11 de fevereiro de 2020

E o Oscar 2020 foi para...


No domingo rolou a 92ª edição da premiação mais importante do cinema e o que não faltou foi surpresa em algumas categorias. O excelente sul-coreano Parasita foi o filme mais premiado da noite e provavelmente a grande decepção ficou por conta de O Irlandês, que não levou nenhuma estatueta para casa. 



A cerimônia não contou com um apresentador fixo, como já aconteceu na edição anterior, mas teve uma abertura especial com os comediantes Steve Martin e Chris Rock. Longe de causar tanta polêmica quanto Rick Gervais na apresentação do Globo de Ouro de 2020, Martin e Rock se limitaram a criticar a óbvia falta de representatividade feminina nas principais categorias do Oscar (exceto as que envolviam atuação). Rock ainda fez uma piada sobre a presença (ou falta de) negros nas indicações desse ano, dizendo que, diferente de edições do século passado, esse ano havia UM negro indicado ao Oscar, se referindo a atriz e cantora Cynthia Erivo, que disputava o prêmio de Melhor Atriz por seu papel no filme Harriet


Cynthia Erivo

Para tentar compensar a falta de representatividade, tivemos esse ano um número grande de atores e atrizes negros apresentando os prêmios e anunciando os vencedores, e passaram pelo palco o ator Mahershala Ali (que ganhou duas vezes como Ator Coadjuvante em 2017 e 2019), a atriz Regina King (Melhor Atriz Coadjuvante em 2019), o diretor Spike Lee (vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2019) entre outros. 



Bora conferir os principais premiados do Oscar 2020?

Começando pelos prêmios técnicos, o filme Ford vs Ferrari (de James Mangold) abocanhou duas estatuetas, Melhor Montagem e Melhor Edição de Som, derrubando nessas categorias o favoritismo de 1917.



Falando no filme dirigido por Sam Mendes,1917 ganhou quase todos os demais prêmios técnicos, levando o de Melhor Mixagem de Som, Melhores Efeitos Visuais (derrotando Vingadores - Ultimato e Star Wars - A Ascensão Skywalker) e o de Melhor Fotografia, estátua entregue nas mãos do diretor Roger Deakins. O experiente diretor já tinha trabalhado anteriormente com Mendes em 007 - Operação Skyfall e chegou a ser indicado por seu trabalho de fotografia em outros filmes como Bravura Indômita, Blade Runner 2049 e Onde os Fracos Não Tem Vez.


Roger Deakins

O prêmio de Efeitos Visuais é curioso, já que 1917 não se pauta e nem usa o recurso como muleta para contar sua história. Era esperado que o Oscar fosse dado a um filme mais carregado de manipulações digitais, mas não foi dessa vez que um filme Marvel levou uma estatueta nessa categoria.  

Adoráveis Mulheres, cuja diretora Greta Gerwig nem sequer foi indicada na categoria Melhor Direção, levou apenas na categoria Figurino, o que é bem comum para filmes de época.


Greta Gerwig

O Escândalo, que também disputava Melhor Atriz (Charlize Theron) e Melhor Atriz Coadjuvante (Margot Robbie) levou apenas por Melhor Maquiagem, o que era justo, dado a trabalheira que deve ter sido modificar os rostos da própria Charlize, para se parecer mais com Megyn Kelly e John Lithgow, que se transformou em Roger Ailes. Era Uma Vez... Em Hollywood ganhou o prêmio de Direção de Arte, que ficou a cargo de Barbara Ling e Nancy Haigh.


John Lithgow e Charlize Theron caracterizados em O Escândalo

Na categoria Documentário, American Factory de Julia Reichert, Steven Bognart e Jeff Reichert superou o brasileiro Democracia em Vertigem, dirigido por Petra Costa, colocando o nosso país mais um ano na fila dos prêmios internacionais de cinema. Acusada pela Direita brasileira de ter usado o documentário de maneira a apaziguar em excesso a culpa do Partido dos Trabalhadores no processo de Impeachment da então Presidente em exercício, Petra Costa mostra de uma maneira até mesmo didática tudo que aconteceu no país desde os protestos dos 0,20 centavos, e como a Direita se fortaleceu nesse ínterim, pegando o vácuo de ódio criado pelo suposto "combate à corrupção", representada acima de tudo pelo governo do PT. Podia ter pesado mais na mão ao retratar Dilma, Lula e companhia? Podia. Mas não tem mentira nenhuma no documentário.


Petra Costa

O prêmio de Melhor Documentário em Curta-Metragem foi para "Learning Skateboard in a Warzone (If You're a Girl)" de Carol Dysinger, Melhor Curta-Metragem ficou com "The Neighbors' Window" de Marshall Curry e a Melhor Animação em Curta-Metragem foi para "Hair Love", uma simpática animação americana (da Sony Pictures Animation), dirigida por Matthew A. Cherry, Everett Downing Jr. e Bruce W. Smith, que fala sobre a aceitação dos cabelos afros. 



