21 de janeiro de 2020

Crise nas Infinitas Terras – O Crossover PARTE 1

Essa publicação CONTÉM SPOILERS!


Tudo começou lá em 2012, com a estreia de Arrow, a série que prometia contar a história do milionário Oliver Queen - que mais tarde viria a se tornar o Arqueiro Verde - de forma mais séria e um tanto quanto sombria. Já na segunda temporada de Arrow, os produtores Greg Berlanti, Marc Guggeinhein e Andrew Kreisberg tiveram a ideia de introduzir o primeiro meta-humano desse universo, e assim criaram o plot ideal para que Barry Allen (Grant Gustin) e o The Flash ganhassem seu próprio spin-off. Daí pra frente, ano após ano, a CW acrescentava novos personagens heroicos ao caldeirão de Arrow, até que vieram os crossoversInvasão”, “Crise na Terra X”, “Túnel do Tempo” e “Crise nas Infinitas Terras”. Essa última, que vinha sendo anunciada desde a estreia de The Flash (2014) e a história do jornal futurista guardado no cofre do Flash Reverso (Tom Cavanagh) que previa o desaparecimento do Flash na “Crise”.



Eu estive lá em todos esses crossovers, assistindo arduamente mesmo quando as temporadas de Arrow e The Flash estavam UMA BOSTA intragáveis, e eu dizia a mim mesmo ano após ano “Agora eu largo essa BOSTA série ruim!”.



Quem eu estou querendo enganar, não é mesmo? Uma vez que a gente começa a assistir essas séries, não quer largar mais, por mais horríveis que estejam os roteiros.

Mas vamos falar de Crise nas Infinitas Terras?

O enredo do crossover é baseado na saga homônima dos quadrinhos escrita por Marv Wolfman e também adaptada para a TV pelo próprio escritor. Os fatos que antecedem esse crossover vêm sendo narrados homeopaticamente desde de “Túnel do Tempo” de 2018, e foi amplamente alardeada nas temporadas 8 de Arrow e 6 de The Flash. O fato é que uma misteriosa onda de antimatéria vem varrendo o universo, destruindo as Terras Paralelas, e aparentemente nada pode detê-la. Buscando a ajuda dos heróis da chamada Terra-1, o enigmático Monitor (LaMonica Garrett) manipula as vidas deles para que eles entendam a gravidade da situação, e após infernizar Oliver Queen (Stephen Amell) e Barry Allen com a ideia de que eles teriam que se sacrificar em nome da salvação do universo, o cara recruta Lyla Michaels (Audrey Marie Anderson), dando-lhe os dons necessários para entrar em contato com outros seres capazes de impedir o avanço da onda de antimatéria, e seu causador, o vilanesco Antimonitor (também vivido por LaMonica Garrett).



 SUPERGIRL – EPISÓDIO 9 (Temporada 5)

PONTOS ALTOS: O primeiro episódio do crossover começa com um resumão dos fatos que levaram à Crise, e aí começam os cameos, botando alguns atores conhecidos, seja do cinema ou de outras séries com super-heróis, para aparecerem brevemente. Logo de cara aparece o ator Robert Wuhl reinterpretando seu personagem Alexander Knox, de Batman (o do Tim Burton de 1989), a dupla Robin (O Jason Todd, vivido por Curran Walters) e Rapina (Alan Ritchson) da série dos Titãs, na Terra-9, o Ray (Russel Tovey) da Terra-X e o inesquecível Burt Ward, o Robin do seriado do Batman dos anos 60, andando na calçada com um Pastor Alemão na Terra-78. 



Todos eles enxergam no horizonte um clarão vermelho e o que vem a seguir provavelmente é o fim do mundo para eles. Apesar de pequenas, essas participações prestam uma grande homenagem a tudo que veio ANTES do Arrowverso, em especial com as aparições de Wuhl e Ward, mas deu aquela aquecida na torcida para que no próximo crossover, tenhamos uma junção de forças REAL entre as equipes do Flash e companhia e os Titãs.



