E aí, como cês tão?
Não tenho aparecido muito aqui para escrever, eu sei. A vida
vem exigindo bastante do velho Rodman, e ele já não vê mais tanta motivação para
fazer algumas coisas. Mesmo assim, continuo acompanhando as séries da
Marvel/Netflix, APESAR do meu último parecer sobre isso. Vocês leram?
Uau, Rodman! Quanta melancolia! Vá beber para curar isso!
Seria uma boa ideia, caro padawan, mas no lugar disso vou
falar mal de Os Defensores primeiro.
Com menos episódios que suas antecessoras (graças a Odin!),
Os Defensores só possui oito, e os diretores S.J. Clarkson, Phil Abraham,
Farren Blackburn e Uta Briesewitz se revezam atrás das câmeras para movimentar
a história que pega um pouquinho de Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho
de Ferro para nos contar como o Tentáculo está PROFUNDAMENTE instaurado em Nova
York, assim como em outras partes do mundo (São Paulo, por exemplo). Assim
como a reunião de qualquer super grupo de heróis, a dos Defensores se dá porque
“Os Cinco Dedos” da “Mão” (o nome original do Tentáculo é “The Hand”) Alexandra
(Sigourney Weaver), Bakuto (Ramon Rodriguez), Madame Gao (Wai Ching Ho), Sowande
(Babs Olusanmokun) e Murakami (Yutaka Takeuchi) estão na cidade, e a união
deles é algo GRANDE demais para que sozinhos eles possam enfrentar.
Usando a empresa Midland Circle como sede, Os Cinco Dedos
articulam para continuar no poder usando pessoas e manipulações, assim como têm
feito há séculos, só que dessa vez seu tempo ESTÁ ACABANDO.
Segundo a série, os
cinco são os primeiros desertores de K’un-Lun, que se juntaram para usar os
conhecimentos da Cidade Mística para seus objetivos escusos. Em poder de uma
substância que os impede de morrer, Os Cinco mantém-se por trás de grandes grupos
e empresas para se beneficiar ao longo dos séculos, só que essa substância se esgota quando
Alexandra traz o Céu Negro de volta à vida, acreditando numa profecia que diz
que ela trará morte rápida aos inimigos do Tentáculo. O Céu Negro, como vimos
na segunda temporada de Demolidor, é ninguém menos que Elektra Natchios (Élodie Yung), o
primeiro amor de Matt Murdock (Charlie Cox) que foi morta por Nobu.
Desacreditada pelos demais membros dos Cinco, Alexandra
trata Elektra como uma filha sua, e sofrendo com uma doença terminal, ela
descobre uma passagem rápida de volta a K’un-Lun no subterrâneo da Midland
Circle, o que pode salvar a vida e a imortalidade de todos eles. Nos últimos
episódios descobrimos que a tal substância é derivada dos ossos de dragões
mortos na entrada da Cidade Mística, e a chave para abrir o portal para K’un-Lun
é o punho de Daniel Rand (Finn Jones) e seu poder.
Só assim para acharem ALGUMA utilidade
para esse cara!
O roteiro escrito por Drew Goddard e Brian Michael Bendis
nem é dos piores, mas mesmo com poucos episódios, a história se ARRASTA e não
aproveita o que poderia haver de melhor, a interação entre os heróis. Colocados lado a
lado, dá pra perceber nitidamente que os quatro não têm química juntos, e os diálogos entre
eles são muito mal escritos. De longe, Matt e Jessica (Krysten Ritter) são os
mais carismáticos, e quando se afastam dos demais, acabam funcionando como
dupla. Dois exemplos disso é quando um persegue o outro nas ruas de NY e depois
quando agem juntos para tentar encontrar o que estava por trás do engenheiro
que tentou explodir Midland Circle e que acabou assassinado por Elektra.