Concorrendo com Klaus (disponível na Netflix e que muita gente apostava ser o favorito), Como Treinar Seu Dragão 3 (a meu ver, muito superior ao vencedor) e o Link Perdido (que venceu na mesma categoria no Globo de Ouro), o apenas simpático Toy Story 4 acabou ficando com a estátua de Melhor Animação, mesmo após ter subvertido todo o conceito da trilogia inicial. Era um filme desnecessário, mas claro que sai mais prestigiado após levar o Oscar e de ter faturado muito bem nas bilheterias. 



A maestrina Hildur Guðnadóttir foi a primeira mulher a ganhar na categoria Melhor Trilha Sonora do Oscar em 92 edições, e ao mesmo tempo anotou mais uma estátua para o filme Coringa.


Hildur Guðnadóttir

Sem constar em nenhuma outra categoria, o filme Rocketman, que conta a biografia do cantor Elton John, levou o de Melhor Canção Original por "(I'm Gonna) Love Me Again", numa performance executada pelo próprio Elton John na cerimônia.



Para não passar batido, Jojo Rabbit deu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado para o diretor Taika Waititi, e o cara usou seu espaço de agradecimentos para passar uma mensagem importante sobre pessoas "não brancas" não desistirem de seus sonhos, ele que é neozelandês e que interpreta Adolf Hitler, o amigo imaginário do menino Jojo do título.


Taika Waititi (Hitler) ao lado de Roman Griffin Davis (Jojo)

O Oscar de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante não teve grandes surpresas, já que repetiu as mesmas premiadas do Globo de Ouro. Laura Dern fez a rapa nos prêmios que disputou por sua atuação brilhante como a advogada da personagem de Scarlett Johansson em História de Um Casamento, já Renée Zellweger parece ter mesmo encantado a Academia ao interpretar a atriz Judy Garland em seus últimos anos de vida, após os problemas com drogas e bebida, no filme Judy. Renée andava sumida de Hollywood, mas decidiu voltar com tudo, no papel de sua vida.


Renée Zellweger e Laura Dern

As categorias Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante também repetiram as premiações do Globo de Ouro, e consagrou Joaquin Phoenix em seu papel magistral de Arthur Fleck, em Coringa e Brad Pitt por seu Cliff Booth de Era Uma Vez... Em Hollywood. Há quem diga que Pitt não fez nada demais como o coadjuvante de Leonardo DiCaprio (que merecia o prêmio de Melhor Ator... Se não tivesse existido a interpretação de Phoenix em Coringa), e que ele só representou ele mesmo em cena. Parece, no entanto, que Al Pacino e Joe Pesci (ambos por O Irlandês), Anthony Hopkins (Dois Papas) e Tom Hanks (A Beautiful Day in the Neighborhood) não fizeram um trabalho tão bom em seus filmes quanto o ex-galã! Talvez ainda tenham que comer muito feijão até chegar aos pés de Brad!


Joaquin Phoenix e Brad Pitt

Brincadeiras à parte, sabemos do talento de Pitt (que atuou muito melhor em Bastardos Inglórios, por exemplo), mas Cliff Booth não parecia ser o papel para levar Oscar.

Não vi as atuações de Hanks e Hopkins em seus respectivos filmes, mas parece absurdo a Academia premiar Brad Pitt em vez de Al Pacino ou Joe Pesci pelo que fizeram em O Irlandês. Ícones do cinema, os dois estão muito bem em cena, dirigidos pelo colega de anos Martin Scorsese, mas parece que premiar um filme da Netflix ainda é um tabu para os véi do Oscar. Assim como os filmes da Marvel (que não são cinema), Scorsese saiu de mãos abanando da festa, e ainda aproveitou pra tirar um cochilo durante a apresentação surpresa do Eminem.



Aliás... Qual foi o sentido da apresentação do rapper bem no meio da cerimônia? Mostrar que a superioridade branca funciona até no mundo do rap?



Bem... Aí veio Parasita, e a Academia se curvou ao talento inegável do diretor Bong Joon-Ho, dando-lhe não somente o prêmio de Melhor Direção (batendo Sam Mendes de 1917), como também o de Melhor Roteiro Original, Melhor Filme Estrangeiro (o que era barbada!) e o de Melhor Filme. Parasita é o primeiro filme de língua não-inglesa a vencer na categoria Melhor Filme e criou-se um marco em 2020 com sua vitória, abrindo um precedente que nunca antes tinha sido permitido em Hollywood.


Bong Joon-Ho e o elenco de Parasita

O filme, claro, tem todos os méritos por seu sucesso e Joon-Ho subiu ao palco quatro vezes, quase não acreditando que tinha vencido seus ídolos nas categorias. Em agradecimento, falando em coreano e sendo traduzido por uma intérprete, Joon-Ho chegou a citar uma frase de Scorsese em seu discurso e puxou uma salva de palmas no teatro ao diretor veterano, que agradeceu, lisonjeado. Momento bem emocionante da celebração.


"Quanto mais pessoal, mais criativo". Joon Ho citando Scorsese em seu discurso

O resumo é bem positivo ao final da premiação. Se os representantes da Academia ainda precisam aprender bastante sobre representatividade étnica ou de gênero, indicando mais artistas de outras etnias bem como mais mulheres às categorias principais, pelo menos teve a quebra de paradigma representada pela vitória de um filme sul-coreano à principal categoria da noite. Dá se a impressão que as coisas estão evoluindo no cinema, mesmo que à passos de tartaruga.