O episódio se concentra nos esforços de Lyla (ou a Precursora, apesar de ela não ser chamada assim na série) em reunir os heróis a fim de começar uma investida contra as forças do Antimonitor. Após juntar Oliver e sua filha Mia (Katherine McNamara), a Batwoman (Ruby Rose), as Lendas Sara Lance (Caity Lotz) e Ray Palmer (Brandon Routh) e o Flash na sede do DEO na Terra-38 (a da Supergirl), Lyla explana a ação de contingência para impedir as destruições causadas pelo Antimonitor.



Claro que rolam aqueles momentos emocionantes, como a destruição do planeta Argo, onde o Superman (Tyler Hoechlin) e a Lois Lane (Elizabeth Tulloch) estavam vivendo desde o final de Elseworlds junto de Alura Zor-El (a mãe da Supergirl vivida pela Erica Durance) e a passagem de bastão de Oliver para a filha. 



(Não me perguntem como, já que ele foi raptado no meio do nada com a filha por Lyla!) Oliver entrega um novo traje de Arqueiro Verde para Mia antes deles partirem para a batalha, e rolam aquelas lágrimas casuais na despedida dos dois. 



O discurso motivacional que a Supergirl (Melissa Benoist) faz para o primo cabisbaixo devido a destruição de Argo, também é muito bem feito, e só comprova como ela merecia o título de Paragon da Esperança... Mas isso falaremos mais para frente!



PONTOS BAIXOS: A side quest em busca de Jonathan Kent, o filho recém-nascido de Clark e Lois é totalmente sem propósito. A ideia do casal enviar o bebê em um foguete em direção a Terra com a destruição iminente do planeta Argo é bem simbólica, claro, mas o fato do bebê se perder no caminho chega a ser ridículo. Além do que o plot só leva a um encontro sem sentido entre Brainy (Jesse Rath), Lois e Sara com um envelhecido Oliver Queen de 2046, que resgatou o bebê. Sozinho em sua antiga base de operações, Queen ataca os recém-chegados, aí rola aquele encontro entre ele e a Sara que ele tinha visto morrer no barco (história contada desde a primeira temporada de Arrow e que serviu como a origem do personagem) e blá blá blá. No final das contas é só mais um momento nostálgico que serve para reafirmar o quanto Queen é um cara legal, mesmo velho e vivendo feito um ermitão, mas parece uma cena totalmente deslocada do restante do crossover, que se não existisse não faria a menor diferença!



A nuvem de antimatéria está prestes a destruir a Terra-38 e então J’onn J'onzz (David Harewood) tem a ideia de enviar TODOS os habitantes da cidade para a Terra-1 em naves pertencentes aos alienígenas que vivem em nosso mundo. 



Para que o plano dê certo e as naves possam ser teleportadas, os heróis precisam garantir que um portal fique aberto por tempo suficiente, e é nesse combate contra as forças do Antimonitor que Oliver Queen acaba morrendo.



As tais “forças” do Antimonitor são só uns fantasminhas mequetrefes que desaparecem com um soco ou chute e não parecem em nenhum momento uma ameaça real. Os produtores podiam ter arranjado uns capangas mais bem elaborados para enfrentarem os supers, não é mesmo?



Tudo bem que o orçamento da série já deveria estar bem inflado devido a quantidade absurda de efeitos visuais usada no decorrer dos cinco episódios do crossover, mas já que era para ver o Oliver Queen se sacrificando – e eles nos empurraram essa história de sacrifício a última temporada INTEIRA de Arrow – que fosse contra caras que realmente fossem uma ameaça!



O fato é que o Monitor teleporta todos os heróis que estão lutando no topo da torre que permite que o portal fique aberto, mas Oliver decide ficar para trás, a fim de garantir que todos os habitantes da cidade possam escapar nas naves a tempo. É dito que o ato de coragem de Queen salva 1 bilhão de pessoas, e ao final do episódio vemos o personagem cair morto sob o olhar do Flash, de Mia e de seus amigos. O Arrow merecia mais.

Continua...


NAMASTE! 

