvel.
Lembrando que o primeiro Guardiões da Galáxia (2014) alcançou US$ 773 milhões de renda
no auge do MCU, mesmo apresentando personagens que o público “civil” nunca nem
sequer tinha ouvido falar.
A sequência, garantiu US$ 863,7 milhões aos cofres da Disney
e o último filme da trilogia, lançado em 2023 — após a demissão de Gunn da
Marvel e toda a polêmica envolvendo os tweets antigos do diretor — ficou
levemente abaixo da arrecadação do segundo filme (US$ 845 milhões), mas ainda
assim sendo considerado um sucesso de público — e, para muitos, a última coisa
boa que o MCU lançou.
Aiiin, Rodman, esse Superman com a cueca em cima da calça é
um fracasso. Ele só apanha o filme todo e não mata ninguém. Prefiro o lindo,
tesão, bonito e gostosão do Henry Cavill dirigido pelo visionário Zack Snyder!
A minha opinião é de que o mundo precisa dos valores que só
um personagem bondoso como o Superman pode representar seja nas telonas ou na TV e, embora o filme não
tenha sido um sucesso retumbante como deveria ser, ainda espero que ele sirva
para manter acesa a chama do novo DCU — longe da tristeza e depressão zacksnyderiana —, mesmo após a compra da Warner pela Netflix.
As novas adições a esse universo como o Guy Gardner (Nathan
Fillion), a Mulher-Gavião (Isabela Merced) e o Senhor Incrível (Edi Gathegi) foram muito bem-recepcionadas pelo público e provaram também que a plateia não está de saco cheio de
super-heróis. A gente só não quer ver os nossos personagens preferidos
roteirizados pelo ChatGPT ou enfiados em histórias insossas permeadas por CGI
ruim sem alma nenhuma.
O James Gunn botou a mão na massa e provou que ainda dá pra tirar leite dessa pedra chamada "filmes de bonecos".
Eu vi “Superman” nos cinemas, mas o filme já está disponível
na HBO Max.
8 - A Longa Marcha: Caminhe ou Morra
O livro que deu origem ao filme, “A Longa Marcha” (“The Long
Walk”) é uma das obras mais viscerais e perturbadoras de Stephen King. Situado
em um futuro distópico nos Estados Unidos, a história explora os limites da
resistência humana e a crueldade de uma sociedade sedenta por entretenimento
mórbido — qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência!
No enredo, todos os anos, cem adolescentes do sexo masculino
são selecionados para participar de um evento nacional conhecido como “A Grande
Marcha”. O objetivo parece simples: caminhar. Não há linha de chegada, não há
pausas para descanso e não há limite de tempo. O vencedor é o último jovem que
permanecer de pé.
![]() |
| Francis Lawrence, David Jonsson e Mark Hamill |
O filme dirigido por Francis Lawrence (da saga
cinematográfica “Jogos Vorazes”) adapta com maestria o texto de King e
coloca o espectador na ponta da cadeira aguardando qual vai ser a próxima morte
cruel que vamos ser obrigados a assistir em seguida.
Nos papeis principais estão Cooper Hoffman (Raymond) e David
Jonsson (Peter) que são os dois competidores que acabam formando uma aliança
enquanto avançam os quilômetros adentro da Costa Leste dos Estragos Fudidos.
![]() |
| Cooper Hoffman e David Jonsson |
No papel do grande antagonista está o veterano Mark Hamill,
que vive o Major, o militar sádico que se diverte eliminando os concorrentes
que não cumprem as regras estabelecidas ou que ficam para trás.
O filme é um angustiante thriller de suspense que nos faz
pensar sobre o que, afinal, realmente importa: o prêmio milionário em dinheiro, a
vingança ou a amizade.
“The Long Walk” está disponível para aluguel através da Prime
Video... ou no seu serviço de streaming pirata mais próximo.
9 - Como Treinar o seu Dragão
Eu nunca "tankei" a ideia de se filmar
live-actions de animações clássicas como Branca de Neve ou Cinderela, por exemplo,
mas eu entendo que haja um público novo a ser conquistado para essas obras,
além de uma revitalização que, às vezes, é preciso ocorrer em temas polêmicos
que os originais trazem e que hoje em dia não fazem mais sentido — como o beijo
do príncipe numa Branca de Neve desacordada!
No caso de animações recentes como “Moana” (que é de 2016!)
e “Como Treinar o Seu Dragão” (o primeiro filme é de 2010), no entanto, acho difícil
acreditar que as obras originais tenham envelhecido ou que precisem ser
repaginadas de alguma forma — até porque não precisam —, e tudo me leva a crer
que produções em live-action como essas servem apenas para alimentar a ganância dos estúdios que detêm
os seus direitos, além da óbvia falta de criatividade atual para se desenvolver
boas histórias novas.