P.S. - O que foi o momento em que Brie Larson e Gal Gadot se juntaram no palco para homenagear uma das primeiras heroínas do cinema de ação, interpretada pela atriz Sigourney Weaver? Capitã Marvel, Ripley e Mulher Maravilha pisando no mesmo terreno, o palco chegou a tremer.



P.S. 2 - O Martin Scorsese dormindo durante a apresentação do Eminem me representa nas três primeiras vezes que tentei assistir O Irlandês! Só consegui ir até o final na quarta, mas gostei bastante das atuações e da direção dessa série de quatro episódios. Al Pacino, DeNiro (esnobado no Oscar!) e Joe Pesci mostram porque são monstros consagrados do cinema.



P.S. 3 - História de um Casamento é um ótimo filme de diálogo e com um final muito comovente. Tanto Scarlett Johansson quanto Adam Driver mostram que são muito mais que atores de parques de diversão, e que dão conta da interpretação séria e adulta com um roteiro mais inteligente. Apesar disso, Driver não tinha muita chance contra a loucura colocada pra fora por Joaquin Phoenix em Coringa, mas num futuro próximo, acredito que o cara vai fazer uma carreira premiada.



NAMASTE!

9 de fevereiro de 2020

Os bastidores de Pássaro Noturno - Ataque Triplo


Quando comecei a contar a origem do Pássaro Noturno, eu já tinha em mente que seria uma trilogia de contos e tudo que precisei fazer foi dividir o texto em três grandes atos. O primeiro ato, vocês conheceram em Pássaro Noturno - Origens (e se não conheceu ainda, faça o favor de clicar nesse link!), contando quem é Henrique Harone e de onde surge sua personalidade heroica. O segundo ato, que acabou de ser publicado, já expande a missão de Pássaro Noturno em deter A Corporação para novos horizontes, incorporando dois novos elementos à equação: Thunderwing e Espião Negro

Já contei aqui no Blog que eu tive dois grandes amigos na época do Ensino Fundamental e foi com eles que, pela primeira vez na vida, eu pude dividir um pouco do fascínio que eu tinha por histórias em quadrinhos. Estamos falando dos anos 90, e nessa época não era legal ser nerd. Na verdade, para as demais pessoas, devia ser bem estranho alguém sem tato social quase nenhum, que vivia metido atrás de um gibi, lendo histórias que, em teoria, eram escritas para crianças. Bem... Esse era eu em minha adolescência. Ninguém mais na sala de aula curtia esse lance de super-heróis - ou mesmo qualquer outro tipo de quadrinho - e eu acabai arrastando meus amigos Rodrigo e Antônio para esse mundo comigo. Por um bom tempo nós passamos a colecionar juntos a polêmica saga Queda do Morcego protagonizada pelo Batman, mas sempre que o dinheiro permitia (e olhe que na época um gibi custava uns R$ 3,00 no máximo!) a gente conferia alguma coisa dos X-Men, do Superman e do Homem Aranha também. 



Rodrigo e Antônio serviram como base para a criação do Thunderwing e do Espião Negro, e isso desde aquela época. Quando eu criei o Pássaro Noturno, eu já tinha essa vontade de usar pessoas reais como base para desenvolver os personagens coadjuvantes, e nada mais justo que os melhores amigos do Henrique Harone fossem também os meus melhores amigos da época de escola. 

Foram muitas as vezes que passamos a hora do intervalo inventando histórias fantásticas, falando de videogame e de filmes. Foi com eles que descobri as emoções dos fliperamas, onde passávamos horas jogando Mortal Kombat, Street Fighter ou Cadillacs e Dinossauros, e até tentamos uma vez enveredar pelo mundo dos quadrinhos, onde cada um criou seu personagem fictício para dar início a uma geração nova de heróis. O meu era o infame "Reathlock", que mais tarde eu rebatizei de Dragão Vermelho e hoje faz parte da minha Legião Nacional, que pretendo apresentar mais para frente. Era uma época boa.


O antigo Reathlok e atual Dragão Vermelho

E os outros personagens de Ataque Triplo, Rodman? Eles também existem na vida real?

A maioria dos coadjuvantes de Ataque Triplo (e também de Origens) é baseado em uma pessoa real da época da escola e isso faz justiça ao que eu tinha imaginado no começo, quando desenvolvi o personagem. Entre a 5ª série e a 6ª, nossa turma foi inteira separada em três salas e muitos de nossos amigos acabaram caindo na concorrida 6ª C. Eu e Rodrigo ficamos na 6ª B e ali, mais tarde, acabamos conhecendo o Antônio. Em algum momento ocorreu uma ruptura entre as salas, e uma série de fofocas e conversas desviadas acabou fazendo com que se criasse uma rixa idiota entre todos nós, separando de vez as amizades da antiga 5ª A. Nesse clima de inimizade, já em 1995, eu criei o Pássaro Noturno e os principais adversários de meu personagem eram meus ex-amigos da 6ª C.

