31 de dezembro de 2019

Top 10 – Outros filmes de 2019



2019 foi um ano muito bem servido de lançamentos cinematográficos, e como tirei uma espécie de “ano sabático” para recarregar as baterias e recuperar um pouco da sanidade mental, foi possível ver muitos desses filmes no cinema. Tirei da lista aqueles que já ganharam posts próprios ou que já foram comentados no Blog anteriormente, por isso, esse Top 10 tem a tarefa de fazer um resumão sobre o que esse não tão nobre escritor achou das estreias desse ano que já está indo para vala! Sigam-me os bons!

Obs.: A ordem do TOP 10 NADA tem a ver com preferência pessoal (qual é melhor ou pior) e segue as datas de lançamento no Brasil.

COMO TREINAR O SEU DRAGÃO 3


Eu sou incrivelmente apaixonado pelas animações da PIXAR e consumo muito do que o estúdio de animações (hoje da Disney) lança, mas é muito importante mencionar que nesse mercado tão competitivo a Dreamworks faz frente à PIXAR de forma muito competente. Hoje a qualidade técnica do estúdio fundado em 1994 por Steven Spielberg é de dar inveja a qualquer outro estúdio, e isso fica muito nítido em TODA a trilogia de Como Treinar o seu Dragão. Claro que para falar de Soluço, Banguela e companhia não dá só pra citar a parte técnica da animação, que sim, é FANTÁSTICA, mas também é preciso falar de quão bem feito são os personagens e como é emocionante acompanhar a saga desse povo viking que DESISTE de caçar dragões e se alia a eles quando percebe o quão amáveis os bichos que cospem fogo podem ser.

O terceiro filme pega firme em nosso emocional e não larga mais até o fim, evoluindo a história de Soluço (agora como o Rei da bagaça, no lugar de seu pai), fazendo-o casar com Astrid e dando uma parceira para o Banguela, que achava que era o último dragão Fúria da Noite da Terra.

Ver as peripécias do simpático dragãozinho para conquistar o coração da fúria da noite branca é um dos melhores momentos do filme, só superado pela sequência que separa a antes inseparável dupla formada por Soluço e Banguela, cada um seguindo seu caminho natural. Chorei e não foi pouco no desfecho desse filme, quando os dois se reencontram depois de anos, agora cada qual com sua família já formada. Como Treinar o seu Dragão 3 é filme pra ver com toda a família reunida na sala e guardar de recordação como um dos mais tocantes finais de saga que já vi em uma animação. Lindo demais.

O filme faturou US$ 520 milhões mundialmente e merece a indicação ao Oscar 2020, já que Como Treinar o seu Dragão 2 perdeu INJUSTAMENTE o troféu de Melhor Animação em 2015 para o insosso Big Hero 6 da Pixar.

JOHN WICK 3 – PARABElLUM


Quando surgiu na Netflix (confesso que nem sei se foi lançado no cinema) De volta ao Jogo (2014) tinha a maior cara daqueles filmes B que são lançados só para “Home Vídeo”, mas lembro que depois de assistir, eu estava catando partes do meu cérebro no teto. Fazia muito tempo que eu não via um filme de ação tão visceral e com cenas de tiroteio e pancadaria tão francas e realistas, o que automaticamente me fez fã da franquia. À princípio, claro, eu nem imaginava que John Wick seria uma franquia. Para mim o filme era redondinho e acabava por ali. Um cara de passado misterioso é atacado dentro de casa, tem o cãozinho que a esposa lhe deu, como um último presente antes de falecer por doença, morto na sua frente e os bandidos além de lhe aplicarem uma surra, ainda queimam sua casa e roubam seu carro. Carro aliás, que é o motivo de toda essa sacanagem. Após esse ato covarde, o sujeito quer vingança e revive seus melhores momentos de assassino de aluguel, caçando um a um os responsáveis pelo que lhe aconteceu.

Dito assim parece um filme raso qualquer do Liam Neeson, mas a grande vantagem de John Wick é a precisão com que as cenas de ação são construídas, colocando o espectador para acompanhar tudo de perto e vendo cada tiro sendo dado na cara dos inimigos. Em tempos de “bandido bom é bandido morto” é até estranho dizer isso, mas É MUITO BOM!

O primeiro filme teve direção de Chad Stahelski e supervisão direta de David Leitch nas coreografias de luta. Como fez um relativo sucesso (US$ 86 milhões) e graças ao carisma de seu protagonista Keanu Reeves, logo John Wick 2 chegou aos cinemas, mostrando uma história que dava margem para uma continuação. John Wick 3 – Parabellum, lançado em 2019, é continuação direta do segundo filme (inclusive a cena inicial complementa a última do John Wick 2) e coloca toda a confraternização de assassinos de aluguel contra Wick, que está com a cabeça à prêmio.

A história soa tão exagerada desde o início, que em poucos minutos de projeção já começamos a duvidar que John conseguirá se safar, já que aparentemente toda a cidade faz parte da organização secreta para a qual ele trabalhava antes de se aposentar. 

Sério! Começa a sair caçador de recompensa até do esgoto para matar John e qualquer pessoa andando na rua passa a ser uma ameaça. Desarmado e arrebentado com os tiros, quedas e atropelamentos que sofreu no filme anterior, o cara faz de tudo para escapar e põe à prova toda sua fama de Baba Yaga (que no filme eles tratam como uma espécie de Bicho Papão, mas que nos contos eslavos faz referência a uma espécie de bruxa).

Sabe aqueles filmes que chega um momento que você está cansado de tanto ver cena de ação?

Esse é um retrato bom para Parabellum. Como é basicamente isso que faz sucesso na franquia, o diretor Stahelski eleva a décima potência esses elementos, colocando sequências de porradaria, perseguição de carro e tiroteio intermináveis no filme. Ainda é bom de ver? Sim, claro, mas como a história só se sustenta com isso, chegamos tão extenuados quanto Wick na última cena de ação em que ele luta com dois peritos em artes marciais em uma construção toda feita de vidro criada especialmente para o filme.

Em sua volta ao mundo de mercenário para tentar se redimir ante a organização onde foi criado, e onde fez sua fama de Baba Yaga, John tenta recorrer a alguns aliados, como a diretora da Máfia Russa vivida por Anjelica Huston, Sofia (Halle Berry) e o Rei dos Mendigos (Laurence Fishburne), que já tinha aparecido em John Wick 2. Para se salvar, Wick acaba tendo que enfrentar o Berrada (Jerome Flynn, o Bronn de Game of Thrones) e Zero (Mark Dacascos), como um ninja assassino da Alta Cúpula. A obsessão do personagem de Dacascos com John Wick chega a ser hilária, e apesar dele ser obrigado a matar o cara, é visível a imensa admiração que ele nutre por John. Há quanto tempo eu não via Mark Dacascos em um filme no cinema!