Pra variar,
Luke Cage (Mike Colter) e Punho de Ferro não têm sal algum, e é difícil torcer
para qualquer um deles ou encontrar motivação para isso. Mais uma vez a
presença feminina acaba criando as melhores situações na série, e tanto Colleen
Wing (Jessica Henwick) quanto Misty Knight (Simone Missick) têm ótimas
participações, apesar de aparecerem com mais importância só mesmo nos últimos episódios.
Por falar em importância feminina... Deem logo uma série própria para a Claire
Temple (Rosario Dawson)! É essa mulher que faz essas bostas de séries ainda
terem alguma relevância! Além de divertida e engraçada, ela ainda sabe dar
porrada em ninja melhor que o Punho de Ferro!
Pensar na trama de Os Defensores como algo ruim não é bem o
cerne da questão, já que a história até que é arrumadinha, o problema é seu
desenvolvimento. Pouca coisa funciona na série. As cenas de ação não são boas e
as reviravoltas duram pouco tempo para que tenham algum impacto. Nenhum dos diretores
de cena conseguem acertar no ritmo para que consigamos nos importar com o que
acontece, e tudo é muito jogado de qualquer jeito na tela. E nem estamos
falando aqui de efeitos especiais, já que a série independe de grandes efeitos,
uma vez que nada muito grandioso acontece.
Temos o Demolidor, grande conhecedor de algumas artes
marciais, treinado por Stick (Scott Glenn) nos paranauês ninjas, temos o Punho
de Ferro, O IMORTAL Punho de Ferro, a Arma Viva, que treinou a vida toda para
ser nada menos que o MELHOR lutador do mundo, temos o Tentáculo e sua horda de
ninjas assassinos fodões, temos a Elektra, também treinada desde criança para
ser uma lutadora letal... E NÃO TEMOS SEQUER UMA BOA CENA DE PANCADARIA NESSA
PORRA EM OITO EPISÓDIOS!
Eu fico puto da cara de pensar que depois da primeira
temporada de Demolidor os caras simplesmente desistiram de tentar nos convencer
que alguma luta ali naquele universo é de verdade. Quando não são lutas fakes
com atores lentos e destreinados fingindo que sabem artes marciais, são lutas
longas e grosseiras que acabam não tendo nenhum impacto no espectador, além de
sono e fadiga.
E o que foi aquele hip hop inserido de forma aleatória na luta dos Defensores contra o Tentáculo abaixo de Midlannd Circle no último episódio? Podia tocar o tema dos Trapalhões que combinava mais!
Está na hora da Marvel e da Netflix arranjarem alguns coreógrafos
e dublês melhores para que a gente acredite que esses merdas sabem bater de
verdade em alguém, pelo menos melhor que um cara qualquer que arranja briga no
bar! Por Zeus!
Os Defensores prometia ser a GRANDE reunião dos heróis
Netflix após a estreia solo de cada um deles, mas acabou sendo um grande fiasco
já que eles funcionam melhor sozinhos do que em grupo. Bem... alguns deles funcionam!
NOTA: 6
O JUSTICEIRO
“Caralhooo! O melhor Justiceiro!”
“Puta que pariu o Justiceiro é muito foda!”
“Eu quero dar para o Justiceiro!”
“Queremos uma série própria do Justiceiro!”
Foram algumas coisas que quase todo mundo que viu a segunda
temporada de o Demolidor (com a estreia do Justiceiro na TV) falou e pediu. Bem, a Netflix atendeu nossos
pedidos... Só que não como a gente queria!
Criado por Steve Lightfoot e estrelada por Jon Bernthal (que
sim, é o melhor Justiceiro em live-action, não que isso fosse muito difícil
dada a concorrência!) a série do Justiceiro prometia chegar chutando bundas, em
vez disso nos empurrou uma história ARRASTAAAAAAADA em 13 episódios (chega de
tantos episódios!) que serviu para contar que o assassinato da família de Frank
Castle não era bem o que ele e nós pensávamos que fosse. Achou que ia ter uma
série do Justiceiro caçando vagabundo e desfazendo quadrilhas de mafiosos?
Achou errado, otário!