Sim! É ridículo! Mas uma briguinha tonta entre adolescentes acabou motivando minha criatividade.

O Quinteto Macabro citado no conto Ataque Triplo é baseado em pessoas reais. O Carlos Castellini, o moleque que pratica bullying com nosso trio de heróis, foi baseado no Carlos Castelucci (que era meu melhor amigo da 5ª série). Os seus ajudantes escrotos são baseados em outros alunos da minha escola também: O Régis, que é o bonitão conquistador e atlético no conto, é baseado no Rogério Paranhos, que na escola sempre fez parte do grupo dos atletas e que conquistou boa parte das meninas da escola DE VERDADE! O Alexandre Kostick é homônimo a um dos melhores amigos do Carlos da vida real naquela época, e era vizinho do mesmo também. Sua persona no conto tem pouco a ver com o verdadeiro Alexandre, mas por alguma razão, eu sempre quis colocá-lo como o braço direito do arqui-inimigo do Pássaro Noturno. O Robson, que é descrito como o grandalhão do grupo, é na verdade baseado no Rovilson, que nem era da 6ª C naquele período - ele estudava comigo, Rodrigo e Antônio na 6ª B - e que nem sequer tinha entrado na briga entre classes. 

As meninas da história também são baseadas livremente em pessoas reais. A Daniela, que é o grande amor adolescente do Henrique, é na verdade a Thais, pela qual fui realmente apaixonado na 5ª série, até ela mudar de escola. O interesse romântico do Antônio na história é a Adriana, que foi mesmo uma aluna que entrou na escola à partir da 6ª, descrita exatamente como ela era, loira de olhos verdes. A Simone que é interesse romântico do Ricardo, é na verdade a Daniela Chaves, que também entrou em nossa escola depois de um tempo e fazia mesmo o tipo popular e festeira. Por alguma razão que nunca soube, ela me chamava de "Corujinha" e o Antônio passou a ser o "Coelhinho", apelido pelo qual ele foi conhecido por um longo tempo. 



É importante frisar que, apesar de ter havido uma rixa real entre os dois grupos na minha época da escola, nem de longe as cenas de agressão e bullying descritas na história chegaram a acontecer. Essa é a parte fantasiosa do enredo, até porque nossa vida real não foi tão empolgante assim para render um conto de super-herói! O único personagem pertencente ao Quinteto Macabro que era realmente um babaca também na vida real é o "Claudio", mas esse nem merece ser citado aqui. 

Hoje em dia, dos que tenho contato, todos se tornaram ótimas pessoas, pais e mães de família zelosos e muito bem inseridos na sociedade. Nada de "Corporação" nem bullying e nem nada parecido. Não sei se serve de homenagem a eles - acho que não! Hehehe! - mas fica aí pelo menos a citação.  

Claro que o foco do enredo não é somente os desentendimentos de Henrique, Ricardo e Antônio com o Quinteto Macabro. Enquanto eles tentam sobreviver ao último ano do ensino fundamental, A Corporação continua enredando sua teia ao redor de São Francisco d'Oeste, atingindo todas as áreas mais importantes da cidade e cravando fundo suas presas. Não há mais tempo para amadorismo e Henrique Harone começa a perceber isso da pior forma possível. 


Thunderwing e Espião Negro

Em meados de 1995 e 1996 eu desenhei - toscamente - um gibi do Pássaro Noturno e nele eu inseri o momento em que Henrique Harone mostra seu esconderijo subterrâneo aos dois amigos Ricardo e Antônio. Na época, eu criei um visual para os dois heróis, mas tinha poucas lembranças dos detalhes, uma vez que descartei esse gibi há alguns anos. De memória, eu sabia que o "Thunderbird" tinha uma máscara metálica parecida com a do Jason Vorhees de Sexta-Feira 13 e que ele usava uma armadura pesadona com uma capa nas costas. Estávamos nos anos 90, e claro que seu desenho era todo cheio de "garras" e "pontas," e ao recriar agora o personagem, decidi manter isso, em homenagem ao original. Naquele tempo o Batman/Bruce Wayne estava sendo substituído nos gibis pelo Jean-Paul Valley, o Azrael, que adivinha, tinha o traje cheio de garras, pontas, usava uma armadura e tinha uma capa longa. Coincidências? Duvido. 


O Batman Azrael e o Destruidor das Tartarugas Ninja

Embora não tenha me baseado nele, depois que acabei o rascunho e a pintura digital, percebi que o Thunderwing ficou bem parecido também com o Destruidor, inimigo das Tartarugas Ninja, mas aí devo admitir que não foi proposital. Se levarmos em consideração que Ricardo Costa era um moleque de 14 anos quando inventou seu traje, é bem comum que ele tenha usado referências como o Destruidor e o Azrael na hora de confeccionar, não é mesmo?



A brincadeira que rola num diálogo sobre Ricardo querer se chamar "Thunderbird" num primeiro momento é em relação ao antigo nome com o qual batizei o personagem nos anos 90. Claro que naquela época eu não ligava muito para coisas como direitos autorais ou direito de imagem, e pra mim, usar um nome que já era amplamente utilizado em diversos outros lugares, não dava nada. Até porque eu nem tinha pretensões de apresentar meus personagens para o mundo. Hoje no entanto, usar "Thunderbird" seria até criminoso, por isso modifiquei para algo semelhante. Que tal Thunderwing?