A recepção do público foi excelente ao terceiro filme, que teve como receita um total de US$ 326,7 milhões (quase o triplo de John Wick 2) e claro, uma QUARTA parte confirmada, a estrear em 2021 com outro sucesso também estrelado por Reeves: Matrix 4.

Parece que o desgaste das cenas de ação aconteceu somente na minha cabeça, não é mesmo?

John Wick tem tudo para virar uma nova franquia popular (e interminável) assim como Velozes e Furiosos e Missão Impossível. Keanu Reeves é um grande entusiasta do projeto e se dedica bastante ao papel, tanto que no primeiro filme, ele filmou 90% das cenas de pancadaria sem usar dublê. O resultado disso é a tal franqueza que elogiei no começo do post.

P.S. – Eu ia me amarrar num encontro do John Wick com a Atômica Blonde da Charlize Theron. Sei que algumas décadas separam os dois personagens, mas já imaginaram que louco seria colocarem um CONTRA o outro num filme de tiroteio e pancadaria sendo filmadas em plano sequência pelo David Leitch?  

ALADDIN


Confesso que nunca assisti o longa-metragem Aladdin da Disney de 1992, mas tinha alguma simpatia pelo desenho animado que passava no SBT. Tanto que foi lá que conheci os personagens que em 2019 vi trazidos para a vida real (ou quase isso) para o filme em live action dirigido por Guy Ritchie. Visualmente, a produção é um desbunde inacreditável tanto de cenários, indumentárias e maquiagem, mas deixa bastante a desejar em alguns aspectos como caracterização e interpretação. O tão comentado Gênio, interpretado agora por Will Smith, é bem ruim, em especial quando ele está em sua forma azul de CGI. Toda a fluidez e malícia que o personagem tinha na animação não conseguiu ser transposta para a tela nessa adaptação e o personagem parece sempre muito rígido e mal renderizado. Ao contrário de sua versão azul, Will Smith se sai muito bem quando está em cena só como ele mesmo, porém, o mesmo não pode ser dito de seus companheiros de elenco.

Tirando Naomi Scott que interpreta a princesa Jasmine, o restante do elenco é bem mais fraco. A gente não se importa muito com o Aladdin de Mena Massoud e MENOS AINDA com o Jafar de Marwan Kenzari que pouca imponência nos passa em cena. Para um vilão, ele é bem pouco assustador e o que ele não tem de carisma Massoud tem de canastrice. Claro que os números musicais do filme e as sacadas engraçaralhas acobertam muito bem esses defeitos de elenco, e o filme passa tão bem como um produto nostálgico quanto para um lançamento para as crianças atuais. Em suma, Aladdin 2019 faturou mais de 1 bilhão mundialmente, e figura como um dos grandes sucessos da Disney desse ano, junto com Vingadores Ultimato, O Rei Leão, Frozen 2 e Toy Story 4, todos tendo faturado mais de 1 bilhão em renda. Vocês acham que o Mickey está feliz nesse fim de ano ou não?



HOMENS DE PRETO – INTERNACIONAL


Eu não gosto muito da franquia MIB e tenho no máximo uma simpatia pelo primeiro filme de 1997 que já assisti algumas vezes. Fui ao cinema esperando que MIB – Homens de Preto Internacional fosse pelo menos divertido, já que trazia em seu elenco Chris Hemsworth e Tessa Thompson, dupla que já tirou muitos risos da plateia em Thor Ragnarok. Hemsworth em especial tem se mostrado um ator de comédia muito melhor do que de drama nos últimos anos, e além de Thor (que virou galhofa a partir de Ragnarok) o cara se deu muito bem como o “loiro burro” do elenco de As Caça-Fantasmas (2016).

Pois é, né.

Dirigido por F. Gary Gray, MIB – Internacional fica só na promessa de diversão e não consegue nos fazer esquecer do carisma de Will Smith como o agente J dos filmes anteriores. A ideia era expandir a agência de regulamentação alien para outros pontos do globo terrestre, algo como uma franquia, mas a história de invasão alienígena do filme é tão genérica que não consegue chamar a atenção. Juro que se eu tivesse em casa, e não tivesse pagado caro para estar ali no cinema, eu puxaria o celular no meio da sessão e entraria, sei lá, no Twitter, de tão desinteressante que é o enredo.

O pior é que tanto Hemworth quanto Thompson estão bem em cena. É a história que é fraca mesmo. A única cena que vale mesmo a pena é a da referência a Thor, quando o personagem de Hemsworth se vê desarmado e acha um martelo de construção no chão para arremessar contra o alienígena e claro... erra!

Fora isso, nota 5 e olhe lá.

O filme rendeu US$ 253 milhões mundialmente de um orçamento de US$ 94 milhões. Quase deu prejú!

TOY STORY 4


A trilogia Toy Story não precisava de uma continuação e o final de Toy Story 3, com o garoto Andy crescido passando para frente seus queridos brinquedos, encerrava de forma gloriosa uma das franquias mais amadas da Pixar. Eu perdi as contas de quantas vezes eu chorei assistindo esse filme, relembrando minha própria infância com meus brinquedos velhos.

Aí a Pixar teve a infeliz ideia de fazer uma quarta parte, prometendo que seria ainda mais emocionante.

Não foi.

Com todo o elenco de volta, o enredo agora fala da sazonalidade infantil da pequena Bonnie, com relação a seus brinquedos, se apegando muito a eles por um período e logo trocando-o por outro. O brinquedo da vez é o Garfinho, personagem que ela mesma cria em uma aula de artes na escola e com a qual se apega de forma apaixonante. Ao se aproximar dos outros brinquedos de Bonnie, o Garfinho “cria consciência”, mas se nega a aceitar que é um brinquedo, se vendo mais como um monte de... lixo. Nessa crise de consciência, Garfinho faz de tudo para voltar para a lixeira, onde acredita que pertence, e com essa ideia fixa acaba fazendo com que ele e o valente Xerife Woody se percam no meio do caminho, após um passeio de Bonnie com os pais. Nessa aventura longe de casa e dos demais amigos, Woody acaba reencontrando seu antigo amor Betty (a boneca pastora de porcelana) e junto dela ele começa a questionar a sua importância como brinquedo de uma só criança, querendo se tornar também um brinquedo de várias crianças.

Quer dizer... O Woody acabou mudando completamente o pensamento que tinha nos demais filmes em que ele sempre fez de tudo para voltar para o seu dono Andy, querendo agora se tornar um boneco de várias crianças e abandonando o amigo Buzz, assim como os demais brinquedos. Final bem melancólico para a série.

Eu chorei quando Woody prefere ficar com a Betty e os brinquedos “de rua”, se separando para sempre de Buzz e companhia? Pra caralho! Mas nada que se compare ao final de Toy Story 3. Taí um filme que não precisava existir. 
       