11 de janeiro de 2020

Os personagens mais POPULARES da Marvel


Se tem uma coisa que o consumidor de cultura pop gosta é de fazer lista, por isso, o CBR (Comic Book Resources) elencou em 2019 os 50 personagens mais populares da Marvel Comics dos últimos 12 anos, disponibilizando em seu site o resultado. O ranking foi feito pelos leitores do CBR e aponta o sobe e desce de posição da popularidade dos personagens desde 2007

Claro que de 2007 pra cá MUITA COISA mudou com relação a exposição de alguns personagens em outras mídias que não as HQs, e é bem óbvio que esse fator interfere bastante nessa lista. 

Vamos começar aqui comentando as 10 primeiras posições desse ranking e alguns pontos que precisam ser mencionados.


O Amigão da Vizinhança ter se mantido no topo da lista de popularidade desde 2007 não deve ser surpresa para ninguém, já que há muito tempo o personagem é o carro-chefe da Marvel nos gibis e fora deles - visto aí a treta entre Marvel Studios e a Sony pelos direitos do Aranha nos cinemas -, mas o segundo lugar do Capitão América, admito, foi uma surpresa pra mim. O fator simbolismo deve influenciar bastante nesse resultado para os americanos, já que Steve Rogers, guardadas as devidas proporções, representa o tal sonho americano. Duvido muito que ele se manteria em segundo lugar nessa lista se a pesquisa fosse um pouco mais abrangente, além do solo estado-unidense. 


Mas Rodman, os filmes da Marvel Studios popularizaram bastante o bandeiroso pelo mundo.

Sim, isso nem tem como se discutir. O Capitão América hoje em dia é tão popular pelo mundo quanto o Homem Aranha devido sua caracterização nos cinemas, mas o ranking do CBR começou a ser produzido em 2007 quando nem o primeiro filme do Homem de Ferro tinha estreado nos cinemas. Naquela época, o Capitão já era o segundo mais popular por lá e se manteve até 2019, o que prova que ele já era bem querido mesmo quando era só um personagem de gibis. 


Em seguida, oscilando de sétimo para terceiro lugar vem o Carcaju canadense, que no Brasil, com absoluta certeza, devido sua popularização crescente desde a animação da Fox Kids que passava na TV Colosso e também pelo trem desgovernado que foi a fase de Chris Claremont e Jim Lee nas HQs, jamais perderia para o Capitão América em popularidade. A exposição massiva do personagem nas HQs nas últimas três décadas nem tem como se comparar com outros da Marvel - talvez só o Aranha faça frente - e assim como o Batman da DC, acabou acontecendo uma saturação de Wolverine na Marvel, já que o baixinho invocado vendia bem e aparecia em tudo quanto é capa de gibi por conta disso. 


Entre os anos 90 e os anos 2000 provavelmente só não rolou crossover entre Wolverine e a Barbie!

Mas agora para tudo que vamos comentar do Demolidor ocupando a quarta posição, acima de pesos pesados (hehehe!) como Hulk, Thor e Homem de Ferro, simplesmente os três membros fundadores dos Vingadores. O Demônio da Cozinha do Inferno não só mantém a posição desde 2015 como em 2007 esteve à frente do Wolverine em popularidade. Vocês também não ficam surpresos com isso?


Aiiin, Rodman, mas teve a série dele na Netflix e...

Cala boca, jovem padawan! A série só estreou em 2015 e mesmo que tenha tido um relevante sucesso no serviço de streaming, ainda era um produto de nicho, o que não explica como o personagem conseguiu ficar melhor posicionado que o James "Fucking" Howlett em 2007. Até a quarta posição que hoje ele ocupa é bem questionável, já que, apesar dos famosos arcos de Frank Miller, Brian Michael Bendis e Mark Waid nos gibis, o Demolidor nunca foi personagem do time A da Marvel, tendo sua revista ameaçada de cancelamento algumas vezes ao longo de seus 50 anos (quase 60!) de história. Porra! E eu admito isso mesmo adorando o Demolidor!

Ver o Thor uma posição acima do Hulk também é estranho, mas é compreensivo, já que se compararmos os arcos nos gibis, o Thor sempre teve histórias mais caprichadas do que o Golias Esmeralda. 