Castle na verdade teve a família inteira assassinada devido
suas ligações com seus comandantes do tempo de fuzileiro no Afeganistão, e
pelos crimes cometidos lá em tempo de guerra. Enquanto uma cena se repete por
quase todos os primeiros episódios mostrando Castle e outros fuzileiros (incluindo
o “amigo” Billy Russo) torturando um prisioneiro de guerra, vemos Frank longe
da ação, procurando levar uma vida tranquila de peão de obra agora que ele
acredita que vingou todos os responsáveis pelas mortes de sua esposa e dos dois
filhos. Dado como morto e com uma nova identidade, ele é obrigado a revisitar seu passado quando encontra
evidências de que as coisas não aconteceram bem como ele pensava, e a cada
episódio, com a ajuda do hacker Microchip (Ebon Moss-Bachrach), ele descobre que
o buraco é MUITO mais embaixo.
Investigações feitas pela detetive da CIA Dinah Madani
(Amber Rose Revah) mostram que vários militares estão envolvidos com corrupção
e a entrada ilegal de armas nos EUA, e de alguma forma tudo está conectado com
a missão do Afeganistão, Frank Castle, os comandantes e Billy Russo (Ben Barnes).
Enquanto Castle e Microchip afundam nesse passado misterioso
até o pescoço, a gente dorme gostosinho no sofá com ESSA SÉRIE CHATA PARA
CARALHO em que nada acontece por quase dez episódios. A história de vingança do
Justiceiro apenas muda de foco quando ele percebe que matou apenas os peões da
sua tragédia familiar, e que os mandantes estão bem e vivos, curtindo por aí.
Parece até Tropa de Elite essa merda!
Mas Rodman! Tem muita violência e tiroteio! É massa!
Não, não é!
Essa história envolvendo a CIA, NSA, Exército e toda essa trama
rocambolesca torna O Justiceiro chata e cansativa, além do que o drama familiar
do Microchip é totalmente desnecessário e tira o foco do personagem principal.
É como se eu comprasse uma revista do Batman, com o Batman na capa e dentro
tivesse uma história contando a vida da família do Alfred! Porra!
Pra não dizer que O Justiceiro é um desperdício total de
tempo, é possível apreciar a ótima atuação de Jon Bernthal, que sabe nos
convencer que ele é um cara torturado pela dor e culpa. Suas expressões de
desequilíbrio e seus urros de dor lembram os bons e velhos tempos de Mel Gibson
dando vida a seu Martin Riggs em Máquina Mortífera, e dá gosto de ver ele partindo pra cima de
vagabundo e acabando com o infeliz do jeitinho que só Frank Castle sabe fazer.
Se houver uma segunda temporada, esperamos que o Justiceiro
retratado seja o mais urbano, aquele que caça OUTROS bandidos espalhados por aí, e que os criadores não inventem que “na verdade foi o Presidente da República
que mandou matar sua família” ou algo idiota assim.
NOTA: 6
JESSICA JONES SEGUNDA TEMPORADA
Em questão de representatividade feminina a segunda
temporada de Jessica Jones começou bem, já que estreou no Dia Internacional da
Mulher, comandada pela showrunner Melissa Rosenberg, teve muitos dos 13 episódios
dirigidos por mulheres e também escrito por elas. Esses fatores, claro,
serviram para que a personagem fosse melhor compreendida e retratada nessa
sequência direta de Os Defensores, lugar onde Jessica apareceu pela última vez.
Com episódios mais atraentes e menos cansativos, Jessica
Jones nos empurra para o passado, atrás de respostas para os poderes de
Jessica, o seu grande trauma pela morte de seus pais e seu irmão, e claro, o que
a tornou aquela mulher tão mal humorada e desacreditada da vida que afasta
todos que tentam se aproximar.