HOBBS AND SHAW


A treta entre The Rock e Vin Diesel nos bastidores de Velozes e Furiosos 8 acabou gerando essa cisma entre o elenco, o que resultou em anos mais tarde na criação de Hobbs & Shaw. Dirigido por David Leitch, o filme tenta elevar AINDA MAIS os absurdos da franquia Velozes e Furiosos e consegue!

Depois de deter um submarino russo (e apostar corrida com ele em Velozes e Furiosos 8!), é hora de Hobbs e Shaw voltarem a trabalhar juntos para deter uma nova organização que está usando tecnologia avançada para aprimoramento cibernético de seres humanos e a disseminação de um vírus mortal. Com ajuda da irmã de Shaw (a linda Vanessa Kirby), a dupla de brucutus investe pesado contra a organização, mas acaba batendo de frente com o autodenominado “Super-Homem Negro” vivido por Idris Elba, um ex-agente do serviço inglês que agora tem super-força e vigor acima da média devido experimentos feitos em seu corpo.

Tal qual a franquia Velozes e Furiosos, Hobbs e Shaw é repleto de cenas absurdas e pouco convincentes de ação, mas dessa vez nem o talento de David Leitch de dirigir ótimas cenas de pancadaria salva o filme. A química entre Dwayne Johnson e Jason Statham funciona muito bem, a inserção de Vanessa Kirby ao elenco também é muito acertada, mas o roteiro do filme é um “pau de dar em doido”. É uma loucura desenfreada que infelizmente não vale nem pelas cenas de ação. Como o cara chama bilheteria, é mais um filme para mostrar The Rock como o grande action hero da época, mas eu mesmo já estou bem farto de ver o samoano gigante interpretando todas as vezes o mesmo papel.

Outro ponto positivo ao elenco é a carismática Eliana Su’a que interpreta a filha de Luke Hobbs. A garota rouba a cena todas as vezes em que aparece contracenando com The Rock, e faz uma ótima ponte também entre o personagem dele e o de Ryan Reynolds, o contato da CIA que ajuda Hobbs com o caso do Black Superman. Além de Su’a e Reynolds (que faz praticamente um papel dele mesmo!) tem também a participação de Kevin Hart no filme.

O filme rendeu US$ 758 milhões e ficou bem abaixo de VF 8 que chegou a render mais de US$ 1 bilhão mundialmente, motivo mais do que claro para que o ator Tyrese Gibson (o Roman) viesse fazer chacota na internet e acusasse The Rock de “separar a família” Velozes e Furiosos.

IT – A  COISA – PARTE 2


Muitas pessoas dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar... E no caso de It, realmente não cai não!

O primeiro filme de 2017 foi um sucesso estrondoso e fez até mesmo quem não gostava muito de palhaço ou que não gostava de filme de terror ir para o cinema. Fiz a primeira crítica ao longa aqui, e sou um dos que adorou o filme. A química entre as crianças do elenco funciona muito bem e nos remete aquele clima “oitentista” de filmes de crianças como Goonies, Conta Comigo e ET, do qual a série Stranger Things também bebe muito.

A segunda parte do filme, tal qual no livro escrito por Stephen King, mostra os personagens Beverly (Jessica Chastain), Bill (James McVoy), Richie (Bill Hader), Eddie (James Ransome), Ben (Jay Ryan) e Stanley (Andy Bean) já adultos e longe da cidade de Derry. O único remanescente do Clube dos Otários é Mike (Isaiah Mustafa), que jamais saiu da cidade e que por isso, se lembra de todo o terror causado pelo palhaço Pennywise (Bill Skarsgard) 27 anos atrás. Quando outra onda de assassinatos e desaparecimentos começa a acontecer na cidade, Mike se vê na obrigação de convocar os amigos de volta a Derry, e é lá que todos eles (com exceção de Stanley que comete suicídio) revivem seus maiores traumas e medos de infância, enfrentando novamente a loucura representada por Pennywise.

Assim como a primeira parte, It – A Coisa Parte 2 tinha tudo para ser um excelente filme que fala de como o ser humano pode ser cruel e perverso e que Pennywise só traz à tona toda essa podridão humana. Mas não consegue. Com os personagens agora adultos, é hora de mostrar como a relação entre eles e a cidade decadente de Derry na infância os tornou pessoas inseguras e cheias de medo, mas o filme decide mesmo que quer chocar com cenas repletas de CGI e fazer de tudo para causar um jump scare atrás de outro na plateia. Temos ótimas nuances de como as escolhas feitas pelos personagens em sua vida adulta refletem muito bem os traumas que eles tinham quando crianças (Beverly se casa com um sujeito tão agressivo quanto seu pai), mas essas nuances se perdem em meio aos efeitos especiais exagerados.

O filme ainda vale, para quem gostou da primeira parte, ver como a evolução dos meninos aconteceu, e tem participação do elenco juvenil quase que o tempo todo, nos mostrando momentos que não foram mostrados no filme anterior. Arrastado e looooongo, o filme tem uma conclusão razoavelmente melhor que o livro, mas não faz muito jus ao primeiro It.

CORINGA


Falando em palhaço...

O filme dirigido por Todd Phillips chegou com os dois pés na porta de 2019 e arrastou uma multidão para o cinema. Com mais de um US$ 1 bilhão em bilheteria, Coringa foi um sucesso tanto de crítica quanto de público e tornou ainda mais popular a história do grande adversário do Batman.

Aliás, Batman, Gotham e tudo que costuma acompanhar o Palhaço do Crime se torna apenas elemento de pano de fundo enquanto mergulhamos fundo na psique abalada do homem conhecido como Arthur Fleck. Diferente do que se temia antes do lançamento do longa nos cinemas, a loucura de Fleck fica clara desde o início da história, e não o vitimiza em nenhum momento. Quem decide torcer por ele ao longo do filme o faz por pura falta de caráter, já que Todd Phillips não tenta manipular ninguém em nenhum momento com sua direção. Como já se previa, é dito sim que as circunstâncias de sua vida o levam à loucura, e o ambiente doentio de uma Gotham falida potencializam essa loucura, mas ele não é um homem são que é corrompido. Ele já é maluco desde o início.

Joaquim Phoenix está excelente em cena. Entrega um Coringa como poucas vezes vimos na telona e é bem certo que ele vai papar algumas estatuetas, seja de Globo de Ouro ou do Oscar. No Globo de Ouro, tanto o filme quanto Phoenix estão indicados aos prêmios de Melhor Filme de Drama, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Diretor (para Todd Phillips) e Melhor Ator de Drama (Phoenix).