No Brasil, para termos de comparação, acredito que o Hulk seja TOP 5 de popularidade da Marvel, já que até nossos avós são capazes de reconhecê-lo em outras mídias graças ao sucesso da série protagonizada por Lou Ferrigno na década de 70. Ainda comparando os dois personagens, o Incrível Hulk teve um título próprio lançado pela Editora Abril por longos anos, enquanto as histórias do Thor eram jogadas em títulos "emprestados" como Heróis da TV, Superaventuras Marvel e até do Homem Aranha. Duvido que minha mãe, por exemplo, saiba o nome do "cara loiro que carrega um martelo à tiracolo", mas ela sabe quem é o "cara verde boladão". 

Porra, Doutor Destino na sétima posição


Que carai de ranking é esse que elenca o Doutor Destino acima de todas as super-heroínas importantes da Marvel e acima até do Magneto, que aparecia em vários episódios da animação dos X-Men dos anos 90 e também de X-Men Evolution? Consigo defender outras posições aí, mas admito que nem eu consegui entender o que o soberano da Latvéria faz nesse top 10.  

Aiiinn, Rodman, mas teve os filmes do Quarteto Fantástico e...


Nem os membros do Quarteto Fantástico estão nesse ranking de dez mais populares, jovem padawan! Usar os filmes como justificativa nem cola! 


Já disse no Blog algumas vezes que o Doutor Destino é um dos meus vilões favoritos da Marvel, mas ele não estaria nem em um top 20 de mais populares em uma lista minha. Mas enfim! Seja como for, os leitores do CBR (esses 5882 que votaram nele!), assim como eu, também devem estar esperando uma adaptação decente do Von Doom na telona, agora que a Marvel Studios assumiu a Fox. Oremos!


E o Homem de Ferro, hein? Apesar do tsunami Robert Downey Jr. e o que o cara representou pro MCU nos cinemas, parece que a popularidade do personagem não cresceu tanto assim nos gibis por conta disso. O Cabeça de Lata chegou a figurar FORA dos 10 mais em 2007 e a posição mais alta que alcançou foi a 7ª, não superando nem mesmo seu arqui-inimigo Doutor Destino em popularidade. 


Todo mundo sabe que antes do MCU o Homem de Ferro era só um mero personagem perdido ali nas fileiras dos Vingadores e seus quatrocentos e oitenta e seis membros, e provavelmente, se não fosse o reconhecimento por conta dos filmes, ele nem estaria entre os 20 mais.  
        
O Ciclope é um personagem que sempre dividiu muitas opiniões e eu falei de sua rivalidade com o Wolverine lá nos primórdios do Blog do Rodman (num dos primeiros posts). Eu particularmente nunca conheci ninguém que gostasse do cara (exceto eu mesmo!), e vi ano após ano o famoso líder dos X-Men tendo que virar uma espécie de cria do Magneto para enfim ganhar algum respeito nas HQs, algo que até hoje é questionável. Vê-lo entre os 10 mais populares é bem surpreendente, no entanto. No Brasil - e também no ranking dos antigos produtores da 20th Century Fox! - Scott Summers não deve ficar nem entre os 100 mais populares dado o desprezo que sentem por ele. 


O mestre do magnetismo também está muito bem colocado na lista (10º), o que não surpreende, já que sua popularidade também foi elevada graças a sua fase como o principal inimigo de Charles Xavier e de seus X-Men nos anos 90. Por consequência, o Magneto era figurinha carimbada nos jogos de videogame, em camisetas e tudo quanto era produto sobre os mutantes.


O restante da lista não chega a ser tão surpreendente, mas contém algumas injustiças como Deadpool (13º) ser mais popular que a Tempestade (16º), Kitty Pryde (17º) e que a Jean Grey (18º). Aliás, falando das heroínas, todas estão muito mal posicionadas, o que denota que a falta de diversidade - e representatividade -  é uma questão que ainda vai demorar longos anos para ser resolvida. Nenhuma mulher da Marvel figura entre os 10 mais, e personagens queridíssimas - ou que pelo menos deveriam ser - só vão aparecer depois da posição 15. Mulher Hulk em 20º, Capitã Marvel em 22º e a Vampira em 25º. 


O público de quadrinhos ainda é bem conservador e destaca homens héteros e brancos como seus representantes principais, deixando de lado personagens de outros gêneros, raças e credos. 