O Espião Negro é o elemento furtivo da equipe. Conforme eu o ia escrevendo, ele ia ganhando mais ainda ares de o geek do grupo, o que não significava que ele estaria no conforto do esconderijo enquanto os outros dois saíam em missão. Por ser o mais inteligente dos três, ele também desenvolveu o uniforme mais ágil, além do mais seguro do trio. Dotado de um capacete hi-tech com filtros de ar e visão noturna, ele ainda usa uma couraça à prova de balas, bem como o kit básico de ferramentas para invasão e espionagem nos bolsos do cinturão. Como armas, acabei escolhendo um conjunto de kunais ninja que não só perfuram como também explodem os alvos. E claro, o bastão retrátil, a meu ver, uma das armas mais úteis em combate. 



O Espião Negro original era bem mais simples e parecia uma versão cospobre do Robin (o Tim Drake). Não havia capacete, nem kunais, e ele usava uma máscara que só cobria os olhos. 


O Robin Tim Drake

Num mundo minimamente real, é claro que essa não seria a roupa mais adequada para um combatente do crime inteligente e então recriei todo o conceito do Espião Negro. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que assim que o colori, ele ficou parecido com um dos visuais do Daft Punk! Droga! E eu tinha mirado nos Metal Heroes das séries Tokusatsus!  



Se Pássaro Noturno - Origens fala de começo, Ataque Triplo fala de amadurecimento e prepara o herói e seus amigos para o grande confronto final contra A Corporação de Edmundo Bispo

Pássaro Noturno - Ataque Triplo já está disponível na plataforma Wattpad. É gratuito e super acessível. Não esqueça de seguir o autor, votar nos capítulos e compartilhar. Em breve o último conto da primeira trilogia também estará no ar.



NAMASTE! 

7 de fevereiro de 2020

COMBO BREAKER #009 - Oscar 2020 - O Escândalo do Parasita em 1917


De vez em quando é bom desopilar os sentidos e conferir experiências cinematográficas mais diversas, sair dos parques de diversão de Marvel, DC e Star Wars e assistir CINEMA DE VERDADE. Por isso, esse Combo Breaker traz meus reviews - nada abalizados - de O EscândaloParasita e 1917todos premiadíssimos no Globo de Ouro e de qualidade indiscutível, rumo ao Oscar 2020!

O ESCÂNDALO

Não sou um profundo conhecedor de política americana ou nada do gênero, e para não falar nenhuma besteira gigantesca - até porque besteiras leves é o que mais sei dizer! -, tive que me inteirar de alguns termos comuns antes de escrever sobre O Escândalo, um dos filmes mais politizados da lista que vou comentar aqui.

Conservador – 1. Que conserva ou preserva. 2. Que é contrário a mudanças políticas e sociais. Indivíduo que se opõe a inovações ou reformas.

Liberal – 2. Amigo da liberdade política e civil. 4. Pessoa partidária da liberdade política e religiosa; liberalista.

Liberalismo político é uma doutrina cuja meta é a proteção da liberdade do indivíduo. Os liberais defendem que o Estado é necessário como meio de proteção do indivíduo, mas não deve prejudicá-lo e nem representar, ele mesmo, um atentado à liberdade. Defende ainda que o Estado deve preservar a liberdade individual, de escolha dos representantes do povo, a igualdade dos indivíduos perante a eliminação de privilégios. Também defende a liberdade de expressão artística, cultural e religiosa.

A plataforma do Partido Republicano (GOP) envolve o apoio ao capitalismo de livre mercado, à livre iniciativa, ao conservadorismo fiscal, a uma forte defesa nacional, desregulamentação e restrições aos sindicatos. Além de defender políticas econômicas conservadoras, o Partido Republicano é socialmente conservador e busca manter valores tradicionais baseados principalmente na ética judaico-cristã.

Em meados de 2016, uma série de denúncias de assédio sexual contra o produtor de cinema Harvey Weinstein deu início ao popular movimento #metoo, que deu voz na internet a milhares de mulheres em milhares de outros casos de assédio pelo mundo todo, além de Hollywood. Weinstein acabou pagando caro por sua conduta, e muitas atrizes que já haviam trabalhado com ele, nos filmes que ele produzia (através do selo Miramax), o denunciaram à Justiça, colocando fim a sua carreira até então bem-sucedida.

Aqui Weinstein aparece ao lado de Quentin Tarantino e Uma Thurman, uma das atrizes que o denunciaram por assédio.

As denúncias contra Weinstein serviram também como um estopim para que Gretchen Carlson, uma das âncoras jornalísticas da Fox News, revelasse as insinuações sexuais - um dos motivos dos quais, inclusive, culminou em sua demissão do canal - que sofria do patrão Roger Ailes, o grande magnata por trás do polêmico canal de TV. O caso foi tão grave, que abriu precedente para que diversas outras mulheres que trabalhavam com ele entrassem em uma ação conjunta contra o empresário, o que acabou ocasionando a sua demissão algum tempo depois.