Se o filme peca em alguns momentos é por querer dar foco demais para a (inventada) relação entre Fleck e Thomas Wayne e para a família Wayne em si, relembrando até mesmo o já surrado momento em que os pais do jovem Bruce são assassinados. É filme autoral? Quer se afastar o máximo possível do Universo DC pra não ser filme de heroizinho? Então esquece essa porra de Batman! Se eu fosse o Phillips eu ainda daria um tiro na cara do Bruce Wayne no beco para afastar o filme ainda mais do DCU. Wayne bom é Wayne morto.

EXTERMINADOR DO FUTURO – DESTINO SOMBRIO


A Paramount passou anos tentando revitalizar a franquia o Exterminador do Futuro depois do terceiro filme (2003), e após inúmeras tentativas frustradas (incluindo aí uma série de TV) James Cameron decidiu voltar ao mundo dos androides futuristas, agora como produtor, para tornar a franquia relevante novamente. E nem ele salvou o velho T-800.

A ideia de Cameron era ignorar completamente tudo que tinha acontecido depois de Terminator 2 (último filme que dirigiu) e recomeçar a porra toda, dando novos destinos tanto para Sarah Connor, John Connor e até mesmo para o T-800. Até certo ponto a ideia funciona, mas aí a direção de Tim MillerMATA John Connor nos primeiros minutos do filme, mudando RADICALMENTE tudo que se conhecia dos filmes até então. Um T-800 vindo do futuro para (adivinha!) matar Connor encontra ele e sua mãe em uma praia caribenha e executa seu último comando, mesmo sem existir uma SKYNET no futuro a qual obedecer. Como tanto Sarah quanto John destruíram as possibilidades de existir uma Skynet no futuro em 1997 (em T2), a morte de John no presente não modifica muita coisa e a linha temporal segue naturalmente, até que outra empresa cria um outro supercomputador do mal no futuro (chamado agora de Legião) e outro “messias” precise ser criado para salvar a humanidade, agora na figura da mexicana Dani Ramos (Natalia Reyes).

Assim como em todo filme de Exterminador do Futuro, um androide de metal líquido (Gabriel Luna, o Motorista Fantasma de Agents of SHIELD) é enviado ao passado para assassinar Dani, enquanto outra humana aprimorada (Grace, vivida por Mackenzie Davis) é enviada para salvar Dani. No meio dessa quizomba entre robôs e pessoas aprimoradas, surge Sarah Connor (Linda Hamilton), que continua na ativa pronta para eliminar ameaças temporais que surgem pelo mundo, agora não mais para salvar o filho ou ela mesmo. Sarah é guiada por mensagens que recebe dizendo com precisão onde e quando as ameaças vão aparecer no presente, e ao longo do filme descobrimos que quem manda essas mensagens é o próprio T-800 (Arnold Schwarzenegger) que assassinou John em 1998, arrependido de seu último ato e agora vivendo pacificamente entre os humanos casado e com filho.

Não sei até que ponto Cameron aprovou esse roteiro maluco, mas as cenas de ação dirigidas por Miller são muito boas. Infelizmente estamos em uma época em que qualquer filme meia-boca de super-herói entrega a mesma coisa que vimos nesse filme e isso faz com que Terminator não tenha mais espaço no cinema atual. Até mesmo se considerarmos somente a franquia Terminator, tirando a morte de John Connor, Terminator 6 não traz nada de muito inovador, e a recepção do público só prova que a franquia desgastou a um ponto irreversível.

Terminator 6 (ou 3.1) rendeu apenas US$ 261 milhões de um orçamento de quase US$ 196 milhões.   

PS.: A cena inicial reconstruindo digitalmente Linda Hamilton, Edward Furlong e Arnold Schwarzenegger com suas aparências de 1992, ano em que Terminator 2 foi lançado, ficou excelente. Esses rejuvenescimentos digitais estão ficando cada vez mais populares no cinema e a qualidade técnica também está cada vez melhor. 
  
ZUMBILÂNDIA 2 - ATIRE DUAS VEZES


Eu adoro o primeiro Zumbilândia de 2010, e se eu fizesse uma lista de melhores comédias de todos os tempos, com certeza ele estaria nas primeiras posições. Novamente dirigido por Ruben Fleischer, Zumbilândia 2 – Atire Duas Vezes dá seguimento nas aventuras do grupo formado por Tallahassee (Woody Harrelson), Wichita (Emma Stone), Columbus (Jesse Eisenberg) e Little Rock (Abigail Breslin) atravessando um Estados Unidos tomado por uma praga zumbi. Já acostumados a sua rotina de matar zumbis, seguindo as regras de Columbus, os viajantes agora encontram novos sobreviventes pelo caminho, incluindo uma dupla que é uma espécie de cópia de Tallahasse e Columbus, vividos por Luke Wilson e Thomas Middleditch, um novo amor para Tallahasse vivido por Rosario Dawson e uma pretendente ao coração de Columbus, a engraçadíssima patricinha Madison (Zoey Deutch), que sobreviveu tanto tempo na praga zumbi por puro acaso.

O filme é tão hilário quanto o primeiro e é um daqueles casos de sequência que vale muito a pena ser feita. Todos no elenco estão tão afiados quanto na primeira parte, e é difícil não cair na gargalhada em alguns momentos.

TOP EXTRA 1 – FORD VS FERRARI


Dirigido por James Mangold (de Wolverine Imortal e Logan) o filme mostra a história real em que o dono da Ford na época da história (1966) se vê desafiado a criar um carro de corrida tão competitivo quanto o da Ferrari para o clássico circuito de Le Mans. Após comentários de que os carros que produz são feios e sem estilo pelo chefão da Ferrari Enzo, o herdeiro de Henry Ford forma uma equipe capaz de elevar o nome da montadora em disputas pelo mundo. 

Assim, Carroll Shelby (Matt Damon) fica encarregado de criar o melhor carro de corrida de todos os tempos, contando com a ajuda do colega piloto e mecânico Ken Miles (Christian Bale) e lutando para a equipe de marketing liderada por Lee Lacocca (Jon Bernthal) não estragar seus planos.

O filme é emoção pura e não tem como não mergulhar fundo na história desses dois caras vividos brilhantemente por Damon e Bale. Ford vs. Ferrari é um daqueles raros filmes que te ganham logo pelo cartaz de divulgação e eu tinha certeza que veria um enredo brilhante quando comprei o ingresso. Bale está incrível em cena e sua interpretação magistral como o piloto rabugento foi indicada ao Globo de Ouro 2020 como Melhor Ator de Drama (o que vai colocar Batman e Coringa um contra o outro novamente na disputa pela estátua!). O filme está na minha lista de melhores do ano com certeza!

TOP EXTRA 2 – BACURAU


“Quem nasce em Bacurau é o que?”

“Gente!”