Só como termo de comparação, a personagem negra mais bem colocada (Tempestade) também é a primeira mulher a aparecer na lista. O Pantera Negra está em 27º (até aí compreensivo, já que ele nunca foi lá muito popular até aparecer nos filmes) e depois dele só vai aparecer o Luke Cage em 38º! O Homem Aranha Miles Morales, apesar dos esforços contínuos da Marvel de o tornar popular, inclusive o colocando como o protagonista da excelente animação Homem Aranha no Aranhaverso, nem sequer aparece na lista dos 50 mais, assim como a verdadeira Capitã Marvel Mônica Rambeau e o Blade


E aí tem o momento das gargalhadas, já que para os leitores do CBR, o Punho de Ferro (24º) é mais importante que a Vampira, que o Fera (26º), Pantera Negra, Feiticeira Escarlate (28º) e o Gambit (29º).

O bosta do Cavaleiro da Lua (31º) está mais bem posicionado na lista que a Viúva Negra (33º), o Sr. Fantástico (34º), Venom (39º) e o Visão (40º)


A Mulher Invisível, primeira heroína da Marvel, criada lá na década de 60 por Stan Lee e Jack Kirby aparece em 42º lugar e a Mulher Aranha aparece em 47º lugar, um pouco abaixo da Capitã Britânia Betsy Braddock (45º) que por anos foi conhecida como uma das personalidades de ninguém menos que a Psylocke!! Quase não aparece na lista.  


Como dizem por aí, gosto é que nem cu, cada um tem o seu e ninguém tem nada com isso. A lista do CBR obviamente não representa unanimidade entre os fãs dos quadrinhos da Marvel no mundo todo e possui MUITAS injustiças, mas é apenas uma lista. O público americano pensa muito diferente do brasileiro, por exemplo, e é comum que por lá eles elenquem o Doutor Destino entre os 10 mais. Os caras votam no Donald Trump para Presidente, o que pode se esperar de um povo assim, não é mesmo?*

Para você que gosta de listas, ao longo desses 10 anos de existência do Blog do Rodman eu postei algumas delas por aqui. As mais populares são, a já citada lista da Wizard dos 200 Maiores Personagens de HQs (publicada em 2010), Meu Top 10 Maiores Vingadores, Top 10 Maiores Surras das HQs e o post do Blog mais visualizado pelos punheteiros desse Brasil, o já clássico Top 10 As Mais Gostosas da Marvel

NAMASTE!

* Claro que nesse caso é o roto falado do rasgado, já que no Brasil não estamos tão melhores, táokey!

Os Novos Mutantes (Agora vai?)


Muita gente já tinha até desistido de ver o longa dos Novos Mutantes no cinema depois de tantos adiamentos, refilmagens e adaptações pela qual a produção passou desde 2017, ano em que começou a ser produzido. Dirigido por Josh Boone (de A Culpa é das Estrelas) e roteirizado por Knate Lee (de O Sequestro protagonizado por Halle Berry), o filme ficou perdido no meio da confusão, após a aquisição do estúdio 20th Century Fox pela Disney, e após o fracasso de bilheteria de Fênix Negra dos X-Men, ninguém mais apostava que ele sequer fosse lançado. 


Josh Boone e Knate Lee

Quando muita gente já tinha até esquecido de Os Novos Mutantes, eis que novas notícias acerca do longa surgiram na internet, vindas de um dos criadores dos personagens da Marvel, Bill SienkiewiczO ilustrador animou os fãs dizendo que a Marvel Studios iria retomar a produção, que o filme passaria por adaptações, mas que seria lançado SIM ainda em 2020, depois de sua estreia ser adiada pelo menos três vezes.


Bill Sienkiewicz

Um novo trailer (ainda com o logo da Fox como estúdio principal) foi lançado recentemente e novas cenas foram adicionadas ao já popular clima de terror que a produção tinha desde o início, um dos grandes acertos ao já saturado universo de super-heróis nos cinemas. O roteiro de Lee coloca os cinco jovens Sam (Charlie Heaton, o Jonathan Byers de Stranger Things), Rahne (Maisie Williams, a Arya Stark de Game of Thrones), Dani (Blu Hunt de Originals), Illyanna (Anya Taylor-Joy de Fragmentado e A Bruxa) e Roberto (Henry Zaga de The Stand) em um hospital especial para mutantes comandado pela doutora Cecilia Reyes (Alice Braga), e lá eles precisam lutar por sua sobrevivência, enfrentando o Urso Místico, personagem que dá o mote principal das aventuras dos Novos Mutantes também nas HQs escritas por Chris Claremont em 1982.