Dito isso, a adaptação da animação “Como Treinar o Seu
Dragão” — que eu amo e que eu considero a MELHOR animação de todos os tempos da
DreamWorks — é surpreendentemente boa e me arrancou lágrimas sinceras, exatamente
como o material original.
Não é de se admirar, no entanto, a similaridade dos dois
projetos e o esmero da adaptação, já que ambos foram dirigidos pela mesma
pessoa: Dean DeBlois.
![]() |
| O diretor Dean DeBlois |
Eu não me lembro de nenhum caso de adaptação em dois
formatos diferentes dirigidos pelo mesmo profissional, mas aqui fica bem óbvio
a razão de Como Treinar o Seu Dragão, o live-action, ter sido feito com
tanto carinho, já que não saiu das mãos do seu desenvolvedor principal.
E, nesse caso, a adaptação é tão fiel à animação que quase não vemos diferença entre as duas. Aliás, a história é (re)contada de uma forma tão respeitosa que, no final das contas, isso nem importa.
Nós estamos de volta à Ilha de Berk,
estamos enxergando o Soluço de uma outra forma e nos apaixonando mais uma vez
pelo Banguela, o dragão Fúria da Noite que faz com que a mentalidade dos
vikings liderados por Stoico seja alterada e eles deixem de ser matadores de
dragões.
A meu ver, não tem ponto fraco no filme. As atuações dos
jovens atores que interpretam o Soluço (Mason Thames de "O Telefone Preto"), a Astrid (Nico Parker de "The Last Of Us"), o Perna-de-Peixe (Julian Dennison de "Deadpool 2"), o Melequento (Gabriel Howell) e os gêmeos Cabeçaquente (Blonwyn James) e Cabeçadura (Harry Trevaldwyn) estão muito acima da média — fazendo
lembrar em quase tudo os personagens do desenho —, além de que Gerard Butler
ficou sensacional também como o Stoico da vida real, já que ele é um dos únicos
remanescentes do elenco de vozes da animação.
![]() |
| Nico Parker (Astrid) e Mason Thames (Soluço) |
No começo, eu estava me perguntando qual a razão de terem
feito um live-action para uma animação tão recente e tão querida… no final, eu
já estava me perguntando quando é que vão adaptar também o Como Treinar o seu Dragão
2???
How To Train Your Dragon foi muito bem nas bilheterias,
tendo arrecadado US$ 636 milhões — acima de “Superman” — e está disponível no
catálogo da Amazon Prime.
OBS.: Eu não quis enfatizar essa "cuestão" no texto, mas é claro que rolou um protesto de um bando de mocorongo alegando que "teve a infância estragada" pelo fato da Astrid não ser interpretada por uma loira escandinava como ela é na animação. Como foi discutido aqui, faz diferença a personagem ser branca ou negra, já que Berk NÃO EXISTE na vida real e muito menos os dragões que a civilização de lá treina?
Está ficando cada vez mais insuportável esse povo chamando tudo de "woke" só porque as produções estão dando mais voz — e cara — a outros tipos de características que não só as de brancos heteronormativos. Vão lavar uma louça!
10 - Guerreiras do K-Pop
Como aguçar ainda mais os ânimos das fãs de k-drama e k-pop criando
um sucesso instantâneo de público e crítica?
Simples. Transformando um grupo de idols baseado em Blackpink e TWICE em super-heroínas matadoras
de demônios, é óbvio!
Muito temos a discutir sobre a qualidade do que a Netflix
tem entregado aos seus assinantes ultimamente, mas uma coisa devemos admitir:
Guerreiras do K-Pop foi uma das melhores sacadas da locadora vermelha dos últimos
anos.
Em 2025 eu acabei me rendendo ao mundo dos ídolos coreanos e parei para ver algumas das “novelinhas” que tanto têm empolgado a mulherada ao redor do mundo. É claro que os romances muito açucarados em que o casal protagonista demora vinte episódios para pegar um na mão do outro não fazem muito a minha cabeça, mas arrisquei começar por séries envolvendo mais ação antes de experimentar drogas mais pesadas.
Recomendo, inclusive, da própria Netflix, a
série “My Name” que tem tudo que um bom apreciador de porrada, tiro e facada
pode desejar — e que ainda tem de fundo uma história de romance que, infelizmente,
acaba em tragédia.