A grande surpresa do cinema nacional de 2019 com certeza foi o premiado Bacurau, filme que venceu o prêmio do júri do Festival de Cannes e que é dirigido pela dupla Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. A história gira em torno de uma cidade fictícia do sertão do nordeste brasileiro que da noite para o dia desaparece dos mapas. Enquanto drones disfarçados de disco voador sobrevoam a cidade, alguns moradores começar a ser atacados misteriosamente, colocando em alerta os defensores do povoado que se juntam para deter uma invasão estrangeira que visa eliminá-los.    

O filme é uma porrada na cara de quem se acha superior a outras pessoas só por causa da cor da pele e da região do país onde mora, e funciona como uma crítica social excelente, além de apresentar cenas de ação e tiroteio muito bem filmadas e editadas. Por ser regional demais (apesar de mostrar americanos invasores) Bacurau não tinha muita chance de disputar o Oscar como filme estrangeiro, mas a história fala muito com quem sempre se viu como minoria seja lá onde mora, fazendo sua crítica valer além-filme, independente de prêmios que a produção ganhe. Num país onde atualmente se caga para cinema nacional e que tem um governo que segue firme na batalha contra a cultura, extinguindo até mesmo a Ancine, Bacurau é um exemplo perfeito de como ainda se pode contar ótimas histórias no cinema do Brasil. Quer o governo queira ou não!

Bacurau faturou 3,277 milhões em bilheteria.

NAMASTE!   

27 de dezembro de 2019

Star Wars – A Ascensão Skywalker



Assim como muita gente, eu me decepcionei pra cacete com Star Wars – Os Últimos Jedi (2017), filme que deu aquele declive íngreme numa trilogia que tinha começado espetacular com O Despertar da Força (2015). Muito criticado pelos rumos que tinha dado à história no filme que dirigiu, Rian Johnson saiu por diversas vezes em defesa de Os Últimos Jedi, explicando que a sua representação de Luke Skywalker (Mark Hamill) era a de um homem alquebrado e totalmente rendido a seus fracassos passados, mas que no final, encontra a sua redenção enfrentando seu maior erro ao mesmo tempo que ajuda a combalida Aliança Rebelde a sobreviver. 

O que muitos fãs não conseguiam engolir (eu me incluo nessa) é como Skywalker tinha cedido tão facilmente a seus fracassos, sendo que ele era o mesmo homem que tinha lutado até o fim para salvar o próprio pai do Lado Sombrio da Força, algo que, de certa maneira, ele conseguiu ao final de Star Wars – O Retorno de Jedi (1983). Como aquele mesmo Luke impulsivo e corajoso tinha se deixado vencer pelo medo e a desesperança ao notar o mal crescente dentro do sobrinho Ben Solo (Adam Driver) e DESISTIDO de se tornar um Mestre Jedi, bem como de sua própria fé na Força?


A resposta nos é dada nas próprias falas do personagem, quando ele se vê diante de seu etéreo Mestre Yoda (voz de Frank Oz), que uma vez mais o ensina o quanto o fracasso também pode servir como motivação para nossa vida, algo que Luke não tinha entendido até a partida de Rey (Daisy Ridley) do planeta onde ele tinha se isolado para morrer (tal qual o próprio Yoda em Dagoba, em O Império Contra-Ataca). Assim sendo, ver nosso grande herói se redimindo após desistir daquilo que o motivara por metade da vida não foi tão ruim assim, já que seu embate com o sobrinho ao final de The Last Jedi é um dos momentos mais épicos do filme, além de provar o quanto Luke dominava a Força, conseguindo se projetar astralmente a milhões de quilômetros de distância, como nunca antes tínhamos visto nenhum Jedi fazer. (Não que os Jedi representados nos cinemas sejam assim tão poderosos... Não parece tão difícil se destacar, vendo que muitos deles preferem cair na porrada com os inimigos do que usar a Força durante combates!)


Então você está dando o braço a torcer e admitindo que Os Últimos Jedi é bom, Rodman?  

Não, a meu ver o filme ainda é o pior da trilogia, mas revendo uma quarta vez, admito que não é nem de longe tão ruim quanto muita gente alardeia. O grande erro de Rian Johnson foi querer desfazer quase que totalmente o que J.J. Abrams tinha feito em O Despertar da Força, dando A SUA visão da saga galáctica. Não sei até que ponto a Disney e a Lucasfilm permitiram inserções em seu universo, mas há uma nítida impressão de que Johnson fez questão de repaginar o que J.J. tinha estabelecido, fugindo da obviedade e aplicando novidades. 


Como os fãs chiaram com as mudanças drásticas (seja na personalidade de Luke, no enfraquecimento de Snoke e no empobrecimento conceitual do personagem Finn que NÃO SERVIU PARA NADA em Os Últimos Jedi), coube a J.J. a tarefa de voltar tudo ao status quo habitual em A Ascensão Skywalker. Mas será que deu certo? 

A ASCENSÃO

Cara, saí do cinema muito conflitado com meus próprios sentimentos quanto ao fechamento da trilogia. Algumas partes me levaram às lágrimas, outras me deixaram bastante incomodado, e é sobre isso que quero falar em primeiro lugar.

Imperador Palpatine!

Páááa! Na cara! Logo no letreiro inicial após o logotipo “Star Wars”.


Mas de onde que tiraram essa ideia estapafúrdia de ressuscitar o velho Imperador depois de mais de 30 anos de sua derrota, jogado num foço sem fim por seu próprio aprendiz Darth Vader?

Hoje, apesar de não fazer mais parte do cânone de Star Wars, o universo expandido (como o assim já era chamado) com seus livros e quadrinhos já falava do ressurgimento de Palpatine através do processo de clonagem (embora isso não seja explicado no filme), e pelo que podemos ver em A Ascensão, J.J. Abrams (e seus colaboradores) beberam bastante dessa fonte “não canônica” na falta de um antagonista mais interessante para encerrar sua trilogia. Já tínhamos a dica de que ele estaria de volta ao ouvirmos sua risada maléfica no segundo trailer lançado do filme, mas ver o velho carcomido (vivido pelo excelente Ian McDiarmid) de volta dos mortos meio que criou aquela sensação de que nada é definitivo em Star Wars, assim como aprendemos à duras penas como leitores há anos de Marvel e DC nos quadrinhos. Em SW, assim como nos gibis, ao que se consta, nenhuma morte parece definitiva agora, já que tivemos um festival de fantasmas e zumbis desfilando pelo filme inteiro. Com um pouco mais de criatividade, era possível sim arranjar um antagonista para os mocinhos tão odioso quanto o Imperador, sem que ele precisasse sair de sua aposentadoria do além-túmulo, mas a forma preguiçosa como os roteiristas - entre eles Chris Terrio, um dos caras responsáveis pelo texto de Batman V Superman -  resolveram a questão da descendência da Rey, atrelando isso ao retorno do Imperador, meio que diminuiu bastante a força do filme. Por fim, o temível (pero no mucho) Supremo Líder Snoke (Andy Serkis) era aquilo mesmo que foi retratado em Os Últimos Jedi... Um capacho soberbo que não tinha a mínima noção de quem seu aprendiz Kylo Ren era, e que além disso, era subordinado ao Imperador O TEMPO TODO. Sem falar que, ao que consta, ele nada sabia sobre a verdade dos pais da Rey.