Jessica achava que não precisava saber o que realmente
aconteceu no dia do acidente que matou sua família e a deixou em coma, mas sua
amiga Patsy "Trish" Walker (Rachael Taylor), cuja carreira de radialista está
afundando, não quer deixar essa história sob as sombras. Trish faz com que
Jessica comece a investigar a empresa IGH e seus responsáveis, e a detetive
acaba descobrindo que, além dela, outros experimentos humanos acabaram se
originando de lá, incluindo o ex-namorado de Trish Will Simpson, um sujeito com
supervelocidade denominado “Ciclone” e alguém MAIS PRÓXIMO dela do que Jessica
imagina.
Enquanto mergulha fundo nos segredos da IGH com a ajuda de
seu assistente Malcolm (Eka Darville), Jessica descobre a existência de um
cientista chamado Karl Malus (Callum Keith) que está profundamente ligado ao
dia em que o acidente de carro matou toda sua família.
Nos quadrinhos, Malus
estava sempre ligado a desenvolvimento de poderes, e numa aventura do Capitão
América muito antiga ele estava por trás da agência que dava superpoderes a lutadores de
luta-livre.
Malus deu super-força ao Agente Americano, Demolição e Sharon
Ventura (que foi uma das Miss Marvel e a Mulher-Coisa) entre outros.
Todo o clima de investigação, as buscas de Jessica por seu
passado e as ações detetivescas permeiam grande parte dos episódios, deixando o
espectador curioso pelo que vem no próximo capítulo. O mistério sobre a mulher
super-forte que age a mando de Malus faz com que nós nem sintamos falta de um
vilão de verdade como o Killgrave da primeira temporada, mas o foco se perde
próximo do final da série, o que acaba fazendo com que o desfecho dela seja o
PIOR momento da temporada toda.
De
qualquer forma, Jessica Jones é bem melhor que as últimas séries que a parceria
entre Marvel e Netflix vêm lançando, e essa temporada dá pra assistir sem medo,
pelo menos pelo clima noir de investigações. A personagem de Krysten Ritter
também é bem interessante, e saber sobre seu passado reforça o carinho que
sentimos por ela, mesmo com seu jeitão bruto.
Há uma mulher solitária por trás
da beberrona que passa os dias afogando as mágoas na bebida barata, e também
não é assim com todos nós na vida real? Nem todo mundo tem a sorte de encontrar o grande
amor da sua vida. Para o restante de nós cabe a solidão... Ou garrafas e
garrafas de bebida para amenizar a dor.
Nota: 7
PS.: Patsy Walker passou por um procedimento de aquisição de poderes com o cientista Karl Malus, com inveja das habilidades da amiga Jones. Pra quem não sabe, nos quadrinhos, essa personagem se torna a Felina (ou Gata do Inferno) após usar um "uniforme" especial. Será que rola ver a Patsy com aquele colante amarelo na próxima temporada?
PS. 2: Foi ou não foi de lavar a alma a cena em que Frank Castle "transforma" Billy Russo no Retalho??
PS. 3: Os dois são uns bostas na série, mas foi bacana a briga entre Luke Cage e Punho de Ferro logo que eles se conhecem.
NAMASTE!
Acha a série do Justiceiro chata, mas Jessica Jones não. Fica difícil te entender, Rod.
ResponderExcluirNa verdade eu estou achando TODAS essas séries da Marvel muito chatas, mas essa segunda temporada da Jessica Jones foi menos intragável que a outra, por exemplo. Justiceiro dormi em vários episódios. Muito ruim.
ExcluirEu amo essa história por sua narrativa, O Justiceiro, deixar uma boa experiência. Esta serie e muito bom, la adorei porque foi recomendado para mim e eu me tornei um fã quando soube que Jon Bernthal estava participando dele. Jon Bernthal e me ator favorito. Ele sempre surpreende com os seus papeis, pois se mete de cabeça nas suas atuações e contagia profundamente a todos com as suas emoções. Adoro porque sua atuação não é forçada em absoluto. Seguramente o êxito de ator Jon Bernthal deve-se a suas expressões faciais, movimentos, a maneira como chora, ri, ama, tudo parece puramente genuíno. Sempre achei o seu trabalho excepcional, sempre demonstrou por que é considerado um grande ator. Gosto muito do ator e a sua atuação é majestuosa.
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