Maisie Williams, Henry Zaga, Blu Hunt, Charlie Heaton e Anya Taylor-Joy

O potencial disso é imensamente grande e não só por incorporar terror ao roteiro. Filmes com adolescentes no elenco são extremamente populares (vide o sucesso do primeiro It), somando isso a adolescentes com poderes e mais ainda com eles descobrindo seus dons nessa fase tão conturbada da vida, é possível gerar um plot muito interessante, além da causar empatia com esse mesmo público jovem. Seria um desperdício conceitual que a Marvel simplesmente engavetasse o projeto ou que o colocasse em seu serviço de streaming Disney+, sem qualquer aproveitamento de marketing sobre ele. Felizmente alguém percebeu esse potencial e decidiu revitalizar a bagaça, mas será que vai dar certo? 




Mancha Solar e o Whitewashing

Quem leu Os Novos Mutantes na década de 80 e 90 deve ter em mente muito fresca as características físicas dos personagens principais, e é difícil desassociar aquela imagem que temos deles ao que queremos ver no filme. Praticamente toda produção cinematográfica que visa adaptar uma obra de outra mídia, seja ela livro ou quadrinho, sempre acaba passando por problemas no que se refere a questão "gênero" ou "etnia", e as polêmicas levantadas por isso acabam irritando alguns fãs mais conservadores. 


Henry Zaga e o Roberto da Costa dos gibis

Em geral, o que se costuma acontecer é o inverso:
Atores ou atrizes negros interpretando personagens que em sua origem são caucasianos ou algo do tipo. Como alguns exemplos tivemos Michael Clarke Duncan interpretando o Rei do Crime Wilson Fisk em Demolidor - O Homem sem Medo (2003), Kerry Washington como a Alicia Masters em Quarteto Fantástico (2005) e até mesmo o Samuel L. Jackson como o Nick Fury do MCU. Isso sempre causou estranheza e burburinho na audiência, mas o problema em Os Novos Mutantes vem ao contrário e em dose dupla, com os personagens Roberto da Costa e Cecilia Reyes sendo interpretados por atores brancos, sendo que nas HQs, ambos são negros


Michael Clarke Duncan, Kerry Washington e Samuel L. Jackson

Muito tem se falado sobre a representatividade (ou falta de) no cinema, e de como mulheres, negros, homossexuais, latinos e orientais são ignorados na maioria das vezes em produções hollywoodianas, e a situação em New Mutants só prova a total falta de tato dos produtores da Fox ao escalar seu elenco. Nas HQs, a característica básica do Mancha Solar é ser um brasileiro negro que descobre seus poderes mutantes de absorção do calor do Sol durante um ataque racista de um jogador de futebol branco, que o surra apenas por ele ser negro. 


A origem do Mancha Solar em 1982 

Nesse ponto da origem do personagem a cor da pele dele é importante para a narrativa, e não faz sentido trocá-la.

Por muito tempo ele foi representado como negro (embora sua colorização tenha sido "desbotada" nos últimos anos de publicação), e é assim que os leitores o conhecem desde sempre. 


A Michaeljacksonização do Roberto da Costa nas HQs

Sendo assim, qual era o problema em representá-lo com um ator negro? 

Claro que nesse caso não há nenhum problema com o ator Henry Zaga (que é brasileiro) já que a culpa não é dele, mas é bem notório o quão mal escalado o rapaz foi, e o quanto isso vai desagradar os fãs - em especial os brasileiros - do personagem.



O mais absurdo é que nem é a primeira vez que isso acontece com o próprio Mancha Solar no cinema!