Meo deos! Que virada incrível de roteiro, não é mesmo?

Preguiçosa eu diria.

Ok. Passada a indignação de ter o Imperador de volta, voltamos a acompanhar a saga dos rebeldes, liderados pela General Leia (Carrie Fisher), em busca de um meio de deter o avanço ainda significativo da Primeira Ordem. Em menor número e cada vez mais cercados pelos inimigos, os rebeldes fazem tudo que podem para encontrar informações que os ajudem a enfrentar Kylo Ren e seus Cavaleiros de Ren, que os perseguem incansavelmente pela galáxia. Após um encontro com o próprio Imperador, Ren está convicto que precisa capturar Rey o quanto antes a fim de levá-la até ele, e aí passamos o filme todo DE NOVO com aqueles contatos mentais entre Ren e Rey, algo que se torna até cansativo de tanto que se repete. É mencionado em algum ponto que a ligação entre os dois (a tal da Díade) se dá devido o passado de suas famílias, e que a Força age de maneira a unificar ambos o tempo todo.

Que ligação, Rodman?

Quer SPOILER, jovem padawan?

Rey é neta do Imperador Palpatine!


PAM, PAM, PAAAAAAMMMM!

A meu ver, essa ligação entre eles e tudo que eles podem fazer através dela é outro grande problema do filme, já que torna tudo muito preguiçoso e fácil demais. É uma nova maneira de utilizar a Força, assim como a projeção astral de Luke Skywalker no filme anterior? Sim, mas não deixa de ser uma solução preguiçosa. 


A menina Rey está bem overpower nesse terceiro capítulo, tanto que ela domina a utilização de qualquer veículo em segundos, dá saltos espetaculares (justo aquilo que eu elogiei que NÃO TINHA no primeiro filme em minha resenha sobre O Despertar da Força!) e desenvolve o poder da cura com o toque, algo que nunca antes tínhamos visto um Jedi fazer. Ah, e eu nem mencionei que ela destrói uma nave disparando raios pelas mãos (quase matando o Chewie e o espectador do coração!), poder que só um Sith possui, de acordo com o cânone do universo Star Wars. Como ela é neta de um Sith (e isso é dito sem NENHUM destaque aos pais da moça!), isso nem soa tão estranho assim, bem como a forma como ela domina a Força bem mais facilmente que outros Jedi o fizeram (incluindo aí Luke e seu pai Anakin).


No ápice do enredo, durante a batalha final contra o Imperador, Rey consegue “teletransportar” o sabre de luz usado por Leia em seu treinamento Jedi (outra “novidade” tirada do universo expandido não-canônico) para as mãos de Kylo Ren através de sua ligação mental, mesmo eles estando fisicamente separados por muitos metros de distância, e a partir daí, amigo, a gente passa a aceitar qualquer coisa no filme!

Até que Leia teve treinamento Jedi sem nunca ninguém saber disso, Rodman?

Até isso! Em livros do universo expandido é dito que Leia tinha um domínio da Força que havia sido ampliado com um treinamento feito por ela e Luke. Leia demonstra que sabe usar a Força em Os Últimos Jedi, salvando a si mesmo do vácuo do espaço, mas nada sobre esse treinamento tinha sido dito em nenhum filme até hoje. 


Em seu descanso de trinta e seis anos, o Imperador esteve planejando uma derrocada final a seus inimigos, e nesse período, Palpatine tem tempo de recriar uma poderosíssima frota estelar, com a qual pretende, enfim, dominar a galáxia. 

Isso que é perseverança!

Como seria chato criar uma quarta Estrela da Morte, Abrams e Terrio inventam que cada destróier dessa frota de Palpatine tem o poder sozinho de EXPRUDIR um planeta inteiro e assim eles fazem, destruindo o planeta Kijimi, visitado a pouco tempo por Poe (Oscar Isaac), Finn (John Boyega), Rey, BB-8 e C-3PO (que tem em sua memória textos Sith que não podem ser lidos por ele devido sua programação). 

Para que os tais textos possam ser traduzidos, Poe conduz os amigos até dois aliados seus, Zorri Bliss (Keri Russell) e Babu Frik (o MELHOR personagem do filme!) no tal planeta Kijimi (antes dele ser exterminado), porém, o processo de tradução exige que a memória do velho robô dourado seja apagada


No trailer lançado há alguns meses, quando ouvimos o C-3PO dizendo que “quer dar uma última olhada nos amigos” dá a entender que o androide está indo para algum tipo de sacrifício (ou missão suicida), mas nem mesmo as memórias apagadas se mantem assim até o final, criando o desfecho mais amigável possível para o filme. E eu já falei dos destróieres capazes de explodir um planeta inteiro??


Um backup guardado com R2-D2 restaura as memórias do androide dourado diplomata, e dá aquela coceirinha nas glândulas lacrimais quando o pequeno robozinho consegue consertar seu melhor amigo, embora saibamos que isso seja mais covardia por parte dos produtores de não deixar nenhum dos "pets" do filme serem destruídos do que inteligência de roteiro.


 Outro momento lastimável de A Ascensão é descobrir que o informante dentro da Primeira Ordem, o que está passando informações para Poe Dameron e companhia, é o irritante (e ao mesmo tempo hilário) General Hux (Domhnall Gleeson), que se diz descontente com o comando de Kylo Ren. Não chega a ser contraditório ao personagem, já que ele está visivelmente incomodado com a importância que é dada a Ren desde o primeiro filme, mas a forma como ele é abatido após a descoberta de sua traição é patética.


Embora o impacto de saber que Rey é parente do Imperador Palpatine seja grande (e daí surja seu grande talento com a Força), a forma como os pais da garota são jogados para escanteio na história é impressionante. Quando ela e seu grupo chegam a Passaana (o planeta onde está rolando um carnaval fora de época!) descobrimos muito rapidamente que ela foi deixada para trás em Jakku, em sua infância, por escolha de seus pais, que não queriam que ela caísse em poder do Imperador. 


Mas quem são os pais de Rey? Seu pai é filho de Palpatine com quem? Quem é a mãe? Ele foi gerado exatamente em que período? Ao final de O Retorno de Jedi, um pouco antes, talvez? Se Palpatine havia sido morto por Darth Vader em 1983, como exatamente ele entrou em contato com o tal assassino Ochi e o persuadiu a raptar o casal e sua filha criança, se seu novo corpo clonado (ou ressuscitado no terceiro dia, sei lá!) estava decrépito, incapaz sequer de andar e dependente dos poderes da neta?