O Escândalo, escrito por Charles Randolph e dirigido por Jay Roach (de Entrando Numa Fria) é uma reprodução bem fiel a essa história, colocando Nicole Kidman no papel de Gretchen CarlsonJohn Lithgow como Roger Ailes e Charlize Theron (que também é produtora do longa) como a âncora Megyn Kelly, outra das mulheres que mais tarde revela ter sido vítima de assédio sexual.

John Lithgow em cena e o verdadeiro Roger Ailes

Enquanto ficção e realidade se misturam, Roach opta por uma direção dinâmica no início do filme e chega até mesmo a usar o recurso da quebra da quarta parede, com a personagem de Charlize mostrando para o público – enquanto encara a câmera – como funciona a redação da Fox News e as outras redações que estão no mesmo prédio. Quase toda a ação inicial se desenrola na queda de braço que Megyn Kelly acaba medindo com o, até então, candidato à presidência Donald Trump, e Roach mistura imagens encenadas com vídeos reais. Não há um ator interpretando Trump, por exemplo, e quando ele é interpelado por Kelly no filme, é ele mesmo quem está no vídeo, com imagens tiradas de arquivos.

A verdadeira Megyn Kelly em debate com Trump

A disputa entre Kelly e Trump se dá pelas acusações de assédio sexual do qual Trump era acusado na época, e num tom pouco ameno, ela acaba alfinetando Donald ao lhe questionar sobre isso, enquanto é insultada pelo candidato do partido republicano, em contrapartida. Se valendo de uma técnica bem conhecida também no Brasil, inclusive muito utilizada pelo hoje atual presidente, Trump usava sua conta no Twitter para disseminar seu ódio, chegando a ofender Kelly, chamando a de “repórter de baixa qualidade”, “alucinada”, “incompetente”, “pouco profissional” e “pouco talentosa”. Seja antes de ser eleito ou depois, Trump nunca escondeu de seu eleitorado seu machismo e misoginia, e esse embate entre ele e Kelly é um bom início para O Escândalo, se estendendo até a metade do filme e mostrando que causa certa instabilidade na carreira da jornalista. 

É bem difícil não fazer certa correlação com o que nós brasileiros sentimos em nossa última eleição, já que o perfil dos dois presidentes se iguala bastante – o nosso idolatrando o deles, inclusive – e uma vez que as táticas usadas para agredir com a total falta de tato social pelos meios de comunicação são as mesmas. Depois que se coloca contra Trump, embora faça parte da folha de pagamento do canal mais conservador dos EUA, e o PREFERIDO de Trump, Kelly começa a receber críticas nas ruas, tendo que ouvir sempre um “Truuump” em provocação, enquanto anda por aí. Se fosse no Brasil seria um “Mito” acompanhado do sinal da arminha nas mãos!
  
Introduzida no filme para escancarar mais os casos de assédio sexual contra Ailes e para que eles sejam mostrados graficamente, a personagem Kayla Pospisil de Margot Robbie é uma jovem e ambiciosa jornalista que almeja galgar degraus na profissão rapidamente, atitude que logo é notada por Ailes. A fim de dar um "empurrãozinho" na carreira da moça, o magnata a convida para uma reunião privada em sua sala, e claro, a assedia. Após as visitas ao chefe, ela começa a ascender na redação, mas a custo da própria consciência. Quando as denúncias de Gretchen contra Ailes explodem na mídia, um grupo de mulheres começa a se organizar na Fox News para também denunciar os abusos, e é quando Kayla decide se mobilizar, ficando ao lado delas.


Megyn Kelly é praticamente uma das últimas a aderir à causa, e por um bom tempo ela simplesmente se nega a acusar o homem que a ajudou em começo de carreira, e que praticamente a tornou a âncora de renome que ela se tornou nos quase 12 anos de Fox. Essa questão também pode ser levada para o nosso dia a dia. Quem nunca teve que aguentar até mesmo outros tipos de assédio por parte do chefe escroto só para manter seu emprego e o salário no final do mês? Vendo por esse lado, na vida real, mesmo que o assédio sexual seja algo tão grave e imoral, não dá para julgar uma mulher, que de repente, aceita passar por uma situação dessas em nome do prestígio e do bem-estar financeiro, ou para que seu status quo profissional não seja alterado. Quando Kelly percebe que o movimento das mulheres unidas contra o assédio sexual e a postura condescendente da empresa onde trabalha quanto aos casos de assédio é maior do que seu nome e prestígio, ela adere a ele e passa até mesmo a liderar o grupo, indo a fundo nas investigações e posteriormente derrubando Ailes do cargo.

Outra nuance que o filme trata é justamente o do comodismo de se trabalhar numa empresa que não representa os seus ideais, mas que paga seu salário e suas contas. A personagem de Kate McKinnon representa bem isso. Após um rápido relacionamento com Kayla, ela admite que está na Fox porque foi um dos primeiros empregos na área que ela conseguiu e que ele lhe dá seu sustento. Embora tenha que esconder sua orientação sexual de todos ali – porque afinal, ela está trabalhando no canal de TV mais conservador dos EUA! – e que não concorde em NADA com a ideologia da empresa, ela faz seu papel lá dentro como jornalista, fingindo que concorda com os discursos moralistas e pouco liberais dos patrões.