Em X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido (2014), o personagem aparece como um dos membros da resistência mutante no futuro, ao lado de Charles Xavier e Magneto. Interpretado pelo ator mexicano Adan Canto, além de branco, o Mancha Solar dessa versão voa e solta rajadas de fogo, algo que ele nunca fez nas HQs na época de sua criação em 1982. Pelo que é dito no trailer de Novos Mutantes, nas palavras do próprio personagem, ele descobre os poderes ao "queimar acidentalmente" a namorada, o que também não parece condizer com o personagem dos quadrinhos.


Adan Canto e seu Mancha Solar

Era possível até que aceitássemos (embora isso fosse desnecessário) que acontecesse uma troca de etnias ENTRE personagens, algo que acabou acontecendo no filme dos Power Rangers (2017). Na série da Saban, o personagem Zack era negro (interpretado pelo ator Walter Jones) e no filme ele é o jovem asiático do grupo de heróis. Quem se torna o personagem negro é o Billy, que na série era branco (interpretado pelo ator David Yost). Para os Power Rangers até faz sentido, já que parece meio agressivo que o personagem de pele negra também vista o traje negro... Mas será que isso faria sentido em Os Novos Mutantes? Sei lá, de repente tornar a Rahne a personagem negra latina, enquanto o Roberto se torna o branco escocês? Duvido. 


David Yost (Ranger Azul) e Walter Jones (Ranger Preto) na primeira versão e RJ Cyler (Ranger Azul) e Ludi Lin (Ranger Preto) na versão de 2017
Não bastasse errar uma vez, a Fox - e Simon Kinberg, antigo produtor dos filmes dos X-Men da Fox e diretor da última bomba Fênix Negra - foi lá e errou DUAS VEZES, escalando - a ótima - Alice Braga como a doutora Cecilia Reyes


Alice Braga

Criada nos anos 90 por Scott Lobdell e Carlos Pacheco, a personagem é uma mutante negra oriunda de Porto Rico que se torna médica por influência de seu pai. O preconceito racial é uma das características mais comuns pelo qual a personagem enfrenta problemas em se estabilizar nos Estados Unidos, mas isso não pareceu relevante aos produtores de Os Novos Mutantes. Apesar de brasileira e latina, Alice Braga é uma atriz branca, e por isso, pouco a ver fisicamente com a Dra. Reyes dos quadrinhos. Ela vai fazer um ótimo papel no filme? Provavelmente, mas se perdeu aí uma grande chance de um filme dos X-Men ter maior representatividade, já que o tema "mutantes" sempre se relacionou muito bem com "inclusão", "aceitação" e "diversidade". Ou será que não? 


Alice Braga e a Dra. Reyes nas HQs

A impressão que se dá é que em Hollywood, preto, latino, e brasileiro é tudo a mesma merda, por isso, tanto faz como vão ser representados. "Não são brancos como nós e ninguém se importa com eles". 

Alguém mais se lembrou de Bacurau? Hein? Hein? 


Mas e aí? Agora vai?

Seria louco ver Os Novos Mutantes sendo representados no cinema igual em sua origem das HQs, como os "X-Babies" ou os alunos novinhos que o Professor Xavier reuniu para substituir sua equipe principal de X-Men, num período em que seus antigos pupilos já não eram mais tão jovens. Infelizmente, com o fracasso dos X-Men nos cinemas e a divisão causada pela Disney entre os Mutantes X e os Novos Mutantes, duvido muito que coisas como os uniformes pretos e amarelos ou os treinos na Sala de Perigo - ou mesmo o Charles Xavier como mentor - aconteçam algum dia. 



É torcer para que o filme seja uma ótima opção para o gênero de terror e que não fuja taaaaaaanto assim do que vimos nas HQs. Só de ver a Illyanna materializando sua espada espiritual no trailer já deu aquele quentinho no coração, e há uma certa curiosidade em ver esse elenco jovem reunido na tela, já que fora dela eles parecem bem entrosados.



Se nada mais der errado, o filme estreia em Abril.

P.S.: Embora um artigo do site CBR tenha confirmado que Os Novos Mutantes farão parte do universo cinematográfico da Marvel, outras fontes dizem o contrário, alegando que a produção continua sendo um projeto apenas da Fox. Pelo jeito só vamos descobrir com precisão em Abril mesmo.

NAMASTE!         

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