Aiiiin, Rodman! Certamente vai ter algum livro canônico que vai contar essa história. 

Certamente!

Aliás "Ochi" é mais um daqueles nomes que com certeza algum assistente ou estagiário brasileiro que trabalha na Lucasfilm deve ter arrumado, né? Deve ser o mesmo cara que batizou o General Panaka, o Sifo-Dyas o Conde Doku...


Muito se falou todo esse tempo sobre a redenção de Kylo Ren e como a fanbase queria que o ship #Reylo fosse real, e pelo que parece, J.J. Abrams esteve de olho nas redes sociais todo esse tempo, decidindo dar ao povo o que ele queria. Como o moço tinha ASSASSINADO O PRÓPRIO PAI em O Despertar da Força, era necessária uma passada de pano em sua imagem para amenizar o feito, e assim, usaram o próprio Han Solo (Harrison Ford) para atenuar o crime, numa aparição fantasma (que só aconteceu em sua mente) logo após o embate contra Rey. 


Na Lua de Endor, sobre os restos da segunda Estrela da Morte, após o entrevero entre Rey e Kylo Ren pelo domínio do localizador Sith que levaria a moça até o Imperador Palpatine, ela o atinge mortalmente com seu próprio sabre de luz, após a interferência à distância de Leia, que usa suas últimas forças para convencer o filho a desistir de seu caminho sangrento. Após recuperar a saúde do cara com seu novo poder empático, Rey desiste de lutar e se isola no planeta Ahch-To, mesmo lugar onde Luke se isolou para morrer desde a destruição de sua Academia Jedi.


Tava todo mundo torcendo por esse ship, Rodman! Muito massa! #reylo

Todo mundo, exceto quem realmente se importava com o Han Solo na primeira trilogia de George Lucas, não é mesmo?!


Apesar de oscilar entre o lado sombrio e a luz quase que o tempo todo, Kylo Ren era por essência um vilão que chacinava vilas inteiras de moradores indefesos para provar que merecia o legado do avô Darth Vader. Após matar o próprio pai, ele provou que estava além da redenção, mesmo que a culpa o corroesse de forma cada vez mais evidente. 


Ele voltar a se importar com o bem-estar de Rey e correr para salvá-la das garras do Imperador no final do filme, como um príncipe encantado arrependido, não condiz com quase nada que ele estava fazendo até então (um grande exemplo é a própria briga entre eles em Endor, totalmente sem sentido e com uma agressividade inexplicável). Para coroar a cagada, após o embate entre Rey e seu avô (que agora tem o poder de todos os Siths dentro de seu corpo decadente), a moça perece e Kylo Ren concede a ela sua última força vital, salvando-a e ganhando sua redenção após um beijinho de despedida.


É ISSO AÍ, RODMAN! MEU SHIP ESTÁ VIVO! #Reylo

O romance entre os dois era uma das coisas que eu menos queria ver nessa trilogia, e quando rolou o beijo eu juro que quase me levantei do cinema e fui embora! (Mentira! A porra do ingresso custou mais de cinquenta pau! Eu não ia dar esse mole!). A moça ao meu lado no cinema fez um sonoro “ahhhh” quando Kylo Ren (agora Ben Solo) desfalece e desaparece (como todo bom JEDI!) no colo de sua amada, e por dentro eu juro que comemorei. Redenção é meu ovo!


Aiiin, Rodman! Deixe de ser pau no cu! O Darth Vader também se redimiu no final de O Retorno de Jedi e se tornou um com a Força. Por que o meu Kylo Ren linduuu não podia?

Pior que é, né!

Star Wars sempre foi sobre redenção, erros e acertos, e mais uma vez J.J. Abrams copiou um filme inteiro fazendo agora a sua versão de O Retorno de Jedi assim como ele tinha feito sua versão de Uma Nova Esperança em O Despertar da Força provou que conhece do legado em suas mãos e deu um final digno ao grande personagem Kylo Ren.


A Ascensão Skywalker tem o final mais chapa branca que já vi em Star Wars desde O Retorno de Jedi (e aqueles insuportáveis Ewoks, que fazem aparição surpresa também nesse final), e meio que não há com o que se compadecer. Pra quem se acostumou a ver finais épicos de sagas em que nossos heróis se sacrificam por um bem maior (Tony Stark, tamo junto, irmão!), quase não há o que se lamentar sobre o encerramento da saga. Tirando o trio principal (Han, Luke e Leia), todos os demais permanecem vivos, e por incrença que parível, isso é meio frustrante. 


Tanto Vingadores Guerra Infinita quanto Ultimato, só para termos de comparação, terminam num clima ultra depressivo, com várias baixas de guerra e com os espectadores assistindo tudo banhados em lágrimas. Mesmo no universo Star Wars, o final de A Vingança dos Sith é putaqueparísticamente depressivo, com Anakin queimado vivo, com a morte de Padmé, com o extermínio dos Jedis e com o autoexílio de Yoda e Obi-Wan. Não há nada que se comemorar ali. Quer outro exemplo mais recente? O excelente Rogue One termina num clima fúnebre, com todos os heróis da resistência mortos após o roubo dos planos da Estrela da Morte. Sem falar que a chacina causada pelo Darth Vader na nave rebelde para recuperar os planos da Estrela da Morte cria um clima de terror, o que nos faz sair meio abalados do cinema. 


A Ascensão Skywalker, diferente de toda essa carnificina, termina leve, com um clima de esperança no ar... Tudo que nos faz ficar triste mesmo é o final mais ou menos criado para os personagens que aprendemos a amar. E só.

O LADO BOM DA VIDA

Às vezes é necessário ler um comentário mais rude no Twitter para que nós trintões (velhos pacarai!) nos liguemos que essas produções cinematográficas não são mais feitas para nós, e sim para conquistar um novo público. Mesmo assim ainda é difícil se desgarrar de um produto que amamos por tanto tempo. Como adiantei na outra resenha, minha paixão pelo universo de Star Wars começou tardiamente, em 1999 com o início da trilogia prequel, e de lá para cá, consumi (quase) tudo que foi lançado sobre esse universo. Eu ainda era jovem na época, e me amarrei de uma forma inexplicável ao que George Lucas tinha idealizado lá na década de 70 e que tinha revivido no finalzinho da década de 90. Por alguma razão eu gostava daquilo. Espadas lasers, naves, armaduras espaciais, a Força... Eram elementos que me prendiam à história, à narrativa, o que me fez me tornar um viciado em SW. Em 1999 não era legal ser nerd. Ninguém queria ser nerd porque era descolado. Você era nerd por falta de opção. As pessoas simplesmente te deixavam de canto. Não existiam séries para nerds, os filmes de ficção científica só eram vistos por pessoas meio malucas e gostar de quadrinhos era coisa de retardado. As meninas não achavam (e nunca vão achar) sexy um imbecil que vivia dentro do quarto lendo gibi, e achar alguém igual a você que conversasse sobre as mesmas coisas era raríssimo.