Mas falando especificamente de “K-Pop Demon Hunters”, o que
mais me chamou a atenção não foi só a trilha sonora que eu não
parei de ouvir por um longo período de 2025, mas especialmente o estilo da
animação que bebe muito de estúdios como a Pixar — a velha Pixar, não a atual —, por exemplo, mas com uma
característica mais própria e com aquele “quêzinho” de cultura oriental que
tanto estamos acostumados a ver nos animes.
Para quem viu alguma semelhança ao estilo usado em “Homem-Aranha
no Aranhaverso”, misturando o cartoon exagerado com técnicas de pintura 2D,
é porque os dois filmes foram produzidos pelo mesmo estúdio, a Sony Pictures
Animation, o que deve garantir alguns prêmios de qualidade em 2026 para o fenômeno coreano.
![]() |
| Chris Appelhans e Maggie Kang |
A direção ficou por conta de Maggie Kang (que trabalhou para
a DreamWorks no desenvolvimento de storyboards para filmes como "Madagascar 2" e "A Origem
dos Guardiões") e Chris Appelhans (que começou como artista conceitual e
trabalhou na animação “A Casa Monstro” de 2006).
Toda a estrutura do roteiro de K-Pop Demon Hunters foi,
inclusive, desenvolvida em cima de uma ideia original de Maggie Kang que já
tinha planos de usar artistas musicais coreanas como protagonistas de uma
história fantástica.
Para quem não sabe ou chegou agora do passado a bordo de um DeLorean,
a animação conta a história de um trio de idols, Rumi, Mira e Zoey, membros do
HUNTR/X, cujas vozes poderosas conquistam uma legião de fãs enquanto fortalecem
o Honmon, uma barreira de proteção contra seres sobrenaturais.
![]() |
| Zoey, Rumi e Mira |
(A cena de apresentação delas dentro do avião combatendo
demônios, aliás, é de tirar o fôlego).
Apesar de fazer parecer que a sua missão é simples — cantar
e bater em demônios! —, no entanto, o trio é desestabilizado com a chegada dos
Saja Boys, um grupo maligno de k-pop que deseja estabelecer na Terra o domínio
de Gwi-ma, deus dos demônios, colocando a humanidade em perigo.
![]() |
| Saja Boys |
É a partir daí que todos os problemas das Huntrix começam,
ainda mais depois da revelação de que a líder delas, Rumi, não é bem quem
parece ser, e que ela acaba se apaixonando por um dos Saja Boys, com quem sente
uma ligação imediata.
O grande diferencial dessa animação é que os produtores trouxeram
não apenas dubladoras para representar as idols, mas também cantoras profissionais
que gravaram as músicas que lideraram as execuções mundiais do Spotify por um longo período.
Arden Cho dá voz à Rumi enquanto Ejae interpreta as canções
das Huntrix. A personagem Mira (a mais alta delas), é dublada por May Hong,
enquanto a sua voz cantada é interpretada por Audrey Nuna. Já a Zoey é dublada
por Ji-young Yoo e é interpretada pela voz cantada de Rei Ami.
![]() |
| Ejae, Audrey Nuna e Rei Ami |
Para quem não viu, as três artistas se apresentaram ao vivo
no programa do Jimmy Fallon interpretando “Golden” o maior sucesso da trilha
sonora das Guerreiras do K-Pop.
Tá, Rodman, mas o que esse filme de menininha tem de tão
empolgante assim?
Todo o conjunto do que acabei de descrever aqui, jovem padawan.
Pela qualidade da animação, os combates e o humor asiático da produção acredito
que Guerreiras do K-Pop não é só voltado para o público já acostumado a
consumir produtos da cultura coreana — ou "menininhas" —, mas também para quem nunca viu nada desse
“universo” e está querendo se inteirar.
Eu sou um grande exemplo disso.
KPop Demon Hunters recebeu vários prêmios, indicações e
elogios. Foi indicado a Melhor Filme de Animação no 83º Globo de Ouro e no 31º
Critics Choice Awards, além de ter sido destaque na Time como a Revelação do
Ano de 2025. A trilha sonora do filme recebeu cinco indicações ao Grammy Awards.
A canção “Golden” foi indicada a Melhor Canção Original no Globo de Ouro e no
Critics Choice Awards, foi pré-selecionada para a mesma categoria no Oscar e
ganhou o prêmio de Melhor Trilha Sonora Original no Melon Music Awards de 2025
e no MAMA Awards de 2025.
Depois de estrear na Netflix, o filme ainda teve uma
passagem curta (e explosiva) pelos cinemas onde, inclusive, as salas de exibição incorporaram uma versão onde a plateia podia cantar junto com as Huntrix. É
sucesso ou não é?
NAMASTÊ!









































Nenhum comentário:
Postar um comentário