Margot Robbie, Nicole Kidman, Jay Roach (diretor), Charlize Theron e Charles Randolph (roteirista)

Apesar de dirigido e roteirizado por homens, O Escândalo mostra o assunto assédio sexual contra mulheres de uma maneira até mesmo bem didática, deixando bem claro o quanto essa prática, infelizmente corriqueira, acaba afetando de forma negativa suas vidas. Longe de saber o que realmente uma mulher passa quando é assediada no próprio local de trabalho, eu consegui captar a mensagem que o filme passa, e como às vezes – ou na maioria das vezes – o medo, a culpa e até mesmo o receio de uma possível difamação acabe atingindo de vez a vítima após a denúncia do crime.

"E se eu denunciar e ninguém acreditar em mim?"

"E se eu perder meu emprego e ficar queimada no mercado profissional por ter denunciado?"

Esses questionamentos chegam a ser levantados pelos advogados de Gretchen quando ela decide denunciar os abusos de Alies, e ela só consegue êxito quando mais mulheres aderem à causa. Sozinha, praticamente ela teria sido destruída pela Fox.

Alguns meses depois das acusações, foi descoberto que tanto a Fox News quanto Roger Ailes chegaram a pagar milhões de Dólares para abafar algumas denúncias de assédio ao longo dos anos, e mesmo defenestrado do canal, Ailes recebeu uma bela indenização por sua demissão, vindo a falecer em 2017.

Charlize incrivelmente parecida com Megyn Kelly

Charlize Theron e Margot Robbie concorrem ao Oscar de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante respectivamente, e O Escândalo ainda concorre ao prêmio de Melhor Maquiagem, o que convenhamos, o filme merece pela transformação de Theron em Megyn Kelly, que ficou perfeita.


PARASITA

Dirigido por Bong Joon Hoo o filme sul-coreano Parasita é com certeza uma das maiores surpresas do cinema em 2019. Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme EstrangeiroMelhor Roteiro de Cinema e Melhor Diretor, o filme não agradou somente a crítica especializada, como também deixou muito espectador casual de queixo caído na sala de cinema. 

Bong Joon Hoo

Criado para causar um impacto com a diferença gritante entre o estilo de vida da família de Ki-taek (Song Kang-Ho) e a dos ParkParasita não funciona só como uma crítica social sobre o abismo que separa ricos e pobres, mas também como uma forma muito sólida de nos mostrar o quanto a realidade de uma cultura tão distante da nossa, na verdade não é tão diferente assim. Espelhando os perrengues que Ki-Woo (Woo-sik Choi) e a família passam no começo do filme com qualquer morador pobre de país sul-americano de terceiro mundo, não chega a ser algo tão incomum. Soa até mesmo familiar.


O que difere Parasita das demais produções que disputam o Oscar, por exemplo, é a criatividade com que a história nos é contada, algo que só percebemos que estamos perdendo, quando nos despimos de nossos preconceitos culturais e abraçamos uma obra que vem um pouco mais além do que os EUA.


Morando numa espécie de porão – os chamados banjiha –, os desempregados Ki-taekKi-Woo (ou Kevin, como aparece nas legendas), Ki-Jung (Park So-Dam) e Chung-Sook (Chang Hyae Jin) se espremem no cubículo malcheiroso abaixo das ruas da cidade, enquanto tentam ganhar a vida da maneira como podem. A sorte da família começa a mudar quando um amigo de Ki-Woo oferece a ele um emprego para dar aula de inglês à filha de uma tradicional família de Seul, e ao conhecer a família Park e sua luxuosa mansão, a ambição de uma ascensão social começa a crescer em Kevin. Com um plano meticulosamente intrincado em mente, o rapaz e sua irmã golpista - chamada de Jessica na legenda- começam a dar um jeito de colocar os membros da própria família um a um para dentro da mansão dos Park, e é aí que a cobiça começa a lhes cobrar um preço altíssimo.

Park So-Dam e Woo-Sik Choi

Simplesmente não dá para tirar os olhos da tela depois que se começa a assistir Parasita. A trama nos faz mergulhar de um jeito bem particular no filme, e é impossível não torcer para que o plano da família aproveitadora dê certo em seus mínimos detalhes, bem como simpatizar com os carismáticos personagens. Com nuances de comédia bem características no cinema asiático, mas com uma dosagem bem grande de suspense e até mesmo de terror gore, Parasita é surpreendente em suas quase duas horas, e deixa boquiaberto qualquer cinéfilo em sua meia-hora final. Sem grandes efeitos visuais, truques de câmera ou mesmo exageros artificiais, o filme todo prende apenas com a direção firme de Bong Joon Hoo e com as atuações fantásticas do elenco, o que nos faz acreditar que mesmo com poucos recursos, é possível fazer cinema de qualidade.