Por que você não conversava pela internet, Rodman? Twitter, grupos do Facebook, comentários em canais de Youtube?


HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

Não existia internet, caro padawan. Na verdade, existia, só que ninguém tinha acesso a ela no meu círculo restrito de convivência. Star Wars era tão interessante naquela época para as pessoas, que eu terminei a sessão de A Ameaça Fantasma sozinho na sala do cinema. As pessoas simplesmente se levantavam e iam embora enquanto o Jar Jar Binks bancava o Pateta na tela. Ninguém ligava.

Foco, Rodman! Você perdeu o foco!

Verdade! 

O que quero dizer com tudo isso é que Star Wars fez parte da minha juventude, e por mais que as pessoas queiram que eu largue toda essa baboseira de navinhas, lutinhas de espadinhas, ainda é bem emocionante se despedir (mais uma vez) desse universo.

No começo do post eu comentei que A Ascensão Skywalker me levou às lagrimas em alguns momentos, e não há o que esconder quanto a isso. Rever Han Solo em cena e todo seu discurso de perdão ao filho foi bem lacrimejante (apesar de eu discordar da cena e a achar apenas um passamento de pano para a redenção de Ren). O fanservice de Ascensão Skywalker também é bem caprichado, já que visita uma cacetada de lugares e mostra uma porção de elementos que já vimos nas demais trilogias. De planetas, temos Mustafar (onde Anakin Skywalker é deixado para morrer queimado por Obi-Wan), a Lua de Endor (onde deu-se a derrocada do Império em O Retorno de Jedi) e claro Tatooine, ao final. No planeta onde toda a saga teve início, Rey retorna para guardar os sabres de luz dos mestres Luke e Leia, e lá firma um compromisso de manter o legado Skywalker, chamando a si mesmo pelo sobrenome dos mentores, deixando para trás sua descendência maligna.


Rever Lando Calrissian (Billy Dee Williamsem cena (e o filho da puta está a CARA do meu pai!) também foi bem significativo, apesar de sua participação ser bem pontual: Uma vez no começo do filme e outra no final, servindo ali como o Falcão Sam Wilson para o Poe Dameron, o chamando pelo rádio quando os destróieres do Imperador pareciam que iam fazer os rebeldes em pedaços. Sério! A cena é igual à chegada do Doutor Estranho e dos heróis “desfalecidos” ao final da batalha contra o Thanos em Vingadores Ultimato visualmente, mas não tem nem metade da emoção que a primeira causou!


Mesmo assim, rever o grande mulherengo Lando em sua maturidade foi bem emocionante, embora ele seja pouco efetivo no desenrolar do enredo.

Durante o filme eu mergulhei em meus pensamentos e comecei a pensar sobre a velhice e o que ela passou a significar para mim. Embora eu não os tivesse conhecido em sua plena forma, eu aprendi a ver a maioria daqueles atores em sua juventude, e é bem bizarro revê-los agora já mais idosos, com rugas, cabeleiras descoloridas e sem o mesmo vigor de outrora. 


Eu já havia tido esse estranhamento nos dois filmes anteriores, mas por alguma razão meio que dei uma importância maior a isso em A Ascensão Skywalker. Tanto Harrison Ford, quanto Mark Hamill, Billy Dee Williams, Ian McDiarmid e Anthony Daniels (o homem dentro da armadura do C-3PO) hoje são senhores idosos, e é muito bom saber que deu tempo deles prestarem essa homenagem em vida à saga que os lançaram ao cinema, estando todos ainda com saúde e vigor físico. (Bem... Não sei quanto ao Sir McDiarmid que passa o filme todo ou sentado ou amparado por um equipamento que o mantém em pé). 


Infelizmente para Carrie Fisher e Peter Mayhew (o primeiro Chewbacca) as despedidas aconteceram mais cedo, o que causa aquela dor no coração em saber que nossos heróis morrem de verdade...


Falando um pouco sobre Carrie Fisher, é bem visível que a produção fez o que pode para não precisar recorrer a uma Leia Organa digital (como aconteceu em Rogue One) após o falecimento da atriz, mas dá para perceber os remendos no roteiro para aproveitar e estender ao máximo as cenas que ela já havia gravado na época de Os Últimos Jedi. Espero que num futuro próximo saibamos mais informações sobre essas cenas extras e a razão de Fisher as ter filmado na época do filme anterior. Será que já estava previsto por Rian Jonhson um treinamento Jedi de Rey por Leia ou será que isso foi criado depois?


Até o final dessa postagem Star Wars - A Ascensão Skywalker tinha arrecadado a PIOR bilheteria de primeiro final de semana da nova trilogia sob a batuta da Disney, e isso confirma um desgaste que a franquia sofreu após o fracasso comercial de Han Solo - Uma história Star Wars e do excesso de críticas negativas à Star Wars - Os Últimos Jedi. Comenta-se que numa galáxia não tão distante uma nova trilogia terá início (até porque a Disney não vai querer deixar uma marca tão lucrativa guardada na gaveta!), mas nada se sabe sobre ela, exceto que NÃO seguirá mais os Skywalker e nem contará com  a direção e produção de David Benioff & D.B. Weiss, a dupla que afundou Game of Thrones em sua última temporada na chacota e no escárnio. O futuro ao Mickey pertence. 

Nota: 8


P.S. - Não há como encerrar esse post sem uma homenagem digna a um dos caras que elevou o nível de Star Wars desde 1977 com seus temas icônicos e que foi lembrado nesse último filme, fazendo uma ponta como ator. Star Wars não seria o que é hoje sem as composições de John Williams, e já que falamos de melhor idade nesse post (essa lenda está com 87 anos!!), que bom que ele chegou com saúde até esse encerramento de saga e que ainda está produtivo para compor os temas inesquecíveis de A Ascensão Skywalker. Ouvi toda a soundtrack do filme enquanto escrevia esse texto, e as músicas de Williams nos faz viajar para o mundo de Star Wars. Que coisa fantástica! Toda a trilha sonora das três trilogias foi composta por ele e chega a ser uma tarefa ingrata escolher apenas uma como a preferida. Vai demorar para que outro compositor tenha a importância e grandiosidade que John Williams tem para o cinema de um modo geral, e para homenagear esse homem seria necessário... Sei lá... Batizar um planeta em seu nome! Dar a ele um sistema planetário inteiro! Viva John Williams! 

Que a Força Esteja com Você!

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