Parasita concorre ao Oscar de Melhor FilmeMelhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Filme Internacional, Melhor Montagem e Melhor Direção de Arte, e dificilmente sairá de mãos abanando da premiação. Num ano em que CoringaJoJo Rabbit e Adoráveis Mulheres disputam o principal troféu da noite do Oscar, não acho nada difícil que o filme coreano abocanhe o prêmio, o que seria merecido.

1917

A meu ver, e pela minha parca experiência como espectador de cinema, eu diria que o filme que mais faz frente à Parasita como Melhor Filme no Oscar é 1917, do diretor Sam Mendes. Com uma história simples em que dois personagens devem se deslocar do ponto A até o ponto B em meio a Primeira Guerra Mundial, numa cidade francesa, o primor técnico que Mendes e sua equipe conseguem ao executar as filmagens quase que inteiramente num longo plano-sequência, num filme de quase duas horas, é de se aplaudir em pé. Eu não me lembro de ter visto nada parecido em minha vida.

Sam Mendes no set

Filmes de guerra são muito populares, e de cabeça dá para citar uns cinco aqui sem apelar para o Google, mas a ousadia de Sam Mendes em querer contar a história fictícia dos soldados Blake (Dean-Charles Chapman, o Tommen Lannister de Game of Thrones) e Schofield (George Mackay) em meio a uma França tomada por rivais alemães, precisando entregar um recado a uma tropa que está prestes a cair numa armadilha, fazendo os dois rapazes atravessarem a cidade sem nenhum apoio, não só prende a atenção do espectador do começo ao fim como o coloca de carona com eles. O tempo todo nós somos a companhia de Blake e Schofield e não os perdemos de vista até que sua missão seja cumprida (pelo menos parcialmente!).


O plano-sequência é com certeza um dos meios de filmagem mais complexos de se conseguir no cinema, já que exige que uma infinidade de fatores contribua para o sucesso dele, tendo que funcionar tudo AO MESMO TEMPO. Para uma “cena simples” em plano-sequência dar certo, o ator não pode errar a fala (se for o caso de um diálogo), o cenário tem que estar bem iluminado, a câmera tem que estar bem posicionada, os figurantes precisam estar atentos para não aparecerem mais do que devem e principalmente a execução disso tudo tem que estar bem afiada com o desejo do diretor. Um erro não compromete só uma cena, mas uma sequência inteira!

Vocês se lembram de Birdman? O filme que ganhou o Oscar em 2015 era quase que totalmente filmado em plano-sequência, mas era baseado mais em diálogos e interação entre atores do que em ação propriamente dita. Em 1917, estamos no meio de uma batalha. Os personagens precisam lutar por suas vidas enquanto tentam chegar até seu destino e os empecilhos no caminho são muitos. Como se faz sequências tão grandes e complexas de ação sem que tiremos nossos olhos da tela?

Não sei, mas Sam Mendes conseguiu!

Os cenários de guerra são riquíssimos em detalhes. Enquanto os dois rapazes se deslocam, podemos ver os pormenores de trincheiras, casebres, fortes e até mesmo rios cheios de corpos humanos putrefatos boiando, e isso tudo DO NOSSO LADO, ou NA NOSSA CARA. Com um olhar mais clínico, é possível adivinhar os momentos em que os cortes de cena são inseridos na edição, óbvio, mas o plano-sequência falso é tão bem executado, que a sensação ao final do filme é que estivemos acompanhando toda a missão dos dois soldados em tempo real. Tem hora que nem dá pra saber onde está fixada a câmera. É sensacional!



Um bom exemplo de como esse estilo de filmagem impressiona, é quando o avião alemão despenca do céu, após ser abatido. Do momento em que vemos ao longe a batalha aérea, até o ponto exato em que o veículo começa a se precipitar ao chão, não tem um só corte na cena. Nessa sequência tudo funciona. A câmera, a reação dos dois soldados, a sonorização, o impacto da queda e a surpresa. Ali só não funciona mesmo a "bundamolice" de Blake e Schofield, que acabam sendo “bonzinhos” demais com seus inimigos, mesmo após identificá-los – o piloto falou alemão, porra! -, caindo numa armadilha previsível e mortal ao tentar salvar a vida do piloto. 

Mais adiante da missão, é a vez de Schofield se deparar com um inimigo e tentar silenciá-lo, em vez de acabar com ele de uma vez, já que ele estava em desvantagem. Mas não são esses detalhes que estragam o filme.


1917 é uma belíssima obra cinematográfica que precisa ser assistida em tela grande, com uma sonorização especial de cinema. Esses recursos ajudam bastante na entropia da imersão à história, além de causar uns sustos providenciais na hora que a bala começa a comer solta. 

O filme ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme DramáticoMelhor Direção para Sam Mendes (justíssimo!) e Melhor Trilha Sonora Original. O filme tem 10 indicações ao Oscar, entre elas, pela parte técnica, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som, e prêmios gigantes como Melhor Filme e Melhor Direção.

A disputa esse ano vai ser acirradíssima, lembrando que na lista de melhores filmes ainda consta Ford vs. FerrariO IrlandêsHistória de um Casamento e Era uma vez... Em Hollywood.


Fontes usadas no post:

Liberalismo político
Partido Republicano
Megyn Kelly vs. Trump 
O caso Harvey Weinstein

NAMASTE